segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

A MALDIÇÃO DO PECADO. Subsídio para Lição Bíblica.

É interessante iniciar este comentário com uma breve abordagem sobre o significado e conceitos dos termos "maldição" e "pecado".

1. Maldição

Os vocábulos hebraicos que são traduzidos por maldição ('arar, qalal, 'ala, qababa, naqab e za'am), assim como as expressões gregas (kataran e anathema), de maneira geral, e em especial para o tema em questão, trazem a idéia de:

- Banimento (anatematizar) do convívio
- Impedimento para usufruir de privilégios
- Fórmula que exprime o afastamento da escolha ou favor divino
- Palavras proferidas com o propósito de anunciar o castigo decorrente da quebra de alianças
- Ausência ou rebaixamento de um estado abençoado

Maldição é tanto a sentença pronunciada, quanto a realidade que ela expressa.

2. Pecado

Os termos bíblicos para "pecado" (hb. het, hatta'a, hata'a, hatta't, cherem e gr. hamartia), expressam a idéia de:

- Errar um alvo ou um caminho
- Violar leis
- Falha em viver segundo as espectativas
- Desvio do alvo ou do padrão que Deus estabeleceu

Analisando os termos "maldição" e "pecado", o título da Lição Bíblica "A Maldição do Pecado", fala-nos da setença e da condição do homem, quando este se afasta dos alvos e padrões de conduta que o Senhor estabeleceu, violando desta forma as suas leis e ordens.

3. O Pecado de Acã: consequências coletivas e punições

O pecado de Acã, narrado em Js 7.1-26, revela-nos as consequências na coletividade do pecado de um indivíduo. Observemos as palavras do Senhor em relação ao episódio:

a) O Senhor responsabilizou todo o povo: "Israel pecou, e violaram a minha aliança, aquilo que eu lhes ordenara, pois tomaram das coisas condenadas, e furtaram, e dissimularam, e até debaixo da sua bagagem o puseram." (Js 7.11)

A aliança estabelecida exigia a obediência absoluta de todos, visto que a promessa e a terra era para todos. Enquanto a questão não foi resolvida e o erro corrigido, o povo de Israel foi responsabilizado pelo Senhor.

Tolerar o pecado é algo grave entre o povo de Deus. Além de promover fracassos, influencia de forma destruidora toda a comunidade.

b) O Senhor ordenou a sanificação e a eliminação das coisas condenadas: "Dispõe-te, santifica o povo e dize: Santificai-vos para amanhã, porque assim diz o SENHOR, Deus de Israel: Há coisas condenadas no vosso meio, ó Israel; aos vossos inimigos não podereis resistir, enquanto não eliminardes do vosso meio as coisas condenadas." (Js 7.13)

Este processo de santificação poderia incluir, conforme Champlin, o banho cerimonial (Lv 14.8, 16; 15.16; 17.15; Nm 8.7, 9; 19.7), orações de lamentações, votos e outros ritos.

A permanência daquilo que não agrada a Deus em nossa vida e comunidade cristã, resultará num baixo nível de moralidade e espiritualidade, e no impedimento de conquistas, avanços e crecimento.

c) O Senhor conduziu o processo de descoberta do indivíduo que escondeu "a coisa condenada": "Pela manhã, pois, vos chegareis, segundo as vossas tribos; e será que a tribo que o SENHOR designar por sorte se chegará, segundo as famílias; e a família que o SENHOR designar se chegará por casas; e a casa que o SENHOR designar se chegará homem por homem." (Js 7.14)

O texto não especifica os detalhes quanto a "sorte", embora a Bíblia Vida Nova, em seu comentário do texto afirma que "A 'sorte', heb. goral, derivado da raiz que significa 'rolar', era uma pedra preta e branca. Várias delas se guardavam numa caixa, e a cor da pedra que era tirada, numa determinada ocasião, estabelecia as respostas 'sim' ou 'não'. Daí a expressão 'sair a sorte', 18.11; 19.1. Considerava-se que a sorte era o método indicado para abafar o raciocínio humano em favor da soberania de Deus [...]." Veja ainda (Nm 26.55; Jl 3.3; Na 3.10; 1 Sm 14.42; Jn 1.7; Jz 20.10; Lv 16.8; 1 Sm 10.19; At 1.26). Embora alguns intérpretes discordem acerca do método utilizado, o que importa é que o oculto foi revelado (Mt 10.26).

