quinta-feira, 7 de maio de 2009

DEMANDAS JUDICIAIS ENTRE IRMÃOS. Subsídio para Lição Bíblica

"Aventura-se algum de vós, tendo questão contra outro, a submetê-lo a juízo perante os injustos e não perante os santos? Ou não sabeis que os santos hão de julgar o mundo? Ora, se o mundo deverá ser julgado por vós, sois, acaso, indignos de julgar as coisas mínimas? Não sabeis que havemos de julgar os próprios anjos? Quanto mais as coisas desta vida! Entretanto, vós, quando tendes a julgar negócios terrenos, constituís um tribunal daqueles que não têm nenhuma aceitação na igreja. Para vergonha vo-lo digo. Não há, porventura, nem ao menos um sábio entre vós, que possa julgar no meio da irmandade? Mas irá um irmão a juízo contra outro irmão, e isto perante incrédulos! O só existir entre vós demandas já é completa derrota para vós outros. Por que não sofreis, antes, a injustiça? Por que não sofreis, antes, o dano? Mas vós mesmos fazeis a injustiça e fazeis o dano, e isto aos próprios irmãos! Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus?" (1 C0 6.1-9a)

O texto nos fala claramente que o apóstolo Paulo não admitia o fato de crentes procurarem nos tribunais seculares (ou entre crentes indignos), a solução para os seus conflitos e causas. Observe as colocações feitas:

- O termo grego traduzido para "aventura-se" (v. 1) é tolma (pres. ind. de tolmáo). Trata-se de uma expressão contundente, podendo significar uma atitude audaciosa, ousada ou atrevida. O tempo presente sinaliza que o fato estava em processo.

- Os santos julgarão o mundo e os anjos (v. 2 e 3). Esta declaração se refere aos eventos escatológicos descritos abaixo, sendo apresentados por Paulo com uma maior abrangência, principalmente em relação ao julgamento do mundo:

"Jesus lhes respondeu: Em verdade vos digo que vós, os que me seguistes, quando, na regeneração, o Filho do Homem se assentar no trono da sua glória, também vos assentareis em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel." (Mt 19.28)

"Assim como meu Pai me confiou um reino, eu vo-lo confio, para que comais e bebais à minha mesa no meu reino; e vos assentareis em tronos para julgar as doze tribos de Israel." (Lc 22.29-30)

"Vi também tronos, e nestes sentaram-se aqueles aos quais foi dada autoridade de julgar. Vi ainda as almas dos decapitados por causa do testemunho de Jesus, bem como por causa da palavra de Deus, tantos quantos não adoraram a besta, nem tampouco a sua imagem, e não receberam a marca na fronte e na mão; e viveram e reinaram com Cristo durante mil anos." (Ap 20.4)

"Então, o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos" (Mt 25.41)

"Ora, se Deus não poupou anjos quando pecaram, antes, precipitando-os no inferno, os entregou a abismos de trevas, reservando-os para juízo;" (2 Pe 2.4)

"e a anjos, os que não guardaram o seu estado original, mas abandonaram o seu próprio domicílio, ele tem guardado sob trevas, em algemas eternas, para o juízo do grande Dia;" (Jd 6)

- Um tribunal composto por pessoas sem a mínima condição de arbitrar sobre as questões entre os irmãos, quer seja por serem crentes com caráter duvidoso (v. 4) ou incrédulos (v 6).

- Uma situação "vergonhosa" (v.5). Esta palavra resume bem a questão em discussão. É um verdadeiro vexame, um grande escândalo, irmãos em Cristo procurarem os infiéis como juízes. Quem estaria mais apto para proceder com tal julgamento, senão aqueles em quem deveria repousar a sabedoria divina:

"Porque a um é dada, mediante o Espírito, a palavra da sabedoria;" (1 Co 12.8a)

"Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida." (Tg 1.5)

- Contendas e demandas são sinais de uma total, real, verdadeira e completa (gr. ólos) derrota (gr. éttema) moral e espiritual na igreja. Sofrer o dano? Como, se em nossos púlpitos já se ouve a mensagem (e se vê o exemplo) triunfalista e "vitoriosa" de que crente de verdade nunca perde, fica por baixo, ou recua? (v. 7).

