terça-feira, 22 de maio de 2018

Acusação Contra Pastores e Líderes

“Não aceites acusação contra um ancião (i.e. bispo, presbítero ou pastor), senão com duas ou três testemunhas. Aos que vivem no pecado, repreende-os na presença de todos, para que também os outros tenham temor. Conjuro-te diante de Deus, e de Cristo Jesus, e dos anjos eleitos, que sem prevenção guardes estas coisas, nada fazendo com parcialidade.” (1Tm 5.19-21)

Não são poucas as pessoas que se levantam contra os seus pastores e líderes pelo fato de terem algum ressentimento ou mágoa guardados, por não aprovarem a sua maneira de administrar e presidir, e por muitas outras questões de ordem pessoal. Procuram sempre um modo de se vingarem, e ocasião para tentar desmoraliza-los e prejudicá-los. 

Nenhuma acusação contra pastores e líderes deve ser aceita sem provas e testemunhas. A Bíblia é clara sobre o assunto. Assim como os demais membros da igreja, até que se prove o contrário, os pastores e líderes são inocentes.

Caso hajam provas e testemunhas, e a acusação for fundamentada, cabe à igreja seguir os princípios bíblicos, o seu Estatuto e o Regimento Interno para tratar a questão.

A igreja deve amar os seus pastores e líderes, orar e zelar por eles em todos os aspectos. Não deve assim alimentar boatos, fofocas e calúnias. Tratemos os pastores e líderes como gostaríamos de sermos tratados.

Missões Fatos e Fotos

O que muitas vezes se vê em fotos enviadas dos campos missionários não condiz com a realidade da obra.

O trabalho missionário não é fácil, e dependendo do lugar os resultados demoram um pouco (ou muito).

Quando falo de resultados, é preciso lembrar que o sucesso de um trabalho missionário não está diretamente e exclusivamente associado ao tamanho da igreja implantada, nem ao número de pessoas que ali congregam. Tal visão não condiz com a missiologia bíblica.

O propósito geral e específico de Deus em cada trabalho missionário precisa ser considerado. No trabalho e nas viagens missionárias do apóstolo Paulo, percebemos a sua ênfase na evangelização, e em outros momentos na confirmação das igrejas já implantadas.

A evangelização sempre acontecerá, mas a urgência e a necessidade no campo missionário implicará, em certas circunstâncias, e sob a direção do Espírito, numa ênfase maior no trabalho social, ou no ensino mais sólido aos já convertidos.

Infelizmente, alguns líderes e igrejas que enviam missionários possuem uma visão reducionista acerca da missão, e dessa forma os missionários se sentem pressionados a "mostrar serviço".

É exatamente sob tal pressão que alguns missionários são tentados a maquiar relatórios e a enviar fotos de festas, onde muitos convidados se encontram presentes, tentando passar a ideia de que o trabalho está crescendo e vai muito bem.

Outras vezes as referidas fotos são publicadas com a intenção de impressionar e conquistar novos parceiros para o "próspero" trabalho.

A realidade missionária, diferente de muitas fotos e relatórios, se manifesta também em lágrimas, em igrejas pequenas e vazias, em poucas decisões e batismos, e em muitas e grandes dificuldades.

Na condição de missionários, não deixemos de divulgar em fotos os fatos do campo, mas sejamos em tudo sinceros e verdadeiros diante de Deus e dos homens.

Escrevo esse texto com base na minha experiência com o trabalho missionário aqui na Itália.

Conscientização Política na Igreja

Para que de fato haja uma tomada de consciência política na igreja, os líderes e o povo de forma geral precisam ser informados sobre:

- O que é ideologia partidária;
- Quais são as ideologias dominantes nos partidos políticos brasileiros;
- O que é esquerda, direita, centro, etc;
- Como funciona o sistema político brasileiro;
- O que é uma aliança política;
- O que é corrupção política;
- O que é um candidato ficha limpa e ficha suja;
- O direito e o dever de votar;
- A liberdade do eleitor;
- O que é um projeto político;
- Quais as possibilidades ou limites da relação entre a igreja e a política;
- Qual o perfil do candidato que poderia receber o voto de um cristão.

Sem conscientização política, não existe a possibilidade de reflexão, discussão ou decisão madura e sensata.

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Uma Liderança com Saúde - Editora Alive


Vendas pelo www.editoraalive.com.br, Amazon e Itunes.

A Educação Teológica nas Assembleias de Deus - Editora Alive


"Para compreender a mudança de paradigma da liderança das Assembleias de Deus no Brasil em relação à educação teológica formal, que passou da rejeição e proibição para a aprovação e incentivo da mesma, é necessário analisar alguns fatores que contribuíram para que somente após 47 anos de fundação da denominação, o primeiro Instituto Bíblico fosse criado, e mesmo assim, sem a aprovação da maior parte da liderança nacional [...]."

