terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Abuso Sexual no Ministério

O abuso sexual cometido por líderes religiosos não se limita aos casos que envolve a Igreja Católica. As igrejas evangélicas enfrentam o mesmo problema. 

No livro "Ética Ministerial", de Carter e Trull, publicado pela Vida Nova, o capítulo sete trata dessa questão.
Mesmo partindo da realidade americana, as questões abordadas se aplicam também para a igreja no Brasil. É bem provável que o leitor desse post conheça pelo menos um caso de abuso sexual cometido por algum líder/obreiro (diácono, presbítero, evangelista, pastor, etc.) na cidade onde mora.

Por muito tempo os ministros cristãos eram tidos como pessoas de integridade inquestionável, dignos de respeito e confiança, mas tal conceito tem sido comprometido com a continuação dos casos de abuso sexual.

O abuso de poder está diretamente relacionado com o abuso sexual. A maior parte das vítimas dos ministros são do sexo feminino (mulheres adultas), mas envolve também crianças, adolescentes e jovens, inclusive do mesmo sexo.

Em alguns casos a conduta sexual indevida do ministro com mulheres e jovens é consensual, inclusive partindo de comportamentos sedutores do sexo oposto, mas que não diminui a gravidade do problema. Os ministros cristãos não estão isentos de ser tentados, e para vencer as tentações é preciso ser prudente e vigilante. Quanto mais a tentação é alimentada, mas difícil se torna recuar.

Nas pesquisas citadas no livro, os números são alarmantes. Uma das pesquisas informa que a incidência de casos de abuso entre ministros cristãos e membros da igreja, supera a incidência de casos entre médicos e psicólogos e seus clientes.

Outra questão levantada é a postura dos líderes do ministério e denominações diante dos casos de abuso sexual. Enquanto alguns ministérios e denominações são bastante rigorosos, outros agem no sentido de encobrir os fatos e acobertar o infrator, inclusive permitindo que diante da impunidade o mesmo volte a cometer tal prática. Isso acontece geralmente quando um ministro que cometeu abuso sexual é simplesmente transferido de igreja ou campo, sem sofrer disciplina nem afastamento das suas funções. Nesse caso o responsável ou responsáveis pela transferência tornam-se coniventes com a prática do abuso sexual.

No estado do Colorado (EUA) uma igreja foi condenada a pagar uma indenização de 1,2 milhões de dólares a uma vítima de abuso sexual. Diante disso a igreja começou a investir em treinamento preventivo para minimizar os riscos de tal prática.

Os autores de "Ética Ministerial", Carter e Trull, apontam três tipos de ministros abusivos:

- O predador: É o indivíduo que busca de forma ativa e constante abusar sexualmente de membros da igreja.

- O eventual: Não comete abuso sexual de forma premeditada, e geralmente se envolve devido algumas vulnerabilidades.

- O amante: É o que se apaixona. Não é motivado pelas intenções do "predador", nem pelas condições do do "eventual".

Diante da realidade e gravidade dos fatos, busquemos pelos meios cabíveis formas de prevenir, inibir e corrigir tal prática, livrando assim a igreja, os ministros, as vítimas e as suas respectivas famílias de todas as consequências indesejáveis e devastadoras do abuso sexual.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Aconselhamento: Quando Falta a Ética Pastoral

Infelizmente não são poucos os casos de irmãos que buscam o aconselhamento pastoral, para logo em seguida ter a sua vida ou problemas expostos publicamente. Isso acontece geralmente de duas maneiras:

- O conselheiro leva o problema tratado em segredo para a tribuna da igreja, promovendo dessa forma, além do constrangimento, sérias dificuldades para o aconselhado;

- O conselheiro comenta o problema (tratado em segredo) com terceiros (outros líderes ou esposa), e de alguma forma o assunto torna-se conhecido de toda a comunidade;

Por estas e outras razões, cada vez menos os gabinetes pastorais são frequentados. Muitos líderes estão perdendo a confiança dos membros da igreja, que acabam por vezes buscando o aconselhamento com outros em quem confiam.

Quando a relação de confiança entre o pastor e a congregação é afetada ou acaba, a dignidade, a autoridade e o respeito da liderança cristã são gravemente comprometidos.

Zelemos como verdadeiros homens de Deus pela ética no aconselhamento pastoral.

Liderança Posicional (2)

Algumas posturas e ações são necessárias para evoluir na liderança.

