sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Doenças, Enfermidades e Unção com Óleo

"A  ministração  da  unção  com  óleo  sobre  os  enfermos  é  uma  doutrina  do  Novo Testamento  ensinada  e  incentivada  como  prática  de  fé  para  os  crentes:  'Está  alguém  entre  vós  doente? Chame  os  presbíteros  da  igreja,  e  orem  sobre  ele,  ungindo-o  com  azeite  em  nome  do  Senhor'  (Tg 5.14).  

A  unção  sobre  os  enfermos  era  um  ritual  comum  nos  tempos  bíblicos  do  Novo  Testamento.  Os discípulos  usavam  a  unção  com  óleo  desde  os  dias  do  ministério  terreno  de  Jesus:  'e  ungiam  muitos enfermos  com  óleo,  e  os  curavam' (Mc  6.13).  

A  ênfase,  entretanto,  não  está  no  azeite,  mas,  sim,  na oração  da  fé,  que  salva  o  doente. 

A  única  unção  estabelecida  como  prática  na  igreja  foi  a  unção  com óleo,  ministrada  somente  sobre  os  enfermos.  

Essa  é  uma  prática  exercida  nos  moldes  do  Novo Testamento,  sendo,  portanto,  efetuada  somente  pelos  que  exercem  a  liderança  da  igreja.  Entre nós,  é praticada  por presbíteros, evangelistas  e  pastores." (Declaração de Fé das Assembleias de Deus no Brasil)

As palavras gregas que foram traduzidas no contexto da cura divina, como astheneia (Mt 10.18; Lc 4.40; Jo 5.3; At 5.15; Tg 5.14), arrôstous (Mt 14.14; Mc 6.13; 16.18) e kamnô (Tg 5.15), estão sempre associadas nestes contextos a um estado de incapacidade, disfunção ou fraqueza de ordem física e orgânica. 

Não se sustenta assim a ideia de ungir com óleo os casos de doenças ou distúrbios de ordem mental, tais como o déficit de atenção, a hiperatividade, os transtornos de aprendizagem, a loucura, as manias, as alucinações, as neuroses e psicoses de forma geral, as doenças ou distúrbios de ordem emocional, tais como a depressão, a ansiedade, o pânico, o medo, etc., nem os males espirituais, tais como a opressão e possessão demoníaca. Para tais casos a oração (sem a unção com óleo) é recomendada, e no caso da possessão demoníaca, a expulsão dos demônios em nome de Jesus.

A unção com óleo (Tg 5.14-15), seguida da oração, está associada à manifestação ou estado de incapacidade, disfunção ou fraqueza de ordem física/orgânica. É por esta razão que ela se aplica no corpo do doente, seguida de oração, como um ato de fé, para que o Senhor o levante.

Nos casos das somatizações (manifestações de incapacidade, disfunções ou fraqueza no corpo de males de origem emocional e espiritual), nem sempre discerníveis num primeiro momento, não vemos biblicamente problema em ungir com óleo o doente, seguido da oração da fé (Tg 5.15). Contudo, ao se ter discernimento das reais causas, deve-se seguir as orientações bíblicas.

Com base em Tiago 5.14-15, e nas publicações oficiais das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB), não unjo com óleo:

- Pessoas cujas enfermidades não se manifestem no corpo (independentemente da origem);

- Pessoas que querem uma benção (sem ser a cura divina);

- Pessoas endemoniadas;

- Pessoas mortas;

- Ofertantes e dizimistas (a não ser que estejam doentes e queiram a unção);

- Coisas (carro, moto, casa, alianças, etc);

- Animais

- A mim mesmo

Não unjo com óleo ninguém, nem nada, fora daquilo que Tiago em sua epístola prescreve. 

Assim ensino, assim pratico.

Não é necessário que o doente ao pedir a unção com óleo especifique a doença, formalidades mecânicas, nem algum espetáculo litúrgico, mas simplicidade. 

O necessário é que qualquer pessoa ao pedir a unção com óleo saiba que ela só deve ser pedida em caso de enfermidades manifestas no corpo.

Para isso a congregação deve ser ensinada, evitando-se assim algumas práticas que não encontram fundamentação bíblica para a igreja.

Um pastor ou obreiro, em qualquer questão bíblica e doutrinária não deve ensinar meias verdades à congregação, para com base nisso se beneficiar de alguma forma, ou agradar aos seus ouvintes.

