quarta-feira, 16 de abril de 2008

ORAÇÃO - O DIÁLOGO DA ALMA COM DEUS


Iniciarei esse breve esboço, com algumas frases que julgo interessantes, sobre o valor da oração:

"A oração é o ato onipotente que coloca as forças do céu à disposição dos homens." (Henri Lacordaire)

"Eu creio que sou incapaz de odiar. Através de uma disciplina baseada na oração, faz pelo menos quarenta anos que procuro amar todos."(Mahatma Gandhi)

"A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos." (São Tiago)

"Não há homem que, orando de todo coração, não aprenda alguma coisa."(Ralph Waldo Emerson)

"A oração é a irmã trêmula do amor." (Vítor Hugo)

"Na oração, é melhor ter um coração sem palavras do que palavras sem um coração.) (John Bunyan)

Segundo Thiessen, Ninguém poder ler a Bíblia sem ficar impressionado com a importância do lugar dado à oração em suas páginas. Começando com a conversas entre Deus e Adão, por todo o Antigo e o Novo Testamento, temos exemplos de homens que oravam. A oração, segundo nos apresentada nas escrituras, vai além de um privilégio, ela é uma ordem (Gn 18.22-23; II Rs 19.15; Sl 5.2; 32.6; I Sm 12.23; Jr 29.7; Mt 5.44; 26.41; Lc 18.1; 21.36; Ef 6.18; I Ts 5.17, 25; I Tm 2.8; Tg 5.13-16).

- Esdras entendia que a oração era mais importante que um exército (Ed 8.21-23).
- Jesus a julgava mais necessária que o alimento e o sono (Mt 4.2; Mc 1.35; Lc 6.12).
- Os apóstolos a colocavam antes da pregação (At 6.4).

A NATUREZA DA ORAÇÃO

A oração tem sido definida como a “conversa da alma com Deus”. Orar é falar com Deus. A oração bíblica possui algumas características que passaremos a aborda-las;

· Confissão. Chegar-se diante de Deus com consciência de nossas falhas e fraqueza humana, expressando um profundo desejo de melhor servi-lo e agradar-lhe, é fator fundamental na oração, como pode ser visto nos textos que se seguem (I Rs 8.47; Ed 9.5-10; Ne 1.6,7; 9.33-35; Dn 9.3-15; Lc 18.9.14).

· Adoração. Adorar é reverenciar, louvar, reconhecer a majestade e a soberania de Deus. É amá-lo por aquilo que Ele é. (Sl 45.1-8; Is 6.1-4; Hc 3.17-19; Mt 14.33; 15.25; 28.9; Ap 4.11).

· Comunhão. Do grego koinonia, fala do relacionamento que o crente passa a manter com Deus, mediante o sacrifício de Cristo Jesus no calvário. Nesta condição, pode dirigir-se a Deus, chamando-o de Pai (Mt 6.9; Rm 8.15).

· Ação de graças. Temos vários exemplos desta prática na oração;

- A canção de Miriã (Êx 15)
- A canção de Débora (Jz 5)
- A canção de Davi (II Sm 23)

As Escrituras são repletas de exortações para que sejam dadas ações de graças (Fl 4.6; Cl 4.2; Ef 5.20; Sl 95.2; 100.4).

· Petição. É somente depois de termos glorificado a Deus em nossa oração que estamos prontos a pensar em nós mesmos. A petição é o ato de tornar conhecidos os nossos pedidos. É verdade que antes mesmo de expressar nossas necessidades e desejos, Deus já as conhece. Contudo Ele tem prazer de conosco se comunicar através da oração (Dn 2.17, 18; 9.16-19;Mt 7.7-12; Jo 11.22; Atos 4.29, 30; Fl 4.6).

· Súplica. Suplicar é simplesmente insistir em nosso pedido;

- Daniel fez petição e súplicas a Deus (Dn 6.11).
- O espírito de súplicas será derramado sobre Israel (Zc 12.10).
- A mulher siro-fenícia suplicou e seu pedido foi ouvido (Mt 15.22-28).
- Os eleitos que clamam a Deus dia e noite serão ouvidos com presteza (Lc 18.1-8).
- Paulo nos exorta a suplicar (Ef 6.18; I Tm 2.10)

· Intercessão. Do latim intercessionem, é súplica em favor de outrem. A intercessão pressupõe sofrer com os que sofrem; chorar com os que choram; e, tomar, como se fossem nossas, as dores alheias. É dizer a Deus que nos importamos com o sofrimento e as necessidades do próximo.

