terça-feira, 1 de julho de 2008

AS DOENÇAS DO NOSSO SÉCULO -Subsídio para lição bíblica


Nosso Mestre e Senhor, não viveu de forma alienada. Jesus foi alguém bastante conhecedor das questões econômicas, políticas, culturais e religiosas de seu tempo. Muitos cristão não conhecem seu próprio tempo.O termo pós-modernidade é desconhecido de muitos, assim como é o seu conceito e características.

Conhecer a sua época, é fator essencial para que a igreja conheça as causas das doenças do nosso século.

1. O QUE É A PÓS-MODERNIDADE?

Nossas escolhas são formadas pelo que acreditamos ser o real e verdadeiro, certo e errado, bom e bonito. Elas são formadas pela nossa COSMOVISÃO ou “visão de mundo”. Colson e Pearcey (2000, p.32) nos trazem uma definição clara de COSMOVISÃO, dizendo ser “[...] simplesmente a soma total de suas crenças sobre o mundo[...]”.


A pós-modernidade faz parte de uma cosmovisão naturalista, que fundamenta-se na idéia de que as causas naturais sozinhas, são suficientes para explicar tudo o que existe. A verdade é algo que temos que achar, sendo nossa vida fruto de um mero acidente cósmico. Diz ainda Colson e Pearcey (2000, p.42) “No pós-modernismo, todos os pontos de vistas, todos os estilos de vida, todas as crenças e todos os comportamentos são considerados igualmente válidos”.


Pós-modernidade é a condição sócio-cultural e estética do capitalismo contemporâneo, também denominado pós-industrial ou financeiro. O uso do termo se tornou corrente, embora haja controvérsias quanto ao seu significado e pertinência. Tais controvérsias possivelmente resultem da dificuldade de se examinarem processos em curso com suficiente distanciamento e, principalmente, de se perceber com clareza os limites ou os sinais de ruptura nesses processos (Wikipédia).


O francês François Lyotard afirmou que a "condição pós-moderna" caracteriza-se pelo fim das metanarrativas. Os grandes esquemas explicativos teriam caído em descrédito e não haveria mais "garantias", posto que mesmo a "ciência" já não poderia ser considerada como a fonte da verdade.


Jameson afirma que “a Pós-Modernidade é a "lógica cultural do capitalismo tardio", correspondente à terceira fase do capitalismo”.


O termo “pós-modernidade” é evitado por outros autores. O sociólogo polonês Zygmunt Bauman, um dos principais popularizadores do termo Pós-Modernidade no sentido de forma póstuma da modernidade, atualmente prefere usar a expressão "modernidade líquida" - uma realidade ambígua, multiforme, na qual, como na clássica expressão marxiana, tudo o que é sólido se desmancha no ar.


Para o filósofo francês Gilles Lipovetsky , conforme as diversas obras por ele publicadas, prefere o termo "hipermodernidade”, por considerar não ter havido de fato uma ruptura com os tempos modernos - como o prefixo "pós" dá a entender. Segundo Lipovetsky, os tempos atuais são "modernos", com uma exarcebação de certas características das sociedades modernas, tais como o individualismo, o consumismo, a ética hedonista, a fragmentação do tempo e do espaço.


2. ALGUMAS IDÉIAS DISSEMINADAS NA PÓS-MODERNIDADE


Tais conceitos são frutos de uma série de filosofias, idéias e atitudes, que dentre as quais destacamos:


a) O Relativismo – Partindo da perspectiva de que cada indivíduos deve agir e pensar da sua própria maneira, tal idéia foi estendida ao campo moral, ético e espiritual. Sendo assim, as pessoas podem pensar, agir, vestir-se e comportar-se de qualquer maneira , fazer sua “opção sexual”, escolher sua religião (ou não crer em nada), e no final todos estão certos.


A perda dos absolutos morais (éticos) tem criado divisões e confusões dentro de nossa sociedade, conduzindo não somente à destruição das estruturas sociais, mas também a grande confusão no nível pessoal. Sem absolutos, como se determina o certo e o errado? Como pode-se saber se um comportamento é aceitável ou não?


