segunda-feira, 29 de setembro de 2014

AD EM TERESINA REALIZA A SUA 7ª CONFERÊNCIA DE EBD





A 7ª Conferência de Escola Bíblica Dominical da Assembleia de Deus em Teresina-PI, igreja liderada pelo pastor Nestor Mesquita, foi realizada nos dias 26 e 27/09, e teve a coordenação do pastor José Alves Paiva.

Na ocasião foram abordados temas teológicos e pedagógicos, dentre os quais: Interpretação Bíblica, Traduções e Versões da Bíblia, Métodos de Ensino, O Espírito Santo e o Educador Cristão.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

O QUE UM DEUS SOBERANO NÃO PODE FAZER (DAVE HUNT)

Uma das expressões mais comuns que escutamos em círculos cristãos, especialmente quando se quer reassumir a confiança quando as coisas não estão dando certo, é que “Deus esta no controle, Ele ainda está no trono.” Os cristãos se confortam com estas palavras – mas o que elas significam? Deus não estava “no controle” quando Satã rebelou e quando Adão e Eva desobedeceram, mas agora Ele está? Deus estar no controle significa que todos os estupros, assassinatos, guerra e o mal proliferado é exatamente o que Ele planejou e deseja?
Cristo nos pede para orar, “Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mt 6.10). Por que a oração se nós já estamos no reino de Deus com Satã preso, como João Calvino ensinou e os Reconstrucionistas alegam hoje? Poderia um mundo de mal excessivo ser realmente o que Deus deseja? Certamente não!
“Espere um minuto!” alguém se opõe. “Você está sugerindo que nosso Deus onipotente é incapaz de realizar Sua vontade sobre a terra? Que heresia esta! Paulo claramente diz que Deus ‘faz todas as coisas segundo o conselho da sua vontade’ (Ef 1.11).”
Sim. Mas a própria Bíblia contém muitos exemplos de homens desafiando a vontade de Deus e desobedecendo-o. Deus se lamenta, “Criei filhos, e os engrandeci, mas eles se rebelaram contra mim” (Is 1.2). Os sacrifícios que eles oferecem a Ele e suas vidas corruptas não são obviamente de acordo com a Sua vontade. Somos informados de que “os fariseus e os doutores da lei rejeitaram o conselho de Deus” (Lc 7.30).
A declaração de Cristo em Mt 7.21 mostra claramente que todos nem sempre fazemos a vontade de Deus. Isto está implícito em Is 65.12, 1Ts 5.17-19, Hb 10.36, 1Pe 2.15, 1Jo 2.17 e muitas outras passagens. De fato, Ef 1.11 não diz que tudo que acontece é de acordo com a vontade de Deus, mas de acordo com “o conselho” de Sua vontade. Claramente o conselho da vontade de Deus deu ao homem liberdade para desobedecê-lo. Não há nenhuma outra explicação para o pecado.
Todavia, em seu zelo para proteger a soberania de Deus de qualquer desafio, A. W. Pink argumenta ardentemente, “Deus preordena tudo que acontece… Deus inicia todas as coisas, controla todas as coisas…”[1] Edwin H. Palmer concorda: “Deus está por trás de tudo. Ele decide e faz todas as coisas acontecerem… Ele preordenou tudo ‘segundo o conselho de Sua vontade’ (Ef 1.11): o mover de um dedo… o erro de um datilografista – até o pecado.”[2]
Estamos aqui diante de uma distinção vital. Uma coisa é Deus, em Sua soberania e sem diminuir esta soberania, dar ao homem o poder para rebelar contra Ele. Isto abriria a porta para o pecado, sendo o homem unicamente responsável por sua livre escolha. Outra totalmente diferente é Deus controlar tudo de tal maneira que Ele deve efetivamente causar o pecado do homem.
É uma falácia imaginar que, para Deus estar no controle de Seu universo, Ele precisa, por essa razão, preordenar e iniciar tudo. Deste modo, Ele causa o pecado, depois pune o pecador. Para justificar esta opinião, é argumentado que “Deus não tem nenhuma obrigação de conceder Sua graça àqueles que Ele predestina para o julgamento eterno.” De fato, obrigação não tem nenhuma relação com graça.
