quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

CGADB, União Estável e Batismo em Águas

"O batismo em águas. É um ato importante e repleto de significados espirituais, que é administrado pela igreja ao crente, mediante arrependimento e confissão de fé [...] O batismo é uma ordenança divina; é, em si, um ato de compromisso e profissão de fé; é um ato público em confirmação daquilo que já possuímos - a salvação pela fé em Jesus." (Declaração de Fé das Assembleias de Deus no Brasil, pg. 127, 129)

Um dos temas que será tratado na próxima AGO da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil - CGADB, que será  realizada em Belém do Pará, de 8 a 12/4, é sobre a possibilidade de em alguns casos específicos um crente poder ser batizado em águas sem ser casado civilmente, vivendo em união estável.

Não são poucos os casos onde ao se converter, em razão do seu parceiro(a)  não concordar em regularizar a situação civil através do casamento, o crente fica privado do batismo em águas.

Muitos destes crentes não batizados em águas, mas regenerados e salvos em Cristo Jesus, ocupam funções em algumas igrejas, tais como ensinar na Escola Dominical, líderar órgãos e departamentos, etc.

Em diversos lugares já há casos onde após análise do ministério local, alguns nesta situação de espera por uma regularização de sua condição civil através do casamento, são batizados em águas.

Os debates prometem ser intensos, pois de um lado estão os pastores que rejeitam plenamente o batismo de crentes nestas condições (mesmo em casos específicos e devidamente analisados), e de outro lado estão os pastores que compreendem ser possível uma análise caso a caso por parte dos ministérios locais.

A questão envolve, acima de tudo, uma discussão  doutrinária e teológica: além da fé e do arrependimento, algum outro pré-requisito seria necessário para o batismo em águas? Se alguns destes crentes já foram batizados inclusive no Espírito Santo, como negar a eles as águas? O que significa e o que representa o batismo em águas?

Oremos para que o Senhor nos dê a sabedoria necessária para julgar e decidir sobre tal questão.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

A Pedagogia da Humilhação

Precisamos estar por um tempo em humilhação debaixo da poderosa mão de Deus, para que no tempo próprio alcancemos a exaltação que vem dele.
Primeiro nos dispomos a sermos por ele humilhados (gr. Ταπεινώθητε, tapeinōthēte) para depois sermos por ele exaltados.
A humilhação que vem dele é pedagógica. (1 Pe 5.6)

Ainda Sobre Escola Dominical

Pela graça de Deus fui aluno, professor e Superintendente Geral de Escola Dominical, função esta exercida por dez anos consecutivos.
Focado no ministério do ensino, procurei especialização na área de educação, e me graduei em pedagogia, fazendo também duas especializações, uma em psicopedagogia e a outra em educação cristã. Escrevi artigos e tive um livro publicado sobre o tema educação na ED.
Nos últimos doze anos, com exceção do período em que estive na Itália, viajei por todo o Brasil, onde pude ministrar em diversos eventos voltados para a capacitação de superintendentes e professores de ED. Conheci assim, muitas e complexas realidades de perto.
O tempo passou, mas os problemas relacionados à ED continuam, e variam em grau de dificuldades de lugar para lugar.
Dessa forma, antes de tentar implementar ações, ou de planejar eventos voltados para promover a ED, tente identificar as principais e urgentes necessidades locais da mesma, que geralmente resultam na evasão dos alunos, e até no encerramento das suas atividades.
Dentre os referidos problemas, permanecem:
- A falta de apoio de pastores e líderes locais;
- A falta de investimento em recursos materiais diversos (consequência direta da falta de apoio dos líderes);
- A falta de investimento no treinamento dos superintendentes, que precisam de fundamentos administrativos e pedagógicos;
- A falta de investimento no treinamento dos professores com ênfase nos aspectos teológicos, didáticos, metodológicos, psicológicos e relacionais;
- A falta de estrutura física adequada para o ensino, que não havendo como melhorar, pode ser compensada (ou minimizado o problema) com um ensino de qualidade;
- O excesso de atividades mal planejadas na igreja;
- Dias e horários de funcionamento inadequados para o contexto e realidade local;
- O desinteresse absoluto de muitos crentes em estudar as Escrituras na ED, seguido das já conhecidas desculpas;
- A necessidade de professores vocacionados espiritualmente para o ensino.
A ED, assim como toda agência de ensino e educação cristã, precisa também estar atenta às transformações e aos desafios contemporâneos, que podem exigir algumas mudanças e adequações urgentes e necessárias.

