terça-feira, 10 de junho de 2008

ORAÇÃO E JEJUM PELA PÁTRIA - Subsídio para lição bíblica (02)


Nesta segunda parte dos subsídios para a lição bíblica da ED, estarei tratando do segundo ponto, que tem como título "A Postura do Crente como Cidadão dos Céus".

1. Ativismo Político e Conformismo Escatológico

Conversava dias atrás em São Paulo com o amado companheiro e ex-Deputado Federal Agnaldo Muniz (RO), falando-lhe de duas situações extremas, vivenciadas em nossas igrejas e relacionadas com a questão política.

Em primeiro lugar temos aqueles que pregam uma certa "teocratização da política brasileira", ou seja, querem políticos evangélicos no poder, pensando que com isto que o Brasil pode se converter ao Evangelho por meio de decreto-lei. Isto é utópico e absurdo.

Em segundo lugar, na contra-mão da "teocratização política", temos a "alienação política". Quando falo de alienação (do latim alienus, outro), estou me referindo ao fato de que muitos cristãos não se percebem como seres políticos. Desta forma, de atores sociais que poderiam ser, tornam-se meros espectadores do cenário político nacional. Não conhecem as questões políticas, não se interessam por elas e acham que tudo que diz respeito à política é do Diabo.

A NATUREZA DA POLÍTICA

A palavra grega da qual política é derivada, é polis, que significa “cidade”. Política no sentido clássico envolve a arte de fazer uma cidade funcionar bem (sistemas de segurança, habitação, saúde, educação, empregos, etc.). Também ajuda a administrar nossas organizações e governos. Quando nosso sistema político é saudável, mantemos a ordem e obtemos a capacidade de fazer coisas como comunidade, que não poderíamos fazer bem individualmente. Votamos leis, fazemos o poder executivo aplicá-las, arrecadamos impostos para estradas, esgotos, apoio à pesquisas, etc. Em nossas organizações particulares, um sistema político sadio nos ajuda a adotar orçamentos, avaliar pessoal, estabelecer e cumprir políticas e regras e escolher líderes. No melhor dos casos, a política melhora a vida de um grupo ou comunidade.

Em muitos livros didáticos, o termo política refere-se aos processos usados nas decisões oficiais para uma sociedade inteira, contudo, o termo pode ser usado para cobrir todos os processos que permitem tomar decisões para qualquer grupo ou instituição. Neste sentido podemos falar de política ambiental, política agrária, política eclesiástica, política educacional etc.

A essência da política é a luta por poder e influência. Todos os grupos e instituições sociais precisam de métodos para tomar decisões para seus membros. A política nos ajuda a fazer isso.

Todos nós somos políticos. Nascemos na polis (cidade), somos educados através das escolas da polis, casamos na polis, trabalhamos na polis, temos direitos e deveres na polis, elegemos os governantes e legisladores da polis, podemos nos tornar candidatos nos pleitos eleitorais da polis etc. Conscientes ou não, somos seres políticos.

A IGREJA E A POLÍTICA

Qual o nível de envolvimento entre a igreja e a política? Tal questão tem dividido opiniões. Na prática, o que vemos são alguns se posicionando contra qualquer tipo de envolvimento, outros se envolvendo muito, e por fim há aqueles de atitude moderada, que tentam de forma sensata estabelecer limites e ética nesta relação. Esta última posição nos parece ser a mais sensata.

Como organismo espiritual que tem como cabeça Cristo, como regra de fé e conduta a Bíblia, como ministros homens por Deus vocacionados para cuidar do rebanho e pregar o evangelho, a igreja não pode se envolver com o Estado, nem tão pouco o Estado se envolver com os negócios da Igreja. A história nos prova que a troca de papéis sempre resultou em sérios problemas.

Existe, porém, a questão da igreja como instituição legalmente constituída, com deveres a cumprir perante o estado e direitos a usufruir do mesmo. É aí que deve haver um bom entendimento. Vejamos algumas questões à serem esclarecidas;

· A troca de favores políticos: É comum políticos oferecerem ou serem procurados por líderes religiosos, com o propósito de trocar favores. A coisa funciona da seguinte maneira: Você me consegue o voto e eu lhe fornecerei tijolos, areia, bancos, terrenos, e até dinheiro se for possível. É necessário analisar com cuidado esta situação. Precisamos estar bem cientes de que o poder público pode de modo legal e legítimo oferecer ajuda à igreja local, desde que via fundação ou outra instituição de natureza filantrópica, sem que isso implique em uma ação ilícita, uma vez que existe expedientes em que o governante direciona verbas através de parlamentares, para obras sociais ou de outra ordem. A liderança local deve conhecer a origem dos recursos, para não se tornar conivente com atitudes desonestas e criminosas.

