quarta-feira, 14 de maio de 2008

UMA QUESTÃO DE CONVENIÊNCIA


Você já percebeu que o silêncio da Bíblia, ou a sua falta de clareza em alguns assuntos, faz com que muitos a interpretem de acordo com o que lhe é conveniente (eisegese).

Como exemplo, podemos citar o caso dos que argumentam que pelo fato da Bíblia não prescrever a ordenação de pastoras, as mulheres não podem assim serem ordenadas ao ministério pastoral.

O que estou afirmando, é que este argumento por si só, não é suficiente para validar esta posição.

Muitos dos que se fundamentam no silêncio da Bíblia ou de uma maior especificidade de sua parte na defesa de sua posição contrária ao ministério pastoral feminino, usam o mesmo argumento do silêncio ou falta de especificidade para defenderem as seguintes posições:

- A aprovação do planejamento familiar
- A introdução da dança e das palmas nos cultos no templo
- A proibição do uso de adornos pelas mulheres
- A proibição do uso de barba pelos homens
- A proibição do uso de televisão

Dessa forma, quando o silêncio da Bíblia é conveniente, algumas práticas são aprovadas e outras não.

É recomendável em todos os casos, que a aplicação dos princípios de interpretação (exegéticos e hermenêuticos), estejam fundamentados nos textos que tratam do tema em questão, de forma direta ou indireta.

Fundamentar uma argumentação no que não está escrito é perigoso.

Se não adotarmos tal postura, as discussões acabarão sempre esbarrando no velho jargão:

"A Bíblia não aprova, mas também não condena".

5 comentários:

blog do maestro disse...

Prezado Pr Altair, acompanho diariamente seu blog e tem sido uma rica fonte de reflexão, todavia, tenho estranhado a super-exposição do tema relacionado ao ordenamento de mulheres e a postura atual de criticar (ou entrar em desacordo), mesmo que veladamente, a postura histórica e tradicional de sua denominação.
Acho que o sucesso de sua Igreja, além do evidente agir de Deus através dela para proclamação do Evangelho e libertação de vidas, é a manutenção de seus princípios, diferente do curso atual deste mundo e da guinada que outras igrejas têm dado, teologicamente, social e estruturalmente falando.

ALTAIR GERMANO, disse...

Nobre irmão Silvio Araújo, em primeiro lugar gostaria de lhe agraceder pelas palavras de incentivo.

Quero esclarecer que minha insistência com o tema ministério pastoral feminino, é decorrente do desejo de ver o debate mais aberto, pois muitos de nossos líderes e companheiros concordam com a ordenação de pastoras, mas receiam expor sua opinião.

Enquanto o debate aberto não acontece, em algumas Assembléias de Deus no Brasil, pastoras estão sendo ordenadas, mesmo indo de encontro as resoluções de nossa convenção.

Concordo plenamente com a manutenção dos "princípios bíblicos" da denominação que faço parte.

Um abraço!

sandre disse...

Pastor Altair,

acho muito importante a exaustão de debates e exposições sobre estes temas.
Como ordenação feminina,
planejamento familiar, algo muito importante no mundo extremo em que vivemos hoje.
usos e costumes.
O pastor Ricardo Gondim, em seu livro "O que a igreja proíbe e a bíblia permite, discute alguns destes temas de conveniência.
é de suma importância que eles sejam debatidos a exaustão nos dias de hoje.
Pois a realidade sócio-cultural da sociedade brasileira, muda constantemente, e a igreja deve estar prepara para ter uma visão bíblica/cristã, sobre estes e outros temas.
Eu respeito a tradição de minha igreja Assembléia de Deus, mas o paradoxo entre a realidade de pensamento simplista/tradicionalista e uma visão global de um sistema de coisas capitalista e de super exposição, como cada vez mais tem sido os valores da sociedade.

O mundo jaz no maligno, e nós como cristãos devemos colocar sempre na mesa de debates todos estes assuntos.
A liderança evangélica brasileira, muitas vezes sonolentas e divididas, em relação a assuntos que muitas vezes não parece importante, mas que merecem uma atenção especial.