- A prática da injustiça e o dano ao irmão, estão em plena ação nos dias atuais, na vida de quem perdeu o tremor e o temor diante de Deus. O Senhor, o justo juíz (Sl 7.11) de toda a terra (Gn 18.25), saberá dar a paga devida, no tempo próprio (v. 8).

- Os injustos, definitivamente, não herdarão o Reino de Deus (v. 9). A fartura do Reino é para os que tem fome e sede de justiça (Mt 5.6). (v. 9)

AS DEMANDAS JUDICIAIS EM NOSSOS DIAS

A triste realidade nas igrejas, e na vida de pessoas que se dizem cristãs, no que diz respeito às demandas judiciais nos dias atuais é a seguinte:

- Pastores que ameaçam e colocam outros na justiça pelas mais diversas e absurdas razões (difamação, calúnia, dívidas, contratos quebrados, etc.)

- Pastores que ameaçam (inclusive pela televisão, lembram?) e colocam igrejas e convenções (estaduais e nacionais) na justiça pedindo indenizações por tempo de serviço, habeas corpus, intervenções, liminares, recursos, etc. Que exemplo e autoridade tais pastores possuem para orientas as pobres ovelhas sob seus cuidados. Pregam, mas não vivem o que pregam!

- Membros de igreja que ameaçam e colocam pastores na justiça alegando também, as mais diversas questões (danos morais, danos materiais, injúrias, difamações, calúnias, dívidas, calotes, apropriação indevida de bens, calúnias, assédio moral, pagamento de pensões, etc.)

- Membros de igrejas que colocam outros na justiça pelas mesmas razões acima.

O que se discute aqui, não é quem está com a razão, mas, para onde as questões são levadas e por quem são decididas.

Já imaginou, se Paulo ressucitasse nos dias atuais? Quais adjetivos usaria para qualificar a igreja evangélica brasileira do séc. XXI?

Por quais razões tais práticas tornaram-se comuns?

-A liderança da igreja perdeu a confiança dos liderados por mal testemunho?

-A liderança da igreja perdeu a confiança dos liderados por parcialidade (favorecimentos de amigos, crentes abastados e influentes, e de parentes ou familiares) nos julgamentos?

-A liderança da igreja perdeu a confiança dos liderados por inabilidade em julgar, promovendo com isto muitas injustiças?

-A igreja está se secularizando cada vez mais?

-Supervalorização dos carismas e negligência do caráter cristão?

Independentemente das justificativas que se queiram alegar, o melhor caminho para aqueles que se entendem "espirituais", é o de serem observadores das recomendações bíblicas e apostólicas.

Só para não esquecer, esses líderes e liderados que procuram os tribunais mundanos, estão em todos os setores da igreja fazendo cara de santo, presidindo, dirigindo cultos, pregando eloquentemente e ousadamente nas tribunas, falando e orando em línguas, profetizando, cantando ou tocando em corais e conjuntos, solando, dirigindo ou ensinando na Escola Dominical , no discipulado, fazendo parte em comissões de círculo de oração ou dirigindo os mesmos.

Pela graça de Jesus, muitos vão poder ensinar esta lição com autoridade. Outros, porém...

9 comentários:

EMMERSON disse...

Que a Graça, a paz e as Misericórdias de Deus, o Pai, e Cristo, nosso Senhor e Salvador, esteja com o senhor e sua família!

Mt 18.18 Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra terá sido ligado nos céus, e tudo o que desligardes na terra terá sido desligado nos céus.

Rm 13 Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas.
2 De modo que aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação.
3 Porque os magistrados não são para temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal. Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem e terás louvor dela,
4 visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal.
5 É necessário que lhe estejais sujeitos, não somente por causa do temor da punição, mas também por dever de consciência.
6 Por esse motivo, também pagais tributos, porque são ministros de Deus, atendendo, constantemente, a este serviço.

7 Pagai a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra.
8 A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, exceto o amor com que vos ameis uns aos outros; pois quem ama o próximo tem cumprido a lei.

Tt. Lembra-lhes que se sujeitem aos que governam, às autoridades; sejam obedientes, estejam prontos para toda boa obra,
2 não difamem a ninguém; nem sejam altercadores, mas cordatos, dando provas de toda cortesia, para com todos os homens.

