quarta-feira, 16 de julho de 2008

VIVENDO SEM MEDO. Subsídio para lições bíblicas


Na lição sobre a “ansiedade”, foi observado que alguns psicólogos não a distinguem do medo. Ambos podem produzir as mesmas reações psicológicas (taquicardia, alterações na respiração, tremores, transpiração excessiva, secura na boca, mudanças no timbre da voz etc.) Continuaremos a seguir esta linha de pensamento. Abordaremos neste subsídio, o conceito, as várias descrições e o tratamento do medo à luz da psicologia e da Bíblia.


1. DEFINIÇÃO DE MEDO

Uma definição clássica de “medo” é aquela que o concebe como “uma emoção que se experimenta na presença ou na expectativa de perigo real, freqüentemente físico” (ALTROCCHI, 1980, p. 41 apud ALTROCCHI e SELL, 1991, p. 108)

Nem todo “medo” é necessariamente um sentimento ou emoção pecaminosa e doentia. Para Morosco (Apud, Idem, p. 111) “O medo, em e por si mesmo, não é moralmente mau ou errado; ele é neutro”. Neste sentido, o medo é um dispositivo emocional que nos faz agir com cuidado, preventivamente e cautelosamente. A prova disto, é que a própria Bíblia recomenda que devemos temer as autoridades superiores:

“Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas. De modo que aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação. Porque os magistrados não são para o temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal. Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem e terás o louvor dela, visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal. É necessário que lhes estejais sujeitos, não somente por causa do temor da punição, mas também por dever de consciência” (Rm 13.1-5)

Devemos também temer a Deus:

“Teme ao Senhor, filho meu, e ao rei e não te associes com os revoltosos.” (Pv 24.21)

“[...] temei a Deus, honrai o rei.” (1 Pe 2.17c)

É quando o medo sai da esfera do “normal” ou “natural”, que ele se torna uma “fobia”. Segundo Davidoff (2004, p. 562) “Uma fobia é um medo excessivo ou injustificável de algo específico ou de uma situação que é manipulada por esquiva persistente”, e ainda, “As fobias são consideradas distúrbios apenas quando são incapacitantes e destrutivas [...]” (idem).

As escolas de psicologia concordam em que o medo “é um problema anormal sempre que resultar em tornar a vida desagradável ou destrutiva para a pessoa que o possui” (ALTROCCHI e SELL, idem, p. 113).


2. OUTRAS DESCRIÇÕES DO “MEDO”

ALTROCCHI e SELL fazem ainda, outras colocações interessantes acerca do “medo”:

- O medo sob controle. O medo, segundo a Bíblia, pode ser controlado pela vontade humana (idem, p. 108-112). Dessa forma, como lidamos com o medo, pode nos conduzir ao pecado.

O medo, quando negligenciado ante um perigo real (como por exemplo, os perigos do trânsito), pode nos conduzir para ações imprudentes e desastrosas.

A falha humana se evidencia também em temer aquilo que não constitui perigo para nós. São dois extremos que devem e podem ser evitados.

Temermos as coisas que Deus nos diz para não temermos é tão pecado quanto não temermos o que ele e o bom senso nos orientam a temermos.

- O medo como uma luta diária. Mesmo diante das várias passagens bíblicas que nos ordenam que não tenhamos medo, é necessário reconhecer que a luta contra o medo pode ser prolongada e difícil. “Em me vindo o temor, hei de confiar em ti” (Sl 56.3). Eis o nosso grande desafio, confiar em Deus.

- A relação entre medo e idade. Cada fase de nossa vida trás os seus “medos”. Na infância, em suas diversas fases, o medo da ausência da mãe, de coisas, lugares e pessoas estranhas, de fenômenos naturais, do escuro, de ruídos é sempre uma constante. Na adolescência e início da idade adulta, os temores que mais se evidenciam, se voltam para o futuro acadêmico, profissional e afetivo. A meia-idade chega, e com ela o medo de ser substituído por pessoas mais jovens, a perda da saúde e da aparência física, o futuro dos filhos e a velhice. Já idoso, o ser humano, principalmente na cultura ocidental, se atemoriza diante do declínio da beleza, da agilidade e da força. A possibilidade da solidão e a iminência da morte são outros fatores geradores de medo.


3. COMO TRATAR E VENCER O MEDO

O medo pode ser tratado e vencido de várias maneiras. As sugestões de Davidoff, Perry e Sell são aqui colocadas:

- Confie em Deus. Em primeiro lugar é preciso confiar em Deus.

- Submeta-se a tratamento. Alguns casos de medo necessitarão de tratamento psicoterapêutico e medicação. É necessário, contudo, buscar auxílio de profissionais confiáveis.

- Enfrente o objeto do medo. Quanto mais nos familiarizamos com as causas do medo, mediante aproximação, enfrentamento e estudo, menos medo teremos. Fugir do que e teme, geralmente aumenta o medo. Obviamente, dependendo do objeto do medo, a cautela e a prudência são necessárias.

- Trate os temores mediante associação com outras pessoas. Agir com calma e confiança diante de pessoas com medo, promoverá tranqüilidade. Se associar com pessoas que não temem o que tememos, nos ajudará a vencermos o medo.

- Discuta o medo com outras pessoas. Quando se discute os temores com outras pessoas, não apenas compreendemos melhor o objeto temido, mas também o nosso próprio medo e as suas conseqüências.

Como crentes em Deus, devemos perceber a realidade do medo como emoção necessária e reguladora de nossas ações, sem deixar que ele nos controle e domine, promovendo ações desesperadas e emoções descontroladas, na certeza de que ao lado do Senhor estamos seguros e protegidos. A expressão “não temas” aparece na Bíblia mais de 300 vezes (alguns já afirmaram 366 e outros 394).


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Bíblia de Estudo Almeida. Barueri-SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2006.

COLLINS, Gary R. Aconselhamento Cristão. São Paulo: Vida Nova, 1995.

DAVIDOFF, Linda L. Introdução à Psicologia. 3. ed. São Paulo: Makron Books, 2001.

PERRY, Lloyd M; SELL, Charles. Pregando sobre os problemas da vida. 2. ed. Rio de Janeiro: JUERP, 1991.

2 comentários:

Geziel Silva Costa disse...

A Paz pr Altair

Gostei do comentario,ajudou na aula de escola dominical de hoje aqui em cuiabá.

Lecionei, e Deus abençou, continue postando subsídios.

Abraços
Geziel

ALTAIR GERMANO, disse...

Nobre Geziel, obrigado pelas palavras de incentivo.

Ore e indique nosso blog para os demais professores da EBD.

Nosso propósito é abençoar o ministério dos irmãos.

Um abraço e a paz do Senhor!