segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Nós Pastores não Somos Donos dos Votos da Igreja

Tenho aqui me manifestado publicamente sobre a minha preferência para a presidência da República nestas eleições, e justificado as razões.

Diante de tanta coisa que tenho lido e ouvido, é importante lembrar que um pastor não é dono do voto de ninguém, aliás, ele não é dono nem da igreja (1 Pe 5.1-4).

Um pastor pode promover consciência política, orientar, aconselhar, mas nunca exigir que alguém vote no candidato de sua preferência, e nem punir alguém por não ter votado.

Temos no Brasil pastores que defendem o comunismo marxista, a ditadura de regimes como o da Venezuela, a ideologia partidária do PT que é a favor do aborto, da doutrinação sexual de crianças, da ideologia de gênero, da desconstrução do modelo tradicional de casamento e família, de privilégios para os LGBT+, do controle da imprensa, de uma maior centralização de poder do Estado, etc.

Temos outros pastores que são claramente contrários a tudo isso, em razão da incompatibilidade com a moral cristã, mas que são também conscientes de que não existe candidato, nem ideologia política partidária perfeita.

O que existe de forma clara é um momento no cenário político brasileiro, onde o PT perdeu a total credibilidade em razão do envolvimento com esquemas de corrupção, e que nem a imagem de Lula associada ao candidato deste partido, o Fernando Haddad, ajuda mais, tanto que foi tirada da campanha neste segundo turno, inclusive trocando o vermelho tradicional pelas cores da nossa bandeira, numa tentativa clara de mudar de aparência, sem mudar a essência, de mudar o discurso, sem mudar o percurso.

De qualquer maneira, vivemos numa democracia, onde um pastor pode votar em qualquer candidato, ter e expressar sua preferência política, mas nunca obrigar ou tentar constranger as ovelhas a seguir as suas preferências.

Tanto o candidato Jair Bolsonaro, quanto o candidato Fernando Haddad, nas ideias, palavras e ações, com certeza, em algum momento entraram ou entrarão em conflito com os princípios cristãos. Nem um dos dois é perfeito, o que não significa que devemos deixar de votar.

Com um rápido olhar para o passado, vamos perceber que nunca elegemos alguém perfeito, pois simplesmente não existe a possibilidade de perfeição humana numa natureza caída e pecaminosa.

Contudo, entre os dois candidatos imperfeitos, com ideias, planos, posturas e ações imperfeitas, podemos sim, escolher o que entendemos ser o melhor para a nossa nação no atual contexto.

No mais, vou continuar escrevendo e postando sobre política até o final da eleição, informando e cooperando no processo de promover uma consciência política que resulte na autonomia e no livre exercício da cidadania do eleitor, principalmente do cristão.

Apesar de não concordar com tudo que o Bolsonaro diz e pensa, não voto no Haddad pelas seguintes razões:

1°) Pois já provou sua incompetência administrativa como prefeito de São Paulo;

2°) É claramente manipulado pelo ex-presidente Lula;

3°) Seu plano de governo não atende os meus ideais de democracia para o Brasil;

4°) O seu partido, o PT, além de ideologicamente e moralmente ser contrário ao que acredito na condição de cristão que sou, perdeu a credibilidade em razão de promover o maior esquema de corrupção na história do nosso país.

Como já disse, na condição de pastor, respeito os pastores e irmãos em Cristo que diferem de minha opinião e opção eleitoral, mas independente de nossas escolhas, as escolhas e os votos da igreja devem ser respeitados.

Não somos donos dos votos da igreja!

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Para Ouvir e Anunciar a Palavra de Deus - Subsídio para Lição Bíblica CPAD - 4º Trimestre/2018



Ao dedicarmos uma maior atenção ao estudo da Parábola do Semeador, logo percebemos a necessidade de esclarecer algumas dificuldades na interpretação da referida parábola. Ela, sem dúvida alguma está entre as mais conhecidas, tem um papel fundamental nos evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas), mas é considerada pelos eruditos uma parábola difícil.[1] Partiremos das observações feitas por Snodgrass, para analisarmos tais dificuldades.

1 – Em Marcos 4.10-12 temos uma fundamentação bíblica para a dupla predestinação, conforme ensina o calvinismo?

Em Marcos 4.10-12 lemos:

Quando se achou só, os que estavam ao redor dele, com os doze, interrogaram-no acerca da parábola.  E ele lhes disse: A vós é confiado o mistério do reino de Deus, mas aos de fora tudo se lhes diz por parábolas; para que vendo, vejam, e não percebam; e ouvindo, ouçam, e não entendam; para que não se convertam e sejam perdoados.

Em primeiro lugar, é necessário considerar a citação feita ao texto de Isaías 6.9, 10 em Marcos 4.12. Ao profetizar para os seus contemporâneos, a pregação de Isaías faria com que os seus corações se endurecessem mais ainda contra o Senhor. Não é Deus que procura se opor à conversão e ao arrependimento, mas as próprias pessoas com uma resistência obstinada.