Liderança e Pragmatismo: Quando a Vingança é Travestida de Justiça (1 Rs 2.5-9)

No final dos seus dias Davi foi bastante pragmático nos conselhos que deu a seu filho Salomão, orientando-o a matar Joabe, e ainda, numa manobra ardilosa, e quebrando a promessa feita a Simei, mandou que com ele se fizesse o mesmo. Orientou também que Salomão beneficiasse uma família que o tinha protegido.
Acontece que o pragmatismo de Davi não livrou Salomão de sua própria tragédia pessoal.
Em todo o tempo, bom é confiar em Deus e obedecer os seus mandamentos. A vingança travestida de justiça, em nada glorifica ao Senhor, nem resulta em sua bênção.

Estilos de Liderança e Metodologias de Ensino Passivas e Ativas

Quando observamos atentamente a liderança e a prática pedagógica de Jesus, podemos perceber uma característica marcante: a diversidade.
As teorias de liderança e de metodologias de ensino costumam enfatizar determinado estilo, dando extrema ênfase ao mesmo, e a negligenciar ou excluir os demais estilos.
Se fala muito hoje em dia em estilos de liderança centrados nos liderados e de metodologias de ensino centradas nos alunos, em detrimento de outros estilos e metodologias.
Ao observarmos o Líder dos líderes, vamos encontrá-lo tomando a maioria das decisões sozinho, para em seguida compartilha-las, e também delegando autoridade aos seus liderados para o desempenho de tarefas.
Já em sua prática de ensino, o Mestre dos mestres alternava sempre o método expositivo com a interação, perguntas e respostas, etc., ou seja, ele usava tanto as metodologias passivas quanto as ativas.
Aprendemos com Jesus, que as diversas teorias de liderança e de metodologias de ensino não são excludentes entre si, mas complementares.
Diversos fatores determinarão se em dado momento a decisão na liderança será autocrática ou democrática, e se a metologia de ensino em determinada aula será centrada no professor ou no aluno (ou numa combinação das duas possibilidades).
Busquemos no Senhor a sabedoria necessária para cumprirmos com excelência o nosso chamado, tendo-o sempre como o nosso supremo modelo e referencial na prática da liderança cristã e do ensino.

Cognição e Emoção na Pregação e no Ensino da Palavra

"Uma das maneiras mais fortes de provocarmos impacto no outro é pela emoção. Partilhar ideias costuma consumir tempo e esforço cognitivo. A partilha de sentimentos, porém, acontece com facilidade e instantaneamente." (Tali Sharot, A Mente Influente)
A realidade descrita acima pela neurocientista Tali Sharot, é uma das causas do sucesso dos pregadores e ensinadores que se utilizam de uma alta carga de emotividade, e das dificuldades que enfrentam os pregadores e ensinadores mais centrados no aspecto cognitivo da pregação e do ensino. A ênfase demasiada num destes dois aspectos é prejudicial para a comunicação da mensagem.
O pregador e o ensinador devem buscar o equilíbrio em trazer uma mensagem bíblica, que siga uma lógica cognitiva, ao mesmo tempo em que não deve desprezar a necessidade de demonstrar de modo bastante natural, os seus sentimentos para o público ouvinte.
É possível, na comunicação da Palavra, ser lógico-cognitivo sem deixar de ser emotivo, e ser emotivo sem deixar de ser lógico-cognitivo, tudo na medida certa.
Em alguns momentos, em razão dos temas abordados, algumas mensagens serão mais cognitivas, enquanto outras serão mais emotivas.

Congressos Gerais e Cultos Dominicais Evangélicos

Se a adoração a Deus e a ministração da Palavra em muitos dos nossos cultos dominicais não conseguem ser tão fervorosos como em nossos congressos, há algo a ser repensado em nossa liturgia, ou em nossa disposição mental e espiritual para cultuar.
Os congressos costumam ser eventos empolgantes, enquanto muitos cultos dominicais costumam ser reuniões enfadonhas.
Os congressos costumam ter expressões de adoração espontâneas, enquanto em muitos cultos dominicais a participação no louvor é um ato meramente mecânico.
Os congressos costumam ter tempo para a pregação bíblica, vibrante e edificante, enquanto em muitos cultos dominicais nem pregação se tem.
Os congressos costumam ser aguardados com grande expectativa, enquanto muitos cultos dominicais não provocam entusiasmo algum.
Os congressos costumam ter manifestações livres e poderosas do Espírito, enquanto em muitos cultos dominicais o Espírito é refém de uma liturgia formal.
Que os nossos cultos dominicais se tornem congressos semanais plenos de adoração, da Palavra e do poder do Espírito, para a glória de Deus!

