quinta-feira, 18 de outubro de 2007

O PENSAMENTO DE LUTERO SOBRE EDUCAÇÃO


O empenho por uma boa educação foi uma das marcas da Reforma Protestante. O pensamento de Lutero acerca deste tema é expresso principalmente em seu escrito "AOS CONSELHOS DE TODAS AS CIDADES DA ALEMANHA PARA QUE CRIEM E MANTENHAM ESCOLAS CRISTÃS - 1524".

1. Sobre o abandono das escolas

"Em primeiro lugar, constatamos hoje em todas as partes da Alemanha que as escolas estão no abandono (p. 303)."

2. Sobre a falta de investimentos em educação

"Caros senhores, anualmente é preciso levantar grandes somas para armas, estradas, pontes, diques e inúmeras outras obras semelhantes, para que uma cidade possa viver em paz e segurança temporal. Por que não levantar igual soma para a pobre juventude necessitada, sustentando um ou dois homens competentes como professores? (p. 305)"

3. Sobre a aplicação de métodos de ensino mais eficazes

"É bem verdade: se as universidades e conventos continuarem como estão sem a aplicação de novos métodos de ensino e modos de vida para os jovens, preferiria que nenhum jovem aprendesse qualquer coisa e que ficassem mudos (p. 306)."

4. Sobre as crianças longe da sala de aula em idade escolar

"Em minha opinião, nenhum pecado exterior pesa tanto sobre o mundo perante Deus e nenhum merece maior castigo do que justamente o pecado que cometemos contra as crianças, quando não as educamos (307)."

5. Sobre a responsabilidade do Estado em prover educação

"Acaso as autoridades e o Conselho querem desculpar-se e dizer que isso não lhes diz respeito? (p. 308)"

6. Sobre o benefício social da educação

"Muito antes, o melhor e mais rico progresso para uma cidade é quando possui muitos homens bem instruídos, muitos cidadãos, ajuizados, honestos e bem educados (p. 309)."

7. Sobre a ludicidade na educação

"Falo por mim mesmo: se eu tivesse filhos e tivesse condições, não deveriam aprender apenas as línguas e história, mas também deveriam aprender a cantar e estudar música com toda a matemática (p. 319)."

8. Sobre a opressão na escola

"Pois as escolas de hoje já não são mais o inferno e purgatório de nossas escolas, nas quais éramos torturados com declinações e conjugações, e de tantos açoites, tremor, pavor e sofrimento não aprendemos simplesmente nada (p. 319)."

9. Sobre a qualificação dos docentes

"Visto, porém, que Deus nos agraciou tão ricamente, concedendo-nos uma grande quantidade de pessoas aptas a instruir e educar maravilhosamente a juventude [...] (p. 306)."

10. Sobre um mundo melhor proporcionado pela educação

"Usemos também a razão, para que Deus se aperceba da gratidão por seus bens, e outros países vejam que também somos gente e pessoas que podem aprender deles ou ensinar-lhes algo útil, a fim de que também nós contribuamos para o melhoramento do mundo (p. 321)."

As necessidades descritas acima por Lutero retratam o sistema de ensino na Alemanha do século XVI (que mais parece o Brasil do século XXI. Que atraso!) Estas citações visam promover uma reflexão que resulte numa maior mobilização do Estado, da família, da escola, da igreja, de todos aqueles que podem contribuir mais e melhor para uma educação que combata as injustiças sociais, e colabore para a humanização daqueles que são cada vez mais "coisificados" e explorados por seus algozes"dominadores".

BIBLIOGRAFIA

STRECK, Edson E. et al. Martinho Lutero: obras selecionadas. São Leopoldo-RS: SINODAL/CONCÓRDIA, 1995. v. 5.

5 comentários:

Elisomar disse...

Infelizmente temos poucos homens de mentes brilhante assim. Quem pode fazer algo, se esquiva como se não fosse obrigação sua. Quando será que abrirão os olhos?
Muitos da alta classe já nem criam seus filhos aqui no pais. É mais fácil fugir ou tentar encontrar solução para o problema? Ainda há tempo de voltar desse túnel de degradação social.

Victor Leonardo Barbosa disse...

A contribuição de Lutero para educação é importantissíma, quemd era se nosso país ouvisse o que o prtestantismo tem a dizer sobre a educação.

Paulo Silvano disse...

Caro Pr Altair,
Essa tradição da busca da excelência no ensino perpetuada pelos reformados, mostra-nos a nítida diferença nas relações com Deus, quando comparados com os pentecostais. Preferêncialmente os protestantes reformados assumiram falar sobre Deus, enquanto os pentecostais, manifestamente dentro da cultura da oralidade, valorizam o falar com Deus.

Um abraço

Elian Soares disse...

Caro Pr. Altair Germano!

Achei o artigo de grande relevância para nosso conhecimento e edificação. A Reforma, queiram ou não queiram, foi uma das maiores revoluções que o mundo presenciou e se beneficou dela.

Mudando de assunto, gostaria que o senhor atentasse para um e-mail q te enviei ( altair.germano@gmail.com ) sobre a incidência de modismo em uma de nossas congregações (cai-cai), onde solicitei informações e fiz uma consulta.

Se eu for digno da sua atenção, por favor, me responda!

Desde já, agradeço,

Em Cristo,

Elian
E-mail: elianbrother@msn.com

>> Teo Jornalista disse...

Nosso modelo de educação é falido. Isso é fato, apesar dos esforços isolados de muitos professores e voluntários que têm apresentado resultados positivos. Colocar crianças na escola resolve parte do problema, não o todo. É preciso consciência e investimento. Os beneficiados também precisam aprender a valorizar o que têm, e lutar pela sua melhoria; tem muita gente que, além de reclamar, contribui para depedração dos serviços básicos. Educação se aprende em casa, não na escola somente. Sou a favor do ensino escolar em casa e da redução de idade mínima para se permitir o trabalho aos adolescentes e jovens como forma de aprendizado. Mas, infelizmente, o governo atual não tem interesse nisso, e sim em tudo que atender aos seus interesses despóticos e totalitários.