Os que ficam de fora, para quem a parábola permanece um mistério, e assim produzindo a impossibilidade de arrependimento e conversão, são os que não possuem a boa vontade em ouvir e obedecer a mensagem de Jesus. Tal realidade é encontrada também em Mateus 11.25,26; Lucas 10.21-22; 19.41,42. Em resumo:

Nenhuma dessas passagens nem Marcos estão tratando de alguma espécie de “endurecimento divino” e, seguramente, não estamos falando de ideias acerca da predestinação. A ênfase está colocada na responsabilidade humana e na boa vontade em ouvir e não reproduzir o modelo da recusa de Israel em ouvir os mensageiros de Deus (cf. 12.1-12). As pessoas se colocam do lado de dentro ou de fora de acordo com a resposta que dão à mensagem e a sua posição não está permanentemente determinada.[2]

O efeito da Palavra depende de quem a ouve. Qualquer pessoa pode se voltar para Deus, dessa forma não existe um grupo para quem foi concedido e outro para quem não foi.[3] O semeador deve plantar indiscriminadamente, mas os ouvintes devem assegurar-se de serem solo fértil, capaz de receber e cultivar a semente, que é a Palavra de Deus.[4] Para Pohl:
Naturalmente, a palavra de Isaías a princípio é dura. Mas de forma alguma ela ensina que uma parte dos ouvintes da pregação está condenada aleatoriamente, sem motivo. Isaías não está pregando a páginas em branco, mas a um povo obtuso como um boi ou um jumento (Is 1.3).”[5]

Na nota de rodapé da Bíblia de Estudo Pentecostal, sobre Marcos 4.3 lemos: “A conversão e a frutificação espiritual dependem de como a pessoa se porta ante a Palavra de Deus (v. 14; cf. Jo 15.1-10).”[6] A qualidade da terra decide sobre o rendimento da semente.[7] A resposta humana diante da graça preveniente de Deus é o fator aqui descrito na parábola.
Contra a ideia de que uma misteriosa vontade de Deus teria destinado uma parte da humanidade à perdição (teoria do endurecimento)[8], em linha com as Sagradas Escrituras, a Declaração de Fé das Assembleias de Deus afirma:

[...] Por conseguinte, a salvação está disponível a todos os que creem. Sim, todos nós, sem exceção, podemos ser salvos através dos méritos de Jesus Cristo, pois todos nós fomos criados à imagem de Deus. O Soberano Deus não predestinou incondicionalmente pessoal alguma à condenação eterna, mas, sim, almeja que todos, arrependendo-se, convertam-se de seus maus caminhos.[9] (Tt 2.11; At 17.30)

O propósito das parábolas de Jesus é sempre o de esclarecer, tornar compreensiva a mensagem do Evangelho, gerando assim oportunidade de transformação espiritual, mental e comportamental, ou seja, realizar uma mudança integral no homem integral.

2 – Como compreender culturalmente a semeadura descrita na parábola?

Uma dificuldade no aspecto cultural encontrado na Parábola do Semeador se relacionado ao modo como a semeadura é narrada no texto. Aos olhos das técnicas e práticas agrícolas modernas, o semeador parece ser um pouco negligente ou desleixado. Tal dificuldade cultural é explicada, entendendo-se que o procedimento descrito na parábola era normal, onde a semeadura precedia a aradura:

[...] a semeadura é feita com mais frequência antes da aradura, salvo no caso da semeadura tardia, na qual ocasionalmente, a aradura é feita tanto antes como depois da semeadura. [...] em qualquer caso, depois da semeadura a semente é arada para dentro do solo.[10]

Rienecker comenta que:

Poderíamos, agora, criticar o semeador por ter semeado com pouca destreza, porque tantos grãos se perderam. É preciso saber que na Palestina se semeia antes de lavrar. O semeador da parábola, portanto, caminha pelo terreno não lavrado. Intencionalmente semeia sobre o caminho que os moradores da aldeia pisaram no chão, porque o caminho será lavrado também. De propósito a semente é lançada entre os espinhos, porque também eles serão tombados. Tampouco causa estranheza que as sementes caiam sobre rochedos, pois a rocha ficará visível sob a fina crosta de terra somente depois que a lâmina do arado a arranhar. Desse modo desfaz-se a crítica da inabilidade do semeador, porque o método de trabalho do oriental é diferente da do europeu.[11]

Ainda se argumenta que não se sabe se a aradura vinha antes nesse caso da Parábola do Semeador, e não se deu ênfase na narrativa a esse aspecto. Não há detalhes desnecessários nas parábolas.[12] Ainda contribuindo com o entendimento da narrativa:

Um agricultor não semearia de modo intencional em um caminho; entretanto, ocasionalmente, algumas sementes poderiam cair ao longo dele. O fato de algumas sementes terem caído junto aos espinhos poderia significar que a semente foi semeada no meio de espinheiros ressecados do ano interior que serão arados para baixo da terra, ou poderia simplesmente ser uma forma breve de expressar que a semente foi semeada em um campo arado onde os espinhos posteriormente crescerão. Nenhuma tentativa foi feita para explicar o motivo por que os pássaros comeram somente as sementes que caíram à beira do caminho, e não as semeadas no campo, mas se, como indicam as evidências, a pessoa que arava vinha logo após a que semeava, a semente no campo teria sido coberta antes de os pássaros poderem tê-la alcançado. No fim das contas, entretanto, essas perguntas não são importantes para a compreensão da parábola.[13]

Em minhas pesquisas, somente MacArthur fala do campo arado antes do plantio naquele contexto.[14]

Com as explicações aqui colocadas, passa-se a compreender melhor os aspectos culturais da semeadura, para assim caminharmos no sentido de interpretar a parábola, e aplica-la à nossa realidade.

