quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

A EFICÁCIA DO PROFESSOR DA ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL

Não tenho dúvida alguma que a eficácia na docência cristã sempre foi avaliada através dos paradigmas teóricos de cada época. A igreja, em seu contexto cultural, por vezes influencia, e noutras é influenciada.


Nessa perspectiva, um professor de EBD, ao longo da história, teve sua prática pedagógica avaliada em termos de eficácia, de diferentes maneiras. Uma interessante abordagem sobre o assunto encontra-se em Psicologia do Ensino (SALVADOR, 2000, p.165-166), que percebe quatro momentos históricos, cada um deles com uma ênfase teórica distinta.


Num primeiro instante, as características de personalidade do professor, tais como a liderança, a prudência, a empatia, a cooperação, etc., ganha relevância. O professor eficaz, através de traços pessoais marcantes, conseguiria atingir os seus objetivos na sala de aula.


Os métodos de ensino tiveram também o seu momento como ferramentas prioritárias na vida de um professor eficaz. A habilidade de diversificar e aplicar o ensino expositivo, dialógico, as perguntas e respostas, a discussão, o seminário, o júri simulado e outros, era o foco das atenções.


A capacidade de promover um clima agradável e favorável na sala de aula para o processo ensino-aprendizagem, foi tido noutra época como capacidade fundamental para a eficácia do professor. O comportamento do professor ganhou destaque.


Antes de expor a quarta idéia de Salvador sobre a eficácia do professor, cabe citar, que o quanto o professor sabia, o domínio dos conteúdos, a intimidade com a disciplina ensinada, por muito tempo determinou quem era ou não eficaz em sala.


Por fim, veio a idéia do domínio de um conjunto de competências (conhecimentos, habilidades, qualidades etc.) determinando a eficácia do professor.


Entendo que nos momentos acima descritos, olhares diferentes foram lançados sobre importantes traços e aspectos da prática pedagógica eficaz, onde todos se complementam e se completam.


Vale ressaltar, que a eficácia de um professor de Escola Dominical não depende apenas da aplicação desta ou daquela teoria pedagógica. O processo-ensino aprendizagem deve ser considerado também a partir da interação entre professor/aluno, onde este aluno é percebido como agente ativo nesse processo, dotado de conhecimentos e experiências que colaboram na construção, aquisição e realização de saberes e fazeres.


Acima de tudo, é preciso lembrar que na docência cristã, para que se alcancem os seus reais objetivos, o professor eficaz precisa estar influenciado e depender do agir do Espírito Santo, que capacita, habilita, qualifica, orienta, revela, ajuda e promove a glória de Deus.

6 comentários:

Gastone Alves disse...

Caro Pr. Altair Germano.
Fico alegre com um comentário deste porte. Quando escuto ou leio algo sobre o processo de ensino/aprendizagem reflito um pouco sobre alguns teóricos da aprendizagem. Um deles, David Ausubel em sua Teoria da Aprendizagem Significativa, nos inspira buscar eficácia em nosso legado.
Mas algo me incomoda e quero aqui fazer alguns questionamentos. Como a Superintendência da EBD tem verificado a eficácia de seus professores?
Qual o perfil de nossos educadores (se assim pudermos chamar), seja na conveção, no campo, nas cidades e nas próprias escolas (congregações)?
Sei que a presença nos estudos para professores (forma de uniformizar o ensino) é uma atitude louvável e uma prerrogativa ao desempenhar das funções docentes em nossa Convenção. Mas quem garante a qualidade de ensino apenas com a presença nos estudos sem atentarmos para "A EFICÁCIA DO PROFESSOR DA ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL"?

Será hora de mudanças???

Dc Gastone
Dir EBD Igarassu Centro

ALTAIR GERMANO, disse...

Amado Gastone, como dirigente de escola dominical sob nossa supervisão geral, penso em vossa pergunta como retórica.

Poucas superintendências gerais de EBD no Brasil, investem em treinamento e na formação continuada de seus professores como nós.

Não apenas orientamos didática e pedagogicamente nossos docentes, mas também incentivamos os mesmos para que busquem os estudos formais e informais no campo da teologia e da pedagogia.

Participei dos processos de Convênios Técnicos da nossa igreja com faculdades, objetivando descontos para nossos membros nos cursos de graduação e pós-graduação, onde de forma direta nossos professores são beneficiados.

As mudanças já estão acontecendo. Há muito ainda para ser feito, mas já começamos a fazer, para a glória de Deus.

Caso a pergunta não seja retórica, me preocupo, pois não parece partir de alguém que participa ativiamente de nossas reuniões e treinamentos, e que participando, deveria estar inteirado destas questões.

Continuo contando com vossa colaboração, sugestão e oração.

