terça-feira, 24 de junho de 2008

GANHANDO O MUNDO E PERDENDO A FAMÍLIA

O título deste post é inspirado no texto de Mateus 16.26, que na íntegra diz: "Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou que dará o homem em troca de sua alma?".

Na realidade, adaptando para as questões que abordarei, o texto ficaria assim: Pois que aproveitará o líder evangélico (e de outros segmentos) ganhar o mundo inteiro e perder a sua família?

Você conhece alguém que foi bem sucedido na vida profissional ou ministerial, mas que acabou fracassando com a família? Grandes empresários e péssimos pais e maridos, ótimos líderes institucionais e terríveis líderes em casa, sucesso na mídia e fracasso no lar, excelentes pastores e pregadores e faltosos apascentadores de seu rebanho imediato, é este o triste quadro que se contempla, resultado direto do ativismo ministerial já tratado no post "A Coisificação do Ministério Pastoral".

Estava numa Escola Bíblica para obreiros e escutei o testemunho orgulhoso de certo companheiro que dizia: "Meus irmãos, há quase um mês não almoço com a minha família, estou demasiadamente ocupado com a construção do templo sede". Uma grande demonstração de empenho na obra ou de falta de entendimento e sabedoria? Certamente muitos não tinham maldade em suas ações. Não previam as duras conseqüências a longo prazo. Pensavam estar fazendo um bem, quando de fato semeavam trágicas rupturas e seqüelas para a vida emocional e espiritual de esposa e filhos.

No culto de aniversário de outro companheiro , escutei uma de suas filhas declarar o seguinte: "Papai foi sempre ocupado com as coisas da igreja. Acordava e papai não estava, ia dormir e ele não tinha chegado ainda. Ele não teve tempo para nós (família)".

Milhares de filhos de pastores e líderes cresceram sem a presença do pai. Esposas viveram literalmente abandonadas pelo marido.

Os textos bíblicos abaixo, parece que não faziam muito sentido:

"O que realmente eu quero é que estejais livres de preocupações. Quem não é casado cuida das coisas do Senhor, de como agradar ao Senhor; mas o que se casou cuida das coisas do mundo, de como agradar à esposa, e assim está dividido." (1 Co 7.32-34a)

"Que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia, porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus?" (1 Tm 3.4-5)

O que existe de esposas e filhos revoltados com a igreja, pois acham que ela é a culpada da ausência do esposo e do pai, pode ser claramente percebido no semblante, no falar e na vida amargurada destas vítimas.

Um dado gravíssimo, é que o lar destes pais e maridos ausentes, quando de suas presenças, serviam apenas como lugar para o "descarrego" de todas as tensões, pressões e estresses ministeriais.

Muitos deixaram a igreja. Algumas esposas não vão mais aos cultos, são "crentes" em casa. Filhos se envolveram com drogas e com outras aventuras. Atos consciente sou inconscientes de protesto contra a ausência do pai.

Recuperar estes danos é tarefa demasiadamente difícil, embora não seja impossível. O melhor caminho é chamar a esposa, reunir os filhos e pedir perdão. Dizer o quanto estava equivocado, se humilhar e reconhecer o erro.

Para os que estão começando no ministério, fica o alerta. Alguém já declarou que os erros do passado (e do presente), podem ter utilidade pedagógica para que outros não os reproduzam.

Afinal, pois que aproveitará o líder evangélico (e de outros segmentos) ganhar o mundo inteiro e perder a sua família?

Pense nisto!

8 comentários:

santos disse...

Excelente comentário Pr. Altair...

Acrescente a isso o fato de a igreja dividir as famílias no culto, ou seja, adolescente senta com adolescente, jovem com jovem, tem o conjunto das irmãs, dos varões, o coral, a banda ou orquestra, enfim as famílias não assistem o culto juntas... além disso o dia que não tem culto tem ensaio de algum grupo, sempre tirando algum membro do seio da família....

Parabéns pela coragem em abordar o assunto e que Deus o abençoe...

semarsantos disse...

Concordo plenamente. Dou graças a Deus que me fez enxergar este perigo no início de meu ministério. Talvez pudesse ter ido "mais longe" ministerialmente, mas preferi ir mais de vagar e manter ao meu lado minha base, meu sustento emocional, meu ninho: minha família. Glória a Deus.

Elisomar disse...

Onde não há equilibrio há desordem e agrada a Deus o bom senso.
Ele fez tudo ordenadamente por sua sabedoria, e deseja que façamos tudo com decencia e ordem.

joao cruzue disse...

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Irmão Altair,

Passando para cumprimentá-lo pelo êxito em manter este Blog com um conteúdo cristão de muita qualidade.

Louvo ao Senhor pelos talentos que deu a você.

Entre tantos textos a escolher, passei para comunicar que esta mensagem sobre a família vai ser repercutido no espaço que destinamos para postagens especiais, cujo domínio asseguramos na web, não para uso pessoal, mas para os amigos que Deus tem colocado em nosso caminho.

www.blogueiroscristaos.blogspot.com

Um abraço forte e a paz do Senhor para o irmão, família, Igreja e amigos.

João Batista Cruzué

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COSME FERREIRA disse...

