sábado, 26 de julho de 2008

TEOLOGIA "FABIANA" (01)

A Revista Manual do Obreiro, ano 30, nº 42, CPAD, publicou um artigo intitulado "O Movimento Caminho da Graça", de autoria do pastor José Gonçalves. Trata-se basicamente de uma comparação/contestação sobre algumas idéias propagadas pelo pastor Caio Fábio no passado e no presente, designadas pelo articulista de "Teologia Fabiana".

Li o artigo, e faço aqui neste espaço aberto às discussões, uma análise de algumas posições do Caio Fábio, como também, dos comentários do pastor José Gonçalves. Os temas abordados no artigo são: Divórcio e novo casamento, homossexualidade e suas causas, e valores morais. Tratarei neste primeiro post sobre o novo casamento de pastores divorciados.

1. Divórcio e novo casamento

"Biblicamente, um pastor ou líder de igreja pode ser divorciado? Resposta: A Bíblia não diz nada sobre o assunto. Quem fala sobre isto é a “revelação da moral cristã”... que não tem necessariamente a ver com a Palavra e seu espírito. O que se diz... entre muitas outras coisas... é que o líder seja “marido de uma só mulher”... Ou seja: que não seja bígamo. Quanto ao mais... a meu ver... qualidade de liderança nada tem a ver com acidentes na vida. A maioria dos lideres que conheço não se divorciaram... mas eu não confiaria a alma de meus filhos ao ensino deles. Divorcio só divorcia gente que já está divorciada. E não vale a pena manter um casamento de mentira... apenas para fins de consumo ministerial. É mentira!" (Caio Fábio)

Para mim, não ficou muito clara a posição do pastor José Gonçalves sobre o assunto. Sua abordagem parece apenas comparativa.

Observemos alguns textos bíblicos, sobre o tema divórcio:

"Eu, porém, vos digo: qualquer que repudiar sua mulher, exceto em caso de relações sexuais ilícitas, a expõe a tornar-se adúltera; e aquele que casar com a repudiada comete adultério." (Mt 5.32)

Sobre o divórcio, entendo que as orientações bíblicas se aplicam tanto para líderes e pastores, quanto para liderados e ovelhas. Jesus reafirmou a natureza permanente do casamento, salientou que a permissão divina para o divórcio só foi concedida devido a dureza do coração do homem, estabelecendo que a imoralidade sexual (gr. porneia) seria a única justificativa tolerável para o divórcio, onde a parte inocente poderia contrair novo casamento

"Vieram a ele alguns fariseus e o experimentavam, perguntando: É lícito ao marido repudiar a sua mulher por qualquer motivo? [...] Respondeu-lhes Jesus: Por causa da dureza do vosso coração é que Moisés vos permitiu repudiar vossa mulher; entretanto, não foi assim desde o princípio. Eu, porém, vos digo: quem repudiar sua mulher, não sendo por causa de relações sexuais ilícitas, e casar com outra comete adultério" (Mt 19.3, 8 e 9). O final do versiculo 9 "e o que casar com a repudiada comete adultério", não aparece em muitos manuscritos.


"E, aproximando-se alguns fariseus, o experimentaram, perguntando-lhe: É lícito ao marido repudiar sua mulher? Ele lhes respondeu: Que vos ordenou Moisés? Tornaram eles: Moisés permitiu lavrar carta de divórcio e repudiar. Mas Jesus lhes disse: Por causa da dureza do vosso coração, ele vos deixou escrito esse mandamento;" (Mc 10.2-5)

Em 1 Co 7.1-15, o apóstolo Paulo parece acrescentar uma outra possibilidade para a permissão do divórcio, neste caso, trata-se do abandono do crente pelo cônjuge incrédulo.

Sobre estas possibilidades, muito já se escreveu e se debateu (vide bibliografia no final deste post).

Em se tratando de divorciados com relação aos cargos na igreja, o pastor Ezequias Soares (1997, p. 57) comenta:

"Pode um divorciado ser diácono, presbítero ou ministro? Seria ético um divorciado ministrar um culto ou mesmo fazer uma cerimônia de casamento? Veja que a situação aqui é diferente da de um obreiro que perdeu a sua vocação ministerial por causa de pecados de imoralidade. O divorciado inocente não cometeu pecado algum. Há os que consideram proscritos os divorciados, para todo o sempre. Acham que estão condenados a nunca mais servir no altar por causa dos pecados do tempo da ignorância, que, segundo Paulo, Deus não leva em conta quando o pecdor se arrepende (At 17.30)"

Quando o assunto é o novo casamento de um obreiro que se divorciou e casou de novo, o pastor Esequias Soares afirma

"A hipótese de excluí-lo do ministério, no caso de ele se casar novamente, é uma tentativa de fechar a porta que o próprio Deus abriu para solucionar problemas dessa natureza, é considerar o divórcio um estado pecaminoso e insinuar que o cônjuge divorciado está em adultério. [...] nem mesmo o Senhor Jesus impôs esse julgo que, muitas vezes, a "tradição dos anciãos" quis colocar sobre os ombros dessas vítimas." (idem, p. 59) O caso aqui, envolve o obreiro como parte inocente nas questões que envolve os pecados sexuais.

Sobre o o novo casamento de um ministro ou oficial divorciado, a CGAD, através da resolução 001/95, dispõe sobre o divórcio nos seguintes termos:

A 32ª Assembléia Geral Ordinária da Convenção das Assembléias de Deus no Brasil resolve:

Artigo 1° - As Assembléias de Deus no Brasil, tendo em vista a legislação vigente e o preceito bíblico expresso em Mateus 5.31, 32 e 19.9, e outras passagens similares, somente acolherão o divórcio nos casos de infidelidade conjugal e crimes hediondos devidamente comprovados, admitindo-se, nesses casos, novo matrimônio, esgotados todos os recursos para reconciliação.

Parágrafo Único – Entende-se por infidelidade conjugal, a prática do adultério, e por crimes hediondos:

  1. o tráfico e consumo de drogas e coisas assim;
  2. a prática do terrorismo e suas formas de expressão;
  3. o homicídio qualificado ou doloso; e
  4. o desvio sexual.

Artigo 2° - O ministro ou oficial divorciado, caso venha a contrair novas núpcias enquanto viver o ex-conjugue, poderá permanecer ou não na sua condição ministerial ou função, depois que seu caso for examinado cuidadosamente por sua Convenção ou Ministério Regional, em primeira instância, e se houver necessidade, em segunda instância pela Mesa Diretora da Convenção Geral, assistida pelo Conselho de Doutrina.

Artigo 3° - O pastor que acolher obreiro que se tenha divorciado e contraído novas núpcias e sem observar o que se contém no Artigo 2° desta resolução, será responsabilizado perante a Mesa Diretora da Convenção Geral.
Salvador, BA, 29 de janeiro de 1995
Pr. Sebastião Rodrigues de Souza
Presidente da CGADB

Observe que além da infidelidade conjugal, acrescentou-se os crimes hediondos, como justificativa aceitável para o divórcio (particularmente, não consigo entender biblicamente a inclusão dos crimes hediondos no contexto do divórcio).

Dessa forma, discordo do pastor Caio Fábio quando afirma que a Bíblia não diz nada sobre o caso do pastor ou líder ser divorciado. Pode não dizer diretamente, mas está implícito no tema "divórcio".

Entendo que o líder ou pastor, na condição de vítima e divorciado, pode contrair novo casamento e permanecer no exercício de seu ministério, isto, mediante uma minuciosa análise dos fatos, visto que tem pastor e líder que oprime e maltrata a sua esposa, tentando persuadi-la à infidelidade, para assim poder ficar "livre" para casar-se novamente e permanecer no ministério.

No caso de líderes e pastores que destruíram o seu próprio lar, mediante a prática da infidelidade conjugal, com base nos textos bíblicos já citados, e na necessidade do pastor ser "irrepreensível" (1 Tm 3.1-5) e "modelo do rebanho" (1 Pe 5.1-3), é de meu entendimento que os tais estão reprovados pelas escrituras para o exercício do ministério.

