segunda-feira, 16 de junho de 2008

A "COISIFICAÇÃO" DO MINISTÉRIO PASTORAL

Um fenômeno tem preocupado aqueles que de maneira crítica, lançam seus olhares sobre a prática pastoral na igreja evangélica brasileira. Falo da "coisificação" do ministério pastoral.

Pastor virou "gestor". O pastor não dedica mais o seu tempo para cuidar de pessoas. As coisas e os negócios da igreja se tornaram prioridades.

O tempo que deveria investir em oração e na leitura devocional da palavra (relação pessoal de comunicação com Deus), e na visitação (relação pessoal de comunicação com os santos), é empreendido agora na administração dos negócios, no acompanhamento das contas, nas visitas às construções e em outras vária atividades impessoais.

Falo principalmente dos pastores de tempo integral (e neste caso me incluo). O tempo do pastor de "tempo integral", não é mais tempo integral para ser pastor. O pastor é superintendente de órgãos e departamentos, professor do seminário, presidente ou membro de conselhos, comissões e convenções. No caso de pastores que dividem o tempo entre trabalho secular, família e igreja, o tempo dedicado para esta última, deveria ser totalmente aproveitado para a atividade exclusivamente pastoral.

O pastor pode exercer as funções acima descritas, o que não dá é torná-las prioridade ministerial. Nos casos mais extremos, os pastores que produzem mais em outras atividades, sem ser as atividades pastorais junto a congregação, deveriam se (ou serem, no caso de pastores auxiliares) afastar destas, para dedicarem-se inteiramente aquelas.

Amado companheiro e pastor de tempo integral, no que estás envolvido neste exato momento? Estás dedicando tempo para si mesmo e para a sua família? Estás atendendo no gabinete pastoral? Fos-te fazer algumas visitas aos enfermos? Estás na busca de alguma ovelha perdida? Fos-te realizar uma cerimônia fúnebre? Estás orando, lendo ou estudando a Bíblia para se alimentar e prover alimento para o rebanho? Estás envolvido em atividades evangelísticas?

Ultimamente, a relação pessoal (se assim pode ser chamada) entre muitos pastores e as igrejas que pastoreiam (ou administram), limita-se aos contatos na escola dominical, no culto dominical e nos cultos de ensino bíblico (ou de doutrinação).

Entendo que parte deste grande problema é uma questão econômica. Para que pagar (ou contar com a ajuda voluntária) de diáconos ou outros membros para tratar dos negócios administrativos (das coisas), quando se pode explorar os pastores, e dessa maneira, economizar alguns reais dos cofres da igreja?

Penso ser também uma questão de reprodução de um modelo centralizador e clerical, onde o pastor é o detentor de todos os saberes e habilidades, o único apto, capaz e vocacionado para o exercício com excelência de todos os dons espirituais e ministeriais. Pobre e medíocre visão.

Precisamos de um ministério pastoral mais humanizado e menos coisificado. Para isto é necessário descentralizar as tarefas e rever as prioridades do ministério pastoral no atual contexto da igreja evangélica brasileira.

11 comentários:

Elisomar disse...

Também acho pastor,
a igreja tem outras pessoas capazes de realizar algumas obras. E essa exclusão tem causado até ciumeira no meio do ministério, porque poucos têm muitos ofícios, enquanto muitos têm pouco. Isso acaba sobrecarregando uns, e deixando outros "ociosos"e chateados.

Victor Leonardo Barbosa disse...

concordo plenamente pastor Altair...e o pior é que este tipo de visão feita para poupar os cofres "reais" de dinheiro...acabam virando gestores e não somente isso, acabam por detonar com pessoas vocacionadas para estas atividades, que muitas vezez gastam tempo precioso na obra mas não são reconhecidos.

sandre disse...

Bem ponderante, esta postagem Pastor Altair.
Pois muitos pastores, não tem tempo de nada mais, a não ser a administração da "coisa".
Conheço pessoas que não nenhum tipo de relação com o seu próprio pastor exatamente porque ele não tem nenhum tempo, para ao menos ter uma minina conversa com suas ovelhas.
Uma triste realidade da igreja "moderna".

Abçs
Sandre

Pr. Carlos Roberto disse...

