quarta-feira, 4 de julho de 2018

CPAD - RETOMANDO O RUMO


Queremos parabenizar a Mesa Diretora da CGADB, na pessoa do seu presidente, o pastor José Wellington Costa Jr., por se comprometer com os pastores presidentes da região Nordeste, em reunião realizada em Recife, no dia 29/6, em tomar medidas para a não publicação pela CPAD de obras com conteúdo doutrinário e teológico que conflitam com a nossa Declaração de Fé.

quinta-feira, 28 de junho de 2018

A CPAD e o Fermento do Calvinismo Cessacionista



"Um pouco de fermento leveda toda a massa." (Gl 5.9)

Nos dias atuais, no contexto denominacional e confessional evangélico, existem questões doutrinárias periféricas conflitantes, que devem ser consideradas e respeitadas.

Como já disse e escrevi, é possível conviver respeitosamente e pacificamente com tais diferenças, desde que alguns limites sejam respeitados, pois do contrário, o conflito é inevitável.

Um exemplo disso é a questão soteriológica arminiana e calvinista, e a questão pneumatológica continuísta e cessacionista. Enquanto cada segmento evangélico respeitar o campo doutrinário e eclesial alheio, os problemas praticamente não existirão.

Um fato inegável é que a teologia arminiana e pentecostal clássica não é aceita pelos calvinistas cessacionistas (e até continuístas), e nem a teologia calvinista cessacionista é aceita pelos pentecostais clássicos arminianos. De ambos os lados, o conteúdo doutrinário de um é considerado um tipo de fermento pelo outro.

Na prática, e coerente com aquilo que acreditam, nos púlpitos das igrejas calvinistas, em suas escolas dominicais, em seus seminários teológicos, em suas publicações oficiais, eventos, etc., não há espaço para ensino e promoção de doutrina ou teologia arminiana e pentecostal clássica. Lá, o fermento arminiano e pentecostal clássico (assim considerados) não tem vez. Tal postura, considerando o contexto denominacional e confessional, no meu entendimento, está correta.

Infelizmente, no contexto das Assembleias Deus no Brasil, de teologia arminiana e pentecostal clássica, o mesmo não acontece. O fermento doutrinário e teológico calvinista e cessacionista encontrou guarida exatamente numa das principais bases de propagação doutrinária oficial da denominação, a Casa Publicadora das Assembleias de Deus - CPAD. Tal fato já foi exposto e comprovado exaustivamente aqui em minhas postagens.

Não importa o tipo de justificativa que se tente dar, nem a retórica usada para defender tal prática. O fato é que as dosagens deste fermento crescem consideravelmente, e a massa já está levedada.

Em sua defesa doutrinária, escrevendo aos Gálatas, Paulo permaneceu firme. Ele não temeu nenhum tipo de oposição ou acusação. As suas convicções lhe levaram, inclusive, a repreender Pedro publicamente (Gl 2.11-14).

Considerando a advertência de Paulo sobre o perigo da tolerância ao "fermento" em questões doutrinárias, e aplicando tal advertência ao que estamos aqui tratando, se medidas urgentes não forem tomadas contra a atual política editorial da CPAD, toda a massa assembleiana corre o risco de ser levedada pelo fermento do calvinismo.

Florença, 28/06/2018.