Na verdade diminui a soberania de Deus sugerir que Ele não pode usar para seus propósitos o que Ele não preordena e origina. Não há razão lógica nem bíblica por que um Deus soberano, por Seu próprio plano soberano, não poderia conceder a criaturas feitas à Sua imagem a liberdade de escolha moral genuína. E há razões convincentes por que Ele faria dessa forma.
Muitas vezes um ateísta (ou um sincero indagador que está perturbado pelo mal e o sofrimento) lança em nossas faces, “Você alega que seu Deus é todo-poderoso. Então por que Ele não interrompe o mal e o sofrimento? Se Ele pode e não faz, Ele é um monstro; se Ele não pode, então Ele não é todo-poderoso!” O ateísta pensa que nos encurralou.
A resposta envolve certas coisas que Deus não pode fazer.
Mas Deus é infinito em poder, então não deve haver nada que Ele não possa fazer! Sério? O próprio fato que Ele é infinito em poder significa que Ele não pode falhar. Há muito mais que seres finitos fazem todo o tempo que o infinito, absolutamente soberano Deus não pode fazer por Ele ser Deus: mentir, trapacear, roubar, pecar, se enganar, etc. De fato, muito mais que Deus não pode fazer é vital para nós entendermos quando enfrentamos desafios de céticos.
Tragicamente, há muitas questões sinceras que muitos cristãos não podem responder. Poucos pais têm tirado um tempo para pensar nos muitos desafios intelectuais e teológicos que suas crianças progressivamente enfrentam, desafios para os quais a juventude de hoje não encontra respostas de tantos púlpitos e lições das escolas dominicais. Como resultado, números crescentes daqueles criados em lares e igrejas evangélicos estão abandonando a “fé” que nunca adequadamente entenderam.
A soberania e o poder é a panacéia? Muitos cristãos superficialmente acham que sim. Todavia há muito para o qual a soberania e o poder são irrelevantes. Deus age não apenas soberanamente, mas com amor, graça, misericórdia, justiça e verdade. Sua soberania é exercitada somente em perfeita harmonia com todos os Seus outros atributos.
Há muito que Deus não pode fazer, não apesar do que Ele é, mas por causa de quem Ele é. Até Agostinho, descrito como o primeiro dos assim chamados primeiros Pais da Igreja que “ensinou a absoluta soberania de Deus,”[3]declarou, “Por conseguinte, Ele não pode fazer algumas coisas justamente por ser onipotente.”[4]
Por causa de Sua absoluta santidade, é impossível para Deus praticar o mal, fazer com que outros pratiquem ou até tentar alguém ao mal: “Ninguém, sendo tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele a ninguém tenta,” (Tg 1.13). Mas e quanto às muitas passagens na Escritura onde diz que Deus tentou alguém ou foi tentado? Por exemplo, “Deus tentou a Abraão” (Gn 22.1). A palavra hebraica aí e por todo o Velho Testamento énacah, que significa testar ou provar, como num teste de pureza de um metal. Não tem nada a ver com tentar para pecar. Deus estava testando a fé e a obediência de Abraão.
Se Deus não pode ser tentado, por que Israel é alertado, “Não tentareis o Senhor vosso Deus” (Dt 6.16)? Somos até informados de que em Massá, ao pedir água, “tentaram ao Senhor, dizendo: Está o Senhor no meio de nós, ou não?” (Êx 17.7). Mais tarde eles “tentaram a Deus nos seus corações, pedindo comida segundo o seu apetite… dizendo: Poderá Deus porventura preparar uma mesa no deserto?… provocaram o Deus Altíssimo” (Sl 78.18-19, 56).
Deus não estava sendo tentado para realizar o mal, Ele estava sendo provocado, Sua paciência estava sendo testada. Ao invés de esperar obedientemente que Ele supra suas necessidades, Seu povo estava pedindo que Ele usasse Seu poder para lhes dar o que queriam para satisfazer seus desejos. A “tentação” de Deus era um desafio blasfemo forçando-o a, ou ceder ao desejo deles, ou puni-los pela rebelião.
Quando Jesus foi “tentado pelo Diabo” para lançar-se do pináculo do templo para provar que os anjos Lhes sustentariam em suas mãos, Ele lembrou, “Não tentarás o Senhor teu Deus” (Mt 4.1-11). Em outras palavras, colocar-nos deliberadamente em um lugar onde Deus deva agir para nos proteger é tentá-lo.