Antes que alguém denuncie, é lamentável, mas é fato que dentro das Assembléias de Deus no Brasil há vários casos de pastores que foram infiéis, e que permanecem em pleno exercício ministerial.

Falo sobre o assunto com muito pesar e temor. Falo com base naquilo que percebo como verdade, respeitando as opiniões contrárias. O que ficar de dúvidas e de falta de consenso, tenho certeza que "naquele dia" se revelará.

Este espaço está aberto para que todos que concordam ou discordam com as opiniões colocadas, participem com seus comentários agregadores de valores. Não publicaremos ofensas a quem quer que seja.

No temor, no amor de Cristo, para todos os que são "Gente Boa de Deus",

Altair Germano

Bibliografia

DUTY, Guy. Divórcio e Novo Casamento. 2. ed. Belo Horizonte: Betânia, 1979.

GONÇALVES, José. O movimento caminho da graça. Manual do Obreiro, CPAD, Rio de Janeiro, ano 30, nº 42, p. 56-61, 2° trimestre/2008.

PLEKKER, Robert J. Divórcio à luz da Bíblia. 2. ed. São Paulo: Vida Nova, 2000.

SILVA, Esequias Soares da. Analisando o divórcio à luz da Bíblia. 2. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1997.

http://www.cpad.com.br/cpad/paginas/revista_obreiro.html, acesso em 26/07/2008, às 10:00 hs.

http://www.caiofabio.com/novo/caiofabio/pagina_conteudo.asp?CodigoPagina=0022700006, acessosem 26/07/2008, às 10:27 hs.

http://advi.com.br/cgadb/index.php?option=com_content&task=view&id=39&Itemid=36, acesso em 26/07/2008, às 10:33 hs.

35 comentários:

Elisomar disse...

Pastor,
eu sei que quem fez uma mal escolha tem que carregar seu fardo até o fim, até porque ninguém o obrigou a casar, foi decisão dos dois. o Fato é que muita gente casa pensando que vai torna-se dono do outro, podendo assim mudar seu caráter, e não vai. Há coisas que, ou você acerta antes ou suporta o resto da vida, isso na condição de um crente que tem ética cristã. Porque é muito difícil de um casamento não surgir filhos, e os mesmos não merecem uma separação dolorosa, se os dois podem evitar. Mas por outro lado, há tantas almas sebosas que entram na vida de outros, só pra tornar impossível um momento de paz. Conheço pessoas que fazem de tudo pra viverem bem com seus conjuges e eles só fazem contrariar. Paciencia... Deus me perdoe, por seu infinito amor. Mas eu me divorciaria mil vezes se fosse preciso. Pois não tenho a menor paciência pra viver num ambiente onde só há discórdia, e até o que é importante para um casal, tornou-se um ato obrigatório.

Moises Almeida disse...

Caro Pastor Altair, com todo repeito às opiniões divergentes, digo que é lamentável ver nas igrejas pessoas infelizes, sepultadas vivas em seus casamentos, mas não se separam por causa de uma interpretação bairrista da Bíblia, ou pelo que a comunidade vai pensar e julgar, mas que em seus corações (onde é o que vale de verdade) já estão divorciadas, mas mesmo assim preferem, fazer de conta que tudo está bem, ou ficar 'orando' para que o cônuge morra para assim se sentir 'livre' para contrair outro matrimônio (isto principalmente para quem já está separado), de modo que desejar a morte de alguém, no coração, é menos pecado que deixá-lo livre para amar e ser feliz. É, mais uma vez a gente faz opção pelo SÁBADO e não pelo HOMEM ! Estamos na contra-mão do evangelho. Como Jesus tratou a mulher samaritana? Independente de qualquer coisa, acho que essa é a hora de abrirmos os olhos para a palavra, sem os óculos denominacionais, nisso concordo com o Pastor Caio Fábio.

Veja um texto interessante a respeito da questão:

