sexta-feira, 12 de setembro de 2008

O CRISTÃO E A POLÍTICA: JOSÉ, UM POLÍTICO CONSCIENTE DE SUAS RESPONSABILIDADES

Desculpe-me a insistência com o tema, mas percebo que o momento é bastante propício para tratarmos de política à luz da Bíblia. Além do mais, volto a afirmar que a igreja evangélica brasileira deveria estar mais envolvida em "politização" do que em "politicagem".

Por qual razão Deus escolhe (creio nisto) filhos seus, para ocupar funções e cargos políticos de grande responsabilidade? A vida de José nos responde tal pergunta.

"Teve José um sonho e o relatou a seus irmãos; por isso, o odiaram ainda mais. Pois lhes disse: Rogo-vos, ouvi este sonho que tive: Atávamos feixes no campo, e eis que o meu feixe se levantou e ficou em pé; e os vossos feixes o rodeavam e se inclinavam perante o meu. Então, lhe disseram seus irmãos: Reinarás, com efeito, sobre nós? E sobre nós dominarás realmente? E com isso tanto mais o odiavam, por causa dos seus sonhos e de suas palavras. Teve ainda outro sonho e o referiu a seus irmãos, dizendo: Sonhei também que o sol, a lua e onze estrelas se inclinavam perante mim. Contando-o a seu pai e a seus irmãos, repreendeu-o o pai e lhe disse: Que sonho é esse que tiveste? Acaso, viremos, eu e tua mãe e teus irmãos, a inclinar-nos perante ti em terra?" (Gn 37.5-10, Bíblia Online)

Deus tinha um plano para a vida de José e resolveu lhe falar por sonhos. A grandeza dos propósitos divinos em nossas vidas, como de práxis, à medida que se revela e que se torna publico, acaba desencadeando ciúme, inveja e desprezo. Geralmente, Deus resolve dar e fazer coisas esplêndidas com e através dos menos prováveis, dos menos possíveis, dos menos viáveis (1 Co 1.26-29). Deus escolheu José.

O preparo de José para o cargo de governador do Egito, passou por experiências de vida dolorosas, mas também, por experiências com Deus maravilhosas. Sofrimento e manifestação do sobrenatural em nossas vidas é uma boa combinação na pedagogia divina. Deus cumpriu com a sua promessa e realizou a sua vontade (Gn 42.37-46). Deus faz sempre a sua vontade soberana prevalecer. Ele é, Ele pode, Ele faz.

O que destaco neste breve texto é a sempre e constante consciência de José em relação aos desígnios divinos. A conquista, o sucesso e o poder não lhe entorpeceram a mente, a razão, os pensamentos, nem as idéias. Seu caráter e identidade também não foram afetados;

"Disse José a seus irmãos: Agora, chegai-vos a mim. E chegaram-se. Então, disse: Eu sou José, vosso irmão, a quem vendestes para o Egito." (Gn 45.4)

José, apesar da posição que ocupava, ainda se percebia o mesmo José, com maiores honras e responsabilidades, mas ainda assim, José.

José tinha a cabeça no céu e os pés no chão. Soube desempenhar a função de governador vivendo entre o sobrenatural e o natural. José sabia discernir e entender que tudo coopera para o bem dos que amam a Deus (Rm 8.28);

"Agora, pois, não vos entristeçais, nem vos irriteis contra vós mesmos por me haverdes vendido para aqui; porque, para conservação da vida, Deus me enviou adiante de vós." (Gn 45.5, Bíblia Online)

José não foi um alienado político, ou seja, alguém que repudiava, não compreendia, ou não se percebia responsável pelo bem estar de seu próximo aqui e agora, no tempo e na história. Ele estava engajado com as questões espirituais e sociais, eternas e temporais, pós-históricas e históricas.

"Deus me enviou adiante de vós, para conservar vossa sucessão na terra e para vos preservar a vida por um grande livramento." (Gn 45.7, Bíblia Online)

José, como governador e crente, é modelo para todos os servos e filhos de Deus. Ele nos faz compreender que uma vocação política precisa ser acompanhada por um nível de consciência tal, que nos faça entender que esta vocação faz parte de um propósito divino longe de ser voltado para a vantagem pessoal ou para o enriquecimento ilícito. Ser político é ser benção para uma nação, um estado, um município, um povo.

8 comentários:

Elisomar disse...

Pastor,
Estou amando essas postagens, e principalmente a de hoje. Acho fantástica essa história de José, um bom exemplo de quem teme a Deus.
O povo precisa ser politizado e ninguém melhor do que uma pessoa que conhece a Bíblia pra fazer isso. Porque criticar e não informar, também é pecado, né?

Anônimo disse...

Pastor Altair, a paz do Senhor
Sabe o que me intriga nessa história de citar José como político? É que em nenhuma escritura diz que o mesmo fez qualquer coisa para se eleger governador do Egito, tais como: campanha, comícios, distribuição de "santinhos", ou coisas semelhantes, aliás, ele sequer falou com o Faraó pedindo um favor em troca da interpretação dos sonhos. Ele não se vendeu, não assumiu compromissos com o povo (como fazem hoje os políticos crentes e depois de eleitos esquecem o prometido).
José foi nomeado governador pelo rei do Egito e assumiu o cargo exercendo-o com a sabedoria e competência dados por Deus, o que o próprio José reconhecia.
Deus o abençoe
da silva

ALTAIR GERMANO, disse...