Tiago então diz, “Cada um, porém, é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência.” A tentação ao mal não vem de fora mas de dentro. O homem que não poderia possivelmente ser “tentado” para ser desonesto nos negócios pode sucumbir à tentação de cometer adultério e, assim, ser desonesto com sua mulher. Dizem que “todo homem tem seu preço.”
Deus não estava tentando Adão e Eva para pecar quando Ele lhes diz para não comerem de uma árvore em particular. Eva foi tentada por sua própria cobiça e desejo egocêntrico. Até na inocência o homem podia ser egoísta e desobediente. Vemos isto em jovens infantes que por enquanto não sabem a diferença entre o certo e o errado.
Além disso, há muitas outras coisas que Deus não pode fazer. Deus não pode negar a Si mesmo ou se contradizer. Ele não pode mudar. Ele não pode voltar atrás em Sua Palavra. Especialmente em relação à humanidade, há algumas coisas que Deus não pode fazer que são muito importantes para entender e explicar aos outros. Um dos conceitos mais fundamentais (e menos entendido pelas pessoas “religiosas”) é este: Ele não pode perdoar o pecado sem a pena ser paga e aceita pelo homem.
Estamos dizendo que apesar de Sua soberania e infinito poder Deus não pode perdoar quem Ele quer, Ele não pode simplesmente apagar o passado deles no registro celestial? Exatamente: Ele não pode, porque Ele é também perfeitamente justo. “Então você está sugerindo,” alguns se queixam, “que Deus quer salvar toda a humanidade mas falta o poder para fazer isso? É uma negação da onipotência e soberania de Deus se houver algo que Ele deseja mas não possa realizar.” De fato, onipotência e soberania são irrelevantes em consideração ao perdão.
Cristo no Jardim na noite anterior da cruz gritou, “Meu Pai, se é possível, passa de mim este cálice…” (Mt 26.39). Certamente se tivesse sido possível proporcionar salvação de outra forma, o Pai teria isentado Cristo dos excruciantes sofrimentos físicos da cruz e a agonia espiritual infinita de sofrer a pena que Sua perfeita justiça tinha pronunciada sobre o pecado. Mas até para o Deus onipotente não houve outro jeito. É importante que nós claramente explicamos esta verdade bíblica e lógica quando apresentamos o evangelho.
Suponha que um juiz tenha diante dele um filho, uma filha ou outra pessoa amada considerada culpada de múltiplos assassinatos pelo júri. Apesar de seu amor, o juiz deve confirmar a pena exigida pela lei. O amor não pode anular a justiça. O único modo que Deus poderia perdoar pecadores e continuar justo seria que Cristo pagasse a pena pelo pecado (Rm 3.21-28).
Há duas outras questões de vital importância em relação à salvação do homem que Deus não pode fazer: ele não pode forçar ninguém a amá-lo; e Ele não pode forçar ninguém a aceitar um presente. Pela própria natureza do amor e da doação, o homem deve ter o poder de escolha. A recepção do amor de Deus e do dom da salvação através de Jesus Cristo pode somente ser por um ato do livre-arbítrio do homem.
Alguns argumentam que se a vontade de Deus fosse que todos os homens fossem salvos, o fato de todos não serem salvos significaria que a vontade de Deus seria frustrada e Sua soberania aniquilada pelos homens. É também argumentado que, se o homem pudesse dizer sim ou não a Cristo, ele teria a palavra final em sua salvação e sua vontade é mais forte do que a vontade de Deus: “A heresia do livre-arbítrio destrona Deus e entroniza o homem.”[5]
Não há nada na Bíblia ou na lógica que sugere que a soberania de Deus requer que o homem seja impotente para fazer uma escolha real, moral ou de qualquer outra maneira.