Não nos sirvamos sempre da posição para fazer as coisas acontecerem.

Nunca acreditemos que merecemos a nossa posição. Liderança não é direito. É privilégio. Tem de ser continuamente conquistada.

Compreendamos que a posição de liderança pode ser reconhecida e recebida num dia, mas o desenvolvimento da liderança é um processo ao longo da vida.

Os muitos títulos não são suficientes para nos manter na liderança. 

Ficar lembrando aos liderados nosso cargo ou posição é um claro sinal de que a nossa liderança posicional não vai bem.

Busquemos bons conselheiros.

Considerando as questões acima, e outras mais, poderemos evoluir do nível da "posição" para o da "permissão" na liderança.

* Textos extraídos, parafraseados e expandidos da obra "Os 5 Níveis da Liderança", John Maxwell, CPAD.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

A Liderança Posicional (1)

A liderança meramente posicional é o nível mais baixo da liderança. As pessoas seguem o líder porque são obrigadas. Nesse nível a ameaça geralmente norteia a relação líder-liderado. 

Líderes meramente posicionais se valem do cargo para desvalorizar e humilhar as pessoas.

Líderes meramente posicionais alimentam-se de política, ou seja, vivem criando manobras na instituição para poderem se manter no cargo.

Líderes meramente posicionais são controladores em vez de cooperadores. São dominadores em vez de desenvolvedores.

Líderes meramente posicionais se valem de sua posição para benefício próprio, fazendo dos liderados meios para alcançar os seus projetos pessoais.

Líderes meramente posicionais são inseguros e facilmente se sentem ameaçados.

Líderes meramente posicionais afastam as pessoas de si. São solitários.

Líderes meramente posicionais podem comprar o tempo, a presença física de pessoas, as habilidades profissionais ou ministeriais, mas não podem comprar entusiasmo, lealdade, nem devoção de coração e mente.

A posição não faz o líder; o líder faz a posição.

* Textos extraídos, parafraseados e expandidos da obra "Os 5 Níveis da Liderança", John Maxwell, CPAD.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

A Soberania de uma Assembleia

A palavra assembleia vem do latim "assimulare" (juntar) e do francês "assemblée" (assembleia), e significa reunião de muitas pessoas para determinado fim.

"A assembleia como forma de organização para a tomada de decisões existe tanto no campo político como no campo privado. Podemos encontrar assembleias que tomam decisões políticas de grande relevância, como também há pequenas assembleias que discutem apenas as questões relacionadas à comunidade local, ou ainda grandes corporações que convocam assembleias de acionistas para aprovar determinadas medidas.

Todos e cada um desses casos têm o objetivo de tomar uma decisão que tenha o respaldo da maioria e, portanto, ser responsável das consequências em lugar de deixar essa responsabilidade nas mãos de um único indivíduo." (Via https://conceitos.com/assembleia/)

"No âmbito de suas competências e fundamentada pelo Estatuto, a Assembleia é a instância deliberativa máxima, sendo suas decisões recorríveis apenas a instâncias externas à instituição. Por isso cabe à Assembleia tomar decisões que sejam justificáveis de acordo com o Estatuto e não baseadas na suposta “soberania” da mesma, lançando mão de “métodos criativos” de tomada de decisão que, por mais bem intencionados que sejam, não se justifica juridicamente." (Via www.celu.com.br)

Pesquisando e consultando alguns amigos juristas, ficou claro que uma Assembleia (reunião de pessoas especificamente convocadas por determinação legal, regulamentar ou estatutária, para resolver assuntos submetidos à sua deliberação) não é "soberana" para decidir o que bem entender, ou seja, não deve desrespeitar o próprio Estatuto e Regimento Interno aos quais está submissa.

Nos casos omissos no Estatuto e no Regimento Interno, cabe a decisão soberana da Assembleia, desde que não infrinja as normas já estabelecidas nos mesmos, lembrando que a sua decisão é soberana no sentido de ser ela o Órgão máximo da instituição.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Doenças, Enfermidades e Unção com Óleo

"A  ministração  da  unção  com  óleo  sobre  os  enfermos  é  uma  doutrina  do  Novo Testamento  ensinada  e  incentivada  como  prática  de  fé  para  os  crentes:  'Está  alguém  entre  vós  doente? Chame  os  presbíteros  da  igreja,  e  orem  sobre  ele,  ungindo-o  com  azeite  em  nome  do  Senhor'  (Tg 5.14).  