O DIVÓRCIO, A LEI E JESUS
Walter L. Callison

O divórcio e o novo casamento são temas que geram muita discussão. O meu propósito é convidar o leitor a reconsiderar a atitude da igreja em relação ao novo casamento.
A lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo”(João 1:17). Será que os que estão sofrendo tragédias matrimoniais também receberam a graça, como descreve a Lei no Novo Testamento? É claro que afirmamos que a graça e a verdade vieram por Cristo Jesus. Então, como predomina a graça naqueles que sofreram a tragédia de um fracasso no matrimônio e um subseqüente divórcio?
Cristo não ensinou apenas com palavras, mas também com sua vida. Ele deu novas idéias a seus seguidores, rejeitando o antigo ditado: “olho por olho, dente por dente” e enfatizando o amor, não entre eles mesmos mas em relação aos outros. Ele tirou a mulher da condição em que se encontrava e a fez ser reconhecida como pessoa. Ensinou também o respeito para com a antiga lei judaica.
Quando estudamos o que Jesus disse acerca do divórcio, devemos também estudar a vida que Ele levou junto com os que tinham destruído seu casamento, bem como o que ensinou sobre a lei judaica, especialmente a lei do divórcio.
O que encontramos em suas palavras? Se uma pessoa divorciada se casa novamente, o que Ele nos diz? “Quem repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério contra aquela. E, se ela repudiar seu marido e casar com outro, comete adultério?”(Marcos 10:11-12). Nós podemos imitar a natureza compassiva e misericordiosa de Cristo, que enviou a mulher do poço em Samaria até a cidade para ser sua testemunha. Suas palavras, no entanto, será que negam suas ações? Por acaso as pessoas divorciadas que casam com outra estão vivendo em adultério? Estão proibidas de servir a Cristo?
Devemos igualmente ouvir as palavras do apóstolo Paulo: “É necessário,portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher”(I Tim. 3:2). Será que ele está falando de uma pessoa que se divorciou ou casou novamente?
Sobre este aspecto, Lucas faz somente um comentário muito conciso: “É mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til sequer da lei. Quem repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério: e aquele que casa com a mulher repudiada pelo marido também comete adultério”(Lucas 16:17-18).
Bem resumido. Mas Jesus deixou claro que o Antigo Testamento tinha algo significativo a dizer.
Existe uma lei! Quando foi perguntado pelos fariseus, no Evangelho segundo Marcos,se “é lícito ao marido repudiar sua mulher”, Jesus respondeu com uma pergunta: “Que vos ordenou Moisés?” Tornaram eles: “Moisés permitiu lavrar carta de divórcio e repudiar”(Mc. 10:2-4). Há uma lei!
A lei se encontra em Deuteronômio 24:1-4, escrita bem antes de Jesus vir ao mundo. Josefo, que viveu um pouco depois da época de Jesus, referiu-se a ela como a “lei dos judeus”:
Aquele que deseja divorciar-se de sua esposa, por qualquer motivo (muito comum nos homens), deve registrar por escrito que nunca voltará a casar com aquela mulher. Portanto, ela terá a liberdade de casar com outro homem. Entretanto, enquanto essa carta de divórcio não lhe for dada, não poderá fazê-lo” 1
Esta é a lei de que fala Deuteronômio”: “Se um homem tomar uma mulher e se casar com ela, e se ela não for agradável aos seus olhos,por ter ele achado coisa indecente nela, e se lhe lavrar um termo de divórcio, e lho der na mão, e a despedir de casa; e se ela, saindo de sua casa, for e se casar com outro homem...”(Dt. 24:1-2).
Essa lei ainda estava vigente na época de Jesus. Portanto,temos de tratar dos “títulos” da lei.
A Bíblia fala apenas de um divórcio. Deus diz que Ele o fez. Em Jeremias 3, Deus recordou a Judá que estavam procurando problemas. Israel tinha sido levado cativo. Deus disse a Jeremias que prevenisse a Judá de que ela tinha sido testemunha da infidelidade de sua irmã Israel, e que Deus a havia mandado embora e lhe dado carta de divórcio;mesmo assim, Judá não se arrependeu (Jr. 3:6-8).
Havia outras coisas que os homens podiam fazer com suas esposas. Muitos se casavam com mais de uma mulher, sem sequer incomodar-se de pensar em divórcio.Alguns destes foram servos de Deus: Salomão, Davi, Abraão e Jacó, por exemplo. Heróis das revelações de Deus, mas também produto da sua cultura.
Se não se divorciava, o que fazia um homem daquela época com a primeira esposa quando tomava outra? Punha-a de lado. Há uma palavra para isto no Antigo Testamento, a palavra hebraica shalach. Ela é diferente da palavra que significa divórcio, que é keriythuwth (como em Jer. 3:8), que literalmente significa excisão ou corte do vínculo matrimonial.O divórcio legal era escrito como pedia Deuteronômio 24, e o novo matrimônio era permitido. Shalach normalmente é traduzido por “repudiar”. As mulheres eram “repudiadas” quando seu marido se casava com outra, para estarem disponíveis quando este necessitava dela ou a queria novamente, repudiadas para serem sempre propriedade, como escravas, ou ficando em isolamento total. Eram dias cruéis para as mulheres. Elas eram “repudiadas” para favorecer outras, mas não lhes era dada carta de “divórcio” e, conseqüentemente, tampouco o direito de se casarem novamente. Essa palavra descreve uma tradição cruel e comum, mas contrária à lei judaica. Algumas das injustiças e do terror experimentados pelas mulheres daquele tempo que eram “repudiadas”podem ser vistas na descrição que o Langenscheidt Pocket Hebrew Dictionary (McGraw-Hill, 1969) faz da palavra shalach:
A fé cristã lançou raízes e floresceu em uma atmosfera quase totalmente pagã, onde a crueldade e a imoralidade sexual eram normais e onde a escravatura e a inferioridade da mulher eram quase universais. A superstição e as religiões rivais, com todo tipo de ensinos errados, existiam em todo o mundo”.
Deus odeia o “repúdio”. O profeta Malaquias, com seu coração compadecido, implorou ao povo de Deus que parassem com isso.A palavra traduzida por “repúdio” em Malaquias 2:16 não é a palavra hebraica para divórcio, mas é shalach, repúdio. Veja como Malaquias responde aos líderes que perguntavam como tinham cometido abominação em Israel e profanado a santidade do Senhor: “Perguntais: por quê? Porque o Senhor foi testemunha da aliança entre ti e a mulher da tua mocidade, com a qual tu foste desleal, sendo ela a tua companheira e a mulher da tua aliança. Não fez o Senhor um, mesmo que havendo nele um pouco de espírito? E por que somente um? Ele buscava a descendência que prometera.Portanto, cuidai de vós mesmos, e ninguém seja infiel para com a mulher da sua mocidade.Porque o Senhor, Deus de Israel, diz que odeia o repúdio e também aquele que cobre de violência as suas vestes, diz o Senhor dos Exércitos; portanto, cuidai de vós mesmos e não sejais infiéis” (Mal. 2:14-16).
Depois veio Jesus, e suas palavras não negaram suas ações! Ele falou disso quando disse: Quem repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério; e aquele que casa com a mulher repudiada pelo marido, também comete adultério” (Lucas 16:18). Todo aquele que faz isso comete adultério! Essa prática era cruel e adúltera, porém não se tratava de um divórcio.
A palavra do Novo Testamento traduzida por “repúdio” vem do verbo grego apoluo. Esta é a palavra que os autores do Novo Testamento usaram como equivalente a shalach (“deixar”ou “repudiar”).
Existe uma palavra hebraica para divórcio no Antigo Testamento, keriythuwth, equivalente a uma palavra grega no Novo Testamento, apostasion. O Arndt/Gingrich Lexicon Del Nuevo Testamento indica apostasion como o termo técnico para uma carta ou escritura de divórcio, remontando até 258 a. C.
Apoluo, a palavra grega que significa deixar de lado ou repudiar, não significava tecnicamente um divórcio, apesar de às vezes ser usada como sinônimo. Tratava-se de um termo de domínio total masculino: o homem com freqüência tomava outras esposas e não dava carta de divórcio quando abandonava as anteriores. A lei judaica que exigia que se concedesse carta de divórcio (Dt. 24:1-4) era amplamente ignorada. Se um homem se casasse com outra mulher, quem se importava? Se um homem repudiasse (apoluo) sua esposa, sem incomodar-se de lhe dar carta de divórcio, quem se oporia? A mulher?
Jesus se opôs. Disse Ele: “É mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til sequer da lei”(Luc. 16:17). E: “Quem repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério;e aquele que casa com a mulher repudiada pelo marido também comete adultério”(Lucas 16:18).
A diferença entre “repudiar” e “divorciar” (no grego apoluo e apostasion) é crítica. Apoluo indicava que a mulher era escrava, repudiada, sem direitos, sem recursos, roubada em seus direitos básicos ao casamento monogâmico. Apostasion significava que o casamento terminava,sendo permitido um casamento legal subseqüente. O papel fazia a diferença.A mulher que tinha saído de casa podia casar-se com outro homem (Dt. 24:2). Essa era e lei.
Como foi que começamos a ler “todo aquele que se divorcia da sua mulher” na passagem em que Jesus disse literalmente “todo aquele que repudia ou abandona a sua mulher?”
Existem outras passagens , além de Lucas 16:17-18 em que Jesus falou desse assunto. Essas incluem Mateus 19:9, Marcos 10:10-12 (onde Marcos diz que Jesus determinou a validade da lei do homem igualmente para a mulher) e Mateus 5:32.Nessas passagens Jesus usou onze vezes alguma forma da palavra apoluo. Em todas as ocasiões Ele proibiu o apoluo, o repúdio. Ele nunca proibiu apostasion, a carta de divórcio, requerida pela lei judaica.
Devemos traduzir a palavra grega apoluo por “divórcio”? Kenneth W. Wues, em sua tradução expandida do Novo Testamento, sempre vertia “repudiar” ou “deixar”, nunca “divorciar”.A tradução Revista e Corrigida de Almeida, a mais antiga em português, sempre usou “deixar” ou “repudiar”, da mesma forma a Revista e Atualizada. Na versão mais antiga em inglês, produzida em 1611 por encomenda do rei Tiago (King James) temos um problema: em uma das onze vezes em que Jesus usou o termo, os tradutores escreveram “divorciada” em lugar de “repudiada” ou “abandonada”. Em Mateus 5:32 eles escreveram: “E aquele que casar com a divorciada comete adultério”. A palavra grega não é apostasion (divórcio), mas é uma forma de apoluo, a situação que não inclui carta de divórcio para a mulher. Ela, tecnicamente ainda estaria casada.
