domingo, 8 de junho de 2008

ORAÇÃO E JEJUM PELA PÁTRIA - Subsídio para lição bíblica (01)


"O Brasil está enfermo". Com esta frase, o comentarista da lição 11, o pastor Claudionor de Andrade, inicia o seu texto introdutório. Sabemos que nossa pátria está enferma, mas, quais são as origens das enfermidades espirituais, morais, políticas, econômicas e sociais de nossa nação? É claro que neste espaço não temos condições de trazer uma resposta ampla e profunda. Faremos, contudo, uma breve análise dos fatos.

1. RAÍZES DE NOSSA HISTÓRIA

Uma investigação crítica da história, nos revelará de formar clara, as origens das enfermidades espirituais, morais, políticas, econômicas e sociais que hoje assolam nossa nação. Uma leitura do passado proporciona meios para se interpretar o presente.

a) Enfermidade Espiritual - Todos nós sabemos que a origem de todos os males espirituais é o pecado. É exatamente este pecado que afasta os homens de Deus, levando-os a promover e a multiplicar as enfermidades espirituais. A origem de nossa história, do ponto de vista espiritual, é bastante conturbada. Os elementos religiosos indígenas, africanos e europeus (portugueses) fundiram-se, e disto resultou uma nação mística, supersticiosa e idólatra.

A obra missionária dos jesuítas no Brasil, iniciada em 1549, foi motivada pelas seguintes questões: primeiro, visava expandir a instituição "Igreja Católica Romana", e em segundo lugar, combater o protestantismo que porventura viesse a querer se instaurar na colônia.

"Que todos os membros da Companhia saibam e tenham em mente, não somente nos primeiros dias de sua profissão, mas durante todos os dias de sua vida, que esta Companhia e todos os que a compõem estão envolvidos em um conflito a favor de Deus, mediante a obediência ao mui sagrado Senhor, o papa, e aos seus sucessores no pontificado. E embora tenhamos aprendido no Evangelho, e conheçamos pela fé ortodoxa, e firmemente professemos que todos os fiéis em Cristo Jesus estão sujeitos ao Pontífice Romano, como Cabeça e o Vigário de Jesus Cristo, não obstante, para maior humildade de nossa Sociedade, e a perfeita mortificação de cada um, e a abnegação de nossas vontades, consideramos ser muito útil tomar sobre nós mesmos, além do vínculo comum a todos os fiéis, um voto especial. Ele visa comprometer-nos de tal maneira, que tudo o que o atual Pontífice Romano e seus sucessores possam nos ordenar acerca do progresso das almas e da difusão da fé, nós seremos obrigados a obedecer instantaneamente até onde está em nós, sem evasivas ou escusas, indo para qualquer país ao qual ele possa nos enviar, seja entre os turcos ou outros pagãos, e até mesmo para as Índias, ou entre quaisquer hereges e cismáticos, ou entre quaisquer crentes, sejam quais forem. " (OLIN, 1969, p. 204-5 apud NOLL, 2000, p. 209-10)

b) Enfermidade Moral - Desde a corte portuguesa até ao mais pobre dos súditos, a imoralidade reinava. Traições, prostituições, adultérios, mentiras, roubos, orgias etc. são situações que foram narradas em obras literárias e cinematográficas.

"Ao mergulhar no cotidiano de uma sociedade marcada pela desigualdade, pelo desreispeito às leis, pelo uso do aparelho de Estado para a obtenção de benefícios pessoais, pelo clientelismo, pelo nepotismo e pela corrupção generalizada, o leitor poderá encontrar [...], a origem de algumas mazelas que, 450 anos depois, ainda minam o desenvolvimento do Brasil" (texto da contra-capa, da obra "A coroa, a Cruz e a Espada", de Eduardo Bueno.

c) Enfermidade Política - "A corrupção dos políticos é doença crônica que remonta ao Brasil colônia" (Olavo de Carvalho). A atividade política no início de nossa história, sempre procurou beneficiar a classe dominante. Nunca houve a intenção de uma melhor distribuição do poder.

Como já citado, é nas raízes de nossa história que encontramos o embrião de nossas mazelas e de toda a corrupção política atual.

Os políticos, através de vários mecanismos (inclusive a religião), precisavam domesticar os índios, para que estes servissem aos interesses do rei. A dominação e não a democratização do poder, dos bens culturais, da educação etc., estava em foco. Somente os poderosos e suas famílias eram beneficiados.