segunda-feira, 25 de junho de 2018

AS OBRAS DE ARMÍNIO - PROBLEMAS COM A TRADUÇÃO






Um caso que ganhou repercussão nas redes sociais envolveu as Obras de Armínio, onde “batismo por aspersão” foi traduzido por “batismo por imersão”. Na ocasião a CPAD publicou uma nota se comprometendo a corrigir o texto em sua próxima edição.
Uma, duas, três. Quantas obras já publicadas tiveram este problema, e exatamente em conceitos e palavras essenciais na perspectiva teológica pentecostal?
A grandeza de uma editora confessional (até então era), não está em seu faturamento, no seu parque gráfico, em sua estrutura predial oponente, mas em sua fidelidade denominacional e doutrinária, e na integridade textual de suas publicações.
Erros acontecem? É claro. Mas erros devem ser corrigidos em todos os aspectos. E no caso da CPAD isso é urgente.
Meu posicionamento crítico não é para destruir a imagem da Casa, mas para corrigir o atual percurso. Não ataca pessoas, mas contesta ideias e decisões tomadas, no meu entendimento, equivocadamente, com base em tudo que tenho até aqui pontuado.
Mantenho o meu apelo à Mesa Diretora da CGADB, ao Conselho Administrativo da Casa, aos Conselhos de Doutrina e Apologética, aos pastores presidentes de igrejas em todo o Brasil, e aos demais membros filiados à CGADB.

O CALVINISMO NA CPAD - OS TESOUROS DE DAVI - 4ª PARTE


Nos deparamos aqui, não apenas com o problema do calvinismo na obra, mas com um problema sério na tradução, que não foi fiel ao texto original, como aconteceu no caso do Dicionário Vine já devidamente exposto.
*Salmos 115:16, Vol.3, pg. 76
- A tradução:
“O livre-arbítrio que Ele deu às suas criaturas necessitava que, até certo ponto, ele restringisse o seu poder e permitisse que os filhos dos homens seguissem seus próprios planos.”
- O texto em inglês:
“The free agency which he gave to his creatures necessitated that in some degree he should restrain his power and suffer the children of men to follow their own devices;”
- Análise Crítica:
O destaque para esse texto na tradução da CPAD é seu alinhamento doutrinário com a Declaração de Fé, contudo, a opção pela palavra “livre-arbítrio”, de forma alguma reflete a intenção do autor na língua original.
Quando um calvinista opta por utilizar livre agência (free agency), sua intenção é trabalhar com a ideia de que a escolha humana é causada, e não autodeterminada como compreende-se no termo “livre-arbítrio”. 
Ou seja, ao optar pelo termo “livre-arbítrio” para a expressão inglesa “free agency”, a tradução está fugindo do determinismo intencionado pelo C.H.Spurgeon, e não sendo fiel ao texto inglês.

Obviamente o comentário original em inglês está em franco conflito com a Declaração de Fé das Assembleias de Deus, que trabalha com a ideia bíblica do indeterminismo, ou seja, que Deus criou o ser humano com a capacidade de se autodeterminar. É de responsabilidade do agente moral (o homem) definir, e ser responsabilizado por suas escolhas.
"Livre agência não deve ser confundida com “livre-arbítrio”. Por causa da queda, os homem perderam sua capacidade – a vontade – de obedecer a Deus, mas eles são da mesma forma responsáveis para com Deus de obedecer perfeitamente os Seus mandamentos. Dessa forma, Spurgeon pôde dizer: “Eu temo mais do que qualquer coisa, o você ser deixado ao seu próprio livre-arbítrio”. O Arminianismo, ao lado do hiper-Calvinismo, argui que os pecadores não podem ser obrigados a fazer o que eles não são capazes de fazer, a saber, crer em Cristo para salvação, visto que a capacidade para crer pertence somente aos eleitos e é dada somente num tempo determinado pelo Espírito de Deus." (Fonte: www.monergismo.com.br)

Obs: As análise críticas das postagens sobre o calvinismo na obra Os Tesouros de Davi foram enviadas por um colaborador.