Mateus 19:3-10 relata que os fariseus perguntaram a Jesus sobre esse assunto. Depois que Ele afirmou: “De modo que já não são mais dois, porém uma só carne.Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem”(v. 6), eles indagaram: “Por que mandou então Moisés dar carta de divórcio (escrita apostasion)e repudiar {a mulher}?”(v.7). Jesus respondeu: “Por causa da dureza do vosso coração”(v.8).
O primeiro direito básico humano que Deus nos concedeu foi o de nos casarmos. Nenhuma outra companhia era adequada. Nos dias de Jesus os direitos humanos estavam concentrados apenas nos homens. Jesus mudou isso. Ele exigiu obediência à lei: demandou direitos iguais para a mulher no matrimônio. A graça é abundante em Cristo Jesus!
Jesus disse a esses homens que repudiar a esposa e casar-se com outra era adultério.Adultério! A lei (Deut. 22:22) prescreve a pena de morte como castigo para o adultério, tanto para o homem como para a mulher. Isso foi difícil de engolir para os homens que faziam com sua mulher o que lhes comprazia. Mateus 19:10 registra a seguinte reação: “Se essa é a condição do homem relativa à sua mulher, não convém casar!”Eles não viviam em uma cultura que esperava que o homem vivesse apenas com uma mulher por toda a vida, muito menos que desse direitos iguais à mulher se o casamento acabasse. Como foi que começamos a ler “aquele que divorciar sua mulher” nas passagens em que Jesus na verdade disse “aquele que repudiar ou abandonar sua mulher?”
Parece que o processo começou ali onde apoluo foi traduzido erronamente como “divórcio” pela primeira vez, em 1611. A versão Standard Americana corrigiu o erro em 1901, mas nunca chegou a ser suficientemente popular para fazer muita diferença. Wuest teve o cuidado de evitar os erros mencionados, como vimos acima. Porém quase tudo o que foi impresso sofreu a influência da versão King James, e até os léxicos gregos americanos e os tradutores mais modernos parece que se deixaram influenciar por essa ocorrência, traduzindo apoluo por “divórcio”, mesmo quando o significado da palavra não inclui o divórcio por escrito (apostasion). Assim, a tradição nos ensinou a ter em mente “divórcio”, mesmo quando lemos “repúdio”.
Seria o divórcio por escrito a solução para a prática cruel do repúdio, como indica Deuteronômio? O capitulo 24 é uma evidência de que, assim como Deus ouviu as queixas no Egito e proveu libertação da sua escravatura, também ouviu as súplicas das mulheres escravizadas e as libertou do abuso, por meio de uma necessidade trágica, o divórcio. Trágica porque termina com algo que nunca deve terminar, o matrimônio; necessária para proteger as vítimas daqueles que não obedecem as regras do nosso Criador, o Todo-Poderoso. Necessária, originalmente porque o homem repudiou a mulher, enredando-as em matrimônios ilegais,múltiplos e adúlteros.
O divórcio é uma tragédia
O divórcio é um privilégio, previsto como um corretivo para situações intoleráveis. É um privilégio que pode ser, e com freqüência é, abusado. O divórcio não é um quadro bonito, na maioria dos casos. Solidão, rejeição, um profundo senso de ter falhado, perda de auto-estima, crítica dos familiares, problemas com a educação dos filhos e muitos outros problemas assaltam os divorciados.
O divórcio pode ser mais traumático que a morte de um cônjuge. A morte do cônjuge é difícil de ser superada, mas um cônjuge falecido não retorna mais. O divorciado normalmente retorna, e assim prolonga a situação. O divórcio é, porém, como no tempo de Jesus, uma solução parcial para uma situação séria e cruel, e pode ser a única solução razoável. Pode ser necessária, mas sempre é uma tragédia. É fácil pregar contra o divórcio, mas é difícil para a igreja ser construtiva, provendo preparo para o casamento. Temos de estar prontos para prevenir alguns divórcios, ajustando nossas leis de divórcio ou proibições religiosas contra o divórcio, mas essas ações não prevêem o rompimento de matrimônios. Quando os casais permanecem juntos somente por preocupação com a notoriedade requerida pelas leis de divórcio, ou pela “segurança dos filhos”, o resultado pode ser uma tragédia. Desastrosos triângulos amorosos, crueldade doméstica, abuso de crianças, homicídio e suicídio são algumas das conseqüências documentadas de casamentos que falharam, mas não terminaram. Que opção mais terrível! Um lugar em ruínas é uma tragédia, mas nunca esquecerei de um jovem que pôs uma pistola na boca, acabando, assim, com seu casamento como alternativa ao divórcio. Sua igreja tinha proibido o divórcio.
Nossa taxa elevada de divórcios não é um problema real. O fracasso nos casamentos vem primeiro, depois o divórcio. A taxa de divórcios é unicamente um indício da nossa alta taxa de casamentos ruins. Para corrigir isso temos de fazer mais do que pregar contra o divórcio: temos de revigorar os casamentos. Esse é o nosso desafio!
Uma pessoa divorciada pode ser ordenada diácono ou pastor? O apóstolo Paulo, um homem instruído, conhecia a palavra grega para divórcio (apostasion) e conhecia sua cultura. Também sabia que Cristo aceita qualquer pessoa, até ele, o “maior dos pecadores” (I Tim. 1:15). É inquestionável que, naquela época, os homens tinham muitas esposas, escravas e concubinas. Cada uma dessas relações, abarcadas pelo termo poligamia, constituía adultério. Paulo rejeitou a escolha de homens nessa condição como líderes da igreja. A instrução de dar carta de divórcio em Deuteronômio 24 limitou o homem a uma só mulher, e ainda proibiu a poligamia e o adultério inerente a ela. Parece que Paulo concordava plenamente com isso quando diz: “É necessário, portanto, que o Bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar...”(I Tim. 3:2). Ele rejeita a poligamia, não o divórcio.
Apesar de sérios abusos, a lei do divórcio (Dt. 24) ainda tem validade. O divórcio é uma solução radical para problemas maritais insuperáveis.Ele termina com toda a esperança de que o matrimônio deve ser conservado, e declara publicamente que ele falhou. É preciso estar contrito nesse momento da verdade. O pecado relativo a essa falha tem de ser confessado. “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça”(I João 1:9).Isso também inclui o perdão de fracassos no casamento.
Ao contrário do repúdio, a carta de divórcio, exigida pela lei, provê um grau de dignidade humana para mulheres sujeitas ao abuso cruel da poligamia adúltera e aos caprichos de homens de coração endurecido. Não há nada tão atordoante como “quero divorciar-me de você”, não é verdade? O divórcio declara o término legal do matrimônio, portanto, se houver qualquer acusação de adultério ou bigamia, qualquer das partes pode voltar a casar-se novamente.O divórcio rompeu todos os laços maritais e todo controle da esposa anterior. O divórcio exigia monogamia estrita, prevenia o término unilateral e preservava o direito básico de casar-se.
O mesmo ocorre hoje.Abandono,negligência, deserção,o que se queira dizer do coração duro que deixa a esposa por outra mulher sem divorciar-se foi e está proibido pelo mesmo Senhor Jesus Cristo (Mat. 5:32; 19:9; Mar. 10:11-12; Luc. 16:18).
Durante séculos, muitas comunidades cristãs têm interpretado esses ensinos de Jesus da seguinte maneira:
1. O divórcio é absolutamente proibido, ou melhor, é permitido somente no caso em que se admite ou comprova o adultério.
2. Uma pessoa divorciada não tem permissão para casar novamente;
3. Uma pessoa divorciada que casa novamente vive em adultério;
4. Alguém que se divorcia não pode ser ordenado diácono ou pastor
Todas as pessoas que mantêm essas convicções estão erradas. As três primeiras são contrárias à lei de Moisés e estão baseadas em um versículo em que Jesus nem sequer usou a palavra grega para divórcio (apostasion); a quarta está baseada em um versículo em que Paulo também não a usou. A palavra que Jesus usou foi apoluo, “repudiar”. O problema do qual Ele estava tratando é o repúdio, não o divórcio.
Uma pessoa divorciada deve ter muita graça e determinação para servir em uma igreja que adota as quatro posições mencionadas acima. Como isso é possível, quando a igreja é o corpo de Cristo na terra, que deve funcionar e servir como Ele o fez em pessoa? Cristo, que aquela vez levantou sua voz em Jerusalém, precisa olhar do céu para baixo e levantar a voz para nós. Ele veio e chamou Simão o zelote, um radical anti-romano, e Mateus, um rejeitado servo de Roma, uma dupla tão incompatível como dificilmente se pode encontrar em nosso mundo de hoje; mas Ele os pôs para trabalharem juntos em seu Reino. Depois eles foram para a Samaria. Ele se revelou diante de uma mulher cujos antecedentes de fracassos matrimoniais eram vergonhosos, e enviou-a para compartilhar a revelação de Deus em Cristo, como se ela fosse como qualquer outra pessoa. Ele tem de levantar sua voz quando vê que desperdiçamos nosso tempo tentando calcular a quem podemos proibir de servir em sua igreja.Jesus ministrou abertamente a todos os que se achegaram a Ele. Hoje, muitos dos nossos amigos divorciados têm medo das nossas igrejas.Eles sabem que alguma não combina com a Bíblia, em nosso ensino sobre divórcio. Podemos estar corretos, estando tão opostos a Cristo? Nossas interpretações tradicionais nos separam das pessoas que receberam a Cristo? Se é assim, estamos equivocados.Ele veio para salvar os pecadores. As únicas pessoas que Ele sempre rejeitou foram os que queriam justificar a si mesmos, os religiosos “justos”. Será que nossa compreensão das suas palavras é correta, simplesmente porque não está de acordo com a sua vida? Pessoas divorciadas são gente! Por séculos, elas têm sido excluídas da comunhão e do serviço, da alegria e da igualdade, e até da salvação; pessoas pelas quais Cristo morreu. Seja o divórcio pecado ou não, essa exclusão com certeza o é! O Senhor nos deu a sua graça para sermos canais da graça de Cristo Jesus para os divorciados.
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Moisés Almeida
moisesrivele@bol.com.br