UM DIA DESSES, FAZ POUCO TEMPO. TIVE A OPORTUNIDADE DE MINISTRAR SOBRE FAMILIA. E NA OCASIÃO, ANTES DE EU MINISTRAR A PALAVRA, OBSERVEI NA NAVE DA IGREJA, ALGUNS IRMÃOS, ACREDITO QUE FOSSE A FAMILIA JUNTA, LOUVANDO AO SENHOR, FILHOS E PAIS. QUE COISA LINDA!!!
DEUS DISSE PARA NOÉ. NOÉ ENTRA TU E TUA FAMILIA NA ARCA.
ESTE É O GRANDE DESAFIO: COLOCAR OS FILHOS DENTRO DA ARCA. Á ISTO DEUS CONCLAMA, QUE O SENHOR CONTINUE ABENÇOANDO AO AMADO PASTOR. E NA VERDADE, PRECISAMOS DESPERTAR A LIDERANÇA PARA ESTE FOCO. FAMILIA UNIDA JAMAIS SERÁ VENCIDA.
ABRAÇOS PARA TODOS E FQUEM NA PAZ.

Atalaia disse...

Lembro-me de ter lido sobre um pastor responsável por ir preparar as cruzadas de Billy Graham, quando seu filho se trancou na biblioteca de sua casa, no dia de seu noivado, e chorou,chorou... porque seu pai não jogou bola com ele em sua infancia, não esteve presente nos momentos em que ele precisava da figura paterna, foi muito triste ler este testemunho.
A César o que é de César,
a Deus, o que é de Deus,
e à família o que é da família!

o senhor é a minha força disse...

Parabéns ao amado irmão pelo excelente comentário.Estamos vivendo momentos difíceis e
de crise ñ apenas financeira,mas familiar.Louvo a Deus que fez nascer
no coração do Pr. Altair este comentário.Como o lar
é uma extensão da igreja,devemos ganhar
a nossa família para declarar ao mundo com convicção"eu e a minha casa
servimos ao senhor".Creio eu,que qdo zombavam
de Noé enqto ele construia a arca,no seu coração ele dizia:"posso não
levar nenhum de vós nesta arca,mas a minha
família quando chegar o grande momento estará comigo."
Trabalho a algum tempo com famílias e nesta caminhada tenho
entrado em lares como a casa de Eli,famílias que
no templo louvam, se alegram e até dançam.Mas a hora de voltar
para casa e o pior momento.Na igreja até dizem
eu te amo,mas em casa mal se olham,todos estão preocupados demais,em preparar um sermão
eloquente,cantar bem no coral...,mas se esquecem do culto doméstico onde a primeiras
experiências espirituais acontecem.Que as nossas orações possam mudar o comentário e que
Deus em Cristo Jesus ,abençoe o amado irmão e o seu ministério.

PS Benevenuto disse...

Caro Pr.,

Alegro-me juntamente com os amados irmãos pelo fato de existir tal comentário à disposição de todos os que tem compromisso com a vontade do senhor.

Sempre desejei constituir uma família, desde os meus 18 anos, após passar por processo de alistamento militar.

Passei por um período de 5 anos nessa tentativa, e não fui bem sucedido. O Senhor me converteu aos 21 anos e a moça que comigo vivia se afundou mais ainda no império das trevas. A separação foi inevitável p/ nós.

Após aguardar três longos anos, conheci uma moça na igreja para a qual me tranferi.

Namoramos, noivamos, e casamos em 18 de junho de 2004. Em maio de 2005 nosso lindo filho nasceu. Nossa família estava sendo constituída, porém, enquanto ela (minha então esposa) buscava uma estrutura familiar, eu me afundava na obra. Fui de aux. de trabalho ao Diaconato e estava sendo preparado para o Presbitério e assumiria a liderança de nossa congregação. Exatamente como nos outros comentários, na igreja era uma bênção, em casa apenas discórdias, desencontros e falta de união. Crises sobre crises. Após quatro anos de casamento frustrado, minha esposa entra em depressão e eu sou então massacrado por sua revolta. Nosso filho... apenas sofre o clima. Quando ela se recupera da fase, eu, num ímpeto de seguir a caminhada em outra denominação por vários conflitos na em que estávamos, a abandonei para "seguir a vontade de Deus". Não me separei, mas fui em busca de outro lugar, enquanto ela ficava para trás e sem um companheiro de lar e de ministério. Por diversos motivos, a separação aconteceu. Dor, sofrimento, ódio, filho frustrado... 9 penosos meses de separação e conseqüências drásticas. Deus me faz cair na real. Tento de várias maneiras a restauração de nossa família. Ela... Apagada para qualquer esperança ainda estava em oração. Deus nos abre uma oportunidade e, neste último Domingo, na referida congregação em que iniciamos nossa vida a dois, pela manhã, o Senhor me leva a pedir perdão a seu pai, que me convida para ceiar à noite. Na Ceia, meu pedido de perdão aos pais e a ela. Ela, me perdoou e nos reconciliamos de uma forma gloriosa e aos prantos. Agora, como recém casados, lutamos por dias seguidos de renovação de aliança e eu ainda luto para me desligar de um ministério que assumi vários compromissos, para me dedicar primeiro à minha base e para que um dia o Senhor nos use, juntos e entrelaçados. Aguardamos a audiência da justiça para renunciarmos o divórcio que já está em andamento e após isso uma renovação de votos. Que esse testemunho seja adicionado ao tema, pois o Senhor teve misericórida de mim e me concedeu nova oportunidade quando tudo parecia estar no fim.

Paz de Cristo a todos.