quinta-feira, 8 de novembro de 2007

A PROMESSA DA PAZ INTERIOR


Diante do tema “A promessa da paz interior”, o foco de nossa abordagem volta-se para os fatores que comprometem a paz interior na vida do cristão. classificaremos em três os referidos fatores:

1. Fatores Espirituais

Dentre os fatores espirituais selecionamos dois;

a) O cristão fora da vontade de Deus – Não é possível estar fora da vontade de Deus e desfrutar de paz interior. Quando não nos encontramos sintonizados com Deus e com a sua vontade, percebemos que nossa consciência juntamente com o Espírito Santo nos acusa. Um caso típico de desobediência à Deus é o de Jonas

“Ora veio a palavra do Senhor a Jonas, filho de Amitai, dizendo: Levanta-te, vai à grande cidade de Nínive, e clama contra ela, porque a sua malícia subiu até mim. Jonas, porém, levantou-se para fugir da presença do Senhor para Társis. E, descendo a Jope, achou um navio que ia para Társis; pagou, pois, a sua passagem, e desceu para dentro dele, para ir com eles para Társis, da presença do Senhor.” (Jn 1.1-3)

Como conseqüência deste ato, o contexto nos relata que uma série de fenômenos aconteceram

“Mas o Senhor lançou sobre o mar um grande vento, e fez-se no mar uma grande tempestade, de modo que o navio estava a ponto de se despedaçar.” (Jn 1.4)

A maior turbulência não aconteceu no mar, e sim, no coração e na consciência do profeta. A oração que ele dirige ao Senhor nos revela isso

“E orou Jonas ao Senhor, seu Deus, lá das entranhas do peixe; e disse: Na minha angústia clamei ao senhor, e ele me respondeu; do ventre do Seol gritei, e tu ouviste a minha voz. Pois me lançaste no profundo, no coração dos mares, e a corrente das águas me cercou; todas as tuas ondas e as tuas vagas passaram por cima de mim. E eu disse: Lançado estou de diante dos teus olhos; como tornarei a olhar para o teu santo templo? As águas me cercaram até a alma, o abismo me rodeou, e as algas se enrolaram na minha cabeça. Eu desci até os fundamentos dos montes; a terra encerrou-me para sempre com os seus ferrolhos; mas tu, Senhor meu Deus, fizeste subir da cova a minha vida. Quando dentro de mim desfalecia a minha alma[...].” (Jn 2.1-7a)

Percebam as seguintes expressões: minha angústia, gritei, lançado estou de diante dos teus olhos, as águas me cercaram até a alma, as algas se enrolam na minha cabeça e dentro de mim desfalecia a minha alma. Todas elas expressam o desespero que tomou conta do íntimo do profeta e que toma conta também da vida interior de todos que tentam fugir das orientações e determinações de Deus para as suas vidas. A única saída para você que deseja que a paz interior se mantenha ou retorne é seguir o exemplo positivo de Jonas

“eu me lembrei do Senhor; e entrou a ti a minha oração, no teu santo templo. Os que se apegam aos vãos ídolos afastam de si a misericórdia. Mas eu te oferecerei sacrifício com a voz de ação de graças; o que votei pagarei. Ao Senhor pertence a salvação. Falou, pois, o Senhor ao peixe, e o peixe vomitou a Jonas na terra.” (Jn 7b-10)

Ore ao Senhor, se humilhe e busque a sua vontade. Talvez assim haja esperança e paz para você.

b) Pecado não confessado – O pecado não confessado é como um câncer que corrói a alma. Seus efeitos emocionais e espirituais são terríveis. O salmista Davi relatou tais sentimentos da seguinte forma

“Bem-aventurado aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto. Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não atribui a iniqüidade, e em cujo espírito não há dolo. Enquanto calei os meus pecado, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos o dia todo. Porque de dia e de noite a tua mão pesava sobre mim; o meu humor se tornou em sequidão de estio.” (Sl 32.1-4)

O drama interior de Davi é expresso através dos termos: envelheceram os meus ossos (fraqueza interior), constantes gemidos (dor interior), tua mão pesava sobre mim (sentimento de culpa), o meu humor se tornou em sequidão (tristeza).

Diante de situações semelhantes a esta, cabe-nos como cristão confessar e abandonar o erro (Sl 32.5), para que assim a paz com Deus e consigo próprio seja restituída.

