terça-feira, 14 de outubro de 2008

INTOLERÂNCIA RELIGIOSA, PREGAÇÃO BÍBLICA E AÇÃO LIBERTADORA


"Para Ari Oro (1997), a demonização das religiões é usada como recurso estratégico no campo religioso nacional, no esforço de conquistar novos membros, frente a impossibilidade de abolir do imaginário coletivo as representações simbolo-religiosas das entidades espirituais afro-brasileiras. Desse modo Ari Oro (1997) afirma que a demonização é “um recurso simbólico posto em prática por religiões que competem entre si para arregimenlar fiéis e para se impor legitimamente“. (Ponto Crítico)

Recebi por e-mail da irmã Esther, um artigo publicado no site http://critico.guerreirosdaluz.com.br/, que acusa alguns segmentos das igrejas neo-pentecostais, de buscarem estratégias de crescimento demonizando as religiões não cristãs, em especial as afro-brasileiras.

Não tenho dúvida alguma que alguns setores evangélicos abusam dos rituais de libertação, tornando-os em verdadeiros espetáculos da fé. O que não dá para desassociar é a relação entre demônios e religião.

O Novo Testamento é claro (eu ainda creio na Bíblia como Palavra de Deus), independente de qualquer argumento psicanalítico, antropológico, sociológico, teológico etc, que os demônios se instrumentalizam da religião para escravizar e oprimir o ser humano, afastando-o de Deus, destruindo pessoas, famílias e povos:

"Ao retirarem-se eles, foi-lhe trazido um mudo endemoninhado. E, expelido o demônio, falou o mudo; e as multidões se admiravam, dizendo: Jamais se viu tal coisa em Israel! Mas os fariseus murmuravam: Pelo maioral dos demônios é que expele os demônios. (Mt 9.32-34)

"E CHEGARAM ao outro lado do mar, à província dos gadarenos. E, saindo ele do barco, lhe saiu logo ao seu encontro, dos sepulcros, um homem com espírito imundo; O qual tinha a sua morada nos sepulcros, e nem ainda com cadeias o podia alguém prender; Porque, tendo sido muitas vezes preso com grilhões e cadeias, as cadeias foram por ele feitas em pedaços, e os grilhões em migalhas, e ninguém o podia amansar. E andava sempre, de dia e de noite, clamando pelos montes, e pelos sepulcros, e ferindo-se com pedras. E, quando viu Jesus ao longe, correu e adorou-o. E, clamando com grande voz, disse: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? conjuro-te por Deus que não me atormentes. (Porque lhe dizia: Sai deste homem, espírito imundo.) E perguntou-lhe: Qual é o teu nome? E lhe respondeu, dizendo: Legião é o meu nome, porque somos muitos. E rogava-lhe muito que os não enviasse para fora daquela província. E andava ali pastando no monte uma grande manada de porcos. E todos aqueles demônios lhe rogaram, dizendo: Manda-nos para aqueles porcos, para que entremos neles. E Jesus logo lho permitiu. E, saindo aqueles espíritos imundos, entraram nos porcos; e a manada se precipitou por um despenhadeiro no mar (eram quase dois mil), e afogaram-se no mar. E os que apascentavam os porcos fugiram, e o anunciaram na cidade e nos campos; e saíram muitos a ver o que era aquilo que tinha acontecido." (Mc 5.1-14)

"E aconteceu que, indo nós à oração, nos saiu ao encontro uma jovem, que tinha espírito de adivinhação, a qual, adivinhando, dava grande lucro aos seus senhores. Esta, seguindo a Paulo e a nós, clamava, dizendo: Estes homens, que nos anunciam o caminho da salvação, são servos do Deus Altíssimo. E isto fez ela por muitos dias. Mas Paulo, perturbado, voltou-se e disse ao espírito: Em nome de Jesus Cristo, te mando que saias dela. E na mesma hora saiu. E, vendo seus senhores que a esperança do seu lucro estava perdida, prenderam Paulo e Silas, e os levaram à praça, à presença dos magistrados. E, apresentando-os aos magistrados, disseram: Estes homens, sendo judeus, perturbaram a nossa cidade" (Atos 16.16-20)