O único absoluto que está sendo mantido agora é da “tolerância”, isto é, o único valor sobre o qual a sociedade está certa é que nós não devemos ter qualquer absoluto. Um pensamento “politicamente correto” é aquele que de maneira nenhuma ofende, confronta ou limita a liberdade de uma outra pessoa ou grupo. [...] A tolerância, argumenta-se, é o caminho para a liberdade e a felicidade de todos. [...] Assim como todos os valores são relativos e iguais, o clima atual argumenta que todas as idéias são relativas e, portanto iguais. Nós devemos ser livres para fazer o que quisermos e devemos ser livres para crermos no que quisermos. (DOWNS, 2001, p. 156)


A verdade bíblica deixa de ser “a verdade”, para tornar-se “uma verdade”.


b) O Antinomismo – Trata-se aqui, de uma total aversão a qualquer tipo de normas, regras ou leis éticas. A bíblia não é aceita como norma de conduta, aliás, nada é aceito como norma de conduta. Antinomismo significa contra-o-sistema-da-lei. Ele vê a própria lei de Deus como o inimigo real. (O legalismo é, paradoxalmente, um tipo de antinomismo.) O Antinomismo propõe que pelo faro de o crente ser salvo somente pela graça, ele deve de agora em diante não ter nenhum relacionamento com a lei moral. A era do Espírito, diz-se, substituiu a era da lei. O Antinomismo é a essência da condição humana pecaminosa: “Pecado é a transgressão da lei”, disse o apóstolo João (1 João 3:4), e Paulo declara: “a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser” (Romanos 8:7). O Antinomismo, de uma forma ou outra, é, sem dúvida, um dos principais erros nas igrejas atual. A obediência consciente à Palavra de Deus objetiva é freqüentemente estigmatizada como legalismo. Como uma torrente inaudita de transgressões da lei, crimes e corrupção moral estão destruindo os fundamentos da sociedade, e a própria igreja se assemelha ao Sansão tosquiado diante dos Filisteus. Como pode a igreja que tem se despedaçado com sentimentos antinomistas ter qualquer palavra real do Senhor para a sociedade pecadora e permissiva? Em vez de lutar com firmeza pelos absolutos morais dos Dez Mandamentos, a igreja professa é encontrada freqüentemente acomodando a lei de Deus às normas sociais atuais.


c) O Pragmatismo – Citando ainda Colson e Pearcey (2000, p. 39) “Desde que os naturalistas negam quaisquer padrões transcendentes de moral, eles tendem a fazer uma abordagem pragmática da vida. O pragmatismo diz: o que funciona melhor é o certo. Ações e métodos são julgados somente sob bases utilitaristas”. Conforme a wikipédia


O pragmatismo refuta a perspectiva de que o intelecto e os conceitos humanos podem, só por si, representar adequadamente a realidade. Dessa forma, opõe-se tanto às correntes formalistas como às correntes racionalistas da filosofia. Antes, defende que as teorias e o conhecimento só adquirem significado através da luta de organismos inteligentes com o seu meio. Não defende, no entanto, que seja verdade meramente aquilo que é prático ou útil ou o que nos ajude a sobreviver a curto prazo. Os pragmatistas argumentam que se deve considerar como verdadeiro aquilo que mais contribui para o bem estar da humanidade em geral, tomando como referência o mais longo prazo possível.


Deus e a Bíblia são objetos de escárnios e zombaria. O prazer é a ordem do dia. A verdade é uma questão de perspectiva pessoal. Os valores foram invertidos. O homem encontra-se perdido em seus pensamentos. Desesperado busca nas coisas ou nas outras pessoas um sentido para viver, compensações, paliativos, sem contudo, encontrar algo substancial e definitivo. O resultado disto? Doenças na alma e no corpo (psicossomáticas) que se manifestam das mais variadas formas. É sobre isto que estudaremos neste trimestre.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


BAUMAN, Zygmunt. A Modernidade Líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.

COLSON, Charles; PEARCEY, Nancy. E agora como viveremos? Trad. Benjamin de Souza. Rio de Janeiro: CPAD, 2000.

DOWNS, Perry G. Introdução à educação cristã: ensino e crescimento. Trad. Marcelo Cliffton Tolentino. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2001.

GEISLER, Norma L. Ética cristã: alternativas e questões contemporâneas. Trad. Gordon Chown. São Paulo: Edições Vida Nova, 1984.

JAMESON, Fredric. Pós-Modernismo: a lógica cultural do capitalismo tardio, São Paulo: Ática, 2002.

LYOTARD, François. O Pós-Moderno Explicado às Crianças. Lisboa: Dom Quixote, 1987.

http://www.monergismo.com acessado em 25/06/2008 às 11h00

http://pt.wikipedia.org/wiki/Pragmatismo acessado em 25/06/2008 às 11h52m