Dar ao homem o poder para fazer um escolha genuína, independente, não diminui o controle de Deus sobre Seu universo. Sendo onipotente e onisciente, Deus certamente poderia arranjar as circunstâncias para impedir que a rebelião do homem possa frustrar Seus propósitos. De fato, Deus poderia até usar o livre-arbítrio do homem para ajudar a cumprir Seus próprios planos e por meio disso ser ainda mais glorificado.
O grande plano de Deus desde a fundação do mundo para conceder ao homem o dom de Seu amor impede qualquer faculdade para forçar esse dom sobre qualquer uma de Suas criaturas. Tanto o amor quanto os dons de qualquer espécie devem ser recebidos. A força perverte a transação.
O fato que Deus não pode falhar, mentir, pecar, mudar ou negar a Si mesmo não diminui Sua soberania em qualquer proporção. Nem é Ele menos soberano porque não pode forçar alguém a amá-lo ou a receber o dom da vida eterna por Jesus Cristo. E do lado humano, a limitação reversa prevalece: não há nada que alguém possa fazer para merecer ou ganhar o amor ou um dom. Eles devem ser dados livremente do coração de Deus sem qualquer razão que não seja o amor, a misericórdia e a graça.
Maravilhosamente, em Sua graça soberana, Deus assim constituiu o homem e teve a intenção que o homem recebesse esse dom voluntariamente por um ato de sua vontade e respondesse com amor ao amor de Deus. Alguém uma vez disse, “O livre-arbítrio do homem é a mais maravilhosa das obras do Criador.”[6] O poder de escolha abre a porta para algo maravilhoso além de nossa compreensão: comunhão genuína entre Deus e o homem por toda a eternidade. Sem o livre-arbítrio o homem não poderia receber o dom da vida eterna, por isso Deus não poderia dar este dom a ele.
Pusey aponta que “Sem o livre-arbítrio, o homem seria inferior aos menores animais, que têm uma espécie de liberdade limitada de escolha…. Seria auto-contraditório que o Deus Todo-Poderoso criasse um livre agente capaz de amá-lo, sem também ser capaz de rejeitar Seu amor…. sem o livre-arbítrio não poderíamos livremente amar Deus. Liberdade é uma condição do amor.”[7]
É o poder de escolha genuína do próprio coração e vontade do homem que Deus tem soberanamente dado a ele que possibilita Deus a amar o homem e ao homem receber esse amor e a amar Deus em resposta “porque ele nos amou primeiro” (1Jo 4.19). É impossível que o poder de escolha pudesse desafiar a soberania de Deus visto que é a soberania de Deus que conferiu este dom ao homem e estabeleceu as condições para amar e dar.
Sugerir que Deus estaria faltando em “poder” (assim negando Sua soberania) se Ele oferecesse salvação e alguns a rejeitasse é errar o alvo. Poder e amor não são partes da mesma discussão. De fato, das muitas coisas que temos visto que Deus não pode fazer, uma falta de “poder” não é a razão para qualquer uma delas, nem é Sua soberania mitigada de maneira alguma por qualquer uma destas.
Assim, Deus ter dado à humanidade o poder de escolher amá-lo ou não e receber ou rejeitar o dom gratuito da salvação, longe de negar a soberania de Deus, admite o que a própria soberania de Deus amorosa e maravilhosamente proporcionou. Que possamos desejosamente responder de coração a Seu amor com nosso amor, e em gratidão por Seu enorme dom proclamar as boas novas aos outros.
Dave Hunt  – Tradução: Paulo Cesar Antune
Extraído do site arminianismo.com em 27/10/2013
[1] Pink, The Sovereignty of God, 240.
[2] Edwin H. Palmer, The Five Points of Calvinism (Baker Books, 1999), 25.
[3] C. Norman Sellers, Election and Perseverance (Schoettle Publishing Co., 1987), 3.
[4] Augustine, The City of God, V. 10.
[5] W.E. Best, Free Grace Versus Free Will (Best Book Missionary Trust, 1977), 35.
[6] Junius B. Reimensnyder, Doom Eternal (N.S. Quiney, 1880), 257; citado em Fisk, Calvinistic Paths Retraced, 223.
[7] Edward B. Pusey, What Is Of Faith As To Everlasting Punishment?  (James Parker & Co., 1881), 22-23; citado em Samuel Fisk, Calvinistic Paths Retraced (Biblical Evangelism Press, 1985), 222.
Fonte:www.cacp.org.br