· A indicação de candidatos: A Bíblia não prescreve acerca deste assunto. Fica por parte da liderança da igreja local, a responsabilidade de promover uma tomada de consciência política em seus membros, orientar sobre a importância do voto e do exercício da cidadania (politização), como também o de indicar ou não candidatos por ela apoiados. Alguns acham anti-ético a indicação de candidatos por parte da liderança da igreja, enquanto outros acham necessário visto o excessivo número de candidatos aproveitadores e oportunistas que surgem ano após ano, buscando na igreja. Diante de tais posicionamentos, deve-se buscar aquele que trouxer o melhor bem estar espiritual, moral e social para a igreja

· Políticos no púlpito: Esta é outra questão que deve ser bem entendida. O problema gira mais em torno dos políticos que não tem cargos na igreja, visto que presbíteros, evangelistas e pastores que exercem funções políticas têm livre acesso devido a sua função eclesiástica. Há líderes que enchem o púlpito de políticos, enquanto outros lhes negam o acesso até para um pedido de oração, agradecimentos, ou uma palavra de felicitação em razão de alguma homenagem ou festividade realizada na igreja. Diante de todas estas situações, é importante discernir sempre que possível, quando o acesso ao púlpito para um pronunciamento é resultado de um desejo expontâneo ou da intenção de mera “politicagem”.

· Manifestação pública de preferência pessoal: Um líder deve analisar, devido sua posição, todas as implicações de tornar público sua preferência pessoal por algum candidato, e de até tornar-se cabo eleitoral do mesmo. Qualquer exposição que venha causar um mal estar na igreja, comprometimento de sua reputação, etc. deverá ser evitada.

A declaração de que, como crentes não devemos nos ocupar com questões políticas, tendo em vista que Jesus está voltando (conformismo escatológico), é no mínimo ingênua, podendo beirar os limites da irresponsabilidade.

Temos cidadania celeste e terrena (Mt 5.13-14; At 16.37-38; 22.25-28; Fil 3.20). Essa dupla cidadania precisa ser vivenciada de maneira sábia, equilibrada e responsável.

Continua...

2 comentários:

sandre disse...

Pastor Altair,

muito bem explanada esta questão, pois alguns dias atrás, eu levei esta questão a minha congregação.
Dado ao fato da PL 122, a famigerada lei da homofobia.
Pois se somos "polis", devemos ter uma representão ativa, no estado para questões que podem interferir na vida diaria da igreja.
Pois a alienação da politica pode trazer consequencias graves a igreja.
e como temos visto a cristianização do estado gera politicagem.
Em suma todos devemos ser reflexivos quando o assunto é politica.
e orarmos e elegermos, representantes capazes, de ser uma voz ética, e cristã, junto ao Estado.
sempre separando bem as duas questões, sempre com uma visão de unidade e não como união.

Abçs
Sandre

José Rinaldo de Santana disse...

Graça e paz, pastor Altair, refiro- a trocas de papeis, entre a igreja e o estado ou vice-versa, tenhop visto muito isso na igreja e temo que aconteça como aconteceu com A Igreja Católica começou desenvolvendo no ano 251 D.C. foi apoiada pelo Rei Constantino Romano. Ela ficou crescendo e desenvolvendo até o ano 606 d.C. quando Bonifácio se tornou o primeiro para ser chamado o supremo Papa. Ela se tornou a religião do estado do Reino Romano e continuou crescer e aceitar todo tipo de idolatria e heresia. Quanto a politicos no pulpito,sou contra, tenho visto pastores conservadores que não aceita, irmãos que não são obreiros subir no pulpito para dar um testemunho, mas quando chega um politico na igreja não está olhando se ele é espirita, idolatra ou o que, coloca no pulpito e ainda dar oportunidade pra falar, enquanto muitos crentes na igreja passa anos e anos que não teem oportunidade para dar uma saudação