segunda-feira, 3 de novembro de 2008

CRÍTICAS AO MODELO DE GOVERNO ASSEMBLEIANO

Navegando pela internet, me deparei com um artigo que tece críticas ao modelo de governo assembleiano, classificando-o de coronelístico, oligárquico, caudilhista e gerontocrático.

""O sistema de governo da AD pode ser caracterizado como oligárquico e caudilhesco. Surgiu para facilitar o controle pelos missionários e depois foi reforçado pelo coronelismo nordestino. A AD, na realidade, é uma complexa teia de redes compostas de igrejas-mães e igrejas e congregações dependen­tes. Cada rede não habita necessariamente uma área geográfica contígua, o que dá margem a controvérsias constantes sobre 'invasão de campo'. O pastor-presidente da rede é, efetiva­mente, um bispo, com talvez mais de cem igrejas e uma enorme concentração de poder." (FRESTON, p. 86).

Essa questão de modelo de governo eclesiástico é interessante e controverso. Conversando com amigos batistas e presbiterianos, já ouvi elogios e reprovações ao modelo assembleiano. Como todo modelo, ele possui vantagens e desvantagens, pontos fortes e fracos.

O fato é que de alguma forma, em sua grande maioria, as Assembléias de Deus no Brasil crescem com todas as falhas e qualidades do seu atual modelo de governo.

Penso que as Assembléias de Deus podem aprender com outros modelos, e outras igrejas podem aprender com o modelo assembleiano.

Não existe um "modelo normativo de governo" sugerido no NT, há apenas princípios. Certamente, a igreja apostólica e neotestamentária receberam a influência das formas de governo do contexto sócio-político-cultural de onde estavam inseridas.

Leia o artigo completo em ADEMP/PUBLICAÇÃO

19 comentários:

Heitor disse...

A Paz do Senhor !
Pr.Altair,
Interessante a postagem. Como crente em JESUS e membro da AD, vejo que alguns pontos do modelo de governo da AD devem ser repensados sim. Conheço um Pastor que lidera um rebanho da AD num distrito ligado a uma pequena cidade do Maranhão, onde ele simplesmente "não dá satisfação nenhuma" e de nenhum aspecto a ninguém, em assuntos administrativos e até doutrinários, na AD que ele é responsável. Parece absurdo mas nem
relatórios e muito menos livro caixa a Igreja tem, sem contar que também não tem tesoureiro. Entendo que falta fiscalização ! a pessoa se sente meio que dona das ovelhas, o que não é verdade : as ovelhas são daquele que morreu por elas : JESUS CRISTO.

ALTAIR GERMANO, disse...

Amado Heitor, uma das dificuldades do modelo de governo assembleiano é exatamente esta. Alguns passam a se achar "donos" da igreja, verdadeiros ditadores e opressores.

Por outro lado, mesmo que o modelo seja centralizador, quando o Presidente da Igreja usa do bom senso, do equilíbrio, da transparência, da delegação, dos princípios básicos de uma administração humanizadora, disposta a servir e não em mandar, é possível colher bons frutos.

Dessa forma, a prática e os fatos nos revelam que a funcionalidade e satisfação com o modelo, depende em muito do perfil e posturas do Presidente.

Abraços.

Julio Neves disse...

Se olharmos para o mundo político e social em que vivemos e fizermos comparações com a Igreja, as diferenças vão aparecer. E isso é bom ou ruim?

Em uma Igreja centenária a tradição pesa. As mudanças são dolorosas. E o Brasil dos missionários é bem diferente do mundo hoje.

O modelo assembleiano lembra a de um Estado Federado (Convenção Geral) com suas administrações independentes. Já no âmbito local (Estado ou cidade) as congregações (cidades ou bairro) são dependentes de sua central. Ou seja, torna-se um modelo centralizado. Dois modelos misturados.

O Brasil é um país democrático em que o governante fica no máximo 8 anos no poder. É dito que a alternância de poder é benéfica para o país. Já na Assembléia o presidente de uma igreja tem um poder vitalício. Lembra os reis de Israel no Antigo Testamento. Pode-se dizer que a igreja segue um exemplo bíblico.

Já filosofei sobre uma Assembléia Ideal. Quem já não sonhou com uma igreja unida e forte?

Quando a realidade se apresenta, o fator humano com suas deficiências aparece. E o exercício do poder não está imune a estes perigos. Desânimo? Não, pois sempre temos uma esperança forte em Jesus. Nosso mestre é perfeito. E nEle podemos confiar.

Logo, ao longo da trajetória cristã tenho percebido que não é um modelo administrativo de igreja que tem sido o mais importante para que a mesma possa progredir. O conteúdo doutrinário firmado na mensagem de Jesus é que faz uma Assembléia ser forte. E minha esperança é que isso se mantenha.