O CALVINISMO NA CPAD - OS TESOUROS DE DAVI - 3ª PARTE


A essa altura, parece-nos, que juntos aos "tesouros de Davi" estão também os "tesouros de Calvino".
*- Salmos 139:16, pg. 898,
Vol. 3

"Assim foi ordenado no decreto secreto pelo qual todas as coisas são como são."
- Análise Crítica
O autor trabalha com o conceito de soberania meticulosa, ou seja, qualquer evento deve necessariamente ser determinado ou causado por Deus, caso contrário Deus não poderia ser soberano, sendo assim a parte da vontade revelada de Deus ele adiciona uma vontade oculta ou secreta. Uma forma nítida de ser contrastado a questão, é que a proibição bíblica para Adão de não ser desobediente encontra-se dentro da declaração escriturística e assim vontade revelada, mas por outro lado a alegação da vontade oculta de Deus é que levou Adão ao pecado da desobediência. A questão que se impõe para tal assertiva, se a vontade é secreta como o autor tem conhecimento desta? A Declaração de Fé das Assembleias de Deus, amplamente alinhada com as Escrituras, articula o conceito de indeterminismo, ou seja, é possível o homem desobedecer a Deus e isso não o torna menos soberano, pois determinismo não é sinônimo de soberania.
- Pg. 902
"Se antes de toda a existência finita foi divulgado o seu decreto pré-determinante, se, naqueles antigos registros da eternidade, estava inscrita a estrutura do homem, com todos os seus incontáveis elementos e órgãos, em todas as épocas de sua duração...A primeira, não ter nem sentir qualquer complacência pelos ímpios..."
- Análise Crítica
A onibenevolência é um atributo divino, o qual nos ensina que Deus ama a toda humanidade (Jo.3:16). O texto da obra aqui em destaque possui uma assertiva que se contrapõe a declaração bíblica do amor universal de Deus pela humanidade. A concepção determinista de Spurgeon fala de um amor seletivo de Deus, estendido somente aos eleitos incondicionalmente por Ele próprio.

Após publicar As Obras de Armínio, Arminianismo a Mecânica da Salvação, do pastor Silas Daniel, e a Declaração de Fé das Assembleias de Deus, a publicação de Os Tesouros de Davi chega a beirar um dos maiores absurdos editoriais, partindo de uma editora que se diz oficial de uma denominação.
Falta de aviso antes da publicação da obra não faltou.
Sigamos com a análise deste caos teológico denominacional histórico promovido pela CPAD.
*- Salmos 135:6, pg. 811, Vol. 3
“Nós bem podemos dizer: ‘Quem resiste à sua vontade?’ (Rom 9:16). Muitos na verdade, desobedecem, e pecam contra a sua vontade, que está expressa no seu preceito; Segundo o plano de Armínio (se é que o absurdo pode merecer o nome de plano), a gloriosa obra da salvação de Deus e a eterna redenção de Jesus Cristo não estão completas, amenos que um mortal moribundo empreste o seu braço, isto é, a menos que ele, que por si só nada pode fazer, concorde em começar e realizar aquilo que todos os anjos no céu não podem fazer.
- Declaração de Fé - Capitulo 10;1
A graça de Deus se manifesta salvadoramente maravilhosa, perfeita, entretanto, não é irresistível, pois não são poucos os que, ignorando o Evangelho de Cristo, resistem ao Espírito da graça.
- Análise Crítica
Dentre os pontos de conflito entre o texto de Spurgeon e a Declaração de Fé, está a possibilidade de um ser humano resistir a graça de Deus. Na concepção de Spurgeon a graça é um ato onipotente a qual o homem não pode resistir. A declaração de Fé apresenta uma vasta quantidade de referências bíblicas que apontam em direção oposta ao que é defendido nessa obra.
Spurgeon utiliza o posicionamento de Jacó Armínio para buscar fortalecer sua posição, desfigurando a teologia bíblica, e contradizendo a obra Arminianismo a Mecânica da Salvação, de Silas Daniel, publicada recentemente pela própria CPAD. Convém observar que Spurgeon utiliza o pressuposto da soberania meticulosa (ou seja, Deus somente pode ser soberano se determinar todos os atos humanos) tão amplamente defendida por ele nessa obra. Segundo Spurgeon, se o homem possui liberdade de dizer não a Deus, então Deus não é soberano.


sábado, 23 de junho de 2018

O MEU REPÚDIO E INDIGNAÇÃO CONTRA A ATUAL POSTURA EDITORIAL DA CPAD


Por quais razões a CPAD não deveria estar publicando livros com doutrina e teologia que conflitam com a Declaração de Fé das Assembleias de Deus no Brasil?