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Deus: Ciência e Convivência

A teologia te dará saberes. A intimidade com Deus te dará a presença dele.

A teologia te dará ciência. A intimidade com Deus te dará experiência sobrenatural.

A teologia te dará erudição. A intimidade com Deus te dará unção.

A teologia te dará métodos hermenêuticos. A intimidade com Deus te dará revelação.

A teologia te dará eloquência. A intimidade com Deus te dará poder espiritual.

A teologia te dará o hebraico e o grego. A intimidade com Deus te dará variedade de línguas. 

A teologia te dará títulos. A intimidade com Deus te dará humildade.

A teologia te dará um acréscimo no currículo. A intimidade com Deus te dará o testemunho dele.

Cresça em ciência. Cresça mais ainda em convivência Deus.

Entenda que o saber sobre Deus, sem o conviver com Deus é apenas vaidade. Tola e passageira vaidade.

Seguindo no Servir

Pela graça de Deus, este ano estaremos presidindo o Conselho de Doutrina da Assembleia Deus em Abreu e Lima-PE (IEADALPE), onde ao lado dos demais companheiros, trabalharemos no sentido de promover e defender os fundamentos bíblicos e doutrinários expressos em nossa Declaração de Fé.
O Senhor me tem concedido de servir nesta igreja já há 30 anos, onde dentre as diversas atividades, além de pastorear congregações e coordenar áreas eclesiais, por dez anos trabalhamos como Superintendente Geral da Escola Bíblica Dominical, e por dois anos como Vice-Presidente da Igreja, deixando o referido cargo para atender o trabalho missionário na Itália, de onde retornamos há quatro meses, e onde deixamos uma igreja implantada na cidade de Florença.
Sigo adiante, servindo a igreja no estado de Pernambuco e em todos os demais lugares, onde através do ministério do ensino e da pregação temos procurado cumprir o nosso chamado.
Agradeço ao pastor Roberto José Dos Santos (Presidente da IEADALPE) pela indicação, e continuo contando com as vossas orações.
Ao Senhor Jesus, que me teve como fiel, pondo-me no ministério (1 Tm 1.12), tributo toda honra, glória e louvor.

Homens e Mulheres de Honra - 2 Timóteo 4.1-22

Ele evangelizou, ensinou, fundou igrejas, discipulou, visitou, curou enfermos, ressuscitou mortos, instituiu obreiros, se doou sem reservas para a obra de Deus, e viveu os seus últimos dias numa prisão, abandonado pelos seus companheiros de jornada, e aguardando ser executado.
Mesmo em tais condições, permaneceu firme em seu chamado, escrevendo e aproveitando cada oportunidade para ainda servir, fortalecido e assistido pelo seu Senhor, que nunca o desamparou. Falo de Paulo, o apóstolo.
Nada de honrarias humanas. As circunstâncias não lhe permitiram. Inclusive, quando ainda em plena liberdade e atividade, teve que por vezes defender a sua legitimidade e autoridade apostólica.
Assim como Paulo, pelas mais diversas razões, e muitas delas injustificáveis, grandes homens e mulheres de Deus já morreram, e ainda morrerão solitários, abandonados e esquecidos por muitos (ou praticamente por todos).
São homens e mulheres de honra. Imperfeitos, mas sinceros. Improváveis, mas escolhidos. Falhos, mas usados por Deus.
Só há uma maneira de não frustrar-se, decepcionar-se ou amargurar-se durante ou no fim do nosso ministério, em relação ao que recebemos ou deixamos de receber como honrarias humanas. É não desejando-as, aguardando-as ou reivindicando-as.
Paulo aprendeu de Jesus, e nós aprendemos de Paulo. Que magnífico exemplo!
Infelizmente, em seu processo histórico de institucionalização ainda inacabado, as distorções em torno das honrarias na igreja fazem com que muitos adoeçam, se angustiem, sofram, traiam, matem e morram por elas.
É preciso admitir que as honras humanas são muito sedutoras. Elas fazem com o nosso ego o que poucas outras coisas conseguem fazer.
Muito embora Deus tenha as suas maneiras de nos honrar aqui e agora, que divergem em natureza e propósito das humanas, são as honras do porvir, que receberemos do nosso Senhor, nos céus, que devem ser aguardadas com fé em meio ao bom combate, e até ao fim da carreira.
Homens e mulheres que amam e honram a Deus, e que demonstram isso pela obediência, testemunho e serviço, serão de modo justo e digno galardoados e honrados por ele e para a glória dele naquele dia.
Aguardemos por isso, e nossos dias serão mais plenos de senso de justiça, paz e alegria no Espírito Santo.