Amado anônimo,

gostaria de fazer uma pequena observação sobre o vosso comentário. A integridade de José é indiscutível, mas não se fundamenta necessariamente na forma pelo qual chegou a ser governador.

Se vivesse em nossos dias aqui no Brasil, José iria precisar se candidatar, fazer uma campanha limpa e aguardar os resultados das eleições para confirmação da promessa de Deus.

Deus age na vida de seus filhos no tempo e na história, com os instrumentos legítimos e legais deste tempo e desta história.

Paz do Senhor!

Elisomar disse...

Sabemos que Deus tira do anonimato e faz com que pessoas "insignificantes" tornem-se importantes. No caso de José ele pediu ao copeiro que o citasse, para que o rei tivesse misericórdia dele. O copeiro esqueceu,ou fez que esqueceu, mas não mudou o plano de Deus em sua vida. Deus fez a política de José, e ele soube honrá-la. Hoje não é diferente. Se ELe tenho um plano de abençoar alguém através da política, o mesmo tem que ser apresentado à sociedade pelos meios que há. Cabe ao cristão ter ética após a eleição. O povo pode até esquecer, mas o Senhor jamais.

Anônimo disse...

Meu irmão em Cristo Altair, Graça e paz!

Estou perplexo e ao mesmo tempo contente com o momento em que vivemos hoje. A minha perplexidade se dá em termos um quadro político no nosso país que, infelizmente, ainda faça política a base de acordos espúrios em que um apoio implica em compromissos também espúrios. Não obstante, nós evangélicos estamos seguindo os mesmos padrões de acordos políticos mundanos. Não que o cristão seja um cidadão alienado, pois , assim como o nobre Pastor afirma, que José estava engajado com as questões espirituais e sociais, eternas e temporais, pós-históricas e históricas, assim também nós devemos seguir o seu exemplo. Entretanto, é sabido, e isso não é segredo para ninguém, que entre nós existem escândalos causados justamente por não conduzirmos eticamente os valores cristãos. E nós, como igreja de Cristo, temos que ser o sal da terra, dando exemplo de conduta política, participando limpamente do processo, fazendo assim, com que o mundo veja que nós realmente somos cidadãos tanto das coisas eternas como também das temporais. E por fim, Deus é glorificado por nossos comportamentos, impostos por Ele aos que os teme.
Como disse no início, estou contente por nos dias de hoje a tecnologia de informação não nos deixar omissos. Pois, em outros tempos não tínhamos um instrumento como este (Internet) em que podemos externar nossas decepções, nossas indignações e saber de determinados acordos feitos sem o conhecimento da membresia que, por sinal, deveria ser consultada sobre todos os acordos feitos pela Igreja, afinal, quando vem à tona quaisquer escândalos, nós, como participantes de uma determinada denominação, sofremos. Agora, se a liderança antes de tomar qualquer decisão levasse ao conhecimento da congregação, tenho plena certeza que seria mais difícil de errar, e se errasse, o erro seria divido por todos: Tanto com os líderes como para com a membresia.
Que possamos aprender com os fatos de que sempre que a Igreja é coptada pelo poder temporal ela também perde sua capacidade de igreja de Cristo. E, se quisermos o poder temporal sigamos o exemplo e a conduta de José.


Dc. Elias Charamba

Anônimo disse...

Comparar José , filho de Jacó, herdeiro das promessas com politico, que blasfemia, nada que ver, veja o contexto, que hermeneutica é esta. Pobre de José ser comparado com uma raça de porcos.!!!

ALTAIR GERMANO, disse...

Querido anônimo, onde o amado viu no texto uma "comparação" entre José e os políticos atuais?

Ser referencial não é ser comparado.

Um abraço!

Matias Borba disse...

qgfdriarPastor...

Creio que mesmo se josé fosse comparado com os políticos da atualidade ele seria muito superior e eles,mas ser referencial nao é ser comparado mesmo. Acho que política esta envolvida em várias areas de nossa vida pois todos somos eleitores,embora não procure me envolver muito com a política eleitoral,ainda acredito que Deus escolhe alguns para term cadeiras para representarem o povo,mas acho que se envolver com essa política eleitoral é uma coisa muito complicada para um cristão. As pessoa que sempre foram honesta na vida,logo ao ingressarem esse caminho já tem suas honrra sob suspeita apenas porque os escandalos são muitos. não estou dizendo qeu o Cristão nao deve se envolver mas realmente é muito complicado para alguns aceitarem essa idéia,pois se o povo tem la suas desconfianças é porque já deram muito motivo para isso e esses mesmos escandalos vão tirando a vontade do eleitor de procurar um candidato que realmente lute para o país ser mudado.
Deus Abençoe a todos.