"E, naquele mesmo tempo, houve um não pequeno alvoroço acerca do Caminho. Porque um certo ourives da prata, por nome Demétrio, que fazia de prata nichos de Diana, dava não pouco lucro aos artífices, Aos quais, havendo-os ajuntado com os oficiais de obras semelhantes, disse: Senhores, vós bem sabeis que deste ofício temos a nossa prosperidade; E bem vedes e ouvis que não só em Éfeso, mas até quase em toda a Ásia, este Paulo tem convencido e afastado uma grande multidão, dizendo que não são deuses os que se fazem com as mãos. E não somente há o perigo de que a nossa profissão caia em descrédito, mas também de que o próprio templo da grande deusa Diana seja estimado em nada, vindo a ser destruída a majestade daquela que toda a Ásia e o mundo veneram." (Atos 19.23-27)

"Mas que digo? Que o ídolo é alguma coisa? Ou que o sacrificado ao ídolo é alguma coisa?Antes digo que as coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demônios, e não a Deus. E não quero que sejais participantes com os demônios. Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demônios." (1 Co 10.19-21)
O autor do artigo declara:
"Como teólogo vejo que para pregar o evangelho, definitivamente não é necessário demonizar a religião do outro, afinal o evangelho é feito apenas pelo anúncio da boa notícia da encarnação do Verbo divino, e a redenção realizada em Cristo por amor gracioso pela humanidade perdida."
Não concordo com esta afirmação, se por demonizar entende-se denunciar a ação demoníaca onde ela estiver operando. É preciso também deixar claro que o "evangelho da boa notícia" é também o "evangelho da denúncia do pecado, da libertação, da restauração e da cura". É o evangelho da proclamação sem omissão da verdade.

Pelo visto, Jesus e Paulo enfrentariam algumas dificuldades em nossa época, como enfrentaram em seu próprio tempo e contexto. Essas acusações de preconceito e agressão às religiões não são novas. O fato é que nem Jesus nem Paulo tiveram preconceito pelas pessoas, simplesmente denunciaram o engano, o pecado e a ação demoníaca em algumas religiões, proclamando libertação aos cativos, restaurando a vista aos cegos e pondo em liberdade os oprimidos (Lc 4.18). Querem calar a voz profética da igreja no presente, assim como no passado, pela força da lei. Observem este comentário:

"Deve-se ter cautela com esses atuais métodos de Libertação Espiritual adotados por alguns segmentos evangélicos no Brasil, pois a demonização de outras religiões pode ser encarada como crime de discriminação ou preconceito de religião de acordo com o artigo 20 da Lei n.º 7.716/89, modificada pela Lei 9.459/97, que condena o ato de “praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de religião”, sendo que isso cometido por intermédio dos meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza, gera a reclusão de dois a cinco anos. (Cf. http://www6.senado.gov.br/legislacao/ListaTextoIntegral.action?id=124299 ). (Ponto Crítico)

"O Art. 208 do Código Penal também afirma ser crime “contra o sentimento religioso”, o ato de “escarnecer de alguém, publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso”. (Ponto Crítico)

Sou contra qualquer tipo de escarnecimento de pessoas e por qualquer motivo, contra qualquer ato de pertubação ou violência contra objetos ou lugares onde cerimônias religiosas são praticadas, mas sou favorável a pregação bíblica. O que a Bíblia diz que é pecado é pecado. O que a Bíblia chama de demônios são demônios, o que a Bíblia chama de falsa doutrina é falsa doutrina, o que a Bíblia chama de Espíritos enganadores são espíritos enganadores. O que a Bíblia diz ser a verdade, é a verdade.