3 – A Interpretação da Parábola do Semeador

O semeador aponta para o próprio Jesus, podendo também ser aplicado ao Espírito Santo e a todos os cristãos, que devem ser prudentes, orando por oportunidades e lugares para semear com diligência, perseverança, semeando a tempo e fora de tempo, consagrado, cordial e ousado.[15]

A semente é a Palavra de Deus, a mensagem do evangelho, pura em sua essência, e sem a necessidade de métodos ou apelos bizarros em sua proclamação. Sobre isso MacArthur escreve:
Os evangélicos adotam constantemente todo o tipo de métodos bizarros e não bíblicos, porque acreditam que conseguem assim provocar uma reação melhor nos corações endurecidos, superficiais e mundanos. Alguns alteram a semente ou fabricam semente sintética. Tentam atualizar a mensagem, amenizam o escândalo da cruz, deixam as partes difíceis ou impopulares para lá. Muitos simplesmente substituem o evangelho por uma mensagem completamente diferente.[16]

Apesar de existir semente estragada, adulterada e imprópria para o plantio, ela deve ser descartada. A tarefa de um agricultor inicia com a escolha da semente e o cuidado com a sua qualidade.[17]

É óbvio que existem métodos de evangelização nos dias atuais, que em razão dos recursos tecnológicos modernos não se encontram na Bíblia, como por exemplo usar as redes sociais, mas o princípio se encontra. Pode se falar hoje de uma semeadura online, sem negligenciar a semeadura presencial.

A ênfase da parábola está nos tipos de solo onde cai a semente. Para Snodgrass: “A única variável que determina o sucesso ou fracasso está na terra sobre a qual a semente cai. [...] A ênfase precisa recair sobre a receptividade e as condições do solo [...] A parábola dá ênfase tanto a receptividade quanto à geração de fruto”.[18]

Conforme Lockyer:

Os diferentes solos a que a parábola chama a atenção, são os traços que se destacam. A atenção é focalizada não no semeador ou na sua semente, mas no solo e sua reação à semente plantada. [...] A semente plantada nos quatro solos foi a mesma; mas que enorme diferença de resultados. Isso é a chave da parábola, e é assim “porque trata compreensivelmente da verdade fundamental, qual seja a proclamação do evangelho aos pecadores.[19]

A compreensão correta na ênfase da parábola, que recai sobre os solos (os ouvintes), nos leva para algumas considerações finais.

Na condição de semeadores, tudo que precisamos fazer é semear, considerando a postura esperada de um semeador já citada acima. Está acima do poder do semeador fazer a semente brotar e dar fruto. O único objetivo do semeador é semear a semente genuína, deixando o Espírito Santo fazer o seu trabalho nos ouvintes receptivos.

A mensagem do Evangelho, apesar das indiferenças e oposições, sempre encontrará, em todas as épocas e lugares alguém disposto a recebê-la. Não devemos nos desanimar com os aparentes insucessos ou fracassos, nem nos responsabilizarmos por eles, na medida em que cumprimos na direção e no poder do Espírito, e segundo as Escrituras, a nossa missão.


[1] SNODGRASS, Klyne. Compreendendo todas as Parábolas de Jesus. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, p. 219-220.
[2] Ibid., p. 244.
[3] STERN, David H. Comentário judaico do Novo Testamento. São Paulo: Atos, 2008, p. 73-74.
[4] ADEYEMO, Tokunboh. Comentário Bíblico Africano. São Paulo: Mundo Cristão, 2010, p. 1164.
[5] POHOL, Adolf. Evangelho de Marcos: Comentário Esperança. Curitiba-PR: Esperança, 1998, p. 157.
[6] Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1995, p. 1468.
[7] BRAKEMEIER, Gottfried. As parábolas de Jesus: Imagens do Reino de Deus. São Leopoldo: Sinodal, 2016, p. 50.
[8] POHL, Adolf. Ibid.,p. 154.
[9] Declaração de Fé das Assembleias de Deus. 2. Ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2017, p. 110.
[10] SNODGRASS, Klyne. Ibid., p. 249.
[11] RIENECKER, Fritz. Evangelho de Mateus: Comentário Esperança. Curitiba-PR: Esperança, 1998, p. 217.
[12] SONODGRASS, Klyne. Ibid.
[13] Ibid.
[14] MACARTHUR, John. As parábolas de Jesus. Rio de Janeiro: Thomas Nelson, 2018, 45.
[15] LOCKYER, Herbert. Ibid., p. 196
[16] MACARTHUR, John. Ibid., p. 55.
[17] BRAKEMEIER, Gottfried. Ibid., p.55.
[18] SNODGRASS, Klyne. Ibid., p. 252, 261.
[19] LOCKYER, Herbert. Ibid., p. 198-199




terça-feira, 2 de outubro de 2018

Uma Breve Análise do Livro “Em Nome de Quem?: A Bancada Evangélica e Seu Projeto de Poder”

Na referida obra, a jornalista Andrea Dip faz algumas críticas pertinentes a certas práticas religiosas e políticas dentro do pentecostalismo e neopentecostalismo brasileiro. Nos traz informações atualizadas sobre os últimos acontecimentos e ações de membros da bancada evangélica no Congresso, que vai desde a elaboração de Projetos de Lei, até acusações, processos e investigações contra os mesmos.

