quinta-feira, 22 de maio de 2008

O LOUVOR QUE CHEGA AO TRONO DA GRAÇA - Subsídio para lição bíblica (02)


Quero sugerir ao nobres professores de ED, que iniciem a lição de domingo falando sobre a história da música à luz da Bíblia. Um link interessante sobre o o assunto é o MÚSICA NA BÍBLIA.

Penso que a grande questão em debate estará girando em torno do que é "música sacra" e "profana". Os links abaixo ajudarão na exposição:

- EXISTE MÚSICA SACRA?
- MÚSICA CRISTÃ, SAGRADA OU SECULAR?
- Música: Explicatio Textus, Prædicatio Sonora

- ALGUMAS QUESTÕES PRÁTICAS

Gostaria de levantar a seguinte questão: existe nas Assembléias de Deus no Brasil, uma posição unânime, acerca do que caracteriza uma música como sacra ou profana? Observemos as seguintes questões:

1. O que leva uma música a ser considerada sacra? O ritmo, a letra, o compositor, o cantor, o propósito, a origem etc?

2. Em nossas igrejas (assembleianas), o forró e o bolero são estilos musicais aceitos, enquanto o rock, o frevo e o samba são rejeitados.

3. Nosso corais cantam composições de grupos musicais tidos por seitas ou heréticos (ex: Prisma, Voz da Verdade etc.), onde o povo é "tocado", "as almas" se convertem e o "fogo" cai.

4. A Harpa Cristã possui hinos, cujas músicas são originalmente "hinos oficiais" ou parte da cultura popular de alguns países.

5. Alguns cantores evangélicos fazem grande sucesso com letras e músicas compostas por pessoas não-crentes.

6. alguns cantores não-evangélicos fazem grande sucesso com letras e músicas compostas por crentes.

A esta altura você deve estar um pouco "tonto" com estas informações. Realmente não é tarefa muito fácil lidar com esta problemática musical.

- O DIABO E A MÚSICA

Existem ritmos musicais que podem ser criados pelo Diabo? Minha resposta, é que sim! Quais são? Minha resposta, é que essa pergunta exige pesquisa.

Com relação ao ponto de vista teológico, a única dificuldade com a palavra "criar" é se ela significar "criar do nada" do hebraico "bara'", uma vez que somente Deus tem poder para tal. Caso contrário, das coisas já criadas, os homens e inclusive o diabo pode "criar" algo (criação literária, artística, musical, etc.).

Uma composição ou estilo musical, pode ser "criada" pelo Espírito Santo, pelo Diabo ou pelo homem. Acredito que, se nossos compositores e músicos orassem mais, o Espírito de Deus os inspirariam na criação musical. Por que é, que sempre temos que pegar carona nos estilos musicais que nascem no "mundo" (rock, funk, olodum, regae etc.), associados sempre às práticas ocultistas, espíritas, demoníacas, satanistas, sensuais, libertinas, etc., para em seguida incorporá-los na adoração a Deus?

- SALMOS, HINOS E CÂNTICOS ESPIRITUAIS

Acredito que os salmos, hinos e cânticos espirituais dos quais a Bíblia fala (Cl 3.16), nascem no coração de Deus e são comunicados aos seus filhos pelo Espírito Santo. Não quero assim afirmar, que Deus não considera de alguma forma certos elementos "culturais" de uma sociedade, desde que tais elementos não tragam uma carga espiritual ou cultural que firam a sensibilidade do Espírito e que não promova escândalo para a Igreja.

- HINOS PARA A IGREJA E HINOS PARA A "EVANGELIZAÇÃO", "SHOW GOSPEL" etc.

Muitos, buscando um conciliação entre os vários pontos de vista sobre a questão da música cristã evangélica, passaram a classificar algumas músicas de "música para Igreja", e outras, como "músicas para outros espaços" ou "eventos gospels". Cabe aqui cabe também, a designação de "música de adoração" e "música de evangelização" (nesta última, vale tudo, desde que almas sejam ganhas). Os fins justificam os meios? Tira o pézinho do chão!!!