Paz do Senhor.

Anônimo disse...

Caro Pastor Altair.
Sempre acesso seu blog, e leio suas matérias. São muito bons.
Fico grata a Deus quando encontro obreiros que realmente se ocupam com o crescimento do reino de Deus, que trabalham para agradar a Deus, não para conseguir nome e status. Agradeço e louvo a Deus pela sua vida e de outros que procuram temer a Deus e dar-lhe glória.
O que vou abordar aqui , talvez não devesse ser neste espaço, mas quero aproveitar a oportunidade para expressar uma preocupação antiga.
O que de líderes que dizem valorizar a EBD e cada vez mais os espaços destinados a mesma são invadidos por alguns "funcionários" da igreja, afirmando: Esta sala é minha! Daqui não saio, daqui ninguém me tira? Fazendo com que algumas classes sejam trazidas para a nave do templo, onde o rendimento é mínimo, tornando impossível desenvolver algumas estratégias. Ou então, salas com ar condicionado, mas que não podem ser ligados no momento da EBD, para economizar energia ou não danificar os condicionadores de ar, talvez.
O que dizer de líderes que investem fortunas em terrenos para estacionamentos e reuniões de grande porte, mas a maquete do templo central não há uma sala sequer destinada à EBD, nem para o departamento infantil desenvolver seu trabalho com as crianças no horário dos cultos?
Por que se faz campanhas tão acirradas e caras para se adquirir bens para a "igreja" e não se constrói salas para facilitar o aprendizado na EBD?
Por que se investe tanto em embelezamento dos templos e esquece-se do principal o ensino que fortalece o corpo de Cristo?
Será que não há um pastor sequer, que perceba estas coisas, ou se percebe, teme falar para não caracterizar subversão, para não ser mal visto pelo pastor!?
SE a ditadura não fica bem em outros lugares, muito menos nas igrejas.
Isto não é desabafo nem crítica por crítica. É preocupação com o futuro da Igreja, de nossos jovens, crianças e adolescentes, bonbardeados por tantas doutrinas e ensinamentos humanos na escola e através das NTICs.
Agradeço a Deus o que aprendi na EBD e muito mais com meus pais, tento fazer o mesmo com meus filhos, mas lamento por ver o governo investindo tanto na melhoria da qualidade do ensino, enquanto a igreja fica de braços cruzados neste aspecto.
Peço a Deus que envie mais obreiros para se engajarem nesta luta, e que a CPAD e CGADB cumpram seu papel e "abram os olhos" dos pastores e líderes da AD para o que realmente interessa ao reino de Deus.
Shalom!!!!
ESA.

Anônimo disse...

Caro Pastor Altair

A paz do Senhor...

Gostaria de parabenizá-lo pq sempre que leio seus artigos neles encontro uma real preocupação com a educação não só secular mas tbm com o ensino cristão adquirido na EBD. Sou professora numa classe de jovens, em Condado-PE, e fui criada participando da EBD e dando o devido valor a este departamento da igreja que infelizmente,ainda, não é visto por todos como espaço de aprendizagem.
Com isto cabe aqui uma pergunta: Se não dispomos de salas apropriadas para as aulas, nem de material de apoio como livros ( que deveriam estar nas bibliotecas, essenciais nas escola de ensino secular) que nos auxiliem dando-nos o respaldo necessário,como é possível "avaliar" a eficácia do professor da EBD?

Que o Senhor Jesus continue a usá-lo como instrumento de sua vontade!!!

Elizangela Machado

ALTAIR GERMANO, disse...

Irmã Elisângela,

em primeiro lugar obrigado pela participação e pelas palavras motivadoras.

A eficácia do professor da EBD, conforme a questão que você colocou, deve ser avaliada, pelos menos, a partir dos seguintes paradigmas:

- As condições que lhe são oferecidas;

- A capacidade que ele possui de transformar adversidades em oportunidades;

- A capacidade de fazer uso da criativadade, quando os recursos são escassos;

- Sua confiança em Deus, e a certeza de que Ele cobrará daqueles líderes que negligenciam a Sua obra do Senhor;

- O crescimento integral de seus alunos, dentro das possibilidades estruturais, didáticas e pedagógicas;

Resumindo, a eficácia do professor deve ser avaliada a partir das condições que lhe são oferecidas.

O professor eficaz sabe quando está fazendo o seu melhor, ou não.

Paz do Senhor!

Anônimo disse...

Caro Pr. Altair Germano, a paz do Senhor!

Obrigada pela resposta e vou colocar em prática sua observações, para minha auto avaliação.
Tbm já indiquei seu blog ao nosso superintendente e espero em Deus que outros sejam contagiados pelas preciosas dicas contidas aqui.

Deus o abençoe!

Elizangela Machado