terça-feira, 8 de julho de 2008

VENCENDO A ANSIEDADE. Subsídio para a lição bíblica

IMAGEM: ww.psiquiatriageral.com.br

Os psicólogos e os conselheiros cristãos falam da ansiedade como “um dos problemas mais urgentes de nossos dias. [...] a emoção oficial de nossa época, a base de todas as neuroses, e o fenômeno psicológico mais difundido hoje” (COLLINS, 1984, pg. 51).


A pós-modernidade trouxe consigo algumas mazelas da modernidade, responsáveis por mudanças no comportamento e nos hábitos profissionais, pessoais e familiares dos indivíduos. Perceba que em primeiro lugar citei os hábitos profissionais, por entender que são os principais responsáveis por desencadear mudanças nas demais esferas da nossa vida.


Na atual sociedade capitalista “selvagem”, poderíamos citar como exemplos a busca alucinada pelo sucesso profissional, a alta carga de trabalho, onde a maior produtividade e a qualidade são buscadas com o menor custo possível, a alta competitividade no mercado de trabalho, a necessidade constante de qualificação, o desejo de sempre ganhar mais, a pressão constante do concorrente, do patrão, do mercado etc.


As mudanças nos hábitos profissionais, tornaram os indivíduos mais egoístas, individualistas, gananciosos e materialistas. Explorados ou explorando, vivem do trabalho e para o trabalho. A lógica da pós-modernidade dissemina a idéia de que ganhando mais, você pode viver prazerosamente (hedonismo) e ser feliz. Felicidade tornou-se uma questão de “ter” e não de “ser”. No desejo de ter-mais o homem tornou-se um ser-menos. Ter mais coisas, para ter mais felicidade, lhe tirou o tempo para si, para sua família e para Deus.


No afã de ganhar o mundo, o homem abriu mão da presença da família e de Deus. Em casa, só há tempo para o repouso ou para a conclusão de tarefas inacabadas. O diálogo, o afago, o abraço, o carinho, o beijo, o riso, a alegria compartilhada entre marido e mulher, pais e filhos se foi. E o que ficou? Ficou a solidão, ficou a “ausência de”, e a “ausência de” pode produzir a frustração, o desespero existencial, a ansiedade.


O dia do Senhor é agora o dia da praia, do cinema, do shopping. Quando “sobra” tempo, dá para ir ao culto dominical cumprir as obrigações religiosas. A presença de Deus em muitos lugares é percebida apenas na letra dos hinos, na leitura da Bíblia e no sermão da noite. A presença de Deus, cada vez menos buscada e sentida, é cada vez mais negligenciada e ignorada. O que isto pode produzir? Ansiedade.


1. DEFINIÇÕES


Observaremos abaixo, algumas definições para a “ansiedade”:


“Estado emocional doloroso, marcado por inquietude, alarme ou medo e acompanhado por certo grau de excitação autônoma do sistema nervoso.” (ALTROCCHI apud PERRY; SELL, 191, p. 68).


“Um sentimento íntimo de apreensão, mal estar, preocupação, angústia e/ou medo, acompanhado de um despertar físico intenso. Ela pode surgir como uma reação a um perigo específico identificável (muitos escritores chamam isto de “medo” em lugar de ansiedade), ou em resposta a um perigo imaginário com a expressão “angústia vaga, flutuante”. A pessoa sente que alguma coisa terrível vai acontecer, mas não sabe o que é, nem porque.” (COLLINS, idem)


“Definimos ansiedade como uma emoção caracterizada por sentimentos de antecipação de perigo, tensão e sofrimento e por tendência de esquiva e fuga.” (DAVIDOFF, 2001, p. 390).


Percebe-se nas definições citadas uma grande similaridade entre ansiedade e medo. Para diferenciá-los, Davidoff (idem), observa que:


- O objeto do medo é fácil de identificar (altura, falar em público etc.), enquanto as pessoas podem sentir-se ansiosas sem saber por quê.


- A intensidade de um medo é geralmente proporcional à magnitude do perigo. A intensidade da ansiedade é supostamente maior que o perigo objetivo (se for conhecido).


Concordando com estas diferenças, Perry e Sell (1991, p. 68) afirma que “Embora temor e ansiedade sejam semelhantes, os psicólogos geralmente fazem distinção entre os dois. O termo medo é usado quando a pessoa está na presença ou expectativa de algo real, muitas vezes físico. Sempre que existe medo sem qualquer perigo aparente ele é descrito como ansiedade.”


O termo bíblico traduzido por ansiedade é merimna, que conforme Vine; Unger e White JR. (2003, p. 523), pode significar “[...] um cuidado, sobretudo um cuidado ansioso (Mt 6.25; 13.22; Mc 4.19; Lc 8.14; 2 Co 11.28; Fp 4.6; 1 Pe 5.7)


2. TIPOS DE ANSIEDADE


Existem algumas variações quanto à classificação dos tipos de ansiedade. Consideraremos as seguintes:


- Ansiedade Geral ou Normal. Considera-se a ansiedade como um sentimento normal, quando descreve aqueles sentimentos que todos os seres humanos têm “quando existe uma ameaça real ou situação de perigo. A ansiedade é proporcional ao perigo (quanto maior o perigo maior a ansiedade). Ela pode ser reconhecida controla e reduzida.

- Ansiedade Aguda. Suas principais características são: o surgimento repentino, sua grande intensidade e pequena duração.

- Ansiedade Crônica. “A ansiedade crônica, em contraposição à aguda é persistente e duradoura, mas menos intensa. As pessoas que sofrem dessa espécie de ansiedade estão preocupadas a maior parte do tempo e têm medo especialmente de qualquer situação ameaçadora” (PERRY e SELL, idem).


Para Davidoff (Apud Fleming et al, 1984, idem), o termo estresse se refere tanto às condições que despertam ansiedade (causa) ou o medo quanto à ansiedade ou o medo despertados (causado).


Continua...

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