quinta-feira, 21 de agosto de 2008

A PAIXÃO


Da última vez que tratei sobre o tema paixão, falei de uma perspectiva da nossa relação e sentimentos para com o Senhor Jesus. Neste post, procuro tratar da paixão no âmbito das relações humanas.

O QUE É PAIXÃO?

Começo trazendo (ou revendo) algumas definições já expostas, como base para a nossa abordagem. O termo paixão deriva do latim passione, sentimento excessivo; amor ardente; afeto violento; entusiasmo, e do grego, derivada de paschein, padecer uma determinada ação ou efeito de algum evento. É algo que acontece à pessoa independente de sua vontade ou mesmo contra ela. De paschein deriva pathos e patologia. Pathos designa tanto emoção como sofrimento e doença. As paixões, entendidas como emoções, mobilizam a pessoa impondo-se à sua vontade e à sua razão."

Paixão é emoção. Como emoção, paixão é alegria e tristeza, bálsamo e dor

Paixão é imposição, mas imposição de quem ou do quê? Parece-me que paixão é imposição dos sentidos, resultado de uma complexa relação entre corpo e mente, consciência e inconsciência, física e química, eu e tu, que desencadeia um processo geralmente não planejado que nos leva a desejar ardentemente, e até obsessivamente coisas ou pessoas. É assim, no âmbito das relações humanas uma imposição que é acionada e se desencadeia através de um sorriso meigo, um olhar profundo, um gesto carinhoso, uma atenção especial, uma voz doce, uma mente brilhante, um pensar inteligente. Geralmente ela surge de um descuido em nossa auto-vigilância.

Paixão é patologia do amor.

Alguns cientistas a descrevem como "uma descarga bioquímica que transporta no interior de nosso ser um misto de adrenalina e outras substâncias secretas, que produzem uma certa confusão emocional.”

CARACTERÍSTICAS DA PAIXÃO

A paixão, ao contrário do amor, dura intensamente por um tempo muito curto.

O amor autêntico é altruísta, dirige-se à outra pessoa, não busca os seus próprios interesses. A paixão é simplesmente a busca por uma satisfação egoísta.

O que fica nos relacionamentos e nas realizações fundamentados na mera paixão, quando esta se acaba? Minha resposta é culpa, frustração, arrependimento e outros sentimentos semelhantes.

A PAIXÃO NA BÍBLIA

Sempre que a palavra “paixão” aparece na Bíblia, percebe-se nela um sentido negativo. Por exemplo:

Paixões Infames (Rm 1.26)
Paixão Lasciva (Cl 3.5)
Paixões da Mocidade (2 Tm 2.22)
Paixões Mundanas (Tt 2.12)
Paixões na Ignorância (1 Pe 1.14)
Paixões Corruptoras (2 Pe 1.4)
Paixões Ímpias (Jd 18)

PAIXÃO LÍCITA E ILÍCITA

Pode haver algo de lícito na paixão? Penso que sim. Este forte sentimento pode provocar o desejo por aquilo, aquele ou aquela sem ser necessariamente o desejo pelo proibido, pelo inacessível, pela propriedade, pelo amor alheio. Geralmente a paixão se impõe não respeitando os limites da ética, das convenções culturais, do outro. A paixão não se toca. Desta forma, o desejo ardente pelo coisa ou pelo outro pode nos induzir ao erro, à transgressão, ao pecado. A paixão não enxerga nem pensa no futuro, só se interessa pelo presente, pela conquista aqui e agora, pela simples materialização e concretização da loucura, pelo alcance do prazer de ter, de possuir e estar com o que e com quem loucamente se deseja.

PAIXÃO, TEMPO E RACIONALIDADE

A racionalidade trabalha contra a força e a loucura da paixão. O tempo trabalha em favor da racionalidade. Como qualquer "emoção", palavra derivada do latim movere - "mover" - acrescida do prefixo "e-", que indica uma propensão para uma ação imediata, a paixão busca o imediato. Quanto mais tempo para a ponderação e reflexão, mais teremos chances de dominar e de vencer a paixão. É claro que, em se tratando de cristãos, a cooperação do Espírito deve ser sempre buscada.

Ninguém está livre de se apaixonar lícita ou ilicitamente. A paixão não respeita cargos, funções, sexo, idade, classe social. A paixão não "pensa" nas conseqüências. Por isso, enquanto puder ,fuja da paixão (2 Tm 2.22), principalmente da ilícita. Só o tempo e as atitudes podem transformar paixão em amor. Transformar paixão ilícita em lícita.

Achar que está livre de se apaixonar, ou negligenciar a força da paixão, são idéias que podem ser usadas pela própria paixão para se apropriar, dominar e controlar a mente e as ações de quem quer que seja.

É sempre bom lembrar a afirmativa bíblica:

"Elias era homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos sentimentos (paixões na ARC)" (Tg 5.17a)

Negligenciar esta verdade, é no mímino perigoso.


Um comentário:

Elisomar disse...

Definindo paixaão

Paixão é atração
Irmã da ilusão
foge à razão
Que fazer então?

Eu deito sem jeito
Me ajeito me aqueço
Penso e repenso
Não acho outro jeito.

Tua imagem seduz
É sombra é luz
É abismo profundo
É querer sem poder.

Se posso não devo
Não penso direito
Me arranje outro jeito
Sò assim me esqueço
De querer desse jeito.

Escapo se hesito
Sufoco meu grito
Mas perco se fico
Melhor é correr.

Alegria e lamento
Um tal desalento
Mas logo alimento
Todo esse querer.

Se é loucuro não sei
Só não é lucidez
Dor e bálsamo
Se fundem de vez.

Se fujo eu sofro
Ficar é morrer
Só Deus tem socorro
Pra o meu padecer.