Contudo, fica evidente o uso de artifícios semânticos, de linguagem tendenciosa, que tenta apresentar de forma mais aceitável as ideias que trabalham em favor da desconstrução dos valores tradicionais da sociedade, da família, da educação e da religião. As expressões discurso de ódio, intolerância, fundamentalismo, homofobia, reacionários e preconceito, se encontram presentes em vários lugares da obra.

A autora concorda com a ideia de que a expressão “ideologia de gênero”, criada no interior de uma ala conservadora da igreja católica e no movimento pró-vida e pró-família, não condiz com os reais propósitos dos Estudos de Gênero. 

A preocupação com a posição e ação das igrejas evangélicas pentecostais e neopentecostais contra a ideologia de gênero ganha destaque no livro, que além de citar o termo “gênero” cerca de 105 vezes, ainda dedica um capítulo inteiro ao assunto.

O livro não tem apenas o caráter investigativo, informativo e crítico a que se propõe, mas é claramente uma defesa dos chamados “direitos” das minorias, sem criticar a tentativa de “privilégios” para a minoria. Alega ainda a não abertura da bancada evangélica para “discussão”, mas não critica a tentativa da “imposição” das atuais ideias sobre gênero e outros temas em questão.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

O Ladrão: Exegese de João 10.10




"O ladrão não vem senão a roubar, a matar e a destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham com abundância.” (Jo 10.10)

Quem é o ladrão mencionado por Jesus no texto de João 10.10? São muitos os pregadores e ensinadores que afirmam ser o diabo. Eu mesmo já perdi a conta das vezes que ouvi dos púlpitos tal afirmação. Desde já, é preciso deixar claro, que matar, roubar e destruir, sem dúvida alguma, fazem parte das obras do diabo (1 Pe 5.8; 1 Jo 3.8). Mas era ao diabo que Jesus se referia no texto aqui em análise? Vamos aos fatos.

Uma das principais regras de uma boa hermenêutica é considerar e analisar o contexto imediato do versículo, ou seja, os versículos precedentes e posteriores, e claro, todo o capítulo, e se for o caso, os capítulos precedentes e posteriores. Em alguns casos, todo o livro, com o seu tema principal, deve ser observado. Conforme Plummer:

Qualquer porção da Escritura deve ser lida no contexto da sentença, do parágrafo, da unidade de discurso maior e de todo o livro bíblico. Quanto mais o leitor se afasta das palavras em questão, tanto menos informativo é o material considerado. Tentar entender ou aplicar uma frase ou um versículo bíblico específico sem referência ao contexto literário equivale a uma quase certeza de resultar em distorções. Infelizmente, na literatura e na pregação cristã popular, há muitos exemplos dessa falta de respeito ao contexto de uma passagem. Uma das exibições mais dolorosas dessa falha hermenêutica é um pregador que exalta e confessa a autoridade e a inerrância da Escritura, enquanto, na prática, nega essa autoridade por meio de sua pregação negligente.[1]

Se considerarmos que a narrativa do capítulo 10 de João segue os fatos narrados no capítulo 9, onde lemos que em razão da cura de um cego de nascença, os fariseus, que tinham uma considerável representação e influência entre os líderes religiosos da nação, questionaram a curam e a procedência do poder de Jesus para operá-la (9.15-16), e que o capítulo 9 termina exatamente com uma resposta de Jesus aos fariseus, que buscavam esclarecer uma afirmação de Jesus sobre “cegos” espirituais ou de entendimento espiritual (9.40-41), tais fatos precisam ser considerados para compreendermos João 10.10. Carson compreende que:

O homem curado foi tratado de forma rude pelas autoridades religiosas e expulso da sinagoga. O que João escreve em seguida é, portanto, que muitos ladrões e assaltantes destroem as ovelhas, enquanto o bom pastor guia os seus para fora do aprisco e para dentro do seu próprio rebanho. E se a justaposição de 10.1-18 com o fim do capítulo 9 não é o bastante para estabelecer a conexão, João reporta a contínua incerteza dos judeus sobre a cura do home cego (10.19-21) para ligar as duas passagens entre si.[2]

No capítulo 10 as expressões “ladrões” (gr. Κλέπται, kléptai) e “salteadores” (gr. λῃσταί, lestaí) já aparecem no versículo 8, e ambas no plural, o que fortalece a ideia do texto se referir aos líderes da nação como pessoas não autorizadas, que entram e brutalizam as ovelhas. Um Ladrão é alguém que furta, apossa-se de forma secreta e sem permissão da propriedade de outra pessoa (Mt 24.43).[3] Um salteador, ou assaltante, é alguém que rouba com uso de força e violência (Lc 10.30).[4] Para Carson:

