terça-feira, 26 de agosto de 2008

ESCOLA DOMINICAL: ESPAÇO PARA ATIVIDADE PEDAGÓGICA CRÍTICA-REFLEXIVA

Pensar e discutir a forma como a ED é percebida e utilizada, sabendo sobre quais pressupostos filosóficos, ideológicos e práticos é construida, é fator fundamental para o seu sucesso ou fracasso como agência de educação cristã a serviço do Reino de Deus. Apresento aqui, de forma concisa, duas visões antagônicas sobre o assunto.


ESCOLA DOMINICAL: ESPAÇO DE ATIVIDADE MECANICISTA E REPRODUTORA


Há muito tempo, em muitos lugares e por várias razões, a ED tornou-se um espaço de simples reprodução de idéias, conceitos e doutrinas. Um modelo de ensino-aprendizagem tradicional, mecanicista e tecnicista se instaurou, promovendo um tipo de ensino pobre, medíocre, formal e engessado, longe dos ideais bíblicos e do modelo de Jesus como educador. Esta forma de ensino-aprendizagem pode ser claramente percebida da seguinte maneira:

- Na formação de um currículo que por vezes não considera as realidades locais, pois exclui a participação e opinião daqueles (pastores, superintendentes, professores, alunos, etc) que vivenciam a realidade (cultura, linguagem, percepções, tradições, usos e costumes etc.). O currículo torna-se então um produto acabado, produzido por técnicos, pronto para ser importado e consumido.

- Nos conteúdos sacralizados e intocáveis dos compêndios de teologia e na tradição, que se perpetuam por séculos, tomando a primazia da própria Bíblia como fonte primária de leitura, iluminação e compreensão da verdade de Deus. Tais compêndios têm o seu devido valor, pois entendemos que foram elaborados por homens piedosos, debaixo de constante oração, mas, passíveis de conterem erros e equívocos em suas interpretações. Quando a verdade é verdade de Deus, não há o que se temer diante de qualquer questionamento sobre tal verdade. O questionamento só irá fortalecê-la como tal.

- Na atitute autoritária, arrogante e prepotente de professores que se percebem donos de todo o saber, senhores proprietários exclusivistas do conhecimento de Deus, portadores da revelação-iluminação divina, acadêmicos frios e vaidosos, mestres destituídos da humildade do Mestre.

- No pensamento de que o aluno não pensa e, se pensa e quando pensa, pensa menos, pensa errado. Na idéia behaviorista de que aluno é uma folha em branco, na qual o professor vai depositando o conhecimento. Na concepção de que o aluno não traz nada para a sala de aula que possa contribuir para a construção do saber/fazer teológico.

- No uso/abuso do método expositivo de ensino, sem criatividade, sem graciosidade, sem dialogicidade, sem afetividade, sem interação, sem participação, sem alegria, sem vida, sem amor, sem graça, sem Deus.

- Na ação castradora, inquisitora e opressora de professores, diante de alunos pensantes e contestadores, interessados nas entrelinhas do texto, na aplicação prática da palavra, na aprendizagem inteligente da lição.

RECONHECIMENTO, INCENTIVO E PRÁTICA DA ATIVIDADE CRÍTICA/REFLEXIVA NA ESCOLA DOMINICAL

Transformar a ED num espaço onde o pensamento e a prática pedagógica crítica-reflexiva seja vivenciada, não é apenas possível, é urgente. Fomos ensinados a reproduzir doutrinas ao invés de pensar doutrinas, a ouvir passivamente ao invés de perguntar.

Os questionamentos e as discordâncias dos alunos na ED, sempre foram vistos com maus olhos, como atitude rebelde e insubmissa. A falta de preparo pedagógico e teológico do professor, que compromete o seu saber-fazer docente, associado a um pseudo e equivocado zelo doutrinário, temperado pelo medo de se enveredar pelas trilhas das heresias, faz com que o modelo crítico-reflexivo seja evitado.

Uma atitude, e um fazer docente crítico-reflexivo na ED, só pode partir de professores libertos e libertários (não confunda com libertinos), promotores e abolicionistas do livre pensar e expressar, tendo como referencial máximo a Bíblia sagrada, lida e estudada debaixo de profundo temor, tremor e dependência de Deus. De professores-leitores críticos de compêndios teológicos e de lições bíblicas.

