sexta-feira, 6 de março de 2009

PSICOLOGIA DO ENSINO: A APRENDIZAGEM DE ATITUDES, VALORES E NORMAS


O presente texto é um resumo do capítulo 19, da obra "Psicologia do Ensino", de César Coll Salvador & Cols.

A escola é um espaço que contribui eficazmente como agente de socialização, promovendo a aquisição de valores, de comportamentos e de normas em seus discentes.


Os valores dão sentido, orienta e possibilita a tomada de decisões. Valores falam de referenciais, que norteiam padrões de conduta desejáveis para a manutenção da paz e bem estar social.


Os valores são representações construídas socialmente, condicionantes da percepção e representação subjetiva de mundo. São mutáveis, dependo do contexto cultural e pessoal dos sujeitos.


Nos objetivos da etapa do ensino fundamental, alguns valores podem ser encontrados. São eles: A autonomia e a iniciativa, a saúde e a higiene, a participação e a solidariedade, o respeito aos valores dos outros (tolerância), a responsabilidade, a convivência e a estima pela paz, a tradição histórica e cultural, a conservação e a melhoria do meio físico e natural, a identidade nacional e pessoal, o uso correto dos recursos materiais, técnicos e naturais, a sensibilidade estética, a criatividade, a conservação do patrimônio cultural, o respeito à diversidade lingüística e cultural dos povos e das pessoas. (Generalitat de Catalnya. Departamento de Ensino, 1992. Currículum. Educació primária p. 25.)


As atitudes fazem parte das características diferenciais da personalidade. Falam de ação do sujeito em relação a um objeto, situação, fato, pessoa ou conjunto de pessoas ou idéias. Formam-se a partir da experiência e ativam-se na presença do objeto.


As normas, sendo prescrições para ação de determinadas maneiras em situações específicas, regulam o comportamento individual e o coletivo, tornando as condutas previsíveis. As normas podem ser sociais (interiorizáveis) ou próprias (subjetivas).


Valores, atitudes e normas estão inter-relacionados. Dentro de um sistema cognoscitivo, evoluem e são sensíveis à influência externa, como também ao próprio desenvolvimento integral da pessoa. O sistema de valores pode ser social ou pessoal.


Desenvolvimento moral e aprendizagem de valores e de atitudes


Educação em valores éticos pode ser designada também de educação moral. Quando se fala de educação moral refere-se ao processo que caminha em direção a autonomia crescente, de crianças e jovens, de ação e de pensamento, de acordo com critérios morais pessoalmente configurados. A aprendizagem e o desenvolvimento moral são visto por diferentes perspectivas na psicologia. São elas: conformidade com as normas do grupo, regulação interna da conduta na ausência de sanções externas, conduta próssocial ou de ajuda, juízo e raciocínio moral.


A Aprendizagem e o ensino de atitudes, de valores e de normas


A aprendizagem dos valores implica na criação de uma configuração pessoal subjetiva relacionada com as experiências positivas e negativas, atribuindo significado a determinados comportamentos e atitudes. A capacidade de cognitiva de relacionar, de representar, de delimitar conceitualmente e de analisar situações, está aqui inclusa.


Estratégias de Ensino


Destacam-se como estratégias de ensino mais adequadas para a aprendizagem das atitudes, dos valores e das normas, as seguintes: mostrar, explicitar e explicar as normas que regulam a vida coletiva para facilitar o conhecimento; Explicitar e fazer com que os critérios de determinadas decisões e a atuações sejam explicados, colocando em situações de decidir, de julgar e de atuar; Valorizar os comportamentos e as atitudes desejadas ou esperadas; Promover a contrastação de critérios e de opiniões; Planejar diferentes possibilidades e alternativas, valorizar para ajudar a valorizar os prós e os contra, ajudar a analisar os valores subjacentes com o objetivo de facilitar a assunção de valores, a construção de critérios próprios e a tomada de decisões por consenso; Criar espaços e momentos para falar, para intercambiar ou obter informação sobre como funcionam o mundo natural e o social, requisito prévio para compreender e valorizar atuações.


Técnicas concretas inspiradas nesses princípios podem ser utilizadas: o jogo de simulação, o jogo cooperativo, o estudo de casos, a discussão de dilemas, o esclarecimento de valores, o comentário de textos, etc. O ensino dos conteúdos pode ser via curricular (extrínseca e integrada) e institucional. Estas vias se complementam.


No conteúdo curricular variado, devem ser considerados: Valores e atitudes morais e globais (metas valiosas por si mesmas); Valores e atitudes subjetivos (que correspondem às valorizações, ao gosto e ao interesse individuais); Valores e atitudes implícitos nos eixos transversais do currículo; valores e atitudes relacionadas com a convivência realizada no centro educativo e na sala de aula; Valores e atitudes relacionados com o trabalho (ordem, rigor, representação, pontualidade, etc.) e atitudes que predispõem ao processo de aprendizagem; Valores e atitudes específicos das áreas de conhecimento.


Além da programação sistemática de conteúdos atitudinais, um clima de comunicação e a gestão cooperativa da aprendizagem são condições relevantes na aprendizagem de atitudes e valores. O papel do professor no desenvolvimento deste processo é fundamental.


Concluo neste resumo, que em meio a uma sociedade pós-cristã e pós-moderna, onde a relativização, o hedonismo, a competitividade egoísta e o antinomismo imperam, o papel da escola é fundamental no processo de formação e desenvolvimento de valores. Penso também, que sem a participação efetiva dos pais na vida escolar dos seus filhos, e na consolidação dos valores que promovem o maior e melhor bem estar pessoal e social, iremos de mal a pior. É preciso que todos se mobilizem neste sentido, nesse momento de profunda crise ética e moral na história da humanidade.


"E, por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem coisas inconvenientes, cheios de toda injustiça, malícia, avareza e maldade; possuídos de inveja, homicídio, contenda, dolo e malignidade; sendo difamadores, caluniadores, aborrecidos de Deus, insolentes, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais, insensatos, pérfidos, sem afeição natural e sem misericórdia. Ora, conhecendo eles a sentença de Deus, de que são passíveis de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que assim procedem." (Rm 1.28-32)


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA


SALVADOR, César Coll et all. Psicologia do Ensino. São Paulo: Artmed, 2000. p. 322-329


Um comentário:

Elisomar disse...

Pastor, estamos vivendo momentos que eu acredito, nunca houve iguais.
A educação na maioria dos lares (se é que são lares),perdeu o essencial: a educação sadia.
A responsabilidade é repassada a escola, que nem sempre tem o poder de modificar o que já veio deformado, mas ainda é o melhor caminho depois do conhecimento de Deus. A gente nem sabe se o dia da mulher deve ser comemorado, este ser transformador que tinha grande contribuição na formação dos filhos. A busca às vezes necessária por uma "liberdade", gerou a libertinagem no lar e modificou a forma de agir dessa sociedade. A falta da religião, do civismo e do autoritarismo dos pais, trouxe essa desgraceira que presenciamos hoje. E graças a Deus, ainda temos esse elemento transformador, a escola, para os que com coragem decidem não continuar na "era das trevas".