A  unção  sobre  os  enfermos  era  um  ritual  comum  nos  tempos  bíblicos  do  Novo  Testamento.  Os discípulos  usavam  a  unção  com  óleo  desde  os  dias  do  ministério  terreno  de  Jesus:  'e  ungiam  muitos enfermos  com  óleo,  e  os  curavam' (Mc  6.13).  

A  ênfase,  entretanto,  não  está  no  azeite,  mas,  sim,  na oração  da  fé,  que  salva  o  doente. 

A  única  unção  estabelecida  como  prática  na  igreja  foi  a  unção  com óleo,  ministrada  somente  sobre  os  enfermos.  

Essa  é  uma  prática  exercida  nos  moldes  do  Novo Testamento,  sendo,  portanto,  efetuada  somente  pelos  que  exercem  a  liderança  da  igreja.  Entre nós,  é praticada  por presbíteros, evangelistas  e  pastores." (Declaração de Fé das Assembleias de Deus no Brasil)

As palavras gregas que foram traduzidas no contexto da cura divina, como astheneia (Mt 10.18; Lc 4.40; Jo 5.3; At 5.15; Tg 5.14), arrôstous (Mt 14.14; Mc 6.13; 16.18) e kamnô (Tg 5.15), estão sempre associadas nestes contextos a um estado de incapacidade, disfunção ou fraqueza de ordem física e orgânica. 

Não se sustenta assim a ideia de ungir com óleo os casos de doenças ou distúrbios de ordem mental, tais como o déficit de atenção, a hiperatividade, os transtornos de aprendizagem, a loucura, as manias, as alucinações, as neuroses e psicoses de forma geral, as doenças ou distúrbios de ordem emocional, tais como a depressão, a ansiedade, o pânico, o medo, etc., nem os males espirituais, tais como a opressão e possessão demoníaca. Para tais casos a oração (sem a unção com óleo) é recomendada, e no caso da possessão demoníaca, a expulsão dos demônios em nome de Jesus.

A unção com óleo (Tg 5.14-15), seguida da oração, está associada à manifestação ou estado de incapacidade, disfunção ou fraqueza de ordem física/orgânica. É por esta razão que ela se aplica no corpo do doente, seguida de oração, como um ato de fé, para que o Senhor o levante.

Nos casos das somatizações (manifestações de incapacidade, disfunções ou fraqueza no corpo de males de origem emocional e espiritual), nem sempre discerníveis num primeiro momento, não vemos biblicamente problema em ungir com óleo o doente, seguido da oração da fé (Tg 5.15). Contudo, ao se ter discernimento das reais causas, deve-se seguir as orientações bíblicas.

Com base em Tiago 5.14-15, e nas publicações oficiais das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB), não unjo com óleo:

- Pessoas cujas enfermidades não se manifestem no corpo (independentemente da origem);

- Pessoas que querem uma benção (sem ser a cura divina);

- Pessoas endemoniadas;

- Pessoas mortas;

- Ofertantes e dizimistas (a não ser que estejam doentes e queiram a unção);

- Coisas (carro, moto, casa, alianças, etc);

- Animais

- A mim mesmo

Não unjo com óleo ninguém, nem nada, fora daquilo que Tiago em sua epístola prescreve. 

Assim ensino, assim pratico.

Não é necessário que o doente ao pedir a unção com óleo especifique a doença, formalidades mecânicas, nem algum espetáculo litúrgico, mas simplicidade. 

O necessário é que qualquer pessoa ao pedir a unção com óleo saiba que ela só deve ser pedida em caso de enfermidades manifestas no corpo.

Para isso a congregação deve ser ensinada, evitando-se assim algumas práticas que não encontram fundamentação bíblica para a igreja.

Um pastor ou obreiro, em qualquer questão bíblica e doutrinária não deve ensinar meias verdades à congregação, para com base nisso se beneficiar de alguma forma, ou agradar aos seus ouvintes.

A verdade precisa ser ensinada em amor, para que haja um crescimento saudável da igreja local.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Religiões na Itália - Censo 2016

Conforme o Censo de 2016 o atual panorama religioso na Itália é o seguinte:

Católicos - 77,3% (apenas 25,4% são praticantes)

Islâmicos - 3,1% (o maior fator de crescimento é a imigração)

Católicos Ortodoxos - 2,8%

Protestantes - 1,1% (evangélicos pentecostais, não-pentecostais e neopentescostais)

Testemunhas de Jeová, Mormons e Adventistas - 0,8%

Budistas - 0,4%

Induistas - 0,3%

Judeus - 0,1%

13,9% dos habitantes da Itália declaram não ter religião.