- HINOS CRISTOCÊNTRICOS E ANTROPOCÊNTICOS

Para quem catamos? Creio que é para o Senhor! O Senhor pode falar profeticamente através da música, exortando, consolando e edificando? Claro que sim! O que se percebe, é que cada vez, canta-se menos para o Senhor e mais para os homens. Receba a benção, receba a vitória, pare de sofrer agora etc. Este tipo de música é boa de vender no mercado gospel. Os compositores, cantores, gravadoras e produtoras sabendo disto, deitam e rolam.

- MÚSICA, MÚSICO E TEOLOGIA

O tema é bastante vasto. A lição aborda também, a pessoa e as qualificações teológicas e morais de um músico e adorador verdadeiramente cristão. A qualificação teológica ajuda a se evitar as barbaridades (heresias) que vemos em algumas letras musicais, do tipo 500 graus de puro fogo santo e poder, quero me apaixonar, um anjo serei etc.

Músicos e adoradores precisam também andar em integridade e sinceridade diante do Senhor. A advertência de Mt 7.15-23 também serve para os falsos profetas da música, falsos cantores, falsos compositores, falsos empresários da fé etc.

- CONSIDERAÇÕES FINAIS

Entendo que uma música sacra (sagrada, venerável e respeitável), que promove o louvor que chega ao trono da graça, possui as seguintes características:

a) Nasce de um coração regenerado, puro, sincero e jubiloso (Sl 95.1; Mt 15.8; )
b) Nasce com um propósito santo (Sl 66.2; 101.1)
c) Em tudo glorifica a Deus (1 Co 10.31)
d)Seus elementos: ritmo, melodia, harmonia e letra, não estão dissociados de seu contexto cultural, não agridem a cultura coletiva da igreja, nem ferem os princípios bíblicos cristãos (1 Co 10.32)
c) Contribui para a ordem e a decência do culto cristão (1 Co 14.40)

Por fim, nossa recomendação, é que "segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento" (1 Pe 1.15). Isto inclui também, a nossa maneira de louvar ao Senhor!

8 comentários:

Elian Designer disse...

Paz, Pr. Altair!

Realmente é um tema polêmico.]

Bom, minha opinião é que o ritmo é amoral - quem dá a conotação boa ou má é seu compositor, de acordo com seu modo de ver e pensar. Quanto à letra, creio que se deve levar em consideração o seguinte: o cantor é cristão? As letras estão em conformidade com a palavra de Deus?

O que mais me deixa indignado é que a maioria dos que julgam os ritmos como sendo de Deus ou do diabo, sempre ignoram que o forró tem sido o ritmo preferido dos "hinos de fogo", "hinos inspirados". O amado pastor até salientou a preferência assembleiana pelo forró e pelo bolero.

Temos que lembrar que o forró sempre trouxe nas suas entranhas o subgênero Duplo Sentido.

Forró de duplo sentido também chamado de forró safado, é um subgênero musical variante do forró no qual as letras das músicas exploram mais de um sentido para uma certa palavra ou conjuntos de palavras. Usualmente, os duplos sentidos tem orientação sexual, embora tratados de maneira jocosa. (wikipédia)

O Duplo Sentido são letras que usam ambigüidade da colocação das palavras em concordâncias pouco usual para mudar o sentido e situações para colocando em situação de ridículo: pessoas, situações e costumes ortodoxos.

Observo, porém, que, além da falta de sintonia das composições com a palavra de Deus, a forma como os "artistas gospel" tem apresentado a música tem sido um agravante nesse contexto - em nada se diferencia com a maneira do mundo exibí-la - é um show, um espetáculo que enaltece a banda ou o cantor. Aliás, existe Popstar tanto na música quanto na pregação e o comportamento de grande parte dos evangélicos é o mesmo: relação de ídolo e idólatras; de artista e fã! Eles aparecem muito mais do que JESUS. Aliás, Jesus perdeu seu espaço em muitos corações há muito tempo.