Um modelo econômico mal gerenciado criou uma crise mundial. Como resolver isso num momento em que a "confiança" nos administradores é perdida? Fazendo uma comparação: E se uma crise acontece na Igreja? Simples, sabemos em quem confiar!

Não sei se estou sendo idealista ou espiritual demais, como diriam alguns, mas o mundo muda com seus costumes e idéias, mas a mensagem de Cristo é eterna.

Victor Leonardo Barbosa disse...

Importante postagem pastor Altair, creio eu ser de grande importância tal debate.

Não creio que o NT não nos dê normas de como deve ser o modelo de igreja.

É necessário a igreja ter uma seleção de presbíteros(bispos) para governarem a igreja e atender a necessidade espiritual dos membros, dentre os quais se destaca o pastor, como ministro da Palavra.

A seleção de diáconos para cuidarem de tarefas administrativas da igreja, para que não se sobrecarreguem os presbíteros.

Creio eu que a Bíblia não dá respaldo para uma administração essencialmente episcopal. Creio que, partindo daí, teremos a possibilidade de como planejar a plantação de igrejas, que pessoa enviar, quais são os papéis dos membros, etc.

Ajustando a administração interna, teremos a possibilidade de ajustar sua aplicação externa.

Elisomar disse...

O que mais me chama a atenção no modelo de governo assembleiano" é a distância que existe entre seu presidente e membros.

claudio disse...

belo texto

muito bem eaborado

mas se examinarmos cuidadosamente o novo testamento e a historia eclesiatistica e patristica

veremos claramente um grande distanciamento do modelo primitivo

os pastores de ministerios que passaram sua gestao de pai para filho ,netos etc sao intocaveis

uma verdadeira oligarquia misturada com nepotismo

vemos claramente em alguns ministerios espalhados pelo brasil

PRESIDENTE FULANO
VICE FILHO DO FULANO
2 VICE GENRO DO FULANO

ARRUMAM UMA VAGUINHA de emprego ate para a esposa e filhos e netos dos referidos papas da igreja

a igreja primitiva se reunia em pequenas comunidades completamente autonamas

onde o presbiterio se reuniao com a diaconia e tomava as decisoes

veos isso claramente em atos

e tambem na epistola de tito onde paulo aconselha a tito estabelecer presbiteros de cidade em cidade

realmente qunto ao crescimento
cresce de forma torta e sem controle

por esse motivo estao ai as aberraçoes e modismo

sem falar nos congressoes de loucuras e exibiçoes particulares de cantores e pregadores SEM BIBLIA

Anônimo disse...

Na verdade o Novo Testamento não deixa claro qual o modelo de governo ideal para a igreja se Episcopal, Presbiteriano ou Congregassional e esta questão de feroma de governo da igreja já foi muito debatida pelos estudiosos todos puxando sardinha pra sua brasa. Mas o que mais me incomoda na forma de governo assembleiana é a "infalibilidade pastoral", onde o pastor presidente se considera o manda chuva, não aceita ser questionado e favorece mais a sua família (nepotismo)

ALTAIR GERMANO, disse...

Amado Julio Neves,

"Quando a realidade se apresenta, o fator humano com suas deficiências aparece. E o exercício do poder não está imune a estes perigos."

Como bem colocado, qualquer forma de governo humano terá suas fragilidades e imperfeições.

Nossa proposta é um chamado aos líderes para a reflexão e auto análise, na busca de uma liderança que perceba suas imperfeições e procure melhorar para a glória de Deus!

Paz do Senhor!

ALTAIR GERMANO, disse...

Caro Victor Leonardo,

"Não creio que o NT não nos dê normas de como deve ser o modelo de igreja."

Caro Victor, quando falamos em "normas", devemos pensar em algo bem definido, explícito e prescrito, do tipo "as coisas devem ser assim (onde, como, quando, por quem, etc)". Não temos isto no NT em se tratando de um modelo governo eclesiástico que fosse aplicado em todos os lugares e em todas a épocas.

Há momentos no NT em que o governo é democrático (Atos 2.15-26).

Em outros, nos parece episcopal (Tito 1.5)

Há ainda casos onde o governo parece-nos do tipo Quacker (Atos 13.2)

Por isso prefiro falar em princípios, em vez de normas.

Paz do Senhor!

ALTAIR GERMANO, disse...

Elisomar,

Devido ao acúmulo de atividades e a questão hierárquica, o distanciamento entre presidentes e membros é quase que inevitável.

Os presidentes, em boa parte dos dos casos, são mais gestores de negócios e administradores de conflitos do que pastores de ovelhas.

Isso pode mudar, e é pela mudança que escrevi este post.

Uma forma de se atenuar o problema é havendo mais delegação de poder.

Paz do Senhor!

ALTAIR GERMANO, disse...

Claudio,

"uma verdadeira oligarquia misturada com nepotismo".

O nepotismo pelo nepotismo, ou seja, pelo simples e injusto favorecimento, é algo que deve ser repudiado em nosso meio.