Clayton Marques disse...

A Paz do Senhor Pastor Altair!

Concordo plenamente com o senhor. A Bíblia é muito clara a respeito do divórcio e em hipótese alguma deveria ser aceito um obreiro que está divorciado por motivos alheios àqueles que Jesus salientou sua permissão. E muito menos ser permitido que um Pastor exerça sua função de líder após adulterar,pois como é que este servirá de espelho para as ovelhas, se não pode conter-se. Mas infelizmente sobre as ovelhas repousa o cajado e sobre os obreiros a mão que afaga! O Deus que eu conheço não é Deus de dois pesos e duas medidas! Seja a vossa palavra Sim,Sim e Não,Não.Foi assim que eu aprendi! Ou cumprimos o que a Bíblia(o próprio Deus que a inspirou) recomenda ou não estamos aptos para entrar no reino dos céus!!!
Que Deus lhe abençoe Pr.Altair e continue firme e constante e sempre abundante na obra do Senhor!

ALTAIR GERMANO, disse...

Amados leitores, não é nossa proposta falarmos da vida do pastor Caio Fábio, mas, daquilo que ele (e outros citados) ensina e escreve. É para discutirmos as idéias e não os atos.

Um abraço.

Anônimo disse...

Por quê será que a referida revista publicou uma matéria contra o Caio Fábio?
Veja o que Caio Fábio escreveu esta semana no seu site:

"Ainda há pouco alguém me escreveu dizendo que o jornal de uma das maiores denominações evangélica do Brasil está preparando uma matéria contra a minha pessoa, em razão de que um dos membros da família que dirige e controla politicamente aquele grupo há muitos anos, veio para “O Caminho da Graça”.
Desse modo, os familiares dele [dirigentes da Denominação] transferiram para mim a responsabilidade de que tal pessoa creu no Evangelho simples e conforme Jesus para a sua própria vida.
Recebo diante de Deus com alegria tal “transferência”; e, por todas as acusações, injurias e loucuras que disserem, antecipadamente dou glória a Deus! Sim! Pois desse mesmo modo também perseguiram os que andaram no Evangelho antes de nós!
Ora, o amado irmão em questão, depois de muito ler este site, decidiu me escrever e contar a sua história. Trocamos e-mails. Quase todos estão aqui neste site, sem identificação de ninguém ou de nenhuma “instituição” ou pessoa.
Creio que dois anos passaram desde a 1ª carta entre nós. Até que cerca de três meses atrás o jovem pastor em questão, depois de muita oração e incentivo meu de que não precipitasse nada, não lhe sendo mais possível adiar por motivo de consciência, comunicou à sua família o fato que, em amor, desejava deixar de ser ministro daquele grupo, pois, não conseguia mais mentir contra a verdade.
O senhor que me escreveu contando da matéria que, segundo ele próprio, “já havia lido”, parece ter farto histórico e intimidade junto à denominação que estaria preparando tal material. Escreveu-me estimulando-me a “responder uma a uma as acusações”. E mais: disse que sabia que assim seria porque “você não é homem de não responder as coisas”.
Ora, minha resposta antecipada é a mesma a todos: O Senhor é quem me justifica!
Quanto a me acusarem de levar um filho da nova geração de pastores daquela casa a crer no Evangelho simples de Jesus [embora saiba que minha participação seja apenas simbólica, pois quem o chamou foi o Senhor], aceito a denuncia em nome de Jesus; e peço ao Senhor que os perdoe por terem ficado cegos pelo engano da religião.
De mim têm apenas amor e orações!
Que o Senhor Jesus abra os olhos de muitos, e assim os livre do engano desses dias maus!
Nele, que disse: “Erguei as vossas cabeças, pois a vossa redenção se aproxima”,
Caio
23 de julho de 2008 (www.caiofabio.com.br)

Será que era a essa matéria que o Caio Fábio se referia?


Antonio José Francisco Silva

ALTAIR GERMANO, disse...

Elisomar, é um fato que muitos casais vivem desgraçadamente, por não observarem a Palvra de Deus, nem manifestarem o mínimo interesse em rever seus posicionamentos. mesmo em face a isto, o divórcio será sempre a última alternativa, com todas as suas implicações.

Paz do Senhor!

ALTAIR GERMANO, disse...

Nobre Moisés, devido a extensão do texto de vosso comentário, em breve comentarei sobre os mesmo.

Um abraço!

ALTAIR GERMANO, disse...

Amado Clayton, continuemos orando para que de forma bastante equilibrada e sensata, a Bíblia possa ser ensinada e aplicada. As questões difíceis precisam ser tratadas com prudência, sem contudo relativizarmos os princípios da Palavra de Deus.

Um abraço e a paz do Senhor!

ALTAIR GERMANO, disse...

Amado Antonio, particularmente penso não se tratar da suposta matéria. Quem poderia responder sua pergunta é o autor do artigo na revista.

Volto a declarar que este post não trata de uma discussão sobre as ações do pastor Caio Fábio, mas sim, sobre algumas de suas idéias e ensinos atuais (embora seja difícil desassociar as idéias das ações.

Desta maneira, publicaremos os comentários que tratam sobre o que o Caio Fábio disse ou escreveu, e não sobre o que fez ou faz. Não tenho a intenção de atingi-lo como pessoa e cristão, mas de discutir algumas de suas idéias.

Um abraço!

zwinglio rodrgiues, pr. disse...

Pr. Altair, paz.

Na su opinião, todos que se casam foram ajuntados por Deus?

Ou há casais casados que não foram ajuntados por Deus?

Se Deus não ajuntou certos casais casados, há legitimidade no divórcio de alguns?

"Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem." Mc 10:9

Abraços!!

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Obs.

Agora estou no WORDPRESS:

dokimos.wordpress.com

Os que me linkam, favor fazer a mudança de endereço.

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Obrigado pela atenção.

ALTAIR GERMANO, disse...

Amado Zwinglio, na hipótese do texto citado pelo irmão não se aplicar ao casamento de forma geral, como instituição divina, como podemos ter a certeza se um casal foi ou não "ajuntado por Deus"?

- Pelo sucesso da união?
- Pelo fracasso da união?
- Pelos fatos que proporcionaram a união?
- Pelos "sentimentos" ou "experências" espirituais que supostamente cercaram a união?
- Pelas declarações afirmativas ou negativas dos cônjuges em relação ao que eles acham?
- Pelas aparências?
- Por revelação?

Penso que esta discussão será bastante interessante, e nos conduzirá para uma melhor compreensão da questão em pauta (falo sem nenhuma hipocrisia).

Um abraço!

Elisomar disse...

Vendo o questionamentodo do Pr. Zwinglio, que achei interessante, lembrei que quando eu era mais jovem li na Bíblia o seguinte versículo: "O que não pode viver junto, separe-se. Engraçado é que nunca mais encontrei tal instrução, por mais que eu procure não consigo encontrar. Faço minhas as palavras do pastor... será que todo casamento é feito por Deus? Ou será que é justo nem se poder servir ao Senhor direito por causa de uma má companhia? Ou estar debaixo do jugo de um homem mau, que mesmo se dizendo crente não teme a Deus? Deus não nos une a quem não presta, isso é uma escolha precipitada, mas depois que se cai na real, consertar o erro (se for possível), é no mínimo um ato honroso.

zwinglio rodrigues, pr. disse...