É o momento importante como agora, ter assuntos como estes que podem fazer uma igreja forte para defender os princípios bíblicos de uma sociedade cristã sadia.

Elessandre/ São Paulo
http://sandre-escritos.blogspot.com/

Elisomar disse...

Este é um assunto que até Jesus voltar, e ter crentes tradicionais na terra, não vai parar. Não sou a favor da abertura total dos costumes da nossa denominação, até porque era necessário uma educação prévia para que o povo pudesse diferenciar liberdade cristã da libertinagem mudana. Mas, dizer que o uso de adorno como um brinco de pequena pedra, tiraria de nós o direito que nos foi outorgado na cruz, é um absurdo! Talvez tirasse mesmo a nossa identidade assembleiana(pelo menos aqui no Nordeste). A Bíblia fala dos adornos que as mulheres judias usavam, e não trata como pecado. Agora, se um brinco me faz tropeçar, claro que não vou usá-lo, mas também não posso julgar outros pelo que eu acho.

Zwinglio Rodrigues disse...

Às vezes me parece que Jesus Cristo perdeu o controle amplo e total de Seu Corpo.

É essa mensagem que alguns líderes me transmitem quando opõem-se à legitimação de mulheres ao ministério pastoral, apostolar...

A aceitação dessa investidura é uma realidade franca e corrente na vida da Igreja -refiro-me ao Corpo e não às denominações que não são o Corpo, pois elas, quer queiram, quer não, estão contaminadas com as condenadas tradições humanas-.

Não vejo sinais de arrefecimento!

Mas, vejo cada vez mais líderes sérios compreendendo e aceitando o ministério feminino em questão.

Isso, fortalece e dá mais respaldo à prática de ordenação de mulheres.

Há um sinal de Deus claro para mim nessas adesões por parte de homens íntegros e de vida cristã autêntica e comprovada.

Não que não haja subsídios bíblicos suficientes para admitirmos mulheres pastoras, apóstolas.

Muito pelo contrário.

Suscitam dúvidas quanto à JÚNIA ou JÚNIAS, por causa de CONVÊNIENCIAS.

O pesquisador Peter Lampe, em suas pesquisas, não encontrou no mundo antigo o nome JÚNIAS. Em contrapartida, o nome JÚNIA, ele encontrou por 250 vezes.

João Crisóstomo (século IV e V) reconhece JÚNIA e não JÚNIAS.

O teólogo liberal Bart Ehrman, ACUSA certos tradutores e certas traduções de preferirem (CONVENIÊNCIAS) a JÚNIAS exatamente para não admitirem uma prova escriturística do ministério feminino.

Traduções como a EC, NTLH, KJV, BJ e a ARC trazem o feminino JÚNIA.

De fato, não há um texto tão OBJETIVO quanto esse que pode fazer silenciar os críticos.

Por isso, grandes esforços exegéticos (eisegéticos?)ao empreendidos para admitir-se o masculino JÚNIAS (inexistente no mundo antigo?).

É por isso também que muitos tentam minimizar a questão dizendo que o texto de Rm 16:6 é obscuro, incerto, incompreensível... um alicerce perigoso (em sendo um texto INSPIRADO -- mas, para alguns perigoso)... ao invés de entrar no debate objetivo e desprovido de pressupostos históricos-tradicionalistas.

O Dr. Hendriksen, de linha reformada, conclui que tanto Andrônico, como JÚNIA (o feminino aqui é por minha conta), são de fato CHAMADOS de APÓSTOLOS.

E assim concluem muitos outros intérpretes.

Portanto, que ninguém venha com essa conversa de que o texto bíblico em questão não chama os sujeitos alistados de APÓSTOLOS porque isso evidenciará apenas mais uma atitude de medo e de preconceito-denominacionalista.
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Caro colega Germano,

o irmão está certo quando propõe esse tema:

"Questão de CONVENIÊNCIA",

porque o que ocorre com a não aceitação do ministério feminino é exatamente uma

"Questão de CONVENIÊNCIA",

nada além disso.


Abraços em todos!!!