Nosso próximo lançamento, em breve pela #editoraalive

terça-feira, 8 de maio de 2018

Juventude Pentecostal Não Conformista

Minha alma se alegra ao perceber o crescimento em meio a juventude pentecostal brasileira do não conformismo com o pentecostalismo pragmático.

Esta juventude pentecostal não conformista tem consciência da necessidade de uma vida de oração.

Esta juventude pentecostal não conformista vive em santidade e temor diante do Pai celestial.

Esta juventude pentecostal não conformista toma decisões considerando a ética bíblica.

Esta juventude pentecostal não conformista é submissa à liderança, mas não se deixa manipular.

Esta juventude pentecostal não conformista reconhece o valor do estudo bíblico teológico, mas rejeita o academicismo arrogante.

Esta juventude pentecostal não conformista não está à procura dos holofotes dos congressos e púlpitos, mas da possibilidade de simplesmente ser um instrumento nas mãos do Senhor.

Esta juventude pentecostal não conformista não suporta mais os chavões e bravatas de alguns pregadores, mas tem sede de mensagens genuinamente bíblicas.

Esta juventude pentecostal não conformista não tem ídolos, mas tem referenciais.

Esta juventude pentecostal não conformista não sei deixa levar por ventos de doutrinas e de teologias parasitárias.

Esta juventude pentecostal não conformista não aceita passivamente o que lhe ensinam,  examinando e provando tudo à luz das Escrituras.

Esta juventude pentecostal não conformista se deleita com o mover do Espírito, mas agoniza diante do fogo estranho.

Esta juventude pentecostal não conformista não negocia a sua consciência, princípio, valores e convicções em troca de cargos eclesiais.

Esta juventude pentecostal não conformista é cheia do Espírito.

Esta juventude pentecostal não conformista é herdeira, guardiã e transmissora do pentecostalismo bíblico.

O Pentecostalismo Pragmático

O pragmatismo é um pensamento filosófico criado no fim do século XIX pelo filósofo americano Charles Sanders Peirce (1839-1914), pelo psicólogo William James (1844-1910) e pelo jurista Oliver Wendell Holmes Jr. (1841-1935), que opondo-se ao intelectualismo, considera o valor prático como critério da verdade.

É exatamente o pensamento pragmático de boa parte da liderança e de igrejas pentecostais, que aprova e reproduz acriticamente alguns ensinos e práticas não bíblicos, pelo simples fato de "darem certo" ou "funcionarem" segundo os objetivos desejados.

No Pentecostalismo Pragmático a mensagem e ortodoxia bíblica, a análise teológica e a fundamentação doutrinária não são prioridades. Tais questões possuem pouco ou nenhum valor . 

No Pentecostalismo Pragmático, regra geral o que importa é se o povo vai se agradar,  se o templo vai encher, se a igreja vai crescer, se a oferta vai ser boa e se a manutenção do cargo com os seus benefícios está segura e garantida.

O Pentecostalismo Pragmático é o responsável por tanta confusão e absurdos vistos e ouvidos em nossos púlpitos, templos e cultos, bem diante do olhar de muitos líderes coniventes e também pragmáticos.

O Pentecostalismo Pragmático tenta de todas as formas e maneiras sufocar e desprezar o pentecostalismo bíblico, equilibrado e genuinamente frutífero. 

O Pentecostalismo Pragmático rotula o crente pentecostal bíblico de frio, cru, indiferente, formal, carnal, desviado, não convertido, tradicional, sem "visão", insensível ao "mover" do Espírito e aos "mistérios" de Deus, etc.

O Pentecostalismo Pragmático é consequência também de anos de resistência a uma educação teológica formal e de qualidade no contexto do pentecostalismo clássico brasileiro, com a sua maior expressão nas Assembleias de Deus. 

O Pentecostalismo Pragmático se multiplica e se reinventa, conquista novos espaços, divide igrejas e cria novas denominações  no evangelicalismo brasileiro.

O Pentecostalismo Pragmático está cada vez mais atraente e menos bíblico. A doutrina não importa, a ética muito menos, o que importa é o milagre, a cura, a prosperidade, a sensação boa, a emoção gostosa, o êxtase. Sim, o que importa são os resultados.

O Pentecostalismo é um movimento do Espírito, fundamentado nas Escrituras, centrado em Cristo e para a glória de Deus Pai. 