A Itália tem cerca de 60 milhões de habitantes, onde aproximadamente apenas 600 mil se declaram evangélicos/protestantes.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

A Obra da Salvação - Correção na Lição Bíblica


IMAGEM: Tiago Rosas

No dia 1/9 o irmão Tiago Rosas chamou a atenção em seu perfil no Facebook para uma declaração feita na próxima lição bíblica da CPAD, que segundo ele necessitava de uma correção:


Ao ter conhecimento do fato, tomei a iniciativa de compartilhar e comentar o post do irmão Tiago Rosas em meu perfil, ao mesmo tempo em que entrei em contato com o comentarista da lição, o pastor Claiton Pommerening:


O pastor Claiton me respondeu, alegando que a lição fora escrita para irmãos simples da igreja os quais essas informações poderiam ser confusas, e por isso simplificou a Teologia de Armínio na lição, mas que no livro publicado para dar suporte à lição tudo estaria explicado mais detalhadamente. Afirmou ainda que o livro teria que ser lido, pois lá ele cita Armínio, a obra dele lançada pela CPAD e trás alguns esclarecimentos breves, dada a limitação de espaço no livro.

Agradeci a resposta, e como não tenho o livro (estou na Itália), e muitos professores e alunos também não terão acesso ao mesmo, o problema com a declaração feita na lição continua, pois colocada como está (simplificada) não expressa o objetivo principal do Arminianismo.

No dia 4/9 um amigo me enviou o vídeo do professor Gunar Berg defendendo a afirmação do comentarista, cujo argumentos não me convenceram:


Tanto na Declaração de Sentimentos de Armínio, como no documento elaborado pelos Remonstrantes em 1610 (Os Cinco Artigos), e em sua obra de forma  geral, é a graça de Deus, e a sua ação na obra salvífica que ganham destaque, e de onde emanam as principais discussões e proposições, inclusive as que concernem ao livre-arbítrio humano.

Se quisermos sustentar a hipótese de alguma defesa do livre-arbítrio humano em Armínio, tal defesa precisa ser compreendida como a correção de certas ideias equivocadas e difundidas a seu respeito.

Em Armínio o livre-arbítrio humano é incapaz de iniciar ou aperfeiçoar qualquer ação que busque obedecer ou agradar a Deus.

Em Armínio, somente a graça divina (precedente ou preveniente) possibilita ao homem ter livre exercício de vontade para crer ou resistir, para corresponder livremente com arrependimento e fé, e responder positivamente ao chamado divino.

Em Armínio o livre-arbítrio humano para as coisas de Deus precisa ser liberto pela graça precedente e preveniente.

Em Armínio a capacidade humana de exercer o livre-arbítrio para com as coisas de Deus precisa ser restaurada pela graça precedente e preveniente.

Em Armínio os efeitos da depravação total sobre o livre-arbítrio humano para com as coisas de Deus precisam ser suspensos pela graça precedente ou preveniente.

Em Armínio o livre-arbítrio humano para com as coisas de  Deus não é ignorado, nem tampouco exaltado, é sim, exposto e colocado em seu devido lugar na "mecânica da salvação", à luz da graça, da justiça e do amor de Deus, segundo as Escrituras.

Isto posto, é preciso deixar claro que:

1. Erros como este já aconteceram em outras lições bíblicas da CPAD;

2. Tais erros podem decorrer do pouco espaço que a lição tem para que uma ideia seja devidamente exposta, ou de um problema na hora da edição da mesma;

3. O erro não desqualifica a Editora, nem tampouco o comentarista, nem ainda os consultores teológicos, bastando apenas um maior cuidado diante das limitações editoriais de uma lição bíblica;

4. Na minha vida ministerial já fiz afirmações equivocadas, ou não muito claras, e precisei corrigi-las ou esclarecê-las. Isso, no meu entendimento, é um gesto nobre.

A todos envolvidos na questão e aqui citados, fica o meu sincero respeito e a minha admiração, mesmo não concordando com o meu posicionamento teológico.

Teologia sem discussão é mera imposição argumentativa, ou reprodução acrítica de ideias.

No amor de Cristo,

Pr. Altair Germano

Imagem: Tiago Rosas