terça-feira, 19 de maio de 2009

COISAS SACRIFICADAS AOS ÍDOLOS (1)


A palavra idolatria vem do grego, eidolon (ídolo), e latreuein (adorar). Esse termo refere-se à adoração ou veneração a ídolos ou imagens, quando usado em seu sentido primário. Porém, em um sentido mais lato, pode indicar veneração ou adoração a qualquer objeto, pessoa, instituição, ambição, etc., que tome o lugar de Deus, ou que lhe diminua a honra que lhe devemos. Nesse sentido mais amplo, todos os homens, com bastante frequência, se não mesmo continuamente, são idólatras. Naturalmente, essa condição surge em muitos graus; e um dos principais propósitos da fé religiosa e do desenvolvimento espiritual é livrar-nos totalmente de todas as formas de idolatria. Paulo, em Colossenses 3.5, ensina-nos que a cobiça é uma forma de idolatria. Isso posto, qualquer desejo ardente, que faça sombra ao amor a Deus, envolve alguma idolatria.

A idolatria consiste na adoração a algum falso deus, ou a prestação de honras divinas ao mesmo. Esse deus falso pode ser representado por algum objeto ou imagem. A idolatria é má porque seus devotos, em vez de depositarem sua confiança em Deus, depositam-na em algum objeto, de onde não pode provir o bem desejado; e, em vez de se submeterem a Deus, em algum sentido submetem-se ás perversões de valor representadas por aquela imagem.


Na idolatria há certos elementos da criação que usurpam a posição que cabe somente a Deus. Podemos fazer da autoglorificação um ídolo, como também das honrarias, do dinheiro, das altas posições sociais e eclesiásticas. Praticamente tudo que torne excessivamente importante em nossa vida pode tornar-se um ídolo para nós. A idolatria não requer existência de qualquer objeto físico. Se alguém adora um deus falso, sem transformá-lo em imagem, ainda assim é culpado de idolatria, porquanto fez de um conceito uma falsa divindade.


Toda idolatria é corrupta. Paulo declara que os ídolos representam forças demoníacas (I Co 10.19-20). A religião dos cananeus era repleta de corrupções morais, que ameaçavam continuamente a Israel. Havia todos os tipos de abusos sexuais, como a prostituição sagrada, associados aos cultos da fertilidade, nos quais Baal e Astarte eram adorados, sem falarmos em cultos onde havia orgias de bebidas alcoólicas. Também havia o sacrifício de crianças na fogueira. A radicalidade dessa forma de idolatria foi a razão por detrás do mandamento da eliminação de toda forma de idolatria, com a destruição das imagens, colunas e estátuas, e com a destruição dos lugares altos onde esses ritos eram efetuados (Dt 7.1-5; 12.2,3 ).


Um ídolo representa alguma divindade, ou então é aceito como se tivesse qualidades divinas por si mesmo. Em qualquer desses casos aquele objeto recebe adoração. Contudo, é possível haver uma imagem, sem que essa seja adorada, como no caso dos querubins que havia no propiciatório (Êx 25.18) e no templo de Jerusalém (2 Cr 3.10-13), que ali por orientação divina, representavam verdades espirituais, sombras das coisa futuras. Sem dúvida, esses querubins não eram adorados, formando uma exceção acerca da proibição de imagens.

CLASSES DE DEUSES

Os deuses falsos podem ser classificados conforme abaixo:

Espíritos criados ou eternos : Anjos divinizados, espíritos demoníacos, gênios, deuses guardiães, deuses infernais, semideuses (heróis divinizados), filhos de deuses e mulheres ou de deusas e homens.


Corpos celestes : Poderíamos falar sobre o sol, a lua, os planetas, as estrelas, que supostamente seriam habitações de deuses, ou seriam os próprios seres espirituais. Os antigos não faziam idéia sobre as enormes dimensões desses corpos celestes, e nem sobre a distância que os separa de nós. A adoração ao sol tem sido uma das maiores formas de idolatria que o homem já criou.


Elementos naturais: O ar, o oceano, rios, fontes, etc. Pensava-se que os deuses controlam esses elementos, e os próprios elementos tornaram-se objetos de adoração e respeito.


Meteoros e manifestações celestes: Além dos meteoros e cometas literais serem adorados como deuses, manifestações celestes como os ventos, o relâmpago, o trovão, etc., foram considerados atos divinos.


Minerais e fósseis: Estranhos ou interessantes objetos minerais, como gemas e rochas têm sido transformados em deuses pelos homens. Os citas adoravam o ferro; e muitas nações adoravam metais preciosos como o ouro e a prata. De fato, o ouro continua sendo um dos principais deuses, entre as nações. Os finlandeses adoravam pedras, as mais variadas.