AOS PASTORES E JOVENS ASSEMBLEIANOS "ENCANTADOS" COM O CALVINISMO




Muitos jovens assembleianos me pedem para escrever sobre o calvinismo ou "Teologia Reformada", mas diante de um vasto material literário já publicado sobre o assunto, além de vídeos como os acima indicados, não percebi ainda a necessidade de tal publicação em forma livresca.

Já disse que tenho vários amigos calvinistas, a quem amo, o que não me impede de discordar de sua teologia.

Vivemos hoje o que designei de uma certa "calvinização do pentecostalismo clássico", que requer um posicionamento mais claro sobre o assunto não apenas para os jovens, mas também para os pastores, principalmente no âmbito das Escolas Teológicas e Escola Bíblicas de Obreiros.

Invista um pouco do seu tempo em assistir os vídeos acima, e na leitura de livros sobre o tema que sempre indicamos por aqui.

No amor de Cristo,

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

EM NOME DE JESUS, NO PODER DO ESPÍRITO E PARA A GLÓRIA DO PAI

Milagre pode ser entendido como o ato especial de Deus que interrompe o curso natural dos eventos, na definição de Norman Geisler, em sua Enciclopédia de apologética (Editora Vida). Podemos afirmar que a crença em milagres está estritamente relacionada com a convicção da inerrância e da absoluta inspiração das Sagradas Escrituras. Em outras palavras, não crer em milagres é não crer na autenticidade e verdade da narrativa bíblica. Ora, os eventos miraculosos não apenas são possíveis, mais reais e atuais.
A fé no Deus que cria o universo a partir do nada faz da criação não apenas o primeiro ato miraculoso registrado na história, mas também, o maior evento sobrenatural já ocorrido. A partir dali, e ao longo de todo o Antigo Testamento, uma sucessão de milagres, intervenções divinas sobrenaturais e sinais operados por servos do Senhor se sucedem, numa maravilhosa mostra do poder absoluto de Deus sobre a natureza e a vida humana. Temos, no Gênesis, relatos sobre eventos espantosos, como o Dilúvio; a confusão de línguas na torre de Babel; e a interpretação dos sonhos do faraó, através de José, para citar apenas alguns.
O livro do Êxodo também está repleto de testemunhos fidedignos acerca de milagres operados pelo Todo-poderoso – as pragas do Egito, a passagem dos israelitas em fuga pelo meio do mar, a transformação das águas de Mara e o fornecimento, ao povo hebreu, de alimentação em pleno deserto, na forma do maná e das codornizes. Tudo, é bom que se diga, contrariando completamente a ordem natural das coisas, de modo que não há explicação plausível para tais eventos senão o poder do Deus de Israel.
A passagem do Jordão, narrada no livro de Josué, assim como a queda dos muros de Jericó, são outros fatos miraculosos que entraram para a história. Da mesma forma, temos a descida do fogo divino no Monte Carmelo (I Reis 18); a cura de Naamã (II Reis 5) e de Ezequias (Isaías 38); e o livramento dos jovens hebreus fiéis a Deus da fornalha de Nabucodonosor e de Daniel da cova dos leões. Todos esses fatos, resultantes da intervenção consciente e sobrenatural de Deus, apontam para a sua soberania sobre todas as coisas, e sobre todos os seres humanos.
IMPORTÂNCIA FUNDAMENTAL