Caro colega Germano,

Compreendo seus questionamentos quanto a questão de como e quando determinarmos se Deus ajuntou ou não uma casal. Certamente isso se reveste de uma complexidade...

Mas veja:

A palavra do Senhor Jesus Cristo (Mc 10:9)não é inflexível...

1- Ela não se aplicaria a Ed 9 e 10; Ne 13:23 ss.

2- Também não se aplicaria 1Co 7:15

Se pela instituição da instituição casamento, todo casal devidamente casado foi ajuntado por Deus, poderíamos concluir que Deus "jogou dados" com esses casais (aqueles das referências imediatamente supra citadas), ajuntando-os pra depois legitimar a desunião?

Um outro ponto:

Orientando a igreja de Corínto, o apóstolo estabelece o chamado "privilégio paulino".

De que se trata tal privilégio?

"Mas se o descrente quiser apartar-se, que se aparte... não fica sujeito à servidão... DEUS VOS TEM CHAMADO A PAZ." (7:15).

A seguir, ele diz:

"Ande cada um segundo o Senhor lhe tem distribuído, CADA UM CONFORME DEUS O TEM CHAMADO..." (v 17).

Que chamdo é este proposto a CADA UM (perceba que o chamado aqui já é outro... é de indivíduo para indivíduo... diferente do chamado à PAZ v 15, que é universal)?

Viver em um casamento a todo custo (alguém por aqui disse que casou tem que se levar o fardo até o fim) para obedecer uma cláusula, ("não separe o homem")...

Como conciliar "Deus ajuntou, não separe o homem" com "Deus vos tem chamado à paz"?

Ou

Como conciliar "Deus ajuntou , não separe o homem", com "conforme Deus o tem chamado" -expressão que parece encerrar um chamado que está acima da vida de um casamento problemático...-

Me fiz entender?

MYRIAN disse...

PASTOR ALTAIR,

CONCORDO plenamente com tudo o que o sr. escreveu. Porque obreiros e pastores divorciam de suas esposas e casam com mulheres bem mais NOVAS do que a primeira esposa?
Outro fator que me preocupa "hoje" é onde está o AMOR VERDADEIRO.
Nimguém é obrigado a viver c/ nimguém mais os casamentos hoje não duram. Tem pastores exercendo o pastorado e já está com a 3ª esposa, é isso mesmo TERCEIRA esposa e tudo isso acontecendo dentro das Assembléias de Deus.
Será que as DUAS PRIMEIRAS TRAÍRAM esse "ABENÇOADO HOMEM DE DEUS"? Ou eram incompatíveis com seu gênio, lembrando que nos dois primeiros casos foi ele quem pediu o divórcio e casou sempre com mulheres cada vez mais novas.

AGORA PERGUNTO AONDE VAMOS PARAR?
REALMENTE, JESUS ESTÁ ÁS PORTAS, NUMCA VI TANTO PECADO E MAUS EXEMPLOS DENTRO DAS IGREJAS.
SE ISTO ACONTECE NAS ASSEMBLÉIAS DE DEUS QUE É UMA IGREJA TRADICIONAL, imagine só nas outras...

ALTAIR GERMANO, disse...

Nobre Zwinglio, o termo "complexidade" caiu muito bem com o assunto. Não tenho dúvidas quanto as complexidades e excessões bíblicas em relação ao divórcio. Tenho dificuldades é com as excessões das excessões.

Vamos trabalha com questões práticas, baseadas no foco central do post, que é a manutenção no ministério de um pastor divorciado:

- Se você fosse o meu pastor presidente, bispo, apóstolo etc., e eu viesse a ser infiel com a minha esposa, provocando com isso um divórcio, visto que minha esposa resolve não me perdoar, como o irmão agiria para comigo? O amado me manteria no ministério?

Um abraço!

ALTAIR GERMANO, disse...

Irmã Myriam, infelizmento o casamento está sendo banalizado, inclusive por alguns líderes cristãos.

Onde vamos parar? A história pode nos responder esta pergunta.

Paz do Senhor!

Anônimo disse...

Será que o pastor Caio Fábio terá direito de resposta no blog e na revista?

ALTAIR GERMANO, disse...

Caro anônimo,

só respondo pelo blog, e neste caso é claro que sim. Como colocado por você, é um direito de quem foi citado.

Um abraço!

zwinglio rodrigues, pr. disse...

Pr. Germano,

Respondendo a sua pergunta, eu digo o seguinte:

depois de analisado todo o caso; depois de exaurido todas as tentativas de reparo do tal casamento; depois de ouvida as partes; depois de compreender a real arrependimento do suposto ministro... eu o manteria no ministério sim se ele contraisse um segundo casamento.

É evidente que ele estaria em uma situação constrangedora por causa dos dedos acusadores... mas, se ele tiver forças para continuar, não vejo nenhuma problema em dar ao mesmo uma chance de continuar a viver sua vocação irrevogável.

Para ajudá-lo mais ainda, o colocaria em um outro campo para ele exercer o pastoreio.

Agora, preciso deixar claro que apesar de pensar assim, eu não me iludo quanto às dificuldades que cercam uma situação dessa...

ALTAIR GERMANO, disse...

Amado Moisés Almeida, embora o vosso comentário não entre no mérito da questão sobre "a permanência de pastores divorciados no exercício ministerial, sendo eles próprios a parte culpada no processo", cabe aqui algumas considerações:

1.No episódio da mulher samaritana (Jo 4.1-30), o tema "divórcio" não é tratado de forma específica.

2. Callison, no texto anexado, afirma que Jesus "enviou a mulher do poço em Samaraia até a cidade para ser sua testemunha". O texto não diz isto. Ela simplesmente foi, sem necessariamente ter sido "enviada" (Jo 4.28-30)

3. Callison diz ainda que o termo grego απολυω (apolyo), "que significa deixar de lado ou repudiar, não significava tecnicamente um divórcio, apesar de 'às vezes' ser usada como sinônimo".

- Rienecker e Rogers (1995, p. 141) em Lc 16.18, traduz apolyon, part. pres. de apolyo, como "soltar, divorciar";

- Vine (2003, p. 574) afirma que apolyo "é traduzido em Mt 5.32 por 'repudiar'; é mais usado para se referir a 'divórcio' em Mt 1.19; 19.3, 7-9; Mc 10.2,4,11; Lc 16.18".

- Coenen e Brown (2000, p. 593) diz ao se referir a LXX, que apolyo "se emprega numa variedade de sentidos, inclusive o divórcio (Dt 24.1 e segs.). E ainda, "No NT apolyo[...] Aplica-se especialmente ao "divorciar" uma esposa (Mt 1.19; 5.31-32; 19.3; 7-9; Mc 10.2, 4, 11-12; Lc 16.18)."

Desta forma, a exegese de Callison sobre o tema divórcio, fica um pouco comprometida.

De qualquer forma, a questão exegética nos apresenta pontos dignos de análise e estudo.

Um abraço

zwinglio rodrigues, pr. disse...

Pastor,

Quando eu disse "tal pastor", é porque eu escolhi não usá-lo (o irmão) como exemplo.

Só por isso.

Abraços!!!

Elisomar disse...

Pastor Zwinglio,
percebi que o senhor não entendeu meu posicionamento quanto ao fato de quem casou levar seu fardo até o fim. O que eu quis dizer foi em relação ao conjuge que conhece o defeito gravíssimo do outro, mas mesmo assim insiste em casar pensando que será dono das suas atitudes. O que na verdade acontece é que ele não será nunca o dono, mas com certeza casou com elas também. Muitas vezes até é orientado(a), mas diz: Deixe, não sou eu quem vai casar? Nesse caso nunca deveria haver divorcio, eles deveriam suportar os erros, porque foi decisão. Entendeu? Eu reio que Deus conhece cada situação, e não tem alegria em ver um filho seu amargando, enquanto pode mudar de vida. Também não sou a favor do divorcio por qualquer motivo. Gostei de seus comentários e sou da mesma opinião.

ALTAIR GERMANO, disse...

Nobre Zwínglio, "complexidade" e "dificuldade" caminham juntas neste caso.