Plantas: Cebola e alho têm recebido qualidades divinas imaginárias. Certas árvores têm sido adoradas. Os druidas homenageavam o carvalho. O trigo e outros cereais eram adorados sob os nomes de Ceres e Proserpina.


Animais marinhos: Os sírios e os egípcios envolveram-se nesse tipo de idolatria.


A serpente: Com muita frequência, povos antigos e modernos têm à adorado. Poderíamos relembrar, neste ponto, a adoração diretamente prestada ao diabo. Em vários lugares do mundo religiões têm sido organizadas para fomentar a adoração a Satanás.


Animais terrestres: O gado em forma de touro sagrado (Ápis) era adorado no Egito. Vários mamíferos como o gato, o porco (em Creta), o rato (em Trôade), o leão, o crocodilo, e muitos outros animais chegaram a receber posição divina.


Insetos: Na Índia existem aqueles que divinizam as baratas. No Egito não se podia matar besouros.


Homens deificados: Homens têm sido feitos deuses ainda em vida, ou após a morte. Isso era comum em Roma, no tocante aos imperadores; mas tal costume não estava limitado aos romanos.


Virtudes deificadas: As virtudes têm sido primeiramente personificadas, e então deificadas. Poderíamos falar sobre o amor, a razão, a prudência, a arte, a felicidade, o espírito guerreiro, etc.


A natureza: No panteísmo, encontramos a deificação da natureza como um todo (Deus é tudo e tudo é Deus).


IDOLATRIA À LUZ DA BÍBLIA


O segundo mandamento da lei de Deus proíbe qualquer forma de idolatria ( Êx 20.3-5 ). No Novo Testamento, qualquer coisa muito desejada, que suplante a comunhão com Deus ou a impeça, é considerada idolatria (I Co 10.14; Gl 5.20; Cl 3.5). A teologia moral cristão insiste em que qualquer desejo desordenado, que veja o objeto de tal desejo como a fonte última do bem e a base do bem-estar do indivíduo, é idolatria.


Formas de Idolatria na Bíblia: A adoração a imagens ( Is 44.17 ), a adoração a deuses falsos, ( Dt 30.17; Sl 81.9 ), a adoração a demônios ( Mt 4.8-10; I Co 10.20 ), o manter ídolos no próprio coração ( Ez 14.3,4 ), a adoração aos espíritos dos mortos ( Sl 106.28 ), a cobiça ( Ef 5.5; Cl 3.5 ) os desejos egoístas ( Fl 3.19 ), a redução da glória de Deus em uma mera imagem ( Rm 1.23 ), a adoração aos corpos celestes ( Dt 4.19 ).


Descrições Bíblicas de Idolatria: Ali a idolatria é uma abominação ( Dt 7.25, é odiosa para Deus ( Dt 16.22 ), é vã e tola ( Sl 115.4-8 ), é destituída de proveito ( Jz 10.14; Is 46.7 ), é irracional ( At 17.29; Rm 1.21-23 ), é contaminadora ( Ez 20.7; 36.18 ).


Adjetivos Aviltadores: Os ídolos e as imagens de esculturas são deuses estranhos ( Gn 35.2 ), são novos deuses ( Dt 32.17 ), são deuses fundidos ( Êx 34.17 ), são imagens de escultura ( Is 45.20 ), são destituídos de sentido ( Sl 115.5,7 ), são abomináveis (Is 44.19 ), são pedras de tropeço ( Ez 14.3 ), não passam de vento e confusão ( Is 41.29 ), são como o nada ( Is 41.29; 42.24; I Co 8.4 ), são impotentes ( Hb 10.5 ) são vaidades dos gentios ( Jr 14.22 ).


Castigos Prometidos aos Idólatras: A morte judicial ( Dt 17.2-5 ), o banimento ( Jr 8.3; Os 8.5-8 ), a exclusão do céu ( I Co 6.9-10; Ef 5.5; Ap 22.15 ), o julgamento da eternidade ( Ap 14.9-11; 21.8 ).