- Deus procura intercessores (Is 59.16).
- Devemos interceder em favor de todos os homens (I Tm 2.1).
- Por todos quanto ocupam posição de autoridade (I Tm 2.2).
- Pelos ministros (II Co 1.11; Fl 1.29).
- Por todos os santos (Ef 6.18).
- Pelos patrões (Gn 24.12-14).
- Pelos servos (Lc 7.2, 3).
- Pelas crianças (Mt 15.22).
- Pelos enfermos (Tg 5.14).
- Pelos que nos perseguem (Mt 5.44).
- Por nossos inimigos (Jr 29.7).
- Pelos que nos invejam (Nm 12.13).
- É um pecado neglicenciarmos a oração intercessória ( I Sm 12.23).
- A oração intercessória beneficia o próprio intercessor (Jó 42.10).

O MÉTODO E A MANEIRA DE ORAR

Apesar de ser uma tendência natural e universal, o homem precisa aprender a orar (Lc 11.1; Rm 8.26). com base nos princípios e natureza da oração aqui já aprendidos, Jesus deixou um modelo para nossas orações, designada “O Pai nosso” (Mt 6.9-13). Consideremos, então, o método e modo bíblico de orar.

A posição de orar. As Escrituras não prescrevem nenhuma posição em particular, mas ilustram e ensinam todas elas.

- Em pé (Mc 11.25; Lc 18.13; Jo 17.1).
- Ajoelhado (Lc 22.41; I Rs 8.54; Ef 3.14; At 20.36).
- Prostrado no chão (Mt 26.39).
- Deitado na cama (Sl 63.6).
- Assentado (I Rs 18.42).
- Pendurado na cruz (Lc 23.42).

Tudo isto indica que não é a postura do corpo que importa, mas sim a atitude do coração ( Jo 15.17a). Há, contudo, mais indicações de que as pessoas ou se postaram de pé ou se ajoelharam para orar quando se aproximaram de Deus, do que qualquer outra posição.

A hora de orar. As escrituras ensinam que devemos orar sempre (Lc 18.1; Ef 6.18); mas ensinam também que devemos ter horários estabelecidos para a oração (Sl 55.17; Dn 6.10; At 3.1). É verdade que todos esses são exemplos do que os outros fizeram, e não preceitos acerca da oração, mas pelo menos indicam que a regularidade em orar é desejável. Não há, portanto, uma hora especial para podermos Ter uma audiência com Deus, mas todo momento é igualmente aceitável para Ele.

O lugar de orar. Percebemos que a Bíblia encoraja a oração secreta, no quarto, longe de todos os elementos a nosso derredor que nos podem perturbar (M t 6.6; Dn 6.10; Mc 1.35; Mt 14.23). Há também exemplos de oração na prisão (At 16.25), como em vários outros lugares públicos. Paulo nos admoesta a orar “em todo o lugar” (I Tm 2.8).

CONCLUSÃO

A disciplina da oração é profundamente necessária na vida devocional do cristão, juntamente com a leitura da Palavra de Deus. Devemos sempre lembrar que a nossa oração precisa estar totalmente em linha e alicerçada por esta Palavra (Jo 15.7).

Por fim, fica para reflexão o texto abaixo, de nossa autoria, que reflete um pouco da realidade vivenciada em muitas igrejas, como resultado de um certo descaso com a disciplina da oração:

"Era uma vez uma igreja que gostava de orar.

Os cultos de oração eram bem freqüentados. Havia um mover do Espírito maravilhoso, que levava os irmãos no final de cada reunião, a desejarem que a próxima logo chegasse.

Os jovens participavam do círculo de oração desta igreja, pedindo ao Senhor um namoro e casamento dentro da Sua vontade. Pediam também para que uma porta de emprego fosse aberta. Muitos destes jovens chegavam em grupos e por vezes vinham a pé de lugares distantes.

Os cantores chegavam pela manhã e saíam no final do culto. Não agiam como celebridades nem cantavam apenas para vender CD.O maior tempo era gasto com oração e não com “tristemunhos”, “cantorias”, “visagens” ou “profetadas”.

O círculo de oração começava pela manhã e as dirigentes eram as primeiras a chegar.Para entrar na comissão havia um sério critério. Não bastava querer, precisa ter uma vida santa, testemunhada pela igreja e pela comunidade não crente. Precisava ser boa esposa, boa mãe, boa filha. Precisava ser verdadeiramente “crente”! Quando a dirigente do círculo de oração convidava os que não eram batizados com o Espírito Santo para virem à frente e receber uma oração, eles vinham alegres, com fé, e o melhor, Jesus batizava.