É difícil ler essas palavras sem pensar em diversos panos de fundo. De longe, o mais importante é Ezequiel 34. Lá o Senhor repreende “os pastores de Israel”, os líderes religiosos dos dias de Ezequiel, por matar os animais escolhidos, vestindo-se com a lã, porém falhando totalmente em cuidar do rebanho (Ez 34.4). [...] Se esse pano de fundo é original, então no contexto do ministério de Jesus os ladrões e assaltantes são os líderes religiosos que estão mais interessados em tosquiar as ovelhas do que guiá-las, nutri-las e protege-las. Eles são os líderes do capítulo 9, que deveriam ter ouvidos para ouvir as declarações de Jesus e reconhecê-lo como a revelação de Deus, mas que em lugar disso, desprezam e expulsam as ovelhas.[5]

Bruce, em seu comentário, diz que os ladrões e salteadores podem ser os integrantes do sistema, que se revelaram como péssimos pastores daqueles necessitados do rebanho de Israel, como era o homem que foi curado da sua cegueira. Pode-se, segundo ainda Bruce, pensar ainda em falsos messias, líderes de revoltas e outras pessoas desta estirpe, que mobilizavam seguidores em torno de si para conduzi-los ao desastre, como Teudas e Judas o galileu (At 5.36,37).[6]

Estranhos, ladrões e assaltantes podem chamar as ovelhas pelo nome e tentar imitar a voz do seu pastor. Os escribas e fariseus eram falsos pastores, e a sua voz confundiu e desencaminhou as ovelhas.[7] No Comentário Bíblico Pentecostal lemos que:

É proveitoso tentarmos descobrir o plano de fundo das palavras “ladrão” e “salteador”. Evidência pode ser encontrada na Palestina do século I para trás. Bandidos e revolucionários vagavam em todos os lugares e atacavam as pessoas. A questão é que esses líderes, que seguiam o rastro de Jesus pelo caminho, são falsos e não fazem nada senão desviar as pessoas.[8]

Para Champlin, pode-se interpretar os ladrões e salteadores como os líderes das diversas seitas de Israel, que tinham perdido de vista o seu propósito ou missão original, tendo-se corrompido de diversas maneiras, como os fariseus e saduceus. É fora de dúvida que isso faz parte da intenção e sentido original da fala de Jesus conforme mostra o contexto imediato.[9]

Aplicando a presente narrativa aos dias atuais, e comparando-a com as ações de ladrões e salteadores no contexto de João 10.1-18, Champlin compreende que tais condutas estão presentes também na igreja, onde falsos líderes podem usar de muitas práticas para roubarem e destruírem pessoas e a própria organização religiosa em benefício próprio. Embora possam parecer pastores do rebanho de Deus, e terem aparência de piedade, não passam de ladrões e salteadores da igreja de Jesus.[10]

Conclusão:

Com a presente exegese em torno de João 10.10, considerando ainda a importância já citada do contexto para a interpretação do texto, onde a sua significação é também determinada pelo raciocínio geral, ou pelas referências do contexto[11], concluímos que compreender e aplicar aqui o termo “ladrão” como uma referência direta feita por Jesus ao diabo é um equívoco hermenêutico. Jesus tinha em mente a liderança religiosa de Israel, que como ladrões e salteadores, buscavam roubar, matar e destruir as ovelhas (o povo) em benefício próprio.


[1] PLUMMER, Rob. 40 questões para se interpretar a Bíblia. São José dos Campos-SP: Fiel, 2017, p. 146 e 147.
[2] CARSON, D. A. O comentário de João. São Paulo: Shedd Publicações, 2007, p. 380.
[3] LOUW, Johannes; NIDA, Eugene. Léxico grego-português do Novo Testamento. Barueri-SP, 2013, p. 519.
[4] Ibid., p. 520.
[5] CARSON, D. A. Ibid., p. 382-383.
[6] BRUCE, F. F. João: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1987, p. 196.
[7] LOCKYER, Herbert. Todas as parábolas da Bíblia. São Paulo: Vida, 1999, p. 381.
[8] ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (editores). Comentário bíblico pentecostal do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p. 559.
[9] CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2002, p. 442, v. 2.
[10] Ibid., p. 443.
[11] ANGUS, Joseph. História, doutrina e interpretação da bíblia. São Paulo: Hagnos, 2003, p. 176 e 180.

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Parábola: Uma Lição Para a Vida - Subsídio para Lições Bíblicas da CPAD - 4º Trimestre/2018



O poder da contação de histórias é indiscutível. Para quem já pôde fazer um curso de pedagogia isso é ainda mais claro. As parábolas são muito mais do que simples histórias. Como Mestre dos mestres, Pedagogo dos pedagogos, Jesus nos deixa um exemplo magnífico do poder das parábolas como instrumento didático no processo ensino-aprendizagem.