A relação entre Estado e Igreja Católica nasce também neste contexto:

"A decisão mediante a qual os reis da Espanha e de Portugal se tornaram “patronos” da expansão missionária em suas colônias não se mostrou isenta de problemas. A propagação da fé e as políticas coloniais passaram a entrelaçar-se de tal maneira que, muitas vezes, era difícil distinguir uma das outras." (BOSCH, 2002, p. 281)

"Como no Oriente, a expansão territorial e a missão evangelizadora estiveram juntas, misturando-se Estado e Igreja. Os jesuítas eram um instrumento da Coroa para a conquista. Nóbrega se comunicava diretamente com o rei e com os governadores gerais, como se pertencesse a um conselho de governo.
" (MOREAU, 2003, p. 85)

d) Enfermidade Econômica - Os portugueses não tinham interesse algum em desenvolver economicamente o Brasil Colônia. A mentalidade era apenas exploratória. Exploraram as riquezas naturais, exploraram e dizimaram os índios, exploraram e mataram os negros, exploraram a cultura etc. Não queriam investir, só queriam tirar. Não havia limites. Como bem colocou Darcy Ribeiro (2006, p. 35)

"Suas ciências eram um esforço de concatenar com um saber a experiência que se ia acumulando. E, sobretudo, fazer praticar esse conhecimento para descobrir qualquer terra achável, a fim de a todo o mundo estruturar num mundo só, regido pela Europa. Tudo isso com o fim de carrear para lá toda a riqueza saqueável e, depois todo o produto da capacidade de produção dos povos conscritos"

Hoje, diante dos nossos olhos, a história se repete.

e) Enfermidade Social - O caos social instaurado, com todas as suas contradições, é resultado direto das enfermidades já citadas. A injusta distribuição de renda (a pior do mundo) acaba sendo responsável pela falta de moradia, segurança, educação, assistência médica e de outros serviços, e necessidades básicas das camadas menos favorecida (miseráveis e pobres) da população.

A injustiça e a exclusão social, tão reprovadas pelo Senhor, se instauraram nestas terras, desde os primórdios de seu descobrimento, resultado das ações de nossos algozes e gananciosos conquistadores.

A reconstituição do processo histórico e civilizatório do Brasil é uma tarefa complexa, porém possível. Quando entendemos que a história não pode ser lida e percebida apenas com base nos documentos "oficiais" e nos testemunho dos conquistadores, avançamos no sentido de conhecer os fatos, livres de qualquer influência "ideológica" do poder estabelecido. As intenções por trás das ações, assim como as conseqüências de breve, médio e longo prazo destas ações, tornam-se assim, claramente conhecidas.

Concluo a primeira parte deste subsídio para a lição bíblica, citando mais uma vez Ribeiro (idem, p. 27): "Lendo-a (a história) criticamente, é que me esforçarei para alcançar a necessária compreensão dessa desventurada aventura."

As raízes de nossa história, nos revelam a grande necessidade de orarmos e jejuarmos por nossa pátria.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BOFF, Leonardo. Depois de 500 anos que Brasil queremos?. 3. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2000.

BOSCH, David J. Missão transformadora: mudanças de paradigma na teologia da missão. Traduzido por Geraldo Korndorfer; Luís Marcos Sander. São Leopoldo, RS: Sinodal, 2002.

BUENO, Eduardo. A coroa, a cruz e a espada: lei, ordem e corrupção no Brasil Colônia. Rio de Janeiro: Objetiva, 2003.

FREYRE, Gilberto. Casa grande & senzala: formação da família brasileira sob o regime da economia patriarcal. 50. ed. São Paulo: Global, 2005.

MOREAU, Filipe Eduardo. Os índios nas cartas de Nóbrega e Anchieta. São Paulo: Annablume, 2003.

RIBEIRO, Darcy. O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.

Um comentário:

Elisomar disse...

Não quero fazer apologia às religiões e, nem negar a falta de uma política socio-economica na melhoria do bem-estar do dos seus cidadãos. Mas vale salientar que os países da américa latina e continente africano, que foram colonizados por países europeus, predominantemente católicos, são os que tem o menor índice nas faixas de IDHS no relatório da ONU. Uma prova disso é o continente africano. O objetivo de seus colonizadores, sempre foi a exploração e a exclusão do povo das suas riquezas minerais. Gerando guerras civis, pobreza, miséria, etc. E muitas dessas estratégias, era manipuladas por chefes religiosos em nome de Deus.