De forma direta e clara, sem precisar ser prolixo, coloco abaixo alguns dos motivos pelos quais compreendo que a CPAD não deveria estar publicando em seus livros conteúdo doutrinário e teológico que conflitam com a Declaração de Fé das Assembleias de Deus no Brasil.

1. A questão comercial e financeira

A CPAD não precisa destas publicações para se manter financeiramente. A venda das lições bíblicas e dos livros de conteúdo que se alinham com a nossa doutrina e teologia são suficientes.  

2. A questão serviçal

Em 02 de janeiro de 2010, através do site da CPAD, fomos informados de sua “mudança radical” na política de suas publicações:

“A CPAD foi organizada em 1937 no Rio de Janeiro. O seu parque gráfico, hoje dos mais modernos, começou a funcionar a partir de 1940. No início dos anos 90, para uma editora que representa a maior denominação evangélica brasileira, a CPAD ainda tinha uma presença muito tímida no mercado editorial evangélico brasileiro. Como atender a um povo cada vez mais exigente, e que apresentava constantes demandas nos mais diversos campos das ciências bíblicas, do ministério cristão e da vida devocional? Naquele momento, era urgente transformar a Casa Publicadora numa editora moderna, dinâmica e que viesse a atender não somente as Assembléias de Deus, mas a toda a Igreja de Cristo no Brasil e na América Latina. E isso requeria uma mudança radical tanto na maneira de pensar quanto no modo de agir de nossa editora.” 

O argumento de atender "toda a igreja de Cristo"' não se justifica, pois outras editoras não confessionais já fazem isso, como a Hagnos, Vida Nova, Vida, etc. Além disso, as grandes denominações no Brasil possuem as suas próprias editoras e publicadoras, que são fiéis a um conteúdo exclusivo, que se alinha com as suas crenças, prática esta da qual a CPAD se distanciou.

A igreja no Brasil e na América latina já está bem servida de literatura evangélica, e qualquer crente assembleiano que desejar ter acesso ao conhecimento de outras linhas doutrinárias e teológicas, basta adquirir as obras publicadas por outras editoras confessionais ou não confessionais.

3. A questão confessional ou denominacional

Uma editora confessional ou denominacional deve produzir conteúdo exclusivo e alinhado com a Declaração de Fé da denominação. Isto é mais do que óbvio. 
Quando faz o contrário, além de se contradizer e de ser incoerente com a sua legítima e original missão, produz também confusão doutrinária na mente de muitos que acreditam que por ser uma editora oficial, e que seus livros são "aprovados pelo Conselho de Doutrina", o conteúdo das suas obras é plenamente confiável e totalmente alinhado com as crenças da denominação.

4. A questão institucional

No Art. 3º do Estatuto da CGADB, onde nos incisos citados abaixo as suas finalidades são especificadas, lemos:

“IV – zelar pela observância da doutrina bíblica (...);
V – manter o controle de seus órgãos, da Casa Publicadora das Assembleias de Deus – CPAD e das demais pessoas jurídicas existentes ou que venham a existir, , quando necessário, propugnando pelo desenvolvimento dos mesmos;
VII – promover o desenvolvimento espiritual e cultural das Assembleias de Deus, mantendo a unidade doutrinária;”

Mas, como a CGADB pode manter unidade doutrinária, com a CPAD publicando doutrinas e teologias que divergem da Declaração de Fé das Assembleias de Deus no Brasil?