Não adianta tentar encobrir o pecado, seja ele de qualquer natureza (1 Sm 12.1-7; At 5.1-11). Deus o conhece, e se não nos arrependermos, confessando-o e abandonando-o, estaremos debaixo de maldição, e prestes a receber o juízo divino.

d) O culpado foi executado conforme os moldes de Dt 13.10: "Então, Josué e todo o Israel com ele tomaram Acã, filho de Zera, e a prata, e a capa, e a barra de ouro, e seus filhos, e suas filhas, e seus bois, e seus jumentos, e suas ovelhas, e sua tenda, e tudo quanto tinha e levaram-nos ao vale de Acor. Disse Josué: Por que nos conturbaste? O SENHOR, hoje, te conturbará. E todo o Israel o apedrejou; e, depois de apedrejá-los, queimou-os. E levantaram sobre ele um montão de pedras, que permanece até ao dia de hoje; assim, o SENHOR apagou o furor da sua ira; pelo que aquele lugar se chama o vale de Acor até ao dia de hoje." (Js 7.24-26)

Para entender a punição da mulher e filhos de Acã, os comentarista declaram que eles foram coniventes com o pecado, omitindo, concordando e encorajando-o a não revelar prontamente o seu erro (veja o comentário da Bíblia de Estudo Pentecostal de Js 7.24).

A confissão de Acã (v.20), feita apenas após as evidências, não o livrou da punição. Querer saber se Acã, apesar das punições físicas, foi salvo, é ir além daquilo que as Escrituras nos revelam neste episódio. Só Deus conhece os corações (1 Sm 16.7).

A Lição desta semana deve nos conduzir ao temor e tremor, fazendo-nos entender que a medida da fidelidade e da benção de Deus, é também a de seu juízo e punição.

Adúlteros e praticantes de outros pecados sexuais, roubadores, mentirosos, charlatões, aproveitadores e praticantes de coisas semelhantes a estas (1 C0 6.9-11), assim como os coniventes com tais práticas (Rm 1.28-32), convertam-se, mudem de atitude diante do Senhor enquanto é tempo.

Livrem-se da maldição do pecado!

2 comentários:

Edson Carmo disse...

O pecado está relacionado ao EGO, e não ao SER original. Deus não nos criou pecadores. Se estivéssemos originais não teríamos pecado algum. Nenhum animal é pecador, nenhuma árvore, nenhum peixe é pecador.

Todos os pecados vêm da mente conhecedora do bem e do mal, vem do EGO o qual nos transformamos. Pecado significa esquecimento: esquecer do SER original. Pecar é fazer algo sem estar presente. A raiz hebraica da palavra pecado significa faltar. Faltar significa fazer algo sem estar presente – este é o único pecado.

O EGO é um ator, um personagem, ele não é a nossa REALIDADE.

Edson Carmo

Precatório disse...

A Morte do Ego. Assim como o Ego doente(cada alma girando ao redor de si mesma, querendo ser deus de si mesma, conhecedora e julgadora do bem e do mal, do prazer e da dor, que colocou Deus em segundo plano); assim como o ego doente nasceu pelo pecado original, ele vai morrer no ato de salvação de todas Almas. A salvação é a morte do ego doente. É a união perfeita entre Deus Pai e Seus Novos Filhos. Nosso ser Perfeito, como fomos Criados por Deus, existe independente do ego doente. Todos que colocarem o Amor de Deus acima de tudo, acima de suas próprias vidas, com a ajuda do Espírito Santo de Deus(porque o imperfeito só se torna Pefeito, com a ajuda do Perfeito, que é Deus), nesse momento, amando a Deus acima de tudo, a aliança entre Pai e um novo Filho vencem o ego doente e destruidor, que morre em nossas consciências e atitudes. Nossa vontade se torna a Vontade de Deus, porque unidos a Ele intimamente em nossas consciências. E nos tornamos Amor, Vida, Alegria, Saúde, Felicidade, Esperança, Força, Coragem, Fé, nos tornamos Filhos de Deus novamente, Perfeitos porque aliados com nosso Criador. É com o Amor profundo e buscando a Deus, sem condições, sem interesse, sem pretensões, simplesmente na condição de Amor entre Pai e novos Filhos, que somos salvos. Glória a Nosso Senhor e Criador por toda Sua misericórdia e Amor aos novos Filhos que vão nascer dentro de nós mesmos, em nossa consciência. Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.

Devemos buscar a Deus, não por milagres, não por uma vida melhor, não por um lote no céu, não por qualquer tipo de interesse, mas devemos buscar a Deus para sermos Seus Filhos novamente. Amor Perfeito entre Pai e Filho, dourados por uma imensa e profunda gratidão pela existência e pela Criação.