Os auxiliares, diáconos, presbíteros, evangelistas e pastores o freqüentavam, trazendo sempre uma boa palavra. Nos cultos da noite, os obreiros e irmão chegavam e se ajoelhavam para orar até que se iniciasse o momento do canto congregacional. Não ficavam sentados e conversando, nem fazendo outra coisa qualquer. Havia um profundo desejo de se buscar a Deus!

Os pais e os adultos nesta igreja levavam seus filhos, netos, sobrinhos e vizinhos para o círculo de oração infantil. As crianças desde cedo desfrutavam do poder da oração e aprendiam o seu valor.

Será que a esta altura você ficou curioso em saber onde fica esta igreja? Pergunte aos crentes mais antigos que certamente eles lhe darão a resposta."


BIBLIOGRAFIA

Andrade, Claudionor Corrêa de. Dicionário Teológico. Rio de Jaqneiro: CPAD, 1998.

Thiesen, Henry Clarence. Palestras em Teologia Sistemática. São Paulo: IBR, 1987.

6 comentários:

Lidia Fernandes Da Silva disse...

Pastor Altair, Deus lhe abençoe
Como o irmão, sinto uma saudade imensa dos tempos em que a igreja local orava. Fui menina na AD e testemunhei muitos cultos onde a oração era prioridade absoluta. Ali podiamos ouvir linguas e a interpretação das mesmas, bem como canticos espirituais tão raros em nossos dias.
Amado, continue a escrever sobre essas coisas; quem sabe alguns poderão ser despertados, a começar dos púlpitos, pois hoje os que ocupam as cadeiras no púlpito também não se dão ao trabalho de ajoelharem-se até o culto começar, com algumas exceções. É triste!
Lidia Fernandes

ALTAIR GERMANO, disse...

Minha irmã e amiga Lídia, fico feliz e honrado em em tê-la como leitora do blog.

Realmente o quadro é triste. A falta de oração na vida devocional e na esfera congregacional é alarmante.

Muito se prega e se ensina sobre o valor da oração, esquecendo-se do mais importante, a prática disciplinada da mesma.

Um abraço em seu esposo e lembranças para os seus filhos.

Paz do Senhor!

Pr. Carlos Roberto disse...

Caro Pr. Altair Germano!
Fiquei muito contente com o artigo supracitado.
Quantas coisas nos dias de hoje são resolvidas, sem que ao menos dedicássemos algum tempo à oração sobre o assunto.
É Lamentável.
Tive o privilégio de ver a foto e o importantíssimo comentário da irmã Lídia Fernandes, a quem eu e Sarah minha esposa, prezamos muito, porém por circunstâncias alheias à nossa vontade, perdemos o contato.
Agora se Deus quiser vamos reatá-lo.
Procurarei colocar um link sobre o assunto em meu blog.
Parabéns!
Um grande abraço!
Pr. Carlos

ALTAIR GERMANO, disse...

Nobre amigo e pastor Carlos Roberto, a blogosfera nos proporciona esses reencontros agradáveis.

Agradeço pelo link do post.

Acima de tudo, oremos!

>> Teo Jornalista disse...

Pastor Altair:

A lição deste trimestre está excelente; é uma pena que os mais antigos, especialmente, priorizem tanto a busca de 'poder' em reuniões de oração onde se vêem manifestações estranhas a um culto cristão do que aprofundar-se mais na Palavra.

Realmente, a oração é um diferencial na vida do cristão. Nem preciso mencionar quantos milagres e bênçãos alcancei da parte de Deus em oração. Tenho certeza que você também.

A propósito, passe em meu blog e leia as novas postagens.

Um abraço.

Elisomar disse...

Graça e Paz!
Pastor, a oração é de suma importância na vida do crente. Infelizmente o corre-corre da vida, nos faz vê-la como um prato de salada em uma mesa cheia de guloseimas, só come quem realmente precisa desse alimento. Porque orar não é fácil e isso não se dá apenas com os membros sem cargo eclesiástico; O ministério também está sofrendo desse mal. Com algumas exceções, o que vemos hoje em dia é muito mais lazer do que leitura da palavra de Deus e oração. Deixo claro que não sou contra o lazer, ele é necessário para a saúde mental e física...até Jesus descansou. O que falo é de lazer e oração, uma dupla muito saudavel para o corpo e a alma. Entende pastor?