sábado, 8 de dezembro de 2007

BATISTAS PEDEM PERDÃO PELA ESCRAVATURA


"Oferecemos nossas desculpas a Deus e a nossos irmãos e irmãs por toda a dor que causamos, originada no horror da escravatura". Leia em ALC NOTÍCIAS.

Toda forma de opressão e exploração humana deve ser abominada pelos verdadeiros cristãos.

5 comentários:

Emmerson EL-SHADDAI disse...

Paz do SENHOR Pastor!! Dentre todo esse acontecimento diabólico execrável ter acontecido, com participações de pessoas proclamadoras do Evangelho. Em tudo isso, DEUS, como é DEUS de todos, aconteceram também obras substancial importância para aquelas pessoas(escravos) alguns missionários batistas e metodistas ainda chegaram a levar a Palavra de DEUS, os ensinando, tornando-se alguns metodistas e anglicanos. Pelo menos algo de bom tem nesta história. Tantos anos...mais lamentável este acontecimento. E hoje ainda acontece estes infortúnios fatos. Como eles pedem perdão, o perdão de minha parte foi cedido. Que DEUS tenha misericórdia de todos nós.

fique na paz do SENHOR JESUS!


Adorei a aula ontem, Graças a DEUS disponibilizo de algumas daquelas ferramentas para o estudo da palavra do Nosso SENHOR. E sabendo usar é claro, e agradeço a DEUS por ter homens como o senhor para nos guiar seriamente e nos ensinar a palavra de DEUS.

Enock Jr. disse...

A PAZ DO SENHOR!
O SIGNIFICADO DO NOME JESUS"LIBERTADOR,SALVADOR"CONTRARIA O CONCEITO DE ESCRAVATURA!
O SANGUE DERRAMADO NA CRUZ FOI O DESFECHO DO CERNE DA MISSÃO PRIMORDIAL DE CRISTO PARA COM O HOMEM PERDIDO:LIBERDADE,LIBERTAÇÃO,RESGATE,SALVAÇÃO!
LÍDERES E SEUS SISTEMAS ADERIRAM MAIS AO MODELO DIABÓLICO DO QUE AO DIVINO"SEDE POIS IMITADORES DE DEUS..."EFESIOS 5.1

Elisomar disse...

Todo tempo é tempo de se reconhecer um mal, e atentar para o caminho certo. Se pedem perdão de coração, acho uma atitude honrada; embora quem fez escravos, não esteja aqui agora. Mas espero que tenham se arrependido de seus atos.

Maya disse...

Que bom se reconhecer um erro. Que bom! Mas que o perdão seja transformado em atos. Que as igrejas protestantes se unam, e pressionem os governos outrora colonialistas a ajudarem urgentemente a África, que morre à míngua. Urgente! A AIDS, o cólera e a malária se alastram! Os negros constituem, em todos os países, a parecela mais pobre da população, em sua maioria! Rápido! Façamos como a Suíssa fez com os judeus e parentes de vítimas judias do holocausto nazista: indenização!

Maya

: )

Hernani Quilombo disse...

A Igreja Anglicana no Brasil foi conivente com o comércio de escravos em que a Inglaterra esteve envolvida desde o século XVI. Houve uma espécie de anuência ou acomodação diante do fato, isto é, por parte de comerciantes anglicanos, sua participação como membros, ao comercializar e possuir escravos. No seu relato sobre o Brasil, o Rev. Robert Walsh, capelão anglicano que acompanhou a missão inglesa do Lord Strangford, entre 1828 e 1829, descreve e opina a respeito da escravidão no Brasil, nada deixou mais chocado o clérigo do que constatar que seus concidadãos ingleses participavam e usufruíam do "nefando comércio", lucrando com a escravização de mulheres e de seus próprios filhos, como presenciou na estrada da Tijuca, no Rio de Janeiro, relata: "ele passa a vender não só a mãe de seus filhos como os filhos propriamente ditos, e com tanta indiferença como se tratasse de uma porca com a sua ninhada"

Os anglicanos da Christ Church, situada no Rio de Janeiro, não só eram donos de escravos, como fizeram batizar nos ritos da Igreja Anglicana os pequenos escravos nascidos em seu poder. Seguindo uma prática dos senhores de escravos brasileiros que batizavam suas peças aos montes, dando-lhes nomes cristãos, os anglicanos também buscaram cristianizar seus escravos. No livro de registros de batismo da Christ Church em 24 de janeiro de 1820, está assentado o batismo de "Thereza, filha de Louisa -escrava negra, nativa de Manjoula, África- propriedade de James Thonton", um comerciante inglês. Em 11 de maio de 1820 foram batizados 11 escravos do fazendeiro Robert Parker. Na Igreja que se reunia em Morro Velho, sua congregação possuía escravos e alguns chegaram também a ser batizados. Há registros de batismos de escravos domésticos de John Alexander em 1830 e do Coronel Skerit em 1833.