2. Fatores Sociais

Dentre os fatores sociais que comprometem a paz interior destacamos:

a) As facções na igreja – “Grupinhos” na igreja sempre promovem sérios conflitos e contendas entre os irmãos. Paulo escrevendo aos coríntios fez o seguinte alerta

“Rogo-vos, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que sejais concordes no falar, e que não haja divisões entre vós; antes sejais unidos no mesmo pensamento e no mesmo parecer. Pois a respeito de vós, irmãos meus, fui informado pelos da família de Cloé que há contendas entre vós. Quero dizer com isto, que cada um de vós diz: Eu sou de Paulo; ou, Eu de Apolo; ou Eu sou de Cefas; ou, Eu de Cristo.” (1 Co 1.10-12)

Assim como na igreja de Corinto o partidarismo está presente nas igrejas atuais, sendo causado por questões políticas, interesses próprios, espírito faccioso, rebeldia, insubmissão à liderança e outros.

b) A disputa por cargo ou posições eclesiásticas – Tal fator é terrível. O fato não é novo. Os evangelhos nos relatam que nem os apóstolos escaparam desta “tentação”

“Aproximou-se dele, então, a mãe dos filhos de Zebedeu, com seus filhos, ajoelhando-se e fazendo-lhe um pedido. Perguntou-lhe Jesus: Que queres? Ela lhe respondeu: Concede que estes meus dois filhos se assentem, um à tua direita e outro à tua esquerda, no teu reino. Jesus, porém, replicou: Não sabeis o que pedis; podeis beber o cálice que eu estou para beber? Responderam-lhe: Podemos. Então lhes disse: O meu cálice certamente haveis de beber; mas o sentar-se à minha direita e à minha esquerda, não me pertence concedê-lo; mas isso é para aqueles para quem está preparado por meu Pai. E ouvindo isso os dez, indignaram-se contra os dois irmãos. (Mt 20.20-24)

Muitos desejam se sentar em lugares de grande honra, contudo, desejar é uma coisa e poder é outra. É Deus quem escolhe e estabelece aqueles que deseja honrar. Lutar contra isso é lutar contra Deus e quem luta contra ele não prevalece. Tais disputas só causam indignação e mal estar. A Bíblia nos recomenda que nos esforcemos para manter a paz com o próximo
“Segui a paz com todos [...]” (Hb 12.14a)

“Se for possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens.” (Rm 12.18)

Quem vive promovendo guerra e divisões entre irmãos não pode ter paz consigo mesmo.

3. Fatores pessoais

Estar bem consigo mesmo enquadra-se nesta terceira classificação. Para que isto se torne possível é necessário:

a) Ter amor próprio – Não falamos aqui de narcisismo ou egoísmo. Amar a si mesmo é uma recomendação da Palavra de Deus e prerrogativa para amar o próximo

“E o segundo, semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.” (Mt 22.39)

Precisamos entender que somos especiais para Deus. Nossas diferenças são necessárias e fazem parte de um grande e complexo projeto divino. Crer nisso aumentará nossa auto-estima e nos proporcionará prazer, alegria e paz interior.

b) Lançar sobre ele nossas ansiedades – A ansiedade já foi considerada como a emoção oficial de nossa era e a raiz de todas as neuroses. Segundo Collins “Ela nos corrói a todos, sugando energias e destruindo bons sentimentos [...]. Algumas vezes a ansiedade nos sobrevém de maneira incontrolável, fazendo-nos congelar em nosso caminho. Para algumas pessoas, a ansiedade dura dias, semanas e até anos, incapacitando-as de encontrarem um escape na vida em si”. “É um estado emocional doloroso”(Altrocchi). Collins afirma também que a ansiedade produz um turbilhão de reações físicas, psicológicas, defensivas e espirituais. Falta de fôlego, insônia, constante fadiga, perda de apetite, alteração da pressão sanguínea, habilidade de pensar e lembrar, comprometimento da capacidade de bons relacionamentos com os outros, fuga através das drogas, dependência de medicamentos, falta de tempo para orar e falta de concentração na leitura da Bíblia são alguns destes fatores.

Conviver com todas essas mazelas e ter paz interior é impossível. A própria ansiedade não pode conviver junta com essa paz.

Torna-se então imprescindível confiar no Senhor.

“Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que havemos de comer? ou: Que havemos de beber? ou: Com que nos havemos de vestir? (Pois a todas estas coisas os gentios procuram.) Porque vosso Pai celestial sabe que precisais de tudo isso. Mas buscai primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã; porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.” (Mt 6.31-34)

“Não andeis ansiosos por coisa alguma; antes em tudo sejam os vossos pedidos conhecidos diante de Deus pela oração e súplica com ações de graças; e a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus.” (Fp 4.6-7)

“lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.” (1 Pe 5.7)
Certo compositor escreveu a seguinte frase “Não sei o que o futuro reserva, mas sei quem controla o futuro”. É enfrentando a realidade, tomando algumas medidas preventivas e confiando no Senhor que venceremos nossos medos e temores internos.

“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; eu não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.” (Jo 14.27)

2 comentários:

Anônimo disse...

Isso sim é que é ter paz, quando tem comunhão com Deus. Semelhante a Pedro, Herodes tinha matado a Tiago a espada e no dia seguinte tinha mandado prender Pedro provavelmente para o matar também, mesmo Pedro estando preso entre os soldados, e sabendo que ia morrer, dormiu a noite toda, porque tinha paz em seu interior, At 12...

Elisomar disse...

Não há o que discutir...Paz só há em Deus.