Além disso, questionamos:

a) Com a autorização de quem a CPAD deixou de ser editora oficial com seu o compromisso denominacional exclusivo e se tornou "vocacionada" para ser espaço cultural dos evangélicos? 

b) A direção da CPAD poderia tomar essa decisão sem considerar o seu Conselho Administrativo?

c) A Mesa Diretora da CGADB aprovou tal decisão da direção da CPAD?

d) Os Pastores Presidente das Assembleias de Deus no Brasil, cujas igrejas sustentam literalmente a CPAD comprando suas lições bíblicas, foram ouvidos sobre a questão?

e) A Assembleia Convencional não tem voz e voto sobre a questão?

Dessa forma, mantenho a minha indignação e repúdio pela atual prática da CPAD, posição esta da qual também comunga grande parte da liderança nacional da denominação, que tem demonstrado solidariedade com o nosso protesto, através de mensagens e ligações de apoio ao mesmo.

As publicações da CPAD precisam estar totalmente alinhadas com o que pregamos e ensinamos em nossas igrejas, na Escola Dominical,  e em nossas Escolas Bíblicas de Obreiros.

domingo, 17 de junho de 2018

O Calvinismo na CPAD - Os Tesouros de Davi - 2ª Parte


Apesar de na apresentação da obra ficar claro que a editora “oficial” não aceita a doutrina da dupla predestinação (embora publique tal doutrina), um erro grave foi a falta de notas de rodapé alertando o leitor sobre o calvinismo presente nos comentários de Spurgeon.
*O amplo trabalho realizado pela CPAD como a maior editora nacional e todos os méritos conquistados em sua história não estão em juízo nessa breve análise. Fazemos aqui apenas alguns questionamentos sobre determinadas posturas adotadas pela linha editorial da Casa nos últimos anos, culminando com a publicação de uma obra que se impõe abertamente contra nossa Declaração de Fé.
Vamos aos fatos:
- Salmos 69:28, pg.269 - Vol. 2 (Comentário de Spurgeon)
“A verdade é que ninguém que inscrito nos céus jamais pode se perder. Contudo, há quem objete esta declaração baseando-se neste versículo. Por conseguinte, deduzem que alguns nomes registrados podem mais tarde ser apagados. Mas esta opinião lança uma dupla aspersão no próprio Deus. Ou torna Deus ignorante das coisas futuras, como se ele não previsse o fim dos eleitos e dos condenados, e tivesse se enganado quando decretou alguns para a salvação os quais, na verdade, não serão salvos. Ou afirma que o seu decreto é mutável, excluindo aqueles nos seus pecados a quem Ele outrora escolhera.”
- Pg. 270, Vol. 2 (Comentário de Spurgeon)
“De forma que ser riscado do livro é na verdade, nunca ter sido escrito lá. Ser apagado é apenas uma declaração de que não foi inscrito.”
- Declaração de Fé das Assembleias de Deus:
É possível a perda da salvação. Rejeitamos a afirmação segundo a qual “uma vez salvo, salvo para sempre”, pois entendemos à luz das Sagradas Escrituras que, depois de experimentar o milagre do novo nascimento, o crente tem a responsabilidade de zelar pela manutenção da salvação a ele oferecida gratuitamente: “Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo” (Hb 3.12). Não há dúvidas quanto à possibilidade do salvo perder a salvação, seja temporariamente ou eternamente. Mediante o mau uso do livre arbítrio, o crente pode apostatar da fé, perdendo, então, a sua salvação: “Mas, desviando-se o justo da sua justiça, e cometendo a iniquidade, fazendo conforme todas as abominações que faz o ímpio, porventura viverá? De todas as justiças que tiver feito não se fará memória; na sua transgressão com que transgrediu, e no seu pecado com que pecou, neles morrerá” (Ez 18.24). Finalmente temos a advertência de Paulo aos coríntios: “Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe não caia” (1 Co 10, 12). Aqui temos mencionada a real possibilidade de uma queda da graça. Assim, cremos que, embora a salvação seja oferecida gratuitamente a todos os homens, uma vez adquirida, deve ser zelada e confirmada.
- Observação:
O comentário de Spurgeon encontra-se em claro conflito com a Declaração de Fé das AD no seu Capitulo 10:6, onde a mesma Declaração assevera em acordo com as Escrituras a possibilidade de um verdadeiro cristão abandonar a fé.
O pressuposto esposado pelo autor da obra Os Tesouros de Davi, claramente afirma a doutrina “uma vez salvo, sempre salvo”, doutrina essa que ao mesmo tempo em que carece de apoio escriturístico, não possui qualquer amparo histórico dentro da igreja até o então reformador João Calvino o sistematizar.
* Obs: Texto enviado por um colaborador