Não sou contra familiares e parentes de líderes, quer seja na igreja, nos órgão públicos ou privados, ocupando cargos, desde que estejam devidamente qualificados e tenham vocação espiritual para as funções ministeriais.

Abraços!

ALTAIR GERMANO, disse...

Anônimo,

"Mas o que mais me incomoda na forma de governo assembleiana é a "infalibilidade pastoral", onde o pastor presidente se considera o manda chuva"

Essa declaração soa generalista, e o generalismo é perigoso e injusto.

Um pastor com bom senso nunca se considerará infalível, nem "manda chuva". Tais posturas são patologias numa liderança distante dos princípios de liderança contidos na Palavra de Deus.

Abraços!

Elias Charamba disse...

A não existência de uma normatização de um governo eclesiástico na Bíblia não dá o direito de criar-se um a nosso modo. Não obstante, por não existir uma prescrição bíblica, ao contrário de que se pensa, leva-nos a ter maiores responsabilidades e desvelo na maneira de governar o povo de Deus, tendo em vista que estamos tratando de uma coisa que não é nossa. Todavia, princípios são para serem seguidos e não renegados, pois a não utilização dos princípios bíblicos é que cria os excessos do poder eclesiásticos não alicerçados nas escrituras. Então, o modelo assembleiano pode muito bem permanecer, apenas que se façam alguns ajustes, e em tais, não pode de maneira nenhuma excluir a participação da Igreja como toda. Em todas as diretrizes que a Bíblia indica, traz em seu escopo a participação da Igreja e se é governada sem a participação da mesma, esta administração precisa urgentemente adequar-se. Assim, como estamos tendo um avanço na ciência e no conhecimento em geral, também estamos avançando no conhecimento das Escrituras e se a Assembléia de Deus não romper com as distorções do passado quanto ao seu governo, teremos não pequenas dissensões dentro do nosso meio. Portanto, melhor é ajustar-se aos princípios bíblicos, assim, teremos uma Igreja sadia para honra e glória do nosso Deus.

Elisomar disse...

Eu entendo também isso. Está explicado mas não justificado.

ALTAIR GERMANO, disse...

Amado Elias Charamba,

"Então, o modelo assembleiano pode muito bem permanecer, apenas que se façam alguns ajustes, e em tais, não pode de maneira nenhuma excluir a participação da Igreja como toda."

A participação de toda a igreja dentro do modelo atual é inviável. Só funcionaria no caso da gestão independente das congregações, conforme o modelo congregacional.

Quanto maior a igreja, mas problema o modelo democrático oferece.

Um meio termo, tem sido a adoção da democracia representativa, mas também tem suas dificuldades.

O modelo congregacional também possui as suas dificuldades, principalmente quando se trata de igrejas sem a mínima condição de auto-sustento.

Concordo com uma maior participação da igreja. A questão é, como e em quais decisões a igreja (mebros e congregados)participaria?

Como já coloquei, todos os modelos possuem facilidades e entraves, pontos forte e fracos.

Toda mudança precisa ser regada com muita oração e direção do Espírito.

Abraços!

Elias Charamba disse...

Meu irmão em Cristo Pr. Altair,


Quando falo em participação da Igreja, estou sim defendendo a participação de toda a membresia, na maneira assembleiana de governar. E tem mais, temos um exemplo já posto em prática, entretanto nós nem nos apercebemos de que podemos usar do mesmo expediente pelo qual usamos frequentemente.
Vejamos: quando temos quaisquer problemas em que a denominação é afetada, fazemos uma listagem e um conograma para que todas as Igrejas da Convenção participem de vigílias, orações, etc; em favor do problema? E então? Já viu que não é impossível uma convocação assembleiana de todas as Igrejas conveniadas? Agora não vamos mobilizar a assembléia por qualquer motivo. Só para motivos relevantes que tenham implicações para toda membresia. Não vamos também usar apenas de convocação geral para resolução de problema não causado pela congregação. Está vendo como já temos uma solução? Basta usá-la. Provérbio nos diz que com sábios conselhos se faz a guerra.

Valdomiro disse...

Talvez seja utópico, mas eu acredito que a democracia é o melhor caminho onde quer que a teocracia tenha deixado de existir. Não estou falando de pessoas que se denominam teocráticos para imporem uma ditadura, mas uma teocracia real, onde se possa perceber uma dinâmica entre Deus e o seu povo.

ALTAIR GERMANO, disse...

Amado Charamba,

convocar a igreja para uma campanha de oração é uma coisa, para resoluções é outra.

Por exemplo: a igreja AD em Abreu e Lima, no seu sistema de governo, possui mais de 100.000 membros em todo o estado.

Só uma democracia representativa funcionaria neste caso, ou então, a mudança na forma de governo.

Abraços!

ALTAIR GERMANO, disse...

Valdomiro,

a democracia será o melhor caminho exercida na direção do Espírito, assim como outras formas de governo.

Abraços!