Vivemos um momento onde as pessoas querem liberdade para serem e fazerem o que quiserem, mas não querem dar liberdade para questionamentos e contestações. A Bíblia é questionadora, contestadora e denunciadora. O cristianismo não é apenas uma religião para ser vivida, é também para ser proclamada em toda a sua essência, no amor de Cristo que não omite a verdade que liberta (Jo 8.31-37);

"E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado. E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas; Pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porãoas mãos sobre os enfermos, e os curarão. (Mc 16.15-18)

Sou cristão, vou pregar evangelho e expulsar demônios da vida de quem precisa e deseja libertação, independente da religião que professe (inclusive de evangélicos).

Em meio a isso tudo, fiquei com uma dúvida "legal". O artigo diz:

"Pode-se citar o caso do Juiz de Direito Flávio Marcelo Fernandes, da 37ª Vara Criminal da Comarca da Capital (Rj), o qual recebeu a denúncia da Promotora Márcia Teixeira Velasco, do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, contra Isaías da Silva Andrade, pastor da Igreja Evangélica Assembléia de Deus Trabalhadores da Última Hora, por prática de preconceito religioso.

Segundo a denúncia, que cita a reportagem “Ladrão se entrega com Bíblia na mão”, da edição de 27 de novembro de 2007, do jornal “Meia Hora”, Isaías “praticou, de forma livre e consciente, discriminação ou preconceito de religião”, ao declarar sobre Rodrigo Carvalho Cruz, o Tico, acusado de roubar em Ipanema o turista italiano George Morassi que, ao fugir, morreu atropelado: “Ele estava possuído por uma legião de demônios, como o Exu Caveira e o Zé Pilintra. Fizemos uma libertação nele e o convencemos a se entregar hoje.” O pastor disse isso nas dependências da DC-Polinter, onde acompanhava a apresentação de Rodrigo à polícia.

Na opinião da Promotora, o candomblé e seus praticantes “foram atingidos diretamente com a declaração racista e discriminatória, eis que o denunciado vilipendiou entidades espirituais da matriz africana, com a espúria finalidade de proteção de autor de nefasto crime”. (Idem)

Nos casos onde o próprio demônio alega ser Exu Caveira, Pomba Gira, Zé Pilintra, Tranca Rua ou qualquer outra entidade espiritual de qualquer religião, quem será processado? O indivíduo que está expulsando o demônio, o indivíduo de quem o demônio está sendo expulso ou o próprio demônio?

Não é de uma guerra religiosa que estamos tratando (embora muitos querem tirar proveito dessa idéia), mas de realidades do mundo espiritual negligenciadas por aqueles que não conseguem ir além dos limites da razão, do concreto, do positivo, do tangível.

4 comentários:

Elisomar disse...

É pastor, parece que a liberdade de expressão neste país só é aplicada a outras religiões. Foi necessário quando criança, aprender viver com a discriminação, e nada mudou até hoje. Nunca vi ninguém ser preso porque criticou um evangélico e nem pelo fato de ter abusado em nossos cultos. E sempre vivemos com essa realidade. Taí, porque a gente não usa o modelo pra fazer o mesmo com eles? O governo teria que fazer novas cadeias. Há algumas semanas discuti isso em sala de aula. Ai desse mundo se não fosse a ação de Deus, através do povo DEle!

Robson Silva de Sousa disse...

A Paz do Senhor, prezado Pr.Altair Germano.

Verdadeiramente essa questão de liberdade de expressão vem ganhando dimensões grotescas com o advento da internet (o mais poderoso meio de comunicação e expressão de todas as eras).

De um lado há aqueles que durante séculos permaneceram calados diante das afrontas por medo de represália ou simplesmente por ter cerceada sua liberdade de expressão; de outro há aqueles que durante anos falaram o que quiseram sem nunca antes haverem sido confrontados, num embate franco e democrático de idéias.

O encontro desses dois grupos parece haver provocado uma "TSUNAMI VIRTUAL", levando componentes de ambos os grupos de um lado para o outro, numa verdadeira revolução cultural cibernética somada de uma pretensa ditadura "censurista"... Uma loucura!