Tendo em vista as exigências bíblicas, que são muito claras, e a responsabilidade diante do chamado para o santo ministério, eu entendo que um pastor que foi infiel a sua esposa e com isto provocou o divórcio, não deve ser reintegrado ao ministério.

Penso que a graça não relativiza os princípios bíblicos. A graça proporciona o perdão, mas não nos isenta das conseqüências dos nossos erros.

Um abraço!

zwinglio rodrigues, pr. disse...

Pastor, só um detalhezinho:

"A graça proporciona o perdão, mas não nos isenta das conseqüências dos nossos erros."

No caso da consequência, "remoção do ministério", seria uma decisão pura e simplesmente subjetiva. pessoal, humana e não neotestamentaria.

Eu imagino o que nós não faríamos com Davi: além da perda do filho, das demais consequências de ordem familiar... nós tomaríamos o trono das mãos dele para darmos a alguém mais santo...

zwinglio rodrigues, pr. disse...

Irmão Elisomar,

Tudo ficou bem entendido agora.

Abraços!!!

ALTAIR GERMANO, disse...

Nobre Zwínglio, é bastante subjetivo também uma análise caso a caso.

Com este vosso posicionamento, que respeito, embora não concorde com mesmo, penso que num brevíssimo tempo,teremos no Brasil, uma igreja evangélica repleta de pastores adúlteros e divorciados, sem autoridade para ministrar para as famílias e sobre família.

Davi embora líder, não foi pastor de igreja. Dessa forma, sobre ele não repousava as exigências neotestamentárias para a conduta pessoal e exercício do ministério pastoral.

Paz e graça.

zwinglio rodrigues, pr. disse...

Pastor Germano,

Meu posicionamento não objetiva a permissividade.

Cada caso é um caso sim. E todos devem ser bem avaliados, no rigor do que se exige o NT.

Mas ao meu ver, há situações onde se pode recuperar um ministro.

Davi não era pastor, mas exigia-se dele uma conduta rigorosíssima. Tanto é que ele teve que enfrentar o profeta Natã e teve que perder o filho do adultério mesmo afligindo-se sinceramente.

Graça sem permissividade sempre!

Abraços!!!

Elisomar disse...

Pastor Zwinglio, eu sou mulher. rsrs

Anônimo disse...

caro colega de Ministério

Saudações no Senhor

Parabens pelo conteúdo excelente de seu blog

Pr. José Gonçalves
Vice-presidente da Comissão de Apologia da CGADB

ALTAIR GERMANO, disse...

Nobre companheiro José Gonçalves,

quero também lhe parabenizar pelo artigo publicado no Manual do Obreiro (CPAD), ao mesmo tempo em que agradeço as palavras de incentivo e sua honrosa visita a este blog.

Gostaria de lhe deixar como sugestão, e isto faço com todos os amigos de ministério, que o amado, se ainda não tiver, crie um blog.

Desta forma, o irmão poderá alcançar e abençoar com os seus textos, pessoas de todas as partes do mundo.

Um abraço e a paz do Senhor!

Delio Visterine disse...

Nós lemos Mateus 5: 31 e 32 e pensamos nele com nossas categorias ocidentais, posteriores à predominância política do Cristianismo sobre este lado do planeta, impondo não uma nova consciência, mas apenas uma nova Moral.

Todavia, quase nunca levamos em consideração o contexto no qual Jesus disse esta palavra. Naqueles dias, embora a poligamia e a bigamia—tão constantes no Antigo Testamento— ainda existissem, desde o exílio em Babilônia que ela vinha diminuindo—por questões econômicas, como é obvio! Todavia, ainda que ambas não fossem a norma para a maioria, na prática, no entanto, era ainda uma consciência prevalecente.

Prova disso é que em João 8, no episódio da mulher adultera e Jesus, não se apresenta o “homem” com quem essa “adultera”, adulterara. “Ele”, o homem, estava isento das pedradas. Mas a mulher estava lá, seminua ou nua, exposta a todos.

Portanto, quando Jesus diz que a Lei dizia que um homem poderia des-cartar a sua mulher dando-lhe uma carta de divórcio, Ele falava isto a uma assembléia machista, que praticava isto com muita alegria e facilidade. Tudo era motivo para se divorciar. Literalmente, por qualquer motivo, como vemos em Joaquim Jeremias e outros especialistas ( Mt 19:3)

Isto para não falarmos na briga doutrinária que havia, nos dias de Jesus, entre as escolas de Shamai e Hillel em relação ao tema em questão. Era o reino da banalidade relacional.

Nesse caso, o que Jesus diz, levando-se em consideração o “contexto historio”, é basicamente o seguinte:

1) Se, para vocês, a mulher é adúltera quando trai o seu marido, dando-se fisicamente a um homem, todavia, vocês, os homens, cometem muito mais adultério pelo modo “natural” como olham e desejam mulheres (MT 5: 28);

2) Neste mundo onde o homem “descarta” a mulher—ela sem direitos a mesadas e a patrimônio, estigmatizada pela Moral vigente e, praticamente, entregue a sobreviver como pudesse—a única clausula, de permissão ao divorcio era se a esposa traí-se o marido; ou seja: “... em caso de adultério” (5: 32b). Nessa caso, o homem poderia dar a ela carta de repudio e divorcio. Naqueles dias, mulheres não se divorciavam dos homens. Era a Lei.

3) A razão, portanto, tinha a ver com o estigma que a “repudiada”, a divorciada, carregaria, naquela sociedade, daí para frente. Ao homem era permitido—por qualquer motivo—desamparar a esposa, repudiando-a, e, então, depois disto, era-lhe “lícito” escolher outra mulher e seguir adiante com sua vida. Não era sempre bigamia, mas era sempre uma monogamia sucessiva. Ela era extremamente praticada até que Shamai, um rabino, se levantou contra aquela injustiça, discutindo os “motivos justos para dar uma carta de divorcio”, que, à semelhança de Jesus, para ele, também era o adultério.

Todavia, a preocupação era com o estado de desamparo no qual ficava a mulher repudiada-divorciada, pois, para todos, ela passava a ser fadada a nunca mais amar ninguém e nem ter ninguém, apenas porque alguém não a quis mais, por qualquer motivo.

Esta é a razão pela qual Jesus—após denunciar o adultério subjetivo de todos os homens—diz que a preocupação era com expor a mulher a tornar-se adultera (Mt 5: 32c), e, também com “aquele” que, porventura, à ela se ajuntasse, pois, ele também, passaria a ser visto como o marido da repudiada.

Numa sociedade onde o homem tinha todos os privilégios, incluindo o de ter uma segunda esposa caso a pudesse sustentar, descartar a esposa e entrega-la ao mundo com uma letra R, de Repudiada, escrita na testa, e, ainda, esperar que ela vivesse de vento, expunha-a a tornar-se adultera—fosse pela necessidade de ser sustentada por alguém, fosse pela realidade de ter encontrado alguém. Assim, em Mt 5: 27-28, Ele iguala a todos no nível do adultério subjetivo.

Já em Mt 5: 31-32, Ele nos mostra como uma vítima da dureza de coração de um homem—que descarta e não cuida da vida humana que ao seu lado esteve—pode, numa sociedade regida pela Teologia dos Fariseus, ser ainda mais des-graçada.

O “repudio” do homem tornava a mulher, no mínimo, uma “repudiada” e, no caso dela prosseguir com a vida—sem ter que se entregar à mendicância—,a exporia a ser vista, para sempre, como adultera. Dessa forma, Jesus afirma duas coisas: primeira, a seriedade do vinculo entre dois seres humanos numa relação de casamento; e, a segunda, a possibilidade de que a alma humana pudesse se endurecer tanto, que usasse a do outro, e depois, simplesmente a descarta-se, sem cuidado e sem proteção. Em outras palavras: Jesus não entrou na questão da Lei—até Moisés teve mais de uma esposa—, mas na questão da misericórdia, e, sobretudo, no tema da descriminarão Moral do infeliz; e, também no tema da Teologia dos Fariseus e a sua dureza predatória— suas Leis de causa e efeito da infelicidade—, que, naquele caso, era uma Lei animal, que tratava a companheira como lixo.