O que vejo é que as pessoas têm a facilidade de julgar algo pela sua preferência pessoal/regional (por exemplo, o nordestino tem simpatia pelo forró, pelo bolero, pelo "brega"). No entanto, apesar da minha opinião a respeito de ritmo, principalmente dentro de um templo, eu prefiro ouvir Vitorino Silva cantando a ouvir Oficina G3.

Daladier Lima disse...

Gostaria de deixar três colocações: 1) No post sobre missões, que disponibilizei recentemente no meu blog, o missionário Ronaldo Lidório destaca que certos toques de tambor em Gana, invocam espíritos malignos. Essa informação foi-lhe repassada por um feiticeiro. Uma de nossas igrejas recebeu uma visita de um endemoninhado, enquanto um grupo de percussão estava tocando. Ele dizia: Vim aqui porque fui chamado!;
2) Determinados hinos cantados em nossas igrejas são canções populares de outros países. O exemplo mais marcante é Yerushalaim Shel Zahav, uma conhecida canção popular judaica;
3) Por que o hino cujo refrão diz: Lá vem Faraó..., de Shirley Carvalhaes, desperta glórias e aleluias do público? E em hinos como Celebrarei a Ti ó Deus do meu viver, de Aline Barros, o povo, geralmente, não diz nada?

Euller.Monteiro disse...

Pr Altair, muito bom título este para o nosso debate.

Bom gostaria de colocar mais um ponto para análise, (sabendo que muitos irmãos com bom conhecimento de diversas areas irão participar), já ouvi dizer (creio que seja verdade) que muitos dos hinos do cantor; harpa; hinário evangélico, já foram músicas que tiveram origem em locais e propósitos não tão santos, pois em muitos foram usados melodias que se tocavam em cabarés e bohemias da europa.
Hoje são consideradas "santas" por muitos, más será que se estivéssemos vivendo a realidade de quando foram criadas não as estaríamos condenando igualmente condenamos muitos rítmos hoje?
Eu também não concordo com muitos dos ritmos usados hoje, más será que não estaríamos nos opondo e conbatendo contra estes ritmos igualmente foram combatidos os rimtos hoje aceitos más dantes conbatidos por muitos de suas épocas?

Agora seria interessante fazer parte deste debate um bom historiador evangélico, para nos ajudar, pois temos que ver tambem o momento histórico vivido por cada época, tanto quando sua compatibilidade com as escrituras (ponto de vista meu).


Aguardo os demais irmãos e seus pontos de vista.

Graça e páz à todos.

Em Cristo:
Euller

Silvio Araujo disse...

Parece que quando falamos de louvor, imediatamente pensamos em música, mas ela não é a única forma de louvar a Deus;

Diga-se de passagem que em nossas igreja, a esmagadora maioria das canções entoadas não louvam a Deus, o que não impede que Deus seja louvado pela execução delas!

Louvar, em sua definição básica, a mais possível, significa elogiar.
Ora, qualquer elogio a alguém depende de conhecer esse alguém pois do contrário seria um falso elogio;

Louvar a Deus requer conhecimento de Deus e de seus atos.

Os encarregados do serviço no tebernáculo e no Templo, inclusive os cantores, eram levitas, tribo donde provinham os sacerdotes e isto nos leva à analogia de que, quem canta (músico, coralista, cantor etc) deve entender de altar, de ministério, de sacerdócio.

Centralizando o assunto na música, entendo que ela tem seu efeito horizonta e vertical. Fala a Deus e aos homens. Na igreja ela pode ser utilizada para os mais diversos fins, tais como evangelismo, apelo, exortação, consolação etc, então, quando um grupo está cantando "alma cansada vem já" ele não está louvando a Deus. Está falando aos homens.