Entendemos muito bem os objetivos dos textos juntamente com seus contextos. Porém o que eu queria corroborar com presente artigo, ou poderia ser uma sujestão, é que... Os cristãos tem direitos e deveres, e acho basiado nas Escrituras que nós podemos sim, procurar nossos direitos nos órgãos cabíveis, para julgar nossas causas. Não é atitude cristã um patrão colocar seu empregado para fora e não lhe pagar seus direitos! Não vamos ser hipócritas em dizer que: Não vamos colocar este indivíduo na justiça, sendo ele ímpio. Mas se esse patrão for cristão, o que faremos? Sim, colocaremos ele na justiça. já que o texto acima nos pede para sermos "não sejam altercadores, mas cordatos, dando provas de toda cortesia, para com todos os homens". (TODOS OS HOMENS!). Não só a todos os cristãos. Jesus ensinou em Mt 18.15 isto: "Se teu irmão pecar {contra ti}, vai argüi-lo entre ti e ele só. Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão.
16 Se, porém, não te ouvir, toma ainda contigo uma ou duas pessoas, para que, pelo depoimento de duas ou três testemunhas, toda palavra se estabeleça.
17 E, se ele não os atender, dize-o à igreja; e, se recusar ouvir também a igreja, considera-o como gentio e publicano" Quem eram os publicanos naquela época? Vemos claramente que podemos sim recorrer as autoridades. O que não podemos é demasiadamente e por causas banais escandalizar o Evangelho, levando os irmãos a julgamentos. Será que a parte dos cristãos é só a dos deveres? E seus direitos? Tenho direito de votar, e de ir e vir, tenho direito de comprar e o dever de pagar. E todo o trabalhador é dígno do seu salário. Se alguém é calunidado na Igreja, o mesmo deve recorrer ao que o nosso Senhor disse. Quando chegar a última alternativa, deve ser aplicada. Dependendo do tamanho e proporção que esta pessoa foi ofendida. Sem mais... Gostei muito do comentário da lição, e uma observação: Amanhã eu lhe pago o livro, sou Emmerson do 3º período, se eu não lhe pagar, procure as autoridades,ou se não , me perdoe! Estou brincando pastor. Fique na Paz do Senhor e Salvador Yeshua Hamashiach!

ALTAIR GERMANO, disse...

Nobr Emmerson,

é obvio que em algumas situações o cristão pode reivindicar seus "direitos" (At 16.35-40).

Os texto de Coríntios 6 não deixa dúvida alguma:

- Todas as questões de litígio entre irmãos não deveriam ser tratadas por não crentes (v. 1-4);
- Fazemos isto por não querermos sofre a injustiça, a perda ou dano(grande ou pequeno)(v. 7);
- Não adianta tentar justificar as nossas ações. Esta atitude é vergonhosa e uma "completa" derrota, mesmo que alguém ganhe a questão(v.5 e 7).

O texto não trata de legalidade ou legitimidade.

"Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas." (1 Co 6.12)

Quanto ao livro, só estou na FATEADAL na terça e na quinta.

Já que você tocou no assunto, tenho em minhas mãos vários cheques sem fundos de "irmãos" (valores consideráveis), e já levei vários calotes de vendas "fiado" (o que não vai ser o seu caso rsrsrs), e nunca recorri à justiça mundana. Prefiro colocar diante de Deus. O julgamento dele é mais preciso e confiável, além de não gerar escândalos.

Abraços,

Graça Souza disse...

Paz do Senhor pastor Altair.
Vendo o comentário desta lição, gostaria de entender se demandas entre irmãos refere-se apenas a danos materiais, ou assuntos do tipo já mencionado;
temos enfrentado em nossa região dois tipos de erro que ñ gerou nenhuma ação judicial porque foi dito que deveríamos evitar escandalos; um deles foi a agressão com danos físicos por 5 vezes pelo presbitero na própria esposa, com conhecimento do publico ñ cristão, e tendo ela prestado a queixa foi instruída pelos líderes a retirar a mesma: o resultado disso tem sido um escandalo ainda maior; depois temos um caso de pedofilia tbm com os mesmos procedimentos pelos líderes; ñ precisa dizer que veio a tona, e que a igreja só excluiu o membro tbm instruindo a familia a ñ prestar queixas por causa de escandalo,o que se tornou ainda pior pois o suposto crente era dirigente da congregação, e a Rádio local anunciou que um pastor da Assembléia de Deus fora acusado de pedofilia,depois de descoberto. Afinal, esses prejuízos devem ser suportados pelos crentes? Isso apenas nivela-se ao danos e demandas que Paulo aborda? gostaria muito de ser ajudada com relação a esse assunto.
Em Cristo, Graça Souza.

