quarta-feira, 13 de agosto de 2008

CRISTO, A PERFEITA PAZ. Subsídio para lição bíblica


INTRODUÇÃO

A palavra paz entrou no Novo Testamento com uma história grandiosa. É a tradução da palavra hebraica shalom. É verdade que shalom significa paz, e como paz é traduzida na maior parte das referências em nossas Bíblias, embora existam outras possibilidades tais como: saúde (Sl 38.3), bem-estar (Gn 43.27), prosperidade (Jó 15.21). Shalom realmente significa tudo quanto contribui para o bem do homem, tudo que faz com que a vida seja verdadeiramente vida. Entre nós, paz passa a ter um significado um pouco negativo, ou seja, a ausência das guerras e dos problemas. Por exemplo, se numa batalha, as hostilidades propriamente ditas chegassem ao fim, sem haver mais lutas, provavelmente diríamos que houve paz; mas bem certamente o hebreu não chamaria de paz uma situação onde há terras queimadas, e onde as pessoas ainda se olham com um certo tipo de suspeita. No pensamento hebraico a paz é algo muito mais positivo; é tudo quanto contribui para o maior bem dos homens. A saudação shalom não expressa simplesmente o desejo negativo de que a vida da pessoa fique livre de problemas; expressa esperança e a oração positiva de que ela possa desfrutar de todas as boas dádivas e bênçãos da mão de Deus. Ao pensar no significado de paz, tanto no Antigo Testamento quanto no Novo, é essencial ter em mente o significado positivo da palavra.

A palavra grega para paz é eirene, que descreve a serenidade, tranqüilidade, o perfeito contentamento da vida totalmente feliz e segura. O caminho da retidão será a paz, e o efeito da retidão será a quietude e segurança para sempre (Is 32.17). O salmista deitar-se-á em paz e dormirá, porque é Deus quem o faz repousar seguro (Sl 4.8). Jeremias contrasta a terra da paz com a floresta do Jordão. (Jr 12.5). Esta palavra “paz” traz a calma e a serenidade da vida da qual o medo e a ansiedade foram banidos para sempre. No Novo Testamento a palavra paz, eirene, ocorre oitenta e oito vezes, e em todos os livros. O Novo Testamento é o livro da paz.

A ORIGEM DA PAZ

- A paz provém da fé – A oração de Paulo pelos cristãos em Roma é que o Deus da esperança os enchesse com todo o gozo e paz no seu crer (Rm 15.13). A paz provém da certeza da sabedoria, do amor, e do poder de Deus. A paz provém de apostar sua vida na fé de que aquilo que Jesus disse a respeito de Deus é verídico.

- A paz provém da fé que se aplica às obras – Há glória e honra para todos quantos praticam o bem, para o judeu e o grego igualmente (Rm 2.10). A paz provém da obediência que se fundamenta na total confiança em Deus. A vida cristã tem em primeiro plano a atividade intensa, e, como pano de fundo uma passividade sábia em que o cristão descansa em Deus.

- A paz provém de Deus – Paulo fala da paz de Deus que excede todo entendimento (Fp 4.7). Com toda a probabilidade, isto não quer dizer tanto que a paz de Deus ultrapassa o poder da compreensão da mente humana, mas que a paz de Deus ultrapassa a capacidade de planejar da mente humana. A paz é muito mais uma coisa que Deus dá, do que algo que o homem cria.

- A paz é um Dom de Jesus Cristo – Quando o Cristo ressurreto voltou para Seu próprio povo, sua saudação foi: “Paz seja convosco” (Jo 20.19, 21, 26). Conforme disse o Dr. James Stewart, quando Jesus Cristo ausentou-se fisicamente dos homens, não tinha bens nem posses para lhes deixar. Mesmo assim, Jesus sua última vontade e testamento: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou” (Jo 14.27). Em última análise a paz não é algo que o homem alcança – é algo que ele aceita.