De todas as atividades de Jesus, a que mais encontramos ele fazendo é ensinando. As parábolas constituem cerca de 35% dos seus ensinos nos evangelhos sinóticos.[1] A palavra grega parábola aparece cerca de cinquenta vezes nos Evangelhos Sinópticos.[2] É importante informar que Jesus não foi a primeira pessoa a fazer uso das parábolas, contudo, seu estilo é incomparável, com uma clareza e simplicidade sem par, bem como uma maestria inaudita na construção.[3] Tanto no Antigo Testamento, como em outros contextos do mundo antigo, as parábolas fazem parte da cultura popular. Os relatos mais antigos de parábolas datam do século XXIV a.C.[4]

1 – O que é uma Parábola?

Definir “parábola” tem sido algo que os estudiosos divergem entre si. Snodgrass afirma que: “Possivelmente nenhuma definição de parábola se mostrará completamente eficaz, pois toda definição que seja ampla o suficiente para englobar todas as formas acaba se revelando tão imprecisa a ponto de se mostrar praticamente inútil.”[5] As parábolas são instrumentos ou recursos comunicativos para compreensão do seu ensino acerca dos valores, princípios e demais realidade do Reino.[6] Elas são analogias ampliadas utilizadas para convencer e persuadir.[7]

A palavra hebraica para “parábola” é mashal, e designava toda sorte de linguagem figurada: Parábola, comparação, alegoria, fábula, provérbio, revelação apocalíptica, dito enigmático, pseudônimo, símbolo, figura de ficção, tipo, motivo, argumentação, apologia, objeção, piada.[8] Sua correspondente no grego é parabole, e é geralmente (e equivocadamente) definida como simplesmente uma ilustração. Seguindo a sua correspondente no hebraico, parabole pode significar no Novo Testamento: Comparação (Lc 5.36; Mc 3.23), figura simbólica (Hb 9.9, 11, 19), provérbio ou máxima (Lc 4.23), enigma (Mc 7.17), regra (Lc 14.17)[9], contraste (Lc 18.1-8), alegoria (Mc 4.3-9)[10].

Uma característica fundamental da parábola está um unir duas coisas diferentes, de forma que uma ajude a explicar e ressaltar a outra. É um símbolo externo de uma realidade interna.[11] Tratam de falar de verdades espirituais através de realidades naturais. Vestem de imagens às abstrações teóricas.

O objetivo último de uma parábola é despertar uma compreensão mais aprofundada sobre o assunto que trata, promover uma tomada de consciência e conduzir os ouvintes a uma ação concreta.

2 – As Parábolas e o Problema da Alegorização

Após a morte de Jesus as parábolas sofreram alguns desvios na sua interpretação, sendo tratadas como alegorias, ou seja, a cada detalhe de uma parábola era atribuído um sentido especial e profundo. Em razão disso, houve um distanciamento do sentido original dos ensinos de Jesus por parábolas. Diversos fatores podem ter contribuído para isto. Dentre os quais estavam o desejo inconsciente de achar nas palavras simples de Jesus um sentido mais profundo, a influência da interpretação alegórica helenística com o uso dos mitos, e o judaísmo helenístico onde a exegese alegórica encontrou espaço.[12]

Alegoria é um gênero literário que atribui significado simbólico a detalhes textuais.[13] Os que fazem uso da alegoria falam ou escrevem sobre algum assunto por intermédio de outro, buscando desvendar sentidos simbólicos, espirituais ou ocultos. Conforme o método alegórico, o sentido literal e histórico das escrituras é desprezado, e a cada termo ou acontecimento é dado um significado mais “espiritual”.[14]

A alegorização (ou alegoresis) é a prática interpretativa de transformar em alegoria aquilo que originalmente não tinha o propósito de ser alegoria.[15] O sistema interpretativo alegórico tem suas raízes históricas no pensamento de Heráclito (540-475) e Platão (427-347). Posteriormente, o famoso judeu Filo de Alexandria dedicou-se a reconciliar o ensino Moisés nas Escrituras com as ideias de Platão, passando a usar a alegorese (método alegórico de interpretação).[16] Esse método influenciou em maior e menor grau a interpretação bíblica até a Reforma Protestante, onde houve um rompimento radical a hermenêutica alegórica medieval. Os reformadores ensinavam que cada texto tem só um sentido, que é o literal, a não ser que o próprio contexto ou outro texto das Escrituras exijam claramente uma interpretação figurada ou metafórica.[17] 

Lutero classificou as interpretações alegóricas anteriores de tolas, tagarelices admiráveis, absurdas e inúteis. Calvino afirmou ser uma audácia, associada a sacrilégio, mudar precipitadamente a Escritura de qualquer maneira que nos agrade e satisfaça à nossa imaginação.[18] Em resumo, dentre os problemas e perigos que norteiam o método de interpretação alegórico estão: a) O desprezo pelo significado ordinário das palavras, com a especulação de um sentido místico de cada uma delas; b) A intenção do autor é ignorada, sendo inserido na interpretação todo tipo de extravagâncias ou fantasias que um intérprete deseje dar; c)    Os métodos válidos, como por exemplo o histórico-gramatical, são rejeitados, e a mente e criatividade do intérprete se tornam a única base interpretativa. A Bíblia deixa de ser a autoridade básica da interpretação; d)     Quem usa o método alegórico não possui os meios necessários para provar as suas conclusões. [19]
    
     Os intérpretes que fizeram ou fazem uso do método alegórico se tornam reféns de sua própria subjetividade interpretativa.