CPAD e Cessacionismo - O Dicionário Vine

O Dicionário VINE, em sua 2ª edição, p. 754 e 755, diz sobre o dom de línguas:
"Língua. glõssa (γλώσσα) [...] Não há evidência da continuação deste dom depois dos tempos apostólicos, nem, de fato, nos últimos tempos dos apóstolos; desse modo, temos confirmação do cumprimento em 1 Co 13.8, que este dom cessaria nas igrejas, da mesma maneira que as "profecias" e o "conhecimento" cessariam no sentido de conhecimento recebido por poder sobrenatural imediato (1 Co 14.6). A conclusão das Santas Escrituras proporcionou às igrejas tudo o que é necessário para a direção, instrução e edificação individuais e coletivas."
Nas edições posteriores, o texto acima, claramente cessacionista, e que vai de encontro com aquilo que cremos, foi adequado aos padrões não-cessacionistas, com uma tradução que não condiz ao original em inglês, ficando assim:
“Os dons espirituais, como profecia, línguas e ciência terminarão no fim da presente era. A ocasião em que eles cessarão é descrita assim: ‘quando vier o que é perfeito’ (v. 10), ou seja. no fim da presente era. quando, então, o conhecimento e o caráter do crente se tornarão perfeitos na eternidade, depois da segunda vinda de Cristo (v. 12; 1.7). Até chegar esse tempo, precisamos do Espirito e dos seus dons na congregação. Não há nenhuma evidência aqui, nem em qualquer outro trecho das Escrituras, de que a manifestação do Espírito Santo através dos seus dons cessaria no fim da era apostólica”. (p.754 e 755).
O caso acima de adulteração no texto original ganhou repercussão pública, após reclamação direcionada à CPAD, que respondeu em 13/06/16 às 10h28:
"Prezado, bom dia.
Primeiramente, permita-nos agradecer por entrar em contato conosco, pois a CPAD acredita que esta é uma das formas de aperfeiçoarmos nosso relacionamento com nossos clientes.
O caso foi apresentado ao gerente de Publicações da CPAD e o mesmo, informou que levou o caso ao diretor, e foi decidido que a próxima edição do Dicionário Vine terá os verbetes em questão conforme constam em sua primeira edição. 
Porém, é importante salientar que ainda não há um prazo definido para a publicação desta nova edição.
Deixamos a seu critério a opção de cancelar sua compra e nos devolveremos seu dinheiro, ou aguardar uma nova impressão , ainda sem data prevista para efetuar a troca.
Att. Pedro Paulo - SAC "

Os fatos acima estão registados na internet, no link http://www.reclameaqui.com.br/…/dicionario-de-vine-adulter…/, o que contribuiu para a formação de uma imagem negativa da CPAD e da integridade textual de suas traduções e publicações.

