terça-feira, 3 de junho de 2008

ESCOLA DOMINICAL - GESTOR TRADICIONAL x NOVO GESTOR


Os tempos mudam e trazem novos desafios para os Líderes (dirigente ou superintendentes) de Escola Dominical. Em nosso atual contexto, se espera de um dirigente (a partir de agora chamado de gestor de ED), uma nova postura e dinamismo. Trazemos abaixo uma breve comparação entre o Gestor de ED Tradicional (já ultrapassado) e o Novo Gestor de ED (contextualizado).

1. Exercício da autoridade

Autoritário. Esta palavra resume a postura de um gestor de ED que encarna a autoridade e a função de chefe na perspectiva tradicional. Tal gestor, geralmente é retrógrado e perpetuador da tradição. Sua liderança se baseia apenas no cargo e na autoridade que este lhe concede. Espera-se do Novo Gestor de ED, alguém que faça as coisas acontecerem através dos outros, sem precisar usar sempre o sistema de imposição. Ele é um líder facilitador.

2. Postura no trabalho

A Gestão Tradicional valoriza a burocracia e os regulamentos. Não ousa, não inova, não cria. É reprodutora de idéias sem a mínima criticidade. Neste tipo de gestão as regras e normas existem para serem cumpridas de forma absoluta e indiscutível. Na Nova Gestão, a inovação, a administração por projetos e a criticidade ganham espaço, tornando possível desta maneira a ED se contextualizar dentro da nova realidade pós-moderna, sem, contudo se secularizar.

3. Uso da responsabilidade

O Gestor Tradicional é extremamente centralizador. Por sentir-se o único responsável pela ED, não distribui tarefas nem gosta de trabalhar em equipe. Acaba acumulando muito serviço e tornando-se um empecilho para o avanço das atividades. Tem medo que o serviço seja mal feito pelos outros. O Novo Gestor coordena trabalhos em equipe. Sempre está em busca de novos talentos, de pessoas que possam cooperar no planejamento, organização, direção e controle das tarefas. Ele divide as responsabilidades, e dá suporte para os seus liderados.

4. Tomada de decisão

O Gestor Tradicional de ED decide só. Não escuta ninguém, não considera opiniões e ponderações, é absoluto, dono do poder. Só ele sabe, entende, conhece e está certo. Na Nova Gestão, a decisão é compartilhada. Os liderados (vice-dirigente, secretária, professores e docentes) são incentivados a trazer para as reuniões sugestões, idéias, observações. Todos são ouvidos. A discussão é aberta e franca. O que prevalece não é de onde quem as idéias partem, mas sim, a qualidade e funcionalidade das mesmas. Ele é um facilitador da decisão do grupo, sem com isso perder a autoridade e a liderança.

5. Desenvolvimento de recursos humanos

O Gestor Tradicional de ED não investe no desenvolvimento dos liderados. Não investe na formação continuada dos professores. As coisas antecedem as pessoas. Não percebe nos indivíduos o grande patrimônio da escola. O Novo Gestor de ED tem como prioridade a criação de condições para estudos e aperfeiçoamento de seu pessoal. Ele é um incentivador de projetos de recursos humanos. Fica feliz quando percebe as pessoas felizes e realizadas.

6. Consciência da missão institucional

Na perspectiva tradicional, o Gestor de ED é um mero determinador de propósitos e metas. Ao contrário deste, o Novo Gestor de ED é agente promotor e incentivador de encontros coletivos para a reavaliação do papel da ED, onde todos são envolvidos. O plano político-pedagógico é construído a partir da participação democrática daqueles que fazem a ED, sempre se buscando em oração a vontade e direção de Deus.

Conclusão

Pode-se perceber na análise acima, que muitos dos atuais gestores de ED estão presos nas amarras da Gestão Tradicional, do tipo “eu aprendi assim, vou viver assim, vou morrer assim, sempre...”, não conseguindo desta maneira, cooperar na construção de uma ED que possa atender as reais necessidades dos seus alunos e enfrentar os desafios da sociedade do conhecimento.

É urgente uma mudança de mentalidade, uma tomada de consciência que só virá com a exposição clara do quadro caótico que se vivencia em nossas ED’s.

Não precisamos de investimentos apenas em estruturas ou em recursos tecnológicos. É preciso investir no treinamento, na capacitação, na formação continuada dos gestores, pessoal de secretaria e docentes. Mudar a aparência externa das escolas e investir nas coisas, sem mudar a mentalidade dos gestores e investir nas pessoas, é pura maquiagem, é mera hipocrisia, fruto de um sistema de educacional cristão falido e obsoleto, que em nada contribui para o crescimento do Reino e para a maturidade espiritual dos seus alunos.

3 comentários:

Elisomar disse...

É claro que um investimento no corpo físico da Escola é muito bom, porque desenvolver uma boa aula sem um suporte não é fácil. No entanto, é muito mais difícil trabalhar com pessoas retrógradas que não fazem nada pra mudar e ainda acham que é desnecessário ou perda de tempo fazer algo para melhoria do ensino. Unindo essas forças teremos a escola ideal para o engrandecimento do Reino de Deus.

Zwinglio Rodrigues disse...

Muito bom o seu texto pr. Germano.

Eu sou um crítico das EBD(s) que conheci e conheço exatamente por causa dessa "incapacidade" dos gestores de não se darem ao trabalho de tornar a EBD em um

momento prazeroso,

interacionista,

que promova a criticidade,

que desloque o aspecto

sujeito (professor) <-----> objeto (aluno)

para professor <-----> aluno,

aluno <-----> professor

como

sujeitoS do processo ensino
aprendizagem...

Um grande problema que tenho notado, inclusive nas Escolas de Líderes do M12, é um completo despreparo dos professores.

Nota-se com tranquilidade que eles são desprovidos de um conhecimento

didático-pedagógico adequado -quando quase nenhum -,

eles são despreparados quanto à aplicação de uma

avaliação longitudinal, consistente...

não sabem planejar uma aula,

não têm objetivos bem delineados - não sabem onde querem chegar,

etc.

A coisa é feia!!!

Até nos seminários, se vê professores titulados, mas despreparados para a ação docente...

A Igreja precisa investir no ENSINO. Esse é o segredo para se ter saúde espiritual.

Não pode ser qualquer um da comunidade local que deva assumir as classes de estudo.

É igual o caso dos professores de crianças. Não sei qual a experiência que o colega tem, mas eu já cansei de ver líderes se dirigirem à congregação e perguntar quem gostaria de trabalhar com as crianças... Aqueles que tivessem o interesse era só procurá-los.

Aí o que era feito?!!

Sem treinamentos específicos, sem uma observação a respeito das habilidades e competências dos voluntários, a liderança chegava a jogava a "bomba" no colo dos irmãos de boa vontade, mas "ingênuos".

Sempre me pareceu uma busca por se livrar de um problema.

É isso.

Elisomar disse...

O que o irmão Zwinglio falou é uma verdade. Não é só escolher alguém e mandar fazer pra livrar-se da responsabilidade. E isso a gente ver constantemente, até porque quem sabe fazer muitas vezes não quer. O ideal seria orar para que Deus oriente na escolha, e depois desta feita incentivar o professor a buscar sempre mais conhecimento.