A verdade precisa ser ensinada em amor, para que haja um crescimento saudável da igreja local.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Religiões na Itália - Censo 2016

Conforme o Censo de 2016 o atual panorama religioso na Itália é o seguinte:

Católicos - 77,3% (apenas 25,4% são praticantes)

Islâmicos - 3,1% (o maior fator de crescimento é a imigração)

Católicos Ortodoxos - 2,8%

Protestantes - 1,1% (evangélicos pentecostais, não-pentecostais e neopentescostais)

Testemunhas de Jeová, Mormons e Adventistas - 0,8%

Budistas - 0,4%

Induistas - 0,3%

Judeus - 0,1%

13,9% dos habitantes da Itália declaram não ter religião.

A Itália tem cerca de 60 milhões de habitantes, onde aproximadamente apenas 600 mil se declaram evangélicos/protestantes.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

A Obra da Salvação - Correção na Lição Bíblica


IMAGEM: Tiago Rosas

No dia 1/9 o irmão Tiago Rosas chamou a atenção em seu perfil no Facebook para uma declaração feita na próxima lição bíblica da CPAD, que segundo ele necessitava de uma correção:


Ao ter conhecimento do fato, tomei a iniciativa de compartilhar e comentar o post do irmão Tiago Rosas em meu perfil, ao mesmo tempo em que entrei em contato com o comentarista da lição, o pastor Claiton Pommerening:


O pastor Claiton me respondeu, alegando que a lição fora escrita para irmãos simples da igreja os quais essas informações poderiam ser confusas, e por isso simplificou a Teologia de Armínio na lição, mas que no livro publicado para dar suporte à lição tudo estaria explicado mais detalhadamente. Afirmou ainda que o livro teria que ser lido, pois lá ele cita Armínio, a obra dele lançada pela CPAD e trás alguns esclarecimentos breves, dada a limitação de espaço no livro.

Agradeci a resposta, e como não tenho o livro (estou na Itália), e muitos professores e alunos também não terão acesso ao mesmo, o problema com a declaração feita na lição continua, pois colocada como está (simplificada) não expressa o objetivo principal do Arminianismo.

No dia 4/9 um amigo me enviou o vídeo do professor Gunar Berg defendendo a afirmação do comentarista, cujo argumentos não me convenceram:


Tanto na Declaração de Sentimentos de Armínio, como no documento elaborado pelos Remonstrantes em 1610 (Os Cinco Artigos), e em sua obra de forma  geral, é a graça de Deus, e a sua ação na obra salvífica que ganham destaque, e de onde emanam as principais discussões e proposições, inclusive as que concernem ao livre-arbítrio humano.

Se quisermos sustentar a hipótese de alguma defesa do livre-arbítrio humano em Armínio, tal defesa precisa ser compreendida como a correção de certas ideias equivocadas e difundidas a seu respeito.

Em Armínio o livre-arbítrio humano é incapaz de iniciar ou aperfeiçoar qualquer ação que busque obedecer ou agradar a Deus.

Em Armínio, somente a graça divina (precedente ou preveniente) possibilita ao homem ter livre exercício de vontade para crer ou resistir, para corresponder livremente com arrependimento e fé, e responder positivamente ao chamado divino.

Em Armínio o livre-arbítrio humano para as coisas de Deus precisa ser liberto pela graça precedente e preveniente.

Em Armínio a capacidade humana de exercer o livre-arbítrio para com as coisas de Deus precisa ser restaurada pela graça precedente e preveniente.

Em Armínio os efeitos da depravação total sobre o livre-arbítrio humano para com as coisas de Deus precisam ser suspensos pela graça precedente ou preveniente.

Em Armínio o livre-arbítrio humano para com as coisas de  Deus não é ignorado, nem tampouco exaltado, é sim, exposto e colocado em seu devido lugar na "mecânica da salvação", à luz da graça, da justiça e do amor de Deus, segundo as Escrituras.

Isto posto, é preciso deixar claro que:

1. Erros como este já aconteceram em outras lições bíblicas da CPAD;

2. Tais erros podem decorrer do pouco espaço que a lição tem para que uma ideia seja devidamente exposta, ou de um problema na hora da edição da mesma;

3. O erro não desqualifica a Editora, nem tampouco o comentarista, nem ainda os consultores teológicos, bastando apenas um maior cuidado diante das limitações editoriais de uma lição bíblica;

4. Na minha vida ministerial já fiz afirmações equivocadas, ou não muito claras, e precisei corrigi-las ou esclarecê-las. Isso, no meu entendimento, é um gesto nobre.