Quanto ao assunto inteligentemente exposto, acredito que a música é uma só, podendo ter sua inspiração advinda de Deus, do próprio homem por sua inteligência e talento e por Satanás. Acredito que não somos criadores da música, artistas por assim dizer (fazedores de arte) mas artifície (reprodutores da arte);

O que corrompe a música é o seu objetivo. As mesmas sete notas, escalas e agrupamentos rítimicos que são usados para produzir um louvor ao Senhor, são as mesmas sete notas, rítimos e acordes usados para louvor à Satanás.

"Para não ficar nas minhas palavras", como se diz muito em minha igreja (hahahhah), cito um texto bíblico interessante: I Cronicas 16:42. Alí se fala de "Cânticos de Deus" ARC ou "música de Deus" ARA. Numa sociedade festiva, rica em tradição e cultura como a judaida, vemos alí que há uma distinção entre o que era sagrado e o que era cultural. A música de Deus era para ELE, apresentada no serviço dEle, na adoração a Ele.

O espaço é pequeno e o assunto extenso, havendo muitas citações bíblicas a fazer e muitas considerações também, mas à medida que o assunto se desenrolar e o tempo permitir, postarei mais.

Lidia Fernandes Da Silva disse...

A paz do Senhor amado Pr.Altair
Concordo com as vossas consideracoes neste artigo. Sou extremamente contraria aos estilos de musicas que estamos a ouvir nos templos. Nada de louvor a Deus. Ao inves de cantar na vertical (para Deus), cantam somente na horizontal(para os homens), e ha alguns que dizem "vou louvar um hino", imagine!Quase nao ouvimos ou cantamos louvores como manda a Palavra, mas cantamos musicas sacras na grande maioria dos nossos cultos. Aprouve a Deus levantar levitas que louvem a Majestade Santa.
Nosso abraco fraternal
lidia

Elisomar disse...

Eu sou amante da boa música, e quando se trata do louvor a Deus...enche a minha alma. Infelizmente muitos têm perdido o temor e feito do louvor que é prioridade do Senhor, e feito muita mistura.

sandre disse...

Louvor e Adoração, sempre foi e será um tema polêmico e abrangente, pois quanto se trata de opiniões, sejam muitas delas com bom embasamento bíblico.

Eu tenho meu gosto pessoal, ouço Hillsong, Oficina G3, Stryper, Resgate(foi em um show deles que aceitei a Jesus como Senhor da minha vida)João Alexandre, Rodolpho.
respeito qualquer gosto pessoal sobre musica.
Mas louvor tem que vir do coração e de uma vida de santidade.
A questão cultural é não é dada a devida atenção também.
Eu acho que o estilo pouco importa, mas sim uma vida de verdadeira santidade e adoração.
Eu pouco me importo com o pensamento assembleiano em geral, de criticas aos estilos contemporâneos de musica.
Porque como ja foi bem frisado.
Na AD o que vale é o forró, que para mim é um estilo medíocre de musica.

Carlosrzz disse...

Muito bom ler seu artigo, j;a ouvi muita música mundana na minha vida, mundana mesmo mas graças a Deus deixei de ouvi-las há muito tempo. Sou músico também e hoje Pastor e sempre conhecidos meus e amigos me perguntam sobre o ouvir/tocar músicas não cristã e penso que música não cristã é uma coisa e música mundana é outra totalmente diferente, até escrevi algo sobre isto, não como palavra final
mas tem a ver com as questões levantadas pelo irmão, ou o que autêntica ou valida uma música para ser classificada como cristã ou não. Caso o irmão queira conferir o artigo esta no site www.igrejaurbana.org, mas parabéns pelo artigo que não tentou em nenhum momento a manipular a informação ou ser tendenciosa como a maioria de artigos escritos por pessoas de denominações pentencostais,
Fique na paz.