No final do século XIX, Adolf Jülicher (1857-1938), um estudioso alemão e exegeta bíblico, rejeitou a alegoria ou a alegorização de modo contundente. Em sua obra “História da interpretação das parábolas de Jesus”, publicada em dois volumes em 1888-89, ele trava uma guerra contra a alegorização, chegando a ir para um outro extremo sobre a questão, reduzindo os ensinos de Jesus através das parábolas como um moralismo piegas a respeito deste mundo, ou máximas religiosas gerais.[20] Ele espanou de sobre as parábolas uma espessa camada de pó colocada sobre elas através da alegorização, mas deixou a principal tarefa por fazer, que era tentar reobter o sentido original das mesmas.[21] Ainda que a rigidez unilateral de sua tese possa ser questionada, ela colaborou para a necessidade de buscar na interpretação das parábolas o verdadeiro sentido do texto.[22]

Em termos práticos, um exemplo da aplicação do método alegórico nas parábolas pode ser visto, por exemplo, em Agostinho, quando na parábola do Bom Samaritano (Lc 10.30-37), o homem moribundo é Adão, Jerusalém é a cidade celestial, Jericó representa o caráter mortal da humanidade, os ladrões são o Diabo e seus demônios, o sacerdote e o levita são o sacerdócio e ministério do Antigo Testamento, o bom samaritano é Cristo, as cicatrização das feridas é a restrição ao pecado, o azeite e o vinho são o consolo da esperança e o incentivo à obra, o jumento é a encarnação, o abrigo é a igreja, o dia seguinte é o período posterior a encarnação de Cristo, a pessoa que cuida do abrigo é o apóstolo Paulo e os dois denários são os dois mandamentos de amor e a promessa desta vida e da vida porvir.[23]

Certa vez, um pregador discorrendo sobre o homem rico e o mendigo Lázaro (Lc 16.19-31), disse que o homem rico representava o jornalista e empresário Roberto Marinho (1904-2003), o mendigo seria a igreja, as chagas do mendigo os escândalos da igreja e os cachorros que lambiam as chagas do mendigo a Rede Globo de televisão. De fato, temos aqui uma fértil imaginação, mas totalmente desprovida do sentido real do texto bíblico. A alegorização continua presente em nossos púlpitos, usada e abusada por pregadores e ensinadores sem compromisso com os princípios válidos da interpretação bíblica, ou ignorantes a tais princípios, destituídos ou afastados da iluminação do Espírito que coopera com o intérprete e expositor das Escrituras.

3 – Como Interpretar as Parábolas de Jesus?

O estudo sobre as parábolas requer muita atenção para que não se incorra nos erros conceituais e interpretativos das mesmas. Apesar de parecer muito simples e claras, as parábolas possuem algumas particularidades linguísticas, culturais e contextuais que não devem ser desprezadas ou ignoradas.

Um procedimento interpretativo não pode extrair da parábola uma teologia alheia à intenção de Jesus. As parábolas estão entre as histórias mais abusadas e desfiguradas das quais já se ouviu falar, e têm sido manipuladas a fim de servirem a todo tipo propósito na área teológica, política, social e pessoal.[24] Já no início do primeiro século as parábolas sofreram certos desvios na sua interpretação.[25] Elas têm sofrido bastante com as várias interpretações errôneas.[26]

Jesus falou a homens, a partir do momento para o momento. Cada uma de suas parábolas tem um lugar histórico determinado na sua vida. Tentar reobtê-lo é a tarefa do leitor e intérprete. O que Jesus quis dizer nesta ou naquela hora determinada? Vale a pena fazer estas perguntas, para tanto quanto possível chegarmos ao sentido original das parábolas de Jesus.[27]

Envolver-se em interpretação presume que há, de fato, um significado correto e um significado incorreto de um texto, e que devemos ter cuidado para não interpretarmos errado esses significados.[28]

Interpretar, conhecer o significado real das parábolas e da Bíblia como um todo é fundamental para descobrir sua mensagem para os nossos dias. Se descartarmos a importância da hermenêutica e da exegese nesse sentido, estaremos negligenciando um procedimento indispensável do estudo bíblico e deixando de nos beneficiar com isso.[29] Exige-se do bom intérprete que ele aprenda as regras da hermenêutica bem como a arte de aplica-las.[30]

A hermenêutica pode ser definida como a ciência e arte de interpretação bíblica. Já a exegese é a aplicação dos princípios hermenêuticos para chegar-se a um entendimento correto do texto. Refere-se a ideia de que o intérprete está tentando derivar seu entendimento do texto, em vez de impor o seu entendimento ao texto (eisegese).[31] A hermenêutica e a exegese não dispensam a cooperação da oração e da iluminação do Espírito na compreensão da verdade bíblica, do sentido do texto, antes, coopera fundamentalmente nesse processo.

Na interpretação das parábolas, algumas regras e princípios que se aplicam também aos demais textos e gêneros literários bíblicos precisam ser observados. 

