quarta-feira, 1 de agosto de 2007

UMA ESCOLA DO BARULHO!

Imaginemos a seguinte situação: É manhã de domingo. No templo, temos aproximadamente 200 irmãos distribuídos em 10 classes, num mesmo ambiente. Todos os professores precisam falar de uma forma que seus alunos lhe escutem. Dentre eles, há os que em nome do “poder de Deus” não controlam a intensidade da voz, pois acham que quanto mais alto falarem, mais espiritualidade demonstrarão ter.

É preciso lembrar também que dentre essas classes, cinco são de crianças e duas de adolescentes, que precisam fazer uso de corinhos e dinâmicas como recursos e métodos pedagógicos. Agregue a tudo isso o fato de que o templo pode estar localizado numa rua ou avenida de intenso movimento de pedestres e veículos. No que tudo isso vai resultar? Barulho!

Por barulho, entendemos todo ruído e som que está acima dos níveis normais de sensibilidade da nossa audição, provocando uma sensação de desconforto. As Escolas Dominicais sofrem os males do barulho, dentre outros motivos, pelo fato da maior parte delas funcionarem dentro do templo, onde as salas de aula são separadas apenas por alguns bancos, a poucos metros de distância umas das outras.

É quase impossível não conhecer alguém que deixou de freqüentar ou nunca foi aluno da ED por causa do barulho. Tal situação precisa ser considerada e solucionada.

Conseqüências do ruído na ED

O barulho na ED pode provocar:

1. Evasão escolar – A evasão escolar é uma das grandes vilãs da ED. Conquistamos alunos com certa dificuldade e, ao mesmo tempo, os perdemos com uma facilidade assustadora. Um aluno insatisfeito não apenas apresentará resistência para retornar à ED, como também poderá promover uma imagem negativa da mesma, podendo assim afastar outros. Procure saber em sua igreja, quantos irmãos não freqüentam a ED alegando o problema do barulho. Os números vão lhe surpreender.

2. Interferência no processo ensino-aprendizagem – No processo ensino-aprendizagem, o fator comunicação (do latim comunicare, participar, dividir alguma coisa com alguém) é imprescindível. Quanto menos ruído entre transmissor e receptor, mais o ensino flui com clareza e produtividade.

3. Problemas auditivos – Sons e vibrações acima dos níveis previstos pelas normas legais, podem causar problemas irreversíveis na audição. A Organização Mundial de Saúde (OMS) orienta que o limite suportável para o ouvido humano é de 65 decibéis. Ultrapassada essa medida, a pessoa corre o risco de perder totalmente a audição. A Associação Brasileira de Normas Técnicas limita entre 40 e 50 decibéis o nível de som em ambientes fechados.

4. Estresse – O som e os altos ruídos fazem com que o cérebro produza uma quantidade extra de adrenalina, o que faz subir a pressão arterial, gerando desta forma estresse, perturbação, inquietação e desconforto. Esses sintomas conseqüentemente, acabam cooperando para um estado emocional desfavorável ao ensino-aprendizagem.

Em busca de soluções

Dependendo das circunstâncias e da realidade de cada ED, os problemas relacionados ao barulho podem ser resolvidos ou minimizados a curto, médio ou longo prazo. Dentre as medidas que sugerimos estão:

1. Promover um trabalho de conscientização e reeducação dos nossos professores, quanto ao cuidado com a intensidade da voz durante a ministração das aulas. Isso nem sempre é fácil, principalmente quando o professor não consegue ter uma visão crítica de si próprio, e de sua prática pedagógica. Cursos de capacitação e formação continuada, são ótimas oportunidades para “trabalhar” o professor.

2. Procurar organizar as crianças e adolescentes em salas separadas, no prédio anexo ao templo (quando existir), respeitando as condições ambientais necessárias para o ensino, tais como iluminação, ventilação, mobília apropriada, etc. Tal medida requer um entendimento de que se nossas crianças e adolescentes se sentirem bem cuidados, respeitados e valorizados, certamente durante toda a sua vida cristã irão valorizar e promover a ED.

3. Fazer parcerias com escolas da rede municipal, estadual, federal ou particulares, usando suas instalações para acomodar a ED. Essa prática já realidade em muitas regiões com resultados bastante satisfatórios, uma vez que possibilita a cada grupo de alunos ter uma sala própria. O difícil aqui é quebrar a tradição das aulas no templo.

4. Projetar e construir templos com uma estrutura adequada para o funcionamento da ED, visto a enorme colaboração e retorno que ela proporciona para o crescimento da igreja, em termos numéricos (evangelização) e em maturidade cristã (educação). Embora isto implique em maiores gastos, o tempo tratará de compensar os investimentos.

5. Orar para que o Senhor nosso Deus, derrube todas as barreiras espirituais e humanas, que tentam impedir o crescimento da ED, dando sabedoria, visão e dinamismo para os que amam esse projeto divino.

Com o entendimento das questões aqui colocadas, e acima de tudo, com a implementação das ações sugeridas, sem dúvida alguma, transformaremos o incômodo e antipedagógico barulho na ED, numa doce e suave melodia, produzida pela deliciosa interação entre professor e aluno, na busca pelo conhecimento da Palavra, e pelo crescimento no caráter e no serviço cristão.


Obs: Esse texto, de autoria do Pr. Altair Germano, publicado na Revista Ensinador Cristão (CPAD), No. 27, 3º. Trimestre de 2006, foi atualizado e adaptado por seu autor para este blog.

Um comentário:

Elisomar disse...

Puxa! como seria bom que na verdade houvesse uma compreensão. mas isso é quase impossível. Bom seria tb que, ao pensar em construir ou alugar um local para templo, já se fizesse as divisões.
Porque tentar remediar, fica difícil. rsrs