terça-feira, 29 de abril de 2008

A SUBLIMIDADE DO CULTO CRISTÃO (03) - Subsídio para lição bíblica


5. O CULTO E O TEMPO

“A maneira como usamos o nosso tempo é uma boa indicação do que consideramos de importância primordial na vida. Sempre poderemos ter certeza de encontrar tempo para aquelas coisas que consideramos mais importantes, embora nem sempre admitamos perante os outros ou até perante nós mesmos quais são nossas prioridades reais. Seja para ganhar dinheiro, para a ação política ou para atividades em família, encontramos tempo para colocar em primeiro lugar aquelas coisas que mais nos importam. O tempo fala. Quando o damos aos outros, na verdade estamos nos dando a nós mesmos. Nosso uso do tempo não só mostra o que é importante para a nossa vida. O tempo, então, expõe escancarada e involuntariamente as nossas prioridades. Ele revela o que mais valorizamos pela forma como alocamos esse recurso limitado.” (James F. White)

Quando nos debruçamos sobre o Novo Testamento, percebemos através dos registros de Atos dos Apóstolos e dos textos epistolares, que na igreja primitiva o culto não estava preso a um tempo pré-determinado "χρονος" (gr. chrónos, espaço de tempo). A ênfase sobre o primeiro dia da semana como dia litúrgico (1 Co 16.2; At 20.7, 11 e Ap 1.10), corroborada por Inácio de Antioquia, Justino Mártir, e pelo testemunho do Didaqué, era a única recomendação temporal feita ao culto cristão.

No culto cristão prevalecia o καιρος (gr. kairós, tempo oportuno e apropriado), livre das amarras do χρονος. Havia prazer, vontade, desejo intenso de se reunir, estar juntos, partir o pão, orar, louvar, ouvir prazerosamente a Palavra:

“e perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.” (At 2.42)

Não havia catedrais, basílicas, monumentos cristãos erguidos para a própria honra e glória humana, para perpetuação de seu nome. Pura mentalidade “nabucodonosoriana”, “constantiniana” e “medieval” (Dn 4.30). Vaidade em nome de um falso, ou até mesmo sincero, mas não essencial tributo a Deus, que já “não habita em templos feitos por mãos de homens” (At 17.25).

Nada de ênfases tolas em conforto ou qualidade de atendimento aos crentes (ou clientes?), em mero esteticismo, cadeiras de luxo, púlpitos de cristal, bronze, prata e ouro, sistemas de refrigeração que roubam milhares de reais da oferta missionária e que desfalcam a obra social. O conforto é bom, mas não é tudo, é desejável, mas não pode ser prioritário.

Mesmo não desfrutando desses privilégios, os cristãos primitivos ficavam no culto até o fim. Havia coisas mais sublimes e relevantes que os “prendiam” lá. Havia a presença da glória de Deus, o gozo no Espírito Santo, a unção, a reverência, a compaixão, a misericórdia, a sinceridade, a comunhão, o amor fraterno. O χρονος não importava.

Não havia pressa para voltar para casa, apesar do inevitável e necessário labutar do dia seguinte os aguardar, ainda que os perigos dos becos, vales e estradas fossem reais.

“E, perseverando unânimes todos os dias (καθ ημεραν, gr. kath heméran) no templo [...]” (Atos 2.46).

Atualmente para muitos, só resta o agonizante culto dominical. Onde o relógio (imagem e expressão simbólica do χρονος ) é mais observado e reverenciado do que a própria Palavra de Deus. O dia da ressurreição, o dia do Senhor (Dies Dominica) deixou de ser aguardado ansiosamente e guardado inegociavelmente.

Para estes, só resta agora inquietação, irreverência e arrogância. “Se passar do horário (χρονος) vou embora, ameaçam uns. É preciso decência e ordem, bradam outros!”. Que decadência, que loucura, que tolice, que insensatez.

Perdoa-nos Senhor! Ensina-nos a viver deliciosamente em tua presença, remindo o tempo no culto prestado a ti, tirando o máximo do καιρος (Ef 5.16).

Um comentário:

Anônimo disse...

A paz do Senhor PR Altair, eu espero que esta lição de ao que dirigem culto uma melhor noção do que é um culto aos molde de Romanos 12. parabens pelo seu blog.
pois estes comentário só vem inriquecer a comunidade cristã. Pr Paulo da Silva Costa - RO