Não foram só os Anglicanos coniventes com a escravidão negra no Brasil. Outras igrejas históricas também participaram dela. Os primeiros colonos batistas eram favoráveis e foram proprietários de escravos. Em Santa Bárbara D’Oeste, primeiro núcleo batista, o trabalho escravo existiu como mão-de-obra usada na agricultura e em tarefas domésticas. Os colonos batistas eram senhores de escravos, a exemplo da Senhora Ellis, dona de um sítio e que providenciara hospedagem nos primeiros meses ao casal de missionários W. Bagby, fundador da Primeira Igreja Batista do Brasil. Os metodistas, defensores dos direitos humanos e da abolição do escravismo na Inglaterra e nos EUA, ao chegarem no Brasil acomodaram-se ao ambiente escravista e quase nada fizeram com repercussão pública, em favor dos escravos. Conforme um estudo sobre o metodismo brasileiro durante o período que antecedeu, ou mesmo depois da "libertação dos escravos," a Igreja Metodista jamais chegou a defender oficialmente sua posição em relação à escravidão no Brasil. Os primeiros Presbiterianos, também sulistas, conservaram-se por muito tempo fiéis à lembrança de sua causa nacional, um destes missionários presbiteriano sulista se havia conservado tão firme em suas convicções que, quando em 1886 o presbiteriano Eduardo Carlos Pereira publicou uma brochura em favor da abolição da escravatura, ele escreveu um verdadeiro tratado anti-abolicionista. Dos luteranos sabemos que os primeiros escravos negros da Colônia Alemã Protestante de Três Forquilhas entraram por volta de 1846, por iniciativa do pastor Carlos Leopoldo Voges. Outros colonos protestantes copiaram seu exemplo (Mittmann, Hoffmann, König, Grassmann, Kellermann, Jacoby, Schmitt e outros).

O fundamentalismo das denominações protestantes dos EUA se transformou em terreno fértil para justificativas da escravidão, que buscavam embasamento doutrinário para apaziguar a consciência dos escravocratas do sul. Citando a história de Noé, identificavam a maldição de Cam, por ter surpreendido o patriarca nu e embriagado, como a maldição dos negros. Os principais agentes da imigração norte-americana para o Brasil foram pastores protestantes do Sul dos EUA, a exemplo do Rev. B. Dunn, que via no Brasil uma nova Canaã, a terra prometida onde os confederados derrotados na Guerra de Secessão poderiam reconstruir suas vidas, seus lares e suas propriedades incluindo a mão-de-obra escrava. Pelo menos cerca de 2000 a 3000 sulistas se deslocaram para São Paulo. O aceno de encontrar terras em abundância com mão-de-obra escrava certamente foi decisivo para que famílias inteiras, acostumadas a um estilo de vida escravista, se deslocassem do sul dos EUA para o sudeste brasileiro.

De uma maneira geral os protestantes no Brasil só tomaram uma posição contra a escravidão quando à abolição já era unanimidade na sociedade brasileira. Mesmo os poucos protestantes que se posicionaram favoráveis à abolição o faziam como uma questão moral e religiosa. Eram incapazes de atitudes mais concretas, que de fato propiciassem soluções ao problema do escravismo, que até os nossos dias tem gerado grandes conseqüências, onde grande parte da população negra vive a margem da sociedade. Os negros se viram largados no interior de uma sociedade fundada em bases racistas. Libertos foram preteridos do mercado formal de trabalho em nome de um projeto elitista de branqueamento do país. Tiveram que disputar com o imigrante europeu até mesmo as mais modestas oportunidades de trabalho livre, como a de engraxate, jornaleiro ou vendedor de frutas e verduras, transportadores de peixe e carregadores de sacas de café, etc. As mulheres garantiram a sobrevivência da família trabalhando, tanto ontem como hoje, como domésticas, faxineiras, babás, doceiras, cozinheiras, lavadeiras e outras atividades similares. E a igreja ainda no seu silêncio.

Essa é uma grande oportunidade para denominações evangélicas históricas brasileiras pedirem perdão ao povo negro, seguindo o exemplo dos anglicanos da Inglaterra. O desafio, o testemunho cristão, é o pedido de perdão ao povo negro que aqui propusemos. Finalmente, desejamos convidar nossos irmãos e irmãs das Igrejas Históricas para que reflitam todas essas questões. Para que as igrejas Históricas possam passar de um simples "ministério de omissão" para um ministério de envolvimento e participação na luta do povo negro para a sua libertação, e cumprimento da sua missão de Igreja de Jesus Cristo aqui na terra.