A todos envolvidos na questão e aqui citados, fica o meu sincero respeito e a minha admiração, mesmo não concordando com o meu posicionamento teológico.

Teologia sem discussão é mera imposição argumentativa, ou reprodução acrítica de ideias.

No amor de Cristo,

Pr. Altair Germano

Imagem: Tiago Rosas

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

MISSÃO, MENSAGEM E MÉTODO

Para atrair e manter "clientes" nas igrejas, muitos aqui na Europa também adotaram um evangelho desfigurado, que não chama as pessoas ao arrependimento, ao compromisso com Deus, à uma mudança de vida produzida por uma genuína conversão mediante a fé em Cristo Jesus.  Pregam um  tipo de mensagem que promove o conformismo com os padrões do mundo,  o imediatismo das bençãos, o relativismo moral e o comodismo espiritual.

No outro extremo estão os legalistas que colocam os costumes acima dos princípios bíblicos, e a aparência acima da essência. Boa doutrina produz bons costumes, equilíbrio em tudo, moderação no falar, no vestir, no ser, no fazer. Não promove a ostentação, a sensualidade, a imoralidade, a indecência, e nem tampouco a alienação fanática.

O evangelho desfigurado ou amputado, é anunciado em nome de um crescimento "instantâneo" da igreja local, do status ministerial que isso dá, e quem sabe, de um aumento significativo nas contribuições financeiras para benefício próprio.

Uma missão genuinamente bíblica não se rende aos desvios ministeriais, eclesiais, doutrinários e kerigmáticos que se multiplicam nos dias de hoje.

Os falsos missionários e obreiros podem ser identificados também por suas mensagens e métodos.

Fique atento, e não se deixe enganar!

terça-feira, 8 de agosto de 2017

EXPECTATIVAS X REALIDADE


Não crie expectativas em relação ao justo reconhecimento por parte dos homens do trabalho que você faz para Deus.
Não crie expectativas que depois de muitos anos realizando determinado serviço na congregação ou na igreja local sua despedida será honrosa.
Não crie expectativas que depois de muitos anos servindo no campo missionário você será recebido pela banda musical da igreja e por dezenas ou centenas de irmãos com faixas de boas vindas, sorrindo e lhe abraçando.
Não crie expectativas que por ter servido por mais de trinta anos como pastor presidente, após ser jubilado ou morrer, você será sempre lembrado, e seu nome constantemente mencionado.
Não crie expectativas pelo fato de ter sido um escritor, pregador ou ensinador sempre com a agenda cheia, pois quando as forças físicas se acabarem, quando a idade avançada chegar, a solidão e o isolamento podem chegar juntos.
Não crie expectativas por ter sido um cantor, músico, instrumentista ou maestro premiado e admirado por muitos, pois quando o som da tua voz ou dos instrumentos cessarem, os aplausos também poderão cessar.
Durante a minha trajetória cristã, já contemplei todas as realidades acima citadas na vida de muitos irmãos e companheiros, e ainda continuo vendo.
Não crie expectativas de reconhecimentos por parte dos homens, dessa forma você evitará frustrações, desilusões e decepções.
Sirva por amor a Deus e ao próximo. A justa recompensa divina é uma questão consequencial.
Não crie expectativas!

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Declaração de Fé das Assembleias de Deus no Brasil (2)

Não tenho dúvida alguma, visto a importância da Declaração de Fé como instrumento normativo, defensor e promotor de unidade doutrinária nas Assembleias de Deus no Brasil, da necessidade de uma apreciação e deliberação em plenário convencional, conforme previsto no Edital de Convocação da 43a. AGO da CGADB.

No âmbito denominacional, este é o momento de consolidar crenças e práticas, como por exemplo:

- Os fundamentos soteriológicos de linha arminiana e wesleyana;

- A crença na contemporaneidade de todos os dons espirituais;

- O modelo de governo eclesiástico;

- Os requisitos para a separação, consagração e ordenação de obreiros;

- A não separação, consagração e ordenação de mulheres para o ministério  oficial de pastora, evangelista e presbítera;

- A perspectiva bíblica e denominacional de gênero, casamento e família.

