terça-feira, 21 de outubro de 2008

A TEOLOGIA DO OPRIMIDO

Neste breve texto intitulado "A teologia do oprimido", é sobre a opressão nas igrejas cristãs que quero tratar.

Quando falo em opressão nas igrejas cristãs, me refiro a opressão no nível dos relacionamentos do tipo membros que são oprimidos pelas lideranças, lideranças menores (baixo clero) que são oprimidas por lideranças maiores (alto-clero), especialistas que oprimem leigos, etc.

Obviamente, quando se fala de opressão nesses termos, pensamos logo no mais poderoso oprimindo o mais fraco, no(s) detentor(es) do poder oprimindo o(s) subalterno(s).

Esse tipo de opressão geralmente é legitimada por códigos escritos, por tradições culturais ou pela criação-imposição de uma elite supra e super espiritual, intocável, infalível e por vezes inacessível.

Nos regimes cristãos opressores a castração de idéias, a retaliação dura e impiedosa aos pensamentos, palavras e ações tidas por inconvenientes, impróprias ou fora dos "padrões" interpretados e impostos pela elite espiritual, a fuga da discussão e do debate esclarecedor, a disciplina arbitrária e outras ações semelhantes, estão sempre presentes provocando algum tipo de medo e terror nos sujeitos pensantes e questionadores.

É interessante lembrar que algumas das imposições arbitrárias dos opressores não são observadas por eles, nem pelos membros de suas famílias.

Sou a favor da ordem, do respeito à autoridade, da sã doutrina, das normas, dos bons costumes, das ações disciplinares, mas desde que estas questões possam existir e serem vivenciadas para promover a liberdade que temos em Cristo Jesus com responsabilidade, e não como mecanismos de controle ou de qualquer nível de opressão ou intimidação por parte daqueles que em muitos casos se auto promovem donos absolutos e exclusivos da verdade (creio na verdade absoluta, só não creio nos "donos infalíveis" da verdade).

Há uma grande diferença entre autoridade espiritual e mero autoritarismo.

A opressão pode se manifestar de forma escancarada ou sutilmente.

A imposição de normas e decisões em qualquer organização ou grupo cristão, assim como a exclusão de infratores e insubmissos, deveriam ser aplicadas quando todas as possibilidades de diálogo e entendimento desaparecem, e sempre visando o bem maior para o maior número de pessoas possível.

Certamente, em se tratando de organizações cristãs, uma boa dose de oração, da busca pela direção do Espírito e da análise e aplicação dos princípios bíblicos nunca é demais, além de serem indispensáveis em relacionamentos que se dizem regados pelo amor de Cristo, que afirmam buscar em tudo a glória de Deus.

10 comentários:

zwinglio rodrigues, pr. disse...

Pr. Germano, paz!

Seguindo a linha do educador Paulo Freire, acredito que todo oprimido é um opressor... pode observar que isso é assim entre nós[os cristãos]também...

Devemos nos preocupar com a libertação [e aqui falo não no sentido freiriano] tanto do oprimido como do opressor...

A meu ver, essa libertação, só se dará pela intercessão incessante diante do Pai... pela ação entre nós, não vejo como não reforçar a opressão...

Que a mudança comece em mim e em ti, meu caro colega... e que vivamos um cristianismo desprovido o máximo possível de nós mesmos...

Abraços!!!

Elisomar disse...

Esse é um assunto tão sério, que a gente não pode comentar sem que alguém seja atingido. Mas sabemos que tal atitude faz parte do engano de quem confunde soberba com santidade.

Delio Visterine disse...

Esse é mais um dos grandes males que assombram a igreja evangélica. Autoridade espiritual confundida com autoritarismo (despotismo, arrogância, arbitrariedade). Infelizmente alguns líderes usam do seu poder de liderança para conquistar os seus objetivos pessoais, para manter a sua falsa aparência, e para se impor sobre os demais. Não poucas vezes vi pessoas sendo amaldiçoadas em nome de “Deus” por discordarem de certas atitudes clericais e outras até mesmo por terem feito o bem. Muitos ensinam a lançar fora o medo, mas como fazê-lo se a opressão acaba por gerar mais medo ainda, levando as pessoas a servirem a Deus por medo, pelo simples fato de passarem a confundir a Deus e Jesus com o autoritarismo com que são tratadas.
O mais difícil é enquadrar esse tipo de comportamento com o que Paulo ensinou:
"Irmãos, se algum homem chegar a ser surpreendido nalguma ofensa, vós, que sois espirituais, encaminhai o tal com espírito de mansidão; olhando por ti mesmo, para que não sejas também tentado." (Gálatas 6:1).
"Rogo-Vos, pois, eu, o preso do Senhor, que andeis como é digno da vocação com que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor” (Efésios 4: 1-2).
"Instruindo com mansidão os que resistem, a ver se porventura Deus lhes dará arrependimento para conhecerem a verdade," (II Timóteo 2: 25).
"Que a ninguém infamem, nem sejam contenciosos, mas modestos, mostrando toda a mansidão para com todos os homens." (Tito 3: 2).
Quando será que aprenderemos com o Filho do homem: aprendei de Mim porque Sou manso e humilde de coração.

Daladier Lima disse...

Relembro o castigo de Deus a Nabucodonozor, porque no exercício do juízo divino se exarcebou.

Matias Borba disse...

É pra muitos lideris o que vale é, "faça o que eu to mandando e não faça o que eu faço se não a maldiçao te pega". Uma pessoa que não suporta nem ser questionado por um ensinamento ou por alguma de suas opiniões, essa pessoa pode não está habilitada para esta a frente de uma obra, principalmente se for a obra de Deus pois o proprio Deus respeita nossas opiniões e esta disposto a convencer o homen de seus erros atravez do Espirito Santo fazendo assim o direito de ser questionado.

fernanda disse...

Querido pastor,
A paz do Senhor!
Parabéns pelo excelente texto " A teologia do oprimido"
somos vítimas de líderes despreparados!
O que fazer?
" Os farizeus são mais atuais que nunca"

Antoniel Gomes disse...

Parabéns pela postagem, concordo com tudo que você disse!Abração e fica na paz de Cristo.

Elias Charamba disse...

Meu caro irmão em Cristo Altair, graça e paz!

Concordo com a abordagem do pastor Altair, no entanto, gostaria que o nobre fosse mais explícito neste assunto, como em outros já publicados, pois eu, particularmente entendo onde o pastor queira chegar, embora, ache que um grande número de pessoas que acessam este blog não entenderá o que o pastor quer dizer sobre a TEOLOGIA DO OPRIMIDO, uma vez que o mesmo remete ao nosso contexto próximo, e só iremos entender com propriedade, se nos inteiramos do contexto em que vivemos. Portanto, Pr. Altair, gostaria que o senhor explicitasse as suas idéias e o porquê do nobre professor comentar algo, contextualizando-os, citando casos, etc. Assim, fica mais fácil o entendimento das vossas discussões. Vejamos o exemplo desta expressão postada:
“...A FUGA DA DISCUSSÃO E DO DEBATE ESCLARECEDOR, A DISCIPLINA ARBITRÁRIA E OUTRAS AÇÕES SEMELHANTES, ESTÃO SEMPRE PRESENTES PROVOCANDO ALGUM TIPO DE MEDO E TERROR NOS SUJEITOS PENSANTES E QUESTIONADORES.”
Fazendo a “Exegese” desta sentença, chego à conclusão de que o Pastor queira dizer o seguinte: nós, assembleianos ,somos tolhidos cada dia que nos esclarecemos, tomando conhecimento da Palavra, e por isso as lideranças são tomadas de receio que de alguma maneira ou de outra possamos esclarecer a outros irmãos, e assim chega-se ao ponto de questionarmos várias imposições ou julgo colocados em nós.
Então, concluímos que o amado Pastor quer afirmar em suma, que existe um terror nos líderes para que a membresia não cresça no conhecimento, tendo em vista que o mesmo traz sempre liberdade. Digo: liberdade e não libertinagem. Também, a citação faz referência a alguns líderes intermediários que tomaram decisões pessoais pelas quais creio que não influenciou em nada que venha abalar a denominação. Apenas foi uma questão pessoal, a qual não implica em pecado ou “desobediência” a liderança maior. Se fosse assim, isso implicaria em dizer que qualquer decisão individual teria que passar pelo crivo da Igreja. Onde já se viu isso?
Que possamos crescer sempre na graça e no conhecimento, e assim, teremos uma Igreja sadia e madura, pronta para fazer o que foi determinado para ela.

' Elaine Locatelli disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
' Elaine Locatelli disse...

Olá querido pastor! Amei este blog e o encontrei num momento em que meu coração está oprimido por excesso de autoridade. A visão da minha igreja é que temos que obedecer sem questionar, usando o preceito da autoridade espiritual, mas com isso eu que colaboro na liderança da pequena igreja com poucos membros, sou forçada a não questionar e nas vezes em que o fiz, fiquei com fama de rebelde. Eu sei que temos que obedecer, pois é ordem bíblica, mas penso devo oferecer ao Senhor, um culto RACIONAL, verdadeiro com os elementos da minha completa entrega, sem falar que às vezes se usa o altar pra lançar indiretas sobre os membros de modo que fica BEM claro de quem é que se está falando. Não aprovo as maldições feitas aos que nõ obedecem cegamente, e sem titubear, todos que saíram são objetos de críticas durante as pregações, inclusive questinando de os tais eram de Deus e que eram apenas joio e não trigo, por isso se foram.Em Cristo, por favor me oriente.Quero obedecer e procuro amar o meu pastor, mas abomino o autoritarismo