A PAZ E OS RELACIONAMENTOS

O significado mais freqüente no Novo Testamento para a paz, envolve o “relacionamento certo em todas as esferas da vida”:

(a) A paz é o relacionamento certo dentro do lar – Em 1 Co 7.12-16 Paulo orienta para que nas relações conjugais, sempre se procure manter a paz. Uma família e um casamento sem paz traz um grande prejuízo para o indivíduo. Que haja paz na tua casa!

(b) A paz é o novo relacionamento entre judeus e gentios – Jesus, disse Paulo, é a nossa paz, porque de dois povos fez um, e derrubou o muro de hostilidades que estava no meio. Criou nEle mesmo um novo homem para tomar o lugar dos dois, fazendo a paz por este modo (Ef 2.14-17). No templo dos judeus no tempo de Jesus, havia literalmente uma parede que fazia divisão entre os gentios e judeus. Havia um sentimento mútuo de hostilidades. Em Cristo não há nem judeu, nem grego, nem escravo, nem liberto, nem homem, nem mulher (Gl 3.28). Em Jesus Cristo as barreiras estão derrubadas, e só nEle pode ser estabelecido o relacionamento certo entre uma nação e outra, entre uma raça e outra.

(c) A paz descreve o relacionamento entre os irmãos na Igreja – Os cristãos devem manter a unidade do Espírito no vínculo da paz (Ef 4.3). Aos colossenses “Seja a paz de Cristo o árbitro em vossos corações” (Cl 3.15). Dentro da Igreja a paz de Deus deve governar todas as decisões.

(d) A paz descreve os relacionamento entre um cristão com todos os homens – É dever de cada crente esforçar-se por criar e manter um relacionamento de paz com todos os homens (Hb 12.14).

(e) A paz descreve o relacionamento entre o homem e Deus- Mediante a obra de Jesus Cristo, pelo sangue, temos paz com Deus (Rm 5.1; Cl 1.20. Através da sua obra, o medo, a alienação, o terror e a distância já não existem e temos intimidade com Deus.

ILUSTRAÇÃO

“ Um rei ofereceu um grande prêmio para o artista que melhor pudesse retratar a idéia de paz. Muitos pintores enviaram seus trabalhos ao palácio, mostrando bosques ao entardecer, rios tranqüilos, crianças correndo na areia, arco-íris no céu, gotas de orvalho em uma pétala de rosa.

O rei examinou o material enviado, mas terminou selecionando apenas dois trabalhos.

O primeiro mostrava uma lago tranqüilo, espelho perfeito das montanhas poderosas e do céu azul que o rodeava. Aqui e ali se podiam ver pequenas nuvens brancas e, para quem reparasse bem, no canto esquerdo do lago existia uma pequena casa, com a janela aberta, a fumaça saindo da chaminé – o que era sinal de um jantar simples, mais apetitoso.

O segundo quadro também mostrava montanhas, mas estas eram escabrosas, os picos afiados e escarpados. Sobre as montanhas, o céu estava implacavelmente escuro e das nuvens carregadas saíam raios, granizo e chuva torrencial.

A pintura estava em total desarmonia com os outros quadros enviados para o concurso. Entretanto, quando se observava o quadro cuidadosamente, notava-se numa fenda da rocha inóspita um ninho de pássaro. Ali, no meio do violento rugir da tempestade, estava sentada calmamente uma andorinha.

Ao reunir sua corte. O rei elegeu essa Segunda pintura como a que melhor expressava a idéias de paz. E explicou: Paz não é aquilo que encontramos em lugar sem ruídos, sem problemas, sem trabalho duro, mas o que permite manter a calma em nosso coração, mesmo no meio das situações mais adversas. Esse é o verdadeiro e único significado da paz.”

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

BARCLAY, William. As obras da carne e o fruto do Espírito. 2ª ed. São Paulo: Vida Nova, 2000.

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