EMMERSON disse...

hahahahahah... Obrigado pastor! Levo amanhã então para o estudo, ok?
Pastor...Tenho uma sugestão a fazer, eu ia falar com o senhor pessoalmente. A questão do Episcopado, dos cargos eclesiásticos, já que passou a eleição. Gostaria que o senhor comentasse, ou seja, colocasse um assunto no blog, e desse é claro o seu ponto de vista? Não querendo criticar o nosso ministério e os outros que também aderem ao mesmo sistema. A questão de ser levantado alguém para qualquer cargo, de diácono para cima, uma questão que não encontro nas Escrituras ao que se diz respeito ao carisma e o caráter, já que o senhor já citou no seu post. Porque os irmãos tem que serem batizados no Espirito Santo para ocupar uma posição no ministério? Não desmerecendo o Batismo, é claro que é algo divino, um presente e promessa de Deus para os Cristãos, mas o que mostra verdadeiramente um crente e seu ministério não é o caráter? o Fruto do Espírito? Não seria hora dos líderes orar mais, e procurar pessoas que são cheias do Espírito Santo? Pessoas sábias para administrar esses cargos, já que sabemos que eles são para servir? Gostaria de saber mais de sua parte sobre esse assunto. Fique na Paz do Senhor pastor. Obrigado!

ALTAIR GERMANO, disse...

Nobre irmã Graça,

o texto de Coríntio não deixa claro (no meu entendimento) que trata de "crimes violentos e hediondos", mas, de "demandas", "atritos", "confusões" e etc.

No caso da prática de crimes cometidos por crentes contra crentes, o pastor deve ser acionado, e diante do caso deverá buscar a orientação de Deus e proceder prudentemente.

Ser conivente ou omisso nas questões citadas, pode promover complicações legais para o pastor.

A falta da denúncia, em alguns casos, pode colocar em risco a vida das vítimas.

A cooperação de um leitor da área do direito civil e penal nos ajudaria na questão em análise.

Paz do Senhor!

Anônimo disse...

Amado Pastor Altair, A paz do Senhor!
Parabenizo-o pelo excelente comentário sobre a lição "Demandas Judiciais entre os irmãos". Com certeza me ajudou muito na'minha aula de amanhã.
Deus continue o abençoando.
Pb. Weliano
Assembleia de Deus-Osasco-SP

Flávio Alves disse...

Querido Pr.Altair,

Muito bom o comentário sobre o tema da lição de amanhã...
Concordo em tudo que o senhor falou e afirmo que muito me ajudará amanhã.
Este seria o ideal cristão, que pudéssemos resolver as "demandas entre irmãos" entre "os irmãos". Mas, o que acontece infelizmente é que existem sim muitos que se intitulam de "crentes" e "irmãos" que escandalizam a igreja e ao mundo com seu péssimo testemunho de cristão.
Tenho comerciantes na minha família, e eles afirmam que preferem vender aos ímpios porque muitos que se dizem crentes são "caloteiros" e mal pagadores. Sabemos que os tais receberão sua recompensa da parte do Senhor, mas não creio que a parte que está em prejuízo agirá errado se procurar por seus direitos na justiça terrena, ou será que o pastor da igreja é quem deve resolver questões como esta?
Esse é um problema que está se tornando comum porque muitos estão se esquecendo de seus "direitos" e "deveres' como cidadãos brasileiros e, principalmente, celestiais.
"ah! se todo aquele que chama Deus de Senhor pagasse aos seus devedores!"
Teríamos problemas como esses?

Graça Souza disse...

Paz do Senhor pastor .
Obrigada pelo esclarecimento.
Gaça Souza.

rogerio e tamara disse...

Realmente existe entre nós pessoas que querem dizer o que não são,manchando o testemunho daqueles que obedecem a palavra de Deus...segundo o meu ver,e pela palavra de Deus esses casos primeiramente devem ser''julgados ''pelo pastor da igreja,que tem autoridade sobre nós,em segundo lugar, se o caso não for resolvido, é porque essas pessoas estão totalmente fora da dependencia do Espirito Santo de DEUS...então aí não se tem nem testemunho de cristão salvo em Jesus ,que o caso seja levado para a justiça terrena que tambem procede de Deus...Deus abençoe....