sexta-feira, 9 de maio de 2008

A FALÁCIA DAS ESTRATÉGIAS ENLATADAS DE CRESCIMENTO

O mercado editorial evangélico brasileiro foi nos últimos anos invadido por uma série de publicações, que prometiam às igrejas crescimento instantâneo.

Bastava apenas que os pastores seguissem os métodos e os princípios que tinham dado “certo” para os autores (apóstolos, pastores ou evangelistas) das referentes obras, embora vivenciados em situações e contextos totalmente diferenciados daqueles em que os leitores estavam inseridos.

O que isto desencadeou?

Muitos pastores, seduzidos pelos títulos e promessas contidas nos livros, correram para adquirir os seus exemplares. Alguns títulos tornaram-se verdadeiros campeões de vendas. Nisso tudo quem saiu ganhando, foram os autores, as editoras e as livrarias (falo de ganho financeiro).

De forma mecânica e automática os referidos métodos e princípios foram aplicados nas igrejas, descartando-se desta forma a maneira antiga de se evangelizar, cultuar, pregar, administrar e ministrar. Já não bastasse a teologia, tínhamos também agora uma evangelização enlatada, tipo made in U.S.A. É preciso entender que a necessidade de contextualização da mensagem do evangelho, juntamente com a utilização de métodos apropriados é indispensável. Acontece é que tal contextualização e métodos, não devem seguir regras importadas. Contextualizações e métodos precisam surgir da análise da situação concreta da igreja, das condições sócio-econômicas e de outros fatores específicos e próprios de cada região, além da busca incansável e incessante da direção e dependência do Espírito (At 8.39; 15.28; 13.1-4; 16.6-10).


Lembro-me que um pastor amigo meu, profundamente entusiasmado, fazia inúmeros planos em como administrar os resultados do inevitável crescimento. O fato é que até hoje, os planos não saíram do papel, aguardando o crescimento que não aconteceu, e que pelo que tudo indica, enquanto insistir nas “fórmulas mágicas”, o ansiado crescimento não passará de utopia, que certamente desencadeará uma grande frustração, seguida de perda de tempo, de recursos humanos e materiais.

Em meio à euforia, a Bíblia, na maioria dos casos, foi totalmente descartada como manual de princípios e métodos evangelísticos. Só importava a “visão”, a “revelação”, “a receita”. Muitos alegaram que os métodos dos “manuais de crescimento” eram bíblicos, e de certa forma, em alguns casos, podia se perceber alguma verdade nesta afirmação. Acontece que o fato de ser bíblico, por si só, não é o suficiente. Além de bíblicos, os princípios e os métodos precisam ser apropriados para cada situação.

Algumas igrejas chegaram até a “inchar” por certo tempo, vivenciando dias de crescimento numérico e de grande euforia. Mas, como acontece com todo projeto edificado sobre a areia, diante das tempestades (Mt 7.24-27), logo, tudo veio abaixo.


Nenhum outro resultado poderia se esperar, visto que a oração foi abandonada, o Espírito silenciado e a Bíblia fechada.

Para os que foram seduzidos e posteriormente decepcionados por tal engodo, resta, depois de aprendida a lição, voltarem-se para Deus e buscar nele, através de todos os meios legítimos que nos disponibiliza, a direção a tomar na realização da sua obra.

4 comentários:

JOSÉ DANIEL disse...

Graça e Paz

Mais uma vez o sr. acerta em cheio, em uma questão que causa entusiasmo demais, mas produz muito pouco.

Recentemente no congresso de resgate da nação aqui em Porto Seguro - BA, o "Apóstolo" Renê Terranova fincou uma estaca em dado local da cidade, contendo óleo de Israel, etc e tal, e declarando uma mudança no Brasil até 2010, por ser Porto Seguro o "útero" do Brasil.

E disse que toda determinação profética é seguida de um sinal.

Não sei se coincidência (acredito que sim) ou não, ocorreu o abalo sísmico que repercutiu em SP e outros estados.

Esse evento foi utilizado como o "sinal" predito no evento supra.

E aí o povo vai caminhando na idolatria de uma visão "particular".

Precisamos crescer sim, com qualidade, com pessoas que renderam-se aos pés de Cristo e tem suas vidas transformadas.

Crescimento numérico não é tudo.

Sole Dio Glória

Daniel
Porto Seguro - BA

sandre disse...

Pastor,

Infelizmente é uma realidade, sobre muitas igrejas no Brasil, já vi pastores usarem estes livros metódicos de crescimento, em diversas igrejas.

Tanta falácia e pouca produtividade,pois a obra que é do Espírito Santo, os homens estão querendo faze-la.

Elessandre

http://sandre-escritos.blogspot.com/

Pr. Carlos Roberto disse...

Caro Pr. Altair,
A Paz do Senhor!
Parabéns pela abordagem!
Pela Misericórdia de Deus, sou nascido em lar cristão, e cooperador desde a adolescência. Estou no ministério desde 1985.
Não há fórmula mirabolante, o milagre acontecerá através da oração, louvor genuíno e ensino da Palavra de Deus.
O resto é propaganda e markenting.
Pr. Carlos

Elisomar disse...

O povo ainda precisa e muito praticar a leitura. Sonhar em ser autor como ponto de partida para a riqueza...é pura ilusão.