Em alguns dos pontos acima, e em outros não mencionados, não temos unidade nacional, e com a decisão soberana do plenário convencional caberá a todas as Convenções, Ministérios, Igrejas e demais Instituições assembleianas, submeter-se aos parâmetros doutrinários que serão reafirmados e estabelecidos.

Vale lembrar, que a Declaração de Fé das Assembleias de Deus no Brasil não é extensiva para Convenções, Ministérios, Igrejas e outras Instituições assembleianas que não tenham vínculos diretos ou indiretos com a CGADB através dos seus ministros filiados.

Diante de tamanha responsabilidade, orar para que o Espírito Santo nos guie nas decisões que serão tomadas é fator primordial e vital.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Declaração de Fé das Assembleias de Deus no Brasil

Na 43a. AGO da CGDAB, que será realizada em São Paulo, de 25 a 28/04, será apresentado ao plenário, depois de 100 anos de história, um documento que de forma sistemática e mais ampliada do que o atual Cremos, estabelecerá os fundamentos doutrinários das Assembleias de Deus no Brasil e da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil. A Declaração de Fé abordará questões que envolve bibliologia, cristologia, pneumatologia, soteriologia, eclesiologia, escatologia, etc.

Não tenho dúvidas acerca da importância do documento, mesmo porque, desde 2011, através das redes sociais, me manifestei em torno da necessidade de termos a nossa Confissão de Fé, mesmo que a mesma tivesse um outro nome, como no caso "Declaração de Fé".

A Declaração foi elaborada por uma Comissão Especial, estabelecida pela Presidência da CGDAB, composta de membros do Conselho de Educação e Cultura,  Conselho de Doutrina e Comissão de Apologética da CGADB, e de outros pastores e teólogos convidados. Na presidência da Comissão está o pastor Esequias Soares (Jundiaí-SP).

Tenho a informação de que o conteúdo do documento foi passado para os Pastores Presidentes de Convenções, para que nos Estados o texto fosse apreciado, e sugestões fossem enviadas para a Comissão Especial.

A apresentação e apreciação da Declaração de Fé não terá como propósito discutir no que iremos crer em termos doutrinários, mas apresentar de forma mais ampliada e específica aquilo no que já cremos e praticamos.

Uma questão que certamente será esclarecida e/ou discutida em plenário, é se a Declaração de Fé terá o seu conteúdo sugerido às Convenções, Ministérios, Ministros e Igrejas, ou terá caráter normativo.

Outra questão que deverá ser contemplada e discutida, é de que maneira serão tratados os casos de Convenções, Ministérios, Ministros e Igrejas que atualmente não se enquadram em termos doutrinários, em todos os pontos da Declaração de Fé, após a sua aprovação.

Como pode ser percebido, esse momento histórico deverá ser fundamental para os rumos da unidade doutrinária das Assembleias de Deus no Brasil.

Pr. Altair Germano

quinta-feira, 30 de março de 2017

DECLARAÇÕES DE UM PENTECOSTAL REFORMADO DESILUDIDO E INDIGNADO COM O PENTECOSTALISMO



Ao assistir o vídeo acima, me vieram algumas dúvidas:

1. A Reforma é somente o Calvinismo?


2. A igreja do Bispo Walter McAlister abraçou as doutrinas da graça, ou a doutrina especificamente calvinista da graça irresistível?


3. Se a eleição incondicional é de fato uma leitura mais fiel das Escrituras, por qual razão ela não foi abraçada pelos Pais da Igreja até Agostinho, por vários clérigos durante a Reforma, por que Lutero a abandonou, nem foi admitida, decretada ou aprovada nos Concílios durante os primeiros seiscentos anos depois de Cristo?


4. Se o atual Pentecostalismo é tão ruim como exposto no vídeo, por que alguns calvinistas se aproximam dele, e até afirmam ser ele o futuro do Calvinismo? Seria apenas a possibilidade de usar o Pentecostalismo como um hospedeiro do Calvinismo?


5. Se o Calvinismo é de fato portador de uma doutrina tão sólida, de uma soteriologia tão bíblica, como ele não consegue manter a sua própria sobrevivência através​ das Igrejas Reformadas, onde historicamente se hospedou?