E por que digo isto?

Por duas razões:

1) Porque é o que vejo no trato de Jesus com as mulheres de todos os tipos de vida durante os Evangelhos. Quase todas elas vinham de vidas infelizes, mas todas foram absolutamente acolhidas, a Samaritana, inclusive, com seu “companheiro”, acerca de quem Jesus disse: “...chama teu marido e vem cá...”

2) Minha leitura da Bíblia, toda ela, está irremediavelmente ligada à única chave hermenêutica que eu creio que é absoluta: “O Verbo se fez carne”—essa é a chave hermenêutica! Logo é no Verbo Encarnado, Jesus, onde vemos o Verbo virar Vida, em todos os sentidos.

Ora, isto nos leva não a ler o que Jesus disse e , para melhor entender o texto, fazermos uma exegese da passagem. Ao contrário: isto nos leva a ler e ouvir o que Jesus disse, e, ver, nos evangelhos, como Ele encarnou aquele Verbo.

Ora, quando fazemos isto, não temos mais o Evangelho que Jesus falou e nós “interpretamos” como bem desejamos; e o Evangelho que Jesus viveu, que nós usamos para nos inspirar na fé na fé. E esquecemos que são naqueles encontros com a vida que cada um de Seus ensinos—literalmente, cada um deles—, teve sua verdadeira interpretação.

Jesus nunca ensinou aquilo que Ele não encarnou, como manifestação da Graça!

A tentativa de fazer exegese das falas de Jesus, e não levar em consideração como Ele tratou as pessoas pelo caminho, é audaciosa, pois, coloca-nos como “os interpretes da Lei”: com a Chave da ciência debaixo do braço, pondo-nos numa posição na qual Jesus pode ser esquizofrenizado pelas nossas doutrinas e Teologias; ou seja: ensinando uma coisa—geralmente legalista em seus conteúdos—, conforme nós “interpretamos” as falas de Jesus; enquanto, também evangelizamos, falando do modo misericordioso como Jesus tratou com amor os pecadores.

O problema é que, na maioria das vezes, o Jesus que encontra pessoas pelo caminho—gente de todo tipo—, não combina com as “interpretações” que fazemos de Suas Palavras.

Quem é que está com problemas? Seria Jesus um “esquizofrênico”?

Seria Ele como os fariseus, que diziam e não faziam?

Ou como os “interpretes da Lei”, que punham fardos pesados sobre os homens que eles nem com o dedo queriam tocar?

Ou nós é que continuamos sofrendo da doença deles?

Responda-me:

Crendo que Jesus é o Verbo encarnado, como você interpreta o que Ele disse?

À luz dos ensinos de nossos interpretes da Lei? Ou, quem sabe, para o seu próprio bem, conforme o Verbo Encarnado em Jesus!

Jesus é a Palavra sendo interpretada aos nossos olhos!

Afinal, o Verbo se fez carne e habitou entre nós...e vimos a Sua Gloria...!





Caio



2003, Copacabana, Rio de Janeiro, 1o ano do site.

http://www.caiofabio.com/novo/caiofabio/pagina_conteudo.asp?CodigoPagina=0021300006

Anônimo disse...

Pr.Altair,
Lendo hj o seu blog, vejo que o assunto colocado é, infelismente, uma realidade em nosso meio. Mas a Bíblia Sagrada não deixou de ser a PALAVRA DE DEUS ! Tem muita gente que só pega aquilo que lhe aprás, o que na verdade precisamos muito mais de corrreções do que de consolos ! Divórcio "nunca foi e nem é" a idéia de DEUS para o matrimônio. Eu sou crente em Jesus, e muito bem casado, graças a Deus. A minha sogra também é uma serva de Deus e meu sogro no passado, apesar de ter aprontado (filhos fora do casamento), ela o exortou a assumir a criança e a pagar pensão a mesma. Com isso ela demonstrou que, quem ama a DEUS e ama seu(sua) companheiro(a) simplesmente é diferente do mundo. O interessante é que, geralmente quem se divorcia não casa-se com uma esposa da mesma idade ou mais velha do que a esposa: O lobo quer pegar é uma ovelhinha ! É um cabra que merece uma peia de gato morto bem dada, até o gato miar de novo.

Anônimo disse...

A Paz do Senhor !
Pr.Germano,
Lendo algumas postagens acerca do assunto em tela, percebo que muitos estão entendo o divórcio como uma solução sempre pronta (tipo aqueles macarrões lamen - 3 minutos), prá ser usada sempre que acharem conveniente. JESUS CRISTO, na passagem de Mc.10 e Lc.16, ele reporta ao princípio, em que não era assim ou seja : ELE sempre vai mais além do que nós. Muitas vezes pensamos na "solução instantânea" do que em todos os nefastos desdobramentos que o divórcio causa, apesar de tudo. Faço a minha oração a mesma do Profeta Habacuque : Ele usa muitos "aindas" e portanto, enquanto existir o casal existirá o AINDA que DEUS providenciou : ACREDITO EM MILAGRES, INCLUSIVE DESTA NATUREZA.

Cristo a única Esperança disse...

A Paz do Senhor!

Vou falar de dois casos que aconteceram na cidade onde moro, um deles no ministério que estou:

1- Um determinado Pastor (Pastor?) casado, pai de filhos, ministrava numa igreja, até que um dia tomou uma jovem e foi morar com ela, largou a esposa e filhos; Depois de uns dias foi embora para outra cidade; Passados cinco anos, ele voltou e está tentando pregar a palavra de novo, porém ninguém abriu brecha, nem deu oportunidade, nada de púlpito;

2- Uma pessoa se converteu, batizou nas águas, e foi rejeitado pela família, pela esposa, e pediram ao Pr. presidente do ministério que fço parte, para expulsar o irmão da igreja, porque toda família é católica e não aceitava o fato; O irmão porém não desanimou continuou sua caminha de fé, muito usado na igreja e nas comunidades pregando o evangelho, se tornou um grande ganhador de almas e sábio tesoureiro geral do ministério; Como era muito amigo desse irmão, ele me disse que estav difícil o relacionamento com a família, pois já tinha dormido no banheiro três vezes (banheiro ficava do lado de fora da sua casa) quando chegava da igreja sua esposa trancava a porta e colocava móveis atrás da porta, o irmão para não causar escândalos, evitava de quebrar a porta, dormia no banheiro, sentado no vaso; Sua esposa foi mais ousada, começou a sair para os dançantes e voltava altas horas, dizendo que estava vivendo a vida; O irmão resitiu e não se divorciou; Ele disse que estva sofrendo, e orando a Deus para entrar com providências, enquanto tivemos esta última conversa, uma bala perdida acertou o irmão e ele partiu para encontrar com o Senhor;

Eu falo com tristeza que os evangélicos estão querendo viver de experiências e mudanças, se casam jurando até que a morte nos separe, mas, quando aparece uma pessoa que abr um sorriso, já pensa em largar a esposa e ir morar com ela;
A questão do pastor cometer adultério e depois continuar a exercer o ministério, pulam o que está escrito em Ef5v33:Assim também vós, cada um em particular, ame a sua própria mulher como a si mesmo, e a mulher reverencie o marido. Como vão ensinar isso nas igrejas? Como fazer aconselhamento de casais?

Cleutom disse...

A paz do Senhor.Este é um assunto facíl de se entender, visto que a biblia nós da somente uma opção para se divorciar. É a infidelidade a qual permite a parte inocente a se casar de novo. Por outro motivo seja ele qual for a biblia nós diz que se separar que fique só ou reconsilie isso independente dos motivos. Quanto aos crimes idiondos e as outras situações colocadas sou totalmente contrario. Aos lideres que cometem outros delitos a biblia manda que sejam adivertidos diante a igreja para que seja de testemunho aos demais e devidamente afastado de suas funções ministeriais, e isto não é o que acontesse.Ref. 1 Cor. 7.10,11 e 1° Tim. 5.20 .