Para Oliveira, há quatro coisas que devemos ter em mente se desejamos compreender as parábolas de Cristo. São elas: a) As parábolas nos Evangelhos estão relacionadas com Cristo e seu Reino; b) As parábolas devem ser estudadas à luz do lugar e da época a que se relacionam; c) Observe a explicação das parábolas dadas pelo próprio Jesus; d) Compare os ensinamentos apresentados na parábola com todo o contexto das Escrituras.[32]

As sugestões de Plummer são as seguintes: a) Determine os pontos principais da parábola; b) Reconheça imagens típicas nas parábolas; c) Note detalhes impressionantes e não esperados; d) Não tente encontrar significados em todos os detalhes; e) Preste atenção ao contexto histórico e literário da parábola.[33]

Os princípios interpretativos para as parábolas apresentados por Virkler são: a) Análise histórico-cultural e contextual; b) Análise léxico-sintática; c) Análise teológica; d) Análise literária.[34]

Snodgrass, em sua excelente obrar, sugere: a) Analise cada parábola de forma completa; b) Ouça a parábola sem pressuposições referentes à sua forma e significado; c) Lembre-se que as parábolas de Jesus era instrumentos orais em uma cultura oral; d) Se desejamos conhecer a intenção de Jesus, precisamos procurar ouvir a parábola da mesma forma que uma pessoa da Palestina a ouviria naquela época; e) Observe como cada parábola e o formato da sua redação se encaixam com o objetivo e o esquema de cada evangelista; f) Determine especificamente a função da história nos ensinamentos de Jesus; g) Interprete o que foi expresso no texto, não o que foi omitido. Qualquer tentativa de interpretar uma parábola com base naquilo que está ausente encontra-se, quase que certamente, fadada ao fracasso; h) Dedique uma atenção especial à regra da ênfase final; i) Observe onde os ensinamentos da parábola se mesclam com os ensinamentos de Jesus em outras porções das Escrituras; j) Determine a intenção teológica e o significado da parábola.[35]

Para um maior aprofundamento dos professores e alunos nas questões aqui colocadas, sugerimos a aquisição das obras citadas. O espaço e propósito dos subsídios não permitem discussões e exposições mais prolongadas e exaustivas.

Após tratarmos aqui introdutoriamente do conceito, problemas e dicas interpretativas relacionadas com as parábolas de Jesus, seguiremos avante, estudando cada parábola proposta nas lições bíblicas da CPAD deste 4º trimestre de 2018, esperando em Deus contribuir com cada professor que tiver acesso ao presente conteúdo, buscando em tudo a edificação dos santos e a glória de Deus.




[1] SNODGRASS, Klyne. Compreendendo todas as parábolas de Jesus. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, p. 53.
[2] VIRKLER, Henry A. Hermenêutica avançada: Princípios e processos de interpretação bíblica. São Paulo: Vida, 1987, p. 126.
[3] JEREMIAS, J. As parábolas de Jesus. 10ª Ed. São Paulo: Paulos, 2007, p. 9.
[4] SNODGRASS, Klyne. Ibid., p. 73.
[5] Ibid., p. 32.
[6][6] Ibid., p. 33.
[7] Ibid., p. 34.
[8] JEREMIAS, J. Ibid., p. 13.
[9] Ibid.
[10] SNODGRASS, Kline, Ibid., p. 36.
[11] LOCKYER, Herbert. Todas as parábolas da Bíblia. São Paulo: Editora Vida, 1999, p. 11-12.
[12] JEREMIAS, J. Ibid., p. 9.
[13] PLUMMER, Rob. 40 questões para se interpretar a Bíblia. São José dos Campos, SP: Fiel, 2017, p. 116.
[14] BENTHO, Esdras Costa. Hermenêutica fácil e descomplicada. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p. 124.
[15] SNODGRASS, Klyne. Ibid., p. 27
[16] LOPES, Augustus Nicodemus. A Bíblia e seus intérpretes. São Paulo: Cultura Cristã, 2004, p. 130.
[17] Ibid., p. 161.
[18] PLUMMER, Rob. Ibid., p. 123-124.
[19] BENTHO, Esdras Costa. Ibid., p. 125-126.
[20] SNODGRASS, Klyne. Ibid., p. 29-30.
[21] JEREMIAS, J. Ibid., 13.
[22][22][22] Ibid., p. 11.
[23] SNODGRASS, Klyne. Ibid., p. 28.
[24] SNODGLASS, Klyne . Ibid., p. 30-31
[25] JEREMIAS, J. Ibid., p. 9.
[26] LOCKYER, Herbert. Ibid., p. 19-20.
[27] JEREMIAS, J. Ibid., p. 15.
[28] PLUMMER, Rob.
[29] ZUCK, Roy B. A interpretação bíblica: Meios de descobrir a verdade da Bíblia. São Paulo: Vida Nova, 1994, p. 10.
[30] VIRKLER, Henry A. Ibid., p. 9.
[31] Ibid., p. 11.
[32] OLIVEIRA, Raimundo F. Como estudar e interpretar a Bíblia. Rio de Janeiro: CPAD, 1986, p. 50-51.
[33] PLUMMER, Rob. Ibid., p. 404-411.
[34] VIRKLER, Henry A. Ibid., p. 127-132.
[35] SNODGRASS, Klyne. Ibid., p. 57-65.