A IDOLATRIA NA HISTÓRIA DE ISRAEL

Não houve nenhum período da história dos hebreus em que esse povo estivesse isento da atração exercida pelos ídolos. Raquel tomou os terafins (deuses domésticos, representados por figuras de barro) com ela, quando Jacó e seus familiares fugiram de Labão ( Gn 31.34 ). No Sinai ( Ex 32 ), em suas vagueações no deserto ( Nm 25.1-3; 31.16 ), imediatamente antes de entrarem na terra prometida ( Dt 4.15-19 ), no tempo dos juízes de Israel ( Jz 2.11-13; 6.25-32; 8.24-27 ), no tempo de Salomão, através da influência de suas muitas esposas estrangeiras ( I Rs 11.1-8 ), no tempo de Jeroboão, quando houve a adoração ao bezerro de ouro ( I Rs 12. 25-33 ), durante o reinado de Reboão em Judá ( I Rs 14.21-24 ), sob Acabe, em Israel ( I Rs 16.32 ), o que levou Elias a desafiar a idolatria ( I Rs 14. 21-24 ), nos dias do profeta Amós ( Am 5.26 ), nos dias de Isaías ( Is 2.8; 40.18-20; 41.6; 44.9-20 ), nos dias de Jeremias ( Jr 2.23-25; 10.2-10; 11.13; 23.13-14 ), nos dias de Oséias ( Os 2.16-17; 8.4-6 ).


A IDOLATRIA NA IGREJA

Os intelectuais católicos, tal como seus colegas budistas, dizem que as imagens de escultura são apenas memórias de qualidades dignas de emulação, de santos e heróis espirituais, o que, presumivelmente, ajudaria os religiosos sinceros a copiarem tais virtudes. Entretanto, o povo comum não é sofisticado o bastante para separar a imagem da adoração à divindade ou santo. E nem significa grande coisa a autêntica distinção entre adoração e veneração. O resultado disso é que a idolatria tornou-se muito comum na igreja católica e na igreja oriental.


Apesar dos grupos protestantes e evangélicos terem removido as formas mais rudes de idolatria, de seu culto, ainda assim há muitas formas sutis de idolatria ainda cultivadas. Vejamos alguns exemplos;

-A cobiça

-O credo ou título denominacional

-O apego as coisas materiais

-Pregadores idolatrados

-Profetas idolatrados

-Pastores idolatrados

-Cantores idolatrados

CONCLUSÃO

Os fatos históricos nos servem de exemplo e advertência. Se errarmos como errou o povo de Israel, certamente estaremos passivos de sofrermos e sermos penalizados pela desobediência a Deus manifesta em forma de idolatria. Através da citação da forma sutil com que a idolatria está presente em nosso meio, devemos no mínimo tomar a atitude que Davi tomou ao pedir;

“Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me e conhece os meus pensamentos. E vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno.” ( Sl 139.23-24 )

Que o Senhor nos guarde de sermos seduzidos por qualquer forma de idolatria. Que Ele possa ter sempre em nossa vida o primeiro lugar, e receber de formar exclusiva toda adoração, toda honra, toda glória e todo o louvor, pelos séculos dos séculos, Amém!

Resumido e compilado de:

R. N. Champlin, O Antigo Testamento Interpretado, CPAD, 2001.

4 comentários:

Anônimo disse...

l co 8:10 Porque, se alguém te vir a ti, que tens ciência, sentado à mesa no templo dos ídolos, não será a consciência do que é fraco induzida a comer das coisas sacrificadas aos ídolos?
l co 10:27 E, se algum dos infiéis vos convidar, e quiserdes ir, comei de tudo o que se puser diante de vós, sem nada perguntar, por causa da consciência. 28 Mas, se alguém vos disser: Isto foi sacrificado aos ídolos, não comais, por causa daquele que vos advertiu e por causa da consciência; porque a terra é do Senhor, e toda a sua plenitude.
29 Digo, porém, a consciência, não a tua, mas a do outro. Pois por que há de a minha liberdade ser julgada pela consciência de outrem?


Pr Altair,sera que corremos risco se um amigo nos convida para irmos comer algo em uma festa junina?

matheus.

Laudicéia Mendes disse...

Pastor sempre leio teus subsídios, mas desta feita restou-me uma dúvida sobre a classificação "espíritos criados ou eternos"...em que sentido se aplica, uma vez que a eternidade é um atributo exclusivo de Deus, os demais espíritos, anjos,são imortais não eternos. É uma observação que caso não proceda, me perdoe.

ALTAIR GERMANO, disse...

Prezada Laudicéia, vossa observação é pertinente.

Como se trata de uma transcrição, o termo "eternos" foi utilizado pelo autor original, onde caberia melhor "imortais", no sentido de que apesar de terem um começo, tais espíritos não serão extintos.

Abraços.

Elisomar disse...

Bem própria a postagem para a minha pergunta. Biblicamente falando, é lícito um evangélico montar barraca de lanche em festas dedicadas à imagens? EXemplo: Festa da Conceição,"arraiá" etc.