Por fim, trago como proposta para uma aula crítica-reflexiva o seguinte modelo:

- Apresentação e discussão do conteúdo da lição bíblica, através de métodos diversificados (júri simulado, discussão em grupo, perguntas e respostas, debate orientado, apresentação de pesquisa etc) que priorizem a interatividade entre professores e alunos;

- Observação de outras formas de se entender, de outras definições e possibilidades em relação ao conteúdo da liçaõ bíblica;

- Confrontação das idéias à luz da Bíblia e de outras fontes de consulta;

- Consolidação dos conteúdos ou síntese das idéias.

O processo de ensino-aprendizagem, fundamentado no pensamento e na ação crítica-reflexiva, baseado no modelo de Jesus, contribuirá para a formação espiritual de alunos mais maduros, conscientes, firmes e constantes na obra do Senhor.

Pense nisto.

Altair Germano (pastor, teólogo, pedagogo, pós-graduado em educação cristã, mestrando em teologia)

11 comentários:

fernanda disse...

Querido Pastor,

Parabéns pela forma sensata que trata de assuntos tão importantes para a vida cristã..."Escola Dominical: espaço para atividades pedagócica crítica-Reflexiva" Tenho tido a oportunidade de observar alguns professores que trazer um conhecimento engessado e vê no aluno alguém que pode receber este conhecimento sem ter o direito de questionar... infelizmente esta prática é muito comum no nosso meio... Acredito que o modelo de Escola dominical vigente em muitas igreja estão muito longe deste padrão... crítico- reflexivo..inclusive a alguns comentarista que deixam muito a desejar... quando fazer da lição da EBD um veículo para expor o seu conceito ou ponto de vista sobre determinados assuntos fugindo do próposito da lição que deveria ser Bíblica... e não espaço para um conceito pessoal...

Elisomar disse...

Nem tanto, nem tão pouco, né?
Vai fazer como uma professora daqui da região, que disse que os negros da Àfrica têm essa cor, porque só come batata doce. E outro muito sabichão, que chamou os irmãos de bestas: Vocês estão mesmo pensando que vão pisar em ruas de ouro,è? Podem tirar o cavalinho da chuva, que tudo isso é liguagem figurativa. Como é que ele sabe?

ALTAIR GERMANO, disse...

Amiga Fernanda, oremos para que possamos contemplar uma ED, que mesmo com suas deficências estruturais, possa promover um ensino transformador.

Paz do Senhor!

ALTAIR GERMANO, disse...

Elisomar, o problema é exatamente este, os professores só "dizem" e não se abrem para a discussão.

Paz do Senhor!

Anônimo disse...

A paz do Senhor, Pr. Altair Germano!

Parabéns pelo excelente texto!!! Com certeza, como o senhor escreveu, a mudança deve começar pela EBD, formando alunos críticos e questionadores, que participem do processo ensino-aprendizagem e não sejam meros espectadores das aulas, saindo todos os domingos da EBD, com um grande ponto de interrogação, sem que ninguém os auxilie ou possa sanar as suas dúvidas, porque muitas vezes, alunos questionadores não são "bem vistos" pelo professor, que se intimida e prefere ignorá-los do que respondê-los...E as aulas monótonas continuam com número cada vez mais reduzido de alunos... Muito importante a sua reflexão!! Que Deus continue te abençoando cada vez mais. Na paz de Cristo, Quédia.

fernanda disse...

Querido pastor,
gostaria de lê no seu blog uma reflexão sobre o dia nacional da Escola Dominical dia 21 de setembro...Temos o que comemorar? lendo um pouco sobre o surgimento da EBD eu vejo uma interação com a comunidade quando a escola Dominical se propõe a prestar um serviço ás crianças ensinando matemática... e claro a palavra de Deus... poderíamos aproveitar a data para levantar um questionamento " a Escola Dominical na modernidade..."
De que forma a igreja atual pode interagir com a comunidade?
um abraço!

Marcos Barros disse...

Pr. Altair e amados Irmãos...