Em continuidade ao testemunho das Sagradas Escrituras sobre a realidade dos milagres, encontramos nas páginas do Novo Testamento outra sucessão de eventos espetaculares, muitos deles protagonizados pelo próprio Filho de Deus. Já a concepção do Messias, gerado pelo Espírito Santo no ventre de uma virgem, é um fato sem paralelo na história da humanidade. Já no ministério terreno do Salvador, os sinais se sucederam: transformação de água em vinho, cura de enfermos, ressurreição de mortos e, por fim, a vitória do Cordeiro sobre a morte, consolidando o plano de salvação.
Mais tarde, houve o derramamento do Espírito Santo, no dia de Pentecostes (Atos 2); a cura do coxo, pelas mãos dos apóstolos (Atos 3), a conversão de Saulo, após uma aparição do próprio Cristo que o derrubou do cavalo e deixou-o cego por uns dias; a ressurreição de Dorcas – relatada em Atos 9 –; a libertação de Paulo e Silas da prisão, em Filipos etc.
Pelo destaque que as Escrituras dão a tais acontecimentos, é possível perceber a importância fundamental dos milagres para o teísmo e para a fé cristã, sem os quais a criação de todas as coisas a partir do nada, e a esperança da vida eterna mediante a ressurreição dos corpos ficariam seriamente comprometidos. Contudo, com o processo de institucionalização da Igreja, que se inicia na Patrística, fica evidente a diminuição dos eventos miraculosos. A ação poderosa e miraculosa do Espírito Santo foi praticamente extinta; a ausência da manifestação do falar em línguas na comunidade cristã, visto que as pessoas não sabiam mais do que se tratava, pois há muito que o dom de falar em línguas havia deixado de ser normal nas comunidades cristãs, foi uma realidade.
A deterioração que estava surgindo na Igreja data de anos anteriores a 130-140, quando o entusiasmo do Cristianismo primitivo estava desaparecendo. A fé cristã passava a assumir formas mais concretas, através do processo de institucionalização. Lado a lado com formas mais rígidas e hierarquizadas na organização das comunidades, o surgimento de uma teologia cessacionista é notório nos escritos de João Crisóstomo (347-407) e de Agostinho de Hipona (354-430).
É após o período da Reforma Protestante do século 16, mais especificamente nos denominados grandes despertamentos – séculos 18 e 19 –, que a história começa a mudar. Nomes como os de John Wesley, George Whitefield, Jonathan Edwards, Charles Finney e D.L. Moody ganham destaque, e com eles se evidenciam em crescente escala os eventos sobrenaturais. No diário de Wesley encontra-se a seguinte narrativa: "Tive a oportunidade de falar-lhe a respeito desses sinais externos que tão frequentemente têm acompanhado a obra interior de Deus. Na verdade, achei que suas objeções eram fundamentadas, principalmente, em rudes deturpações do assunto. Mas, no dia seguinte, ele teve a oportunidade de se informar melhor: porque não muito antes dele começar (na aplicação do seu sermão) a convidar todos os pecadores a crerem em Cristo, quatro pessoas se prostraram diante dele, quase no mesmo momento. Uma delas, estendida, sem sentido e movimento. A segunda, tremendo excessivamente; a terceira teve convulsões fortes por todo o corