quarta-feira, 8 de outubro de 2008

O CARVALHO E O JUNCO

Próximo a um campo de milho havia um grande carvalho, era uma planta magnífica. Tinha um grande tronco robusto e maciço, uma espessa folhagem muito verde que se via a distância. Perto do carvalho, à margem de um córrego, crescia um junco alto e fino, com as longas folhas em forma de lança, de uma pálida cor verde-prateada.

Um dia, o carvalho majestoso dirigiu a palavra ao junco:

- Eu morro de pena de você, coitadinho, o destino não lhe foi generoso, não é? É tão fraquinho, que não pode agüentar nem ao mesmo o peso de um passarinho, e o mínimo de sopro de vento o faz abaixar até o chão. Olhe para mim: nos meus galhos, ao contrário, há ninhos em quantidade e alegres cantos de pássaros se cruzam ao meu redor do amanhecer ao pôr-do-sol. O mais forte temporal nunca me tirou do lugar.

O junco escutava, atento.

- Se pelo menos - retomou o carvalho - você tivesse nascido e crescido ao meu lado! Eu o teria abrigado e protegido. Mas você esta aí, à beira do córrego, ao sabor das intempéries!

- As suas palavras são ditadas pelo bom coração e eu lhe agradeço, grande carvalho - rebateu imediatamente o junco. Mas o meu destino não é assim tão amargo como você fala. O vento me maltrata, mas não consegue me quebrar e, assim que ele vai embora, eu levanto a cabeça de novo.

Bobagens! - resmungou o carvalho.

E sacudiu a grande folhagem verde, aborrecido por ter sido contrariado por aquela plantinha insignificante.

Dali a pouco o céu começou a cobrir-se de nuvens ameaçadoras, ficou escuro como a noite e irrompeu a mais assustadora tempestade que se possa imaginar, com rajadas de vento violentíssimas.

Atingido em cheio por aquela fúria descontrolada, o grande carvalho caiu no chão com um estrondo, a sua folhagem verde foi arrastada para longe e se espalhou, as raízes foram arrancadas da terra.

O humilde junco, abaixado o córrego, resistiu. E quando o céu ficou calmo, levantou novamente a cabeça para o azul.

Fonte: Estórias - Pe. Josué Nascimento - Travessia

"Aquele, porém, que se gloria, glorie-se no Senhor. Porque não é aprovado quem a si mesmo se louva, e sim aquele a quem o Senhor louva." (2 Co 10.17-18)

3 comentários:

Elisomar disse...

O importate não é se encontrar em lugar de destaque e sim o permanecer nele.
Deus nos livre de sermos arrogantes!

Fé perfeita em Deus disse...

por um instante ate podemos parecer estar abatidos,mas,nunca destruidos ( 2 Co 4:9b )

Pb. Silas disse...

Por um instante até podemos estar abatidos,mas nunca não destruidos
(2 Co 4:9b)