Caro Pastor Altair!
Parabéns pela abordagem sincera e transparente do seu artigo!
Creio que todos vemos e sentimos essa situação, porém, o nosso sistema eclesiástico brasileiro de administração, engessa qualquer mudança.
Só muita oração e graça para suportar a pressão.
Deus nos ajude!

ALTAIR GERMANO, disse...

Elisomar, além destas dificuldades, algumas pessoas "capazes" acabam por se recusar a assumir compromissos sobrecarregando esta minoria atuante.

Paz do Senhor!

ALTAIR GERMANO, disse...

Amado Victor, apesar das injustiças, creio que os vocacionados e chamados por Deus, a seu tempo, ocuparão as funções e realizarão o trabalho para qual o Senhor os vocacionou e chamou.

Um abraço e a paz do Senhor!

ALTAIR GERMANO, disse...

Nobre Sandre, como pastor enfrento as dificuldades expostas no post. É claro que existem vária situações distintas.

No meu caso, tenho certeza que o Senhor me tem aberto portas para servir ao Reino de uma forma mais abrangente, não falo de me ocupar com coisas em si mesmo, mas de atividades que resultarão num bem maior para as pessoas.

Enfrento o dilema de ser pastor de congregação e de exercer outras atividades. Converso freqüentemente com Deus e com o meu pastor presidente, falando que todas as minhas atividades estão a disposição para serem passadas para outros, na medida em que alguma área esteja sendo prejudicada.

O tempo para ouvir as ovelhas é fundamental e não deve ser negligenciado. Todas as alternativas devem ser criadas e disponibilizadas pelo pastor.

Paz do Senhor!

ALTAIR GERMANO, disse...

Amigo Carlos Roberto, haja oração.

Precisamos urgente de uma Reforma geral no "sistema", pois entendo que as "coisas" estão fugindo do controle e as conseqüências podem ser terríveis.

Paz do Senhor!

Elisomar disse...

Existe também o problema de quem pode não querer realizar a obra, como foi citado. Então nesse caso, é orar e pedir sabedoria a Deus para desempenhar bem os talentos, produzindo muito mais. Pois com certeza, não será em vão seu trabalho.
Paz do Senhor

Paulo Silvano disse...

Caro pastor Altair,
É recreio para o coração ler essa sua declaração:"Precisamos de um ministério pastoral mais humanizado e menos coisificado".

Bem disse Eugene Peterson que a função primordial do pastor é ensinar a sua congregação a orar. Creio que oração envolve essencialmente relacionalidade Vertical e horizontal.

Carecemos urgentemente migrar de uma igreja com ênfase institucional para uma igreja com ênfase relacional.

um abraço
Paulo Silvano

Matias Borba disse...

Paz do Senhor Pastor.

Um ótimo tema abordado, é um tema pra escola biblica de obreiros.
Se o evangalho é feito por pessoas e em beneficio para as mesmas, creio que não se deve um obreiro preocupar-se mais com as obras do que com as pessoas, as ovelhas, pois Jesus deixou um trono de glória pra morrer por nós dando um grande exemplo pra que nos fizessemos igual priorizando as pessoas.
Hoje infelizmente como ja foi falado, alguns pastores não tem tempo pra atender as pessoas, não visitão os irmão estejão eles com algum problema ou não, se precisar de uma ajuda espiritual alem da oração como por exemplo um aconselhamento isso não é feito se voce quiser o telefone dele pra um possivel contato ele se nega a dar e quando dá parece fazer isso forçadamente, se algum menbro precisar de algum medicamento as vezes tem que quase implorar pra ter, se precisar de algum dinheiro pra se sustentar ou apenas comprar alimento pra sua familia (quando a pessoa realmente não consegue trabalho nam uma renda pra isso)ele não consegue essa ajuda, etc.

Ai eu fico me perguntando, será que esses pastores tem idéia do quanto é serio cuidar do rebanho do Senhor? Será que eles tem a ideia exata de que um dia Deus irá cobrar SERIAMENTE deles o cuidado com o rebanho? Será que as contas ds igreja é mais iportante para se administrar do que cuidar de pessoas como Jesus nos ensinou? ou será que apenas o cargo de pastor ou obreiro é um mero cargo com istátus de tal obreiro? Jesus nos ensinou um tipo de evangelho que na minha opinião ta muito distante de muita coisa hoje no meio dos evangélicos, espero que as pessoas se consscientizem disso.

Deus nos ajude...