O Calvinismo na CPAD - Dicionário Bíblico Wycliffe – 2ª Parte

Como já foi informado, o Dicionário Bíblico Wycliffe, publicado pela CPAD, com a sua 1ª Edição em 2006, é um clássico exemplo de teologia calvinista publicada pela editora oficial das Assembleias de Deus no Brasil.
Em seu verbete sobre "Soberania de Deus", fica evidente mais uma vez a sua linha teológica calvinista. Vejamos:
“Não há nada que esteja excluído do campo da soberania de Deus, incluindo até mesmo os atos ímpios dos homens [...]”
Deus decreta os atos ímpios dos homens?
“[...] A escolha de Deus daqueles que irão receber o dom da vida eterna não foi feita por uma soberania cega e arbitrária, mas por uma soberania que opera em conformidade com a sabedoria, com a santidade e com a justiça divina. Veja Eleição”.
Quer dizer que Deus escolheu conceder o dom da vida para alguns e para outros não?
Vemos que são reflexões estranhas, e que não estão de acordo com nossa Declaração de Fé, que diz:
“Deus elegeu a Igreja desde a eternidade, antes da fundação do mundo,26 segundo a sua presciência.27 O Senhor estabeleceu um plano de salvação para toda a humanidade: "em esperança da vida eterna, a qual Deus, que não pode mentir, prometeu antes dos tempos dos séculos" (Tt 1.2).
A nossa Declaração de Fé diz ainda:
“As obras de Cristo são amplas, mas aqui focamos em sua morte, ressurreição, ascensão ao céu e também nas implicações teológicas de sua morte expiatória e vicária em favor de todos os pecadores”.
Por Valdemir Pires Moreira (Diácono na AD em Caucaia-CE)

O Calvinismo na CPAD - Os Tesouros de Davi

Não tive acesso a esta obra "Os Tesouros de Davi", pois já me encontrava aqui na Itália quando foi publicada no Brasil, mas graças a um caríssimo irmão, me chegou às mãos informações, e excelentes análises de cunho doutrinário e teológico acerca da mesma.
Na apresentação da edição brasileira se lê:
"Nossa missão (da CPAD) é divulgar o Evangelho de Jesus Cristo através da página impressa e oferecer ao povo de Deus o que de melhor já se produziu pelos autores cristãos, desde os dias apostólicos. Logo, somos herdeiros não apenas de Myer Pearlman e Stanley Horton, mas também de Tertuliano, Atanásio, Lutero, Wesley e Spurgeon."
No início da apresentação da obra, os nossos referenciais antigos da teologia pentecostal são associados com outros escritores de diversas linhas, inclusive calvinista.
Deveria ter citado abertamente Agostinho e Calvino, mas não teve tanta coragem para isso. Pelo menos, ainda não.
Em seguida lemos:
"Isso não significa que estejamos de pleno acordo com todos os pontos doutrinais expostos por esses mestres e doutores. Aqui e ali, pode haver alguma divergência. Se esta não ferir os pontos centrais de nossa fé, por que não publicar esses doutores e mestres?"
Vou responder a pergunta do apresentador da obra.
Em primeiro lugar, não é "aqui e ali", e não são apenas "algumas divergências doutrinais". O próprio Charles Spurgeon, autor da obra, chegou a declarar que o deus dos arminianos (nós assembleianos somos soteriologicamente armínio-wesleyanos) não era, nem nunca seria o seu Deus.
Em segundo lugar, de fato, os pontos centrais da nossa fé não são feridos, mas a nossa Declaração de Fé é destruída e desmoralizada com tais publicações.
Vou finalizar esta introdução com uma afirmação direta e objetiva. Está muito claro que a CPAD rompeu com a sua antiga missão exclusivamente confessional. Agora ela é aberta, modernizou-se, contextualizou-se, comercializou-se. Esta é a realidade.
Sendo assim, se para os líderes assembleianos em todo o Brasil está tudo certo, se este é o caminho que a Casa deve seguir, aqui me calo sobre o assunto, mas não me calo no sentido em que já me comprometi, ou seja, vou refutar junto com alguns colaboradores que já se dispuseram, cada obra já publicada, e as que serão publicadas pela CPAD, com qualquer linha teológica e doutrinária que não considere a nossa Declaração de Fé, que inclusive, foi publicada pela própria CPAD.
À partir de amanhã, começo a escrever aqui sobre a teologia calvinista na obra "Os Tesouros de Davi".