Penso que o bom senso, a cautela e o respeito ao próximo são ainda os melhores limitadores para esse 'cabo de guerra' de idéias.

De qualquer forma se pairar alguma dúvida sobre a reação do inimigo (lato sensu) no momento de expressar publicamente o pensamento, um pouquinho de conhecimento jurídico será de grande ajuda antes de falar qualquer coisa a respeito daquela pessoa, entidade(?) ou instituição. Veja por exemplo o artigo "INVESTINTO NA SHEKINAH" publicado em nosso blog no dia 7/10.

Que o Senhor o abençoe!

Robson Silva
Prossigo para o Alvo... Fp. 3:14

Matias Borba disse...

A paz.

É, parece que todo mundo é intocável, menos os cristãos protestantes. Quantas vezaes vimos emissoras de tv tentando matar nossa fé, jornalistas sem caratér usando o poder dos meios de comunicação para denegrir a imagem dos evangélicos e NUUUUNNNCAAAA vi ninguém ser processado por isso. Mas isso também pode ser um sinal de que os verdadeiros Cristãos ainda incomodam as trevas, o que não dá pra tolerar mais é essa ipocrisia da inprensa, meios de comunicação e de pessoas sem caratér tentando calar a boca de quem é contra o homosexualismo em razao dos princípios bilicos e tantas outras coisas que a íblia condena Daqui a pouco vão criar uma lei proibindo o camarada de expulsar até demonios, ajudando as pessoas a se liertarem da escravidão do pecado. Qeu Deus possa tocar urgentemente na mente dos governantes
Um abraço a todos!

Delio Visterine disse...

Pastor Altair,
Se nos calarmos, as pedras falarão por nós. E como a igreja de uma forma geral se tem calado acerca dos exageros de alguns segmentos neopentecostais, as pedras tem denunciado. Sei que a mídia está apenas em busca de notícia e audiência e nunca em busca da verdade, pois nem ela, a imprensa, a poderia suportar. Porém, eu me pergunto o seguinte:
Da onde vem esse modismo evangélico de ter que chamar o demônio pelo nome dele para que ele seja expulso.
Se o irmão apenas tivesse dito: ele estava possesso de um espírito imundo e foi liberto pelo nome de Jesus. Não teria atacado ninguém e o nome de Jesus teria sido engrandecido.
Em Éfeso Paulo não disse que Diana não era uma deusa, mas o disse ao declarar que não eram deuses os que eram feitos por mãos humanas e só. E isso foi o suficiente. Em Atenas com tantos deuses para atacar e dizer a verdade, viu o altar ao deus desconhecido e através dele anunciou o evangelho. Alguma vez vimos Jesus dando nome os demônios que eram expulsos? Não, Ele nunca vez isso. Nem no caso da legião de demônios Ele disse: sai legião de demõnios. Demônio é demônio e sai no Nome de Jesus.
Isso de dar nome aos bichos é invenção dos teologos da doutrina da batalha espiritual, que acaba gerando essas distorções e discriminações e acaba dando certo "status spiritualis" ao que expulsa. Ou será que não existiam, nos tempos de Jesus e Paulo, bruxas, feiticeiras, pessoas que invocavam espíritos de "luz". E nenhum deles precisou de tais modismos para expulsar nenhum espírito imundo.
As vezes em tais casos vejo algumas pessoas querendo se aparecer e só. Ficaremos calados, de forma alguma, como poderemos nos calar acerca do que temos visto e ouvido do Senhor, ou seja, do seu evangelho da Graça e Amor por todos os homens. Porém Paulo não foi preso por dizer que o judaísmo não poderia salvar o homem mas por declarar que Jesus era o Filho de Deus, Messias, e que havia ressucutado dentre os mortos. Assim como Jesus foi crucificado por se dizer Reis dos judeus, ainda que o reino dEle não fosse e não é desse mundo.
Assim acho que devemos usar a nossa liberdade de expressão com sabedoria no anuncio do evangelho da graça.