Passamos atualmente por grandes dificuldades no tocante ao ensino no Brasil. Quando em campanha, os políticos prometem valorizar a educação... Quando eleitos, eles passam a ter outros valores, os quais não foram discutidos em campanha; o legislativo se esforça em elaborar leis, algumas “fantásticas” (de 1º mundo), porém na prática, nada funciona, pois estamos em um país dito "emergente". O executivo... Este não consegue colocar nada em prática. Portanto, de uma forma ou de outra, somos "massacrados" pelo sistema predominante, embora lutemos com todas as nossas forças contra ele. Esta semana, participando de uma aula de Antropologia Cultural, fiquei surpreso em saber que em alguns países “pobres” da África, comparando-os ao Brasil, as escolas públicas são visivelmente superiores as nossas... ENTÃO, FALTA VONTADE DE ALGUNS PARA FAZER AS COISAS ACONTECEREM... O nosso ensino na EBD, na maioria dos casos, é um reflexo do ensino que recebemos do mundo secular, no qual os ensinamentos nos foram repassados por professores desmotivados (alguns despreparados), mal remunerados, revoltados, etc. Portanto, este é o quadro em que nós estamos inseridos. Entretanto, devemos lutar para que as nossas EBDs façam a diferença; que os nossos professores sejam os melhores; que o nosso ensino seja eficaz... Pois estamos lidando com a PALAVRA DE DEUS, a qual tem o poder de salvar almas do “inferno” e, se negligenciarmos tal ensino, seremos severamente cobrados por Deus, o justo juiz. QUE DEUS NOS AJUDE AFAZER A SUA VONTADE COM DETERMINAÇÃO E ABUNDANTE AMOR...
Ir. Marcos Barros / Dirigente da EBD em Casa Caiada.

Elisomar disse...

O "povo" tá tão acostumado com o sistema, que tem sido uma luta pra mudar. Sempre que sugiro uma pesquisa a respeito da liçaõ pra enriquecer o contúdo, ou o aluno não dar importância ou falta porque não fez. Eu até já digo: Gente, se vocês por acaso não conseguirem fazer, por favor não faltem por causa disso. Ainda bem que estão chegando na escola, alunos mais aplicados.

Adilson Rafael disse...

Pastor, venho parabenizar, você e sua equipe, pela forma que elaboram os estudo da E.B.D, que são assuntos importantes para a vida cristã. A E.B.D, Acredito que é um espaço para atividades não só cristã, mas também pedagógica. Por motivo de afastamento no período de cinco anos, para obter uma graduação acadêmica, não tenho oportunidade de observar alguns professores. Porém quando ainda eu era jovem na igreja, percebia que alguns irmãos traziam um conhecimento arcaico, vê no aluno alguém que pode receber este conhecimento sem ter o direito de questionar. infelizmente esta prática era muito comum no nosso meio. Acredito que o modelo de E.B.D hoje em nossas igrejas estão muito longe deste padrão. Adilson Rafael

Anônimo disse...

paz do senhor jesus. pr altair agradeço pelo post pois isso disperta muitos professores a pensar sobre o assunto e se alinharem com seu (projeto raciocinio) que ancora flutuantes que são escolhidos pelos pastores para serem professores ,não são dados pelo senhor a igreja como mestres,são arranjos,sterps para cobrir faltas .claro que muitas vezes não tem culpa ate se esforçam para ser melhores,temos casos de"cegos"ensinando.o o que querem ,não o que jesus mandou .não veem nos seus ouvintes um discipulo ,apenas mais um vetor da suas visões.pr obrigado pelo espaço,certo e podemos ser melhores nas EBDS. celsus dunamis

Vastí Lima disse...

Estimado Pastor,

Estou muito feliz em saber que Deus tem levantado pessoas com mentes brilhantes. A cada dia que entro no seu blog , sinto coragem para continuar lutando por uma EBD mais comprometida com o ensino. Alguns professores fingem que ensinam e os alunos fingem que aprendem. Os seus artigos publicados sobre os problemas que afetam a nossa escola,é motivo de reflexão para que possamos fazer o melhor para o engrandecimento da obra a do Senhor Jesus.