O Pentecostalismo Pragmático é um movimento do homem, fundamentado nos resultados práticos, centrado na conveniência e para a glória da criatura.

sábado, 5 de maio de 2018

Pentecostalismo, Pregação e Pregadores

Você já se perguntou a razão de alguns pregadores pentecostais mudarem a voz na hora de pregar?

Você já se perguntou a razão de alguns pregadores pentecostais lerem um texto bíblico e não pregarem sobre o mesmo?

Você já se perguntou a razão de alguns pregadores pentecostais apelarem tanto para o emocionalismo?

Você já se perguntou a razão de alguns pregadores pentecostais tentarem manipular a ação do Espírito?

Você já se perguntou a razão de alguns pregadores pentecostais desenvolverem algum tipo de cacoete esquisito?

Você já se perguntou a razão de alguns pregadores pentecostais gritarem tanto durante toda a pregação?

Você já se perguntou a razão de alguns pregadores pentecostais citarem o grego e o hebraico apesar de não terem estudado essas línguas?

Você já se perguntou a razão de alguns pregadores pentecostais se vestirem e usarem sapatos escandalosos?

Você já se perguntou a razão de alguns pregadores pentecostais criticarem tanto teologia e teólogos?

Você já se perguntou a razão de alguns pregadores pentecostais colocarem a culpa na igreja quando a pregação não vai bem?

Você já se perguntou a razão de alguns pregadores pentecostais distorcerem tanto o texto bíblico?

Você já se perguntou a razão de alguns pregadores pentecostais se preocuparem tanto com a impressão que a sua pregação causou?

Você já se perguntou a razão de alguns pregadores pentecostais serem réplicas fiéis de outros pregadores pentecostais?

Você já se perguntou a razão de alguns pregadores pentecostais nunca pregarem expositivamente?

Você já se perguntou a razão de alguns pregadores pentecostais não se submeterem à liderança da igreja?

Você já se perguntou a razão de alguns pregadores pentecostais ameaçarem com castigo divino quem parece não estar dando crédito a sua  mensagem?

Você já se perguntou a razão de alguns pregadores pentecostais serem tão arrogantes no púlpito e fora dele?

Você já se perguntou a razão de alguns pregadores pentecostais terem que falar ou forçar o povo a falar em línguas todas às vezes que pregam?

Você já se perguntou a razão de alguns pregadores pentecostais gostarem tanto de falarem de si mesmos nas pregações?

Você já se perguntou a razão de alguns pregadores pentecostais pagarem (com pretexto de dar uma oferta) para ter acesso a alguns eventos e púlpitos?

Você já se perguntou a razão de alguns pregadores pentecostais se oferecerem tanto para pregarem nas igrejas?

Você já se perguntou a razão de alguns pregadores pentecostais se esquecerem ou se perderem tanto na mensagem?

Você já se perguntou a razão de alguns pregadores pentecostais fazerem questão de demonstrar uma superioridade espiritual diante dos seus ouvintes?

Você já se perguntou a razão de alguns pregadores pentecostais chamarem algumas das heresias que pregam de revelação?

Você já se perguntou a razão de alguns pregadores pentecostais se irritarem tanto quando são corrigidos em amor?

Que o Senhor nos dê pregadores e pregações pentecostais segundo o modelo bíblico, e que em tudo glorifiquem a Ele!

sexta-feira, 16 de março de 2018

Igreja: Reunião no Lar ou no Templo?

Sem dúvida alguma, ao longo da história muitas ideias equivocadas surgiram em torno do edifício onde a igreja se reúne. Como exemplo, podemos citar:

- Chamar o próprio edifício de igreja;
- Desperdiçar muito tempo e dinheiro em instalações exageradamente grandes e/ou absurdamente luxuosas;
- Sacralizar as instalações, comparando-as ao templo do Antigo Testamento, com direito inclusive a um lugar imaginariamente santo e ao santo dos santos.

Esses equívocos desqualificam o templo/edifício como local de reunião da igreja? Penso que não. Os equívocos devem ser corrigidos? Afirmo que sim.

O movimento de "Igrejas nos Lares" ou "Desigrejados/Desinstitucionalizados" faz dos equívocos acima argumento para desqualificar nos dias atuais a reunião da igreja em templos/edifícios próprios.

Afirmam ainda que biblicamente só deveríamos nos reunir nas casas dos irmãos, e que os templos/edifícios são apenas ideias pagãs incorporadas ao cristianismo ao longo dos séculos.

É verdade que o Novo Testamento está repleto de textos que falam que a igreja se reunia em casas, mas é verdade também que os referidos textos são apenas narrativos, em vez de normativos.

Reunir-se nas casas não era uma regra ou norma imposta pelos apóstolos, mas uma necessidade da igreja primitiva, visto que ainda se encontrava em seu estágio inicial, e também sem legalidade para ocupar formalmente outros espaços. Mesmo assim, encontramos a igreja se reunindo eventualmente também no Pórtico de Salomão (At 5.12) e na escola de Tirano (At 19.9). A arqueologia identifica reuniões da igreja em cavernas, provavelmente em períodos de perseguição.

O estudo sobre o  culto cristão e o desenvolvimento dos espaços litúrgicos nos revela, que antes mesmo de Constantino promover a construção de templos/edifícios, já havia iniciativas para a criação de um espaço mais adequado para a reunião da igreja.

Dessa forma, condenar categoricamente a reunião da igreja em edifícios próprios, e afirmar paralelamente a isso que somente nas casas tal reunião se legitima biblicamente, é um equívoco hermenêutico e histórico do movimento "Igreja nos Lares" ou "Desigrejados/Desinstitucionalizados".

A igreja pode sim, reunir-se tanto nas casas dos irmãos, quanto em edifícios próprios (e ainda em outros lugares), de acordo com a situação concreta e contexto onde ela está inserida.

A ênfase exagerada ou equivocada sobre o templo/edifício deve ser corrigida, sem que outros exageros ou equívocos sejam "edificados", solidificados e reproduzidos acriticamente.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Abuso Sexual no Ministério

O abuso sexual cometido por líderes religiosos não se limita aos casos que envolve a Igreja Católica. As igrejas evangélicas enfrentam o mesmo problema. 

No livro "Ética Ministerial", de Carter e Trull, publicado pela Vida Nova, o capítulo sete trata dessa questão.
Mesmo partindo da realidade americana, as questões abordadas se aplicam também para a igreja no Brasil. É bem provável que o leitor desse post conheça pelo menos um caso de abuso sexual cometido por algum líder/obreiro (diácono, presbítero, evangelista, pastor, etc.) na cidade onde mora.

Por muito tempo os ministros cristãos eram tidos como pessoas de integridade inquestionável, dignos de respeito e confiança, mas tal conceito tem sido comprometido com a continuação dos casos de abuso sexual.

O abuso de poder está diretamente relacionado com o abuso sexual. A maior parte das vítimas dos ministros são do sexo feminino (mulheres adultas), mas envolve também crianças, adolescentes e jovens, inclusive do mesmo sexo.

Em alguns casos a conduta sexual indevida do ministro com mulheres e jovens é consensual, inclusive partindo de comportamentos sedutores do sexo oposto, mas que não diminui a gravidade do problema. Os ministros cristãos não estão isentos de ser tentados, e para vencer as tentações é preciso ser prudente e vigilante. Quanto mais a tentação é alimentada, mas difícil se torna recuar.

Nas pesquisas citadas no livro, os números são alarmantes. Uma das pesquisas informa que a incidência de casos de abuso entre ministros cristãos e membros da igreja, supera a incidência de casos entre médicos e psicólogos e seus clientes.

Outra questão levantada é a postura dos líderes do ministério e denominações diante dos casos de abuso sexual. Enquanto alguns ministérios e denominações são bastante rigorosos, outros agem no sentido de encobrir os fatos e acobertar o infrator, inclusive permitindo que diante da impunidade o mesmo volte a cometer tal prática. Isso acontece geralmente quando um ministro que cometeu abuso sexual é simplesmente transferido de igreja ou campo, sem sofrer disciplina nem afastamento das suas funções. Nesse caso o responsável ou responsáveis pela transferência tornam-se coniventes com a prática do abuso sexual.

No estado do Colorado (EUA) uma igreja foi condenada a pagar uma indenização de 1,2 milhões de dólares a uma vítima de abuso sexual. Diante disso a igreja começou a investir em treinamento preventivo para minimizar os riscos de tal prática.

Os autores de "Ética Ministerial", Carter e Trull, apontam três tipos de ministros abusivos:

- O predador: É o indivíduo que busca de forma ativa e constante abusar sexualmente de membros da igreja.

- O eventual: Não comete abuso sexual de forma premeditada, e geralmente se envolve devido algumas vulnerabilidades.

- O amante: É o que se apaixona. Não é motivado pelas intenções do "predador", nem pelas condições do do "eventual".

Diante da realidade e gravidade dos fatos, busquemos pelos meios cabíveis formas de prevenir, inibir e corrigir tal prática, livrando assim a igreja, os ministros, as vítimas e as suas respectivas famílias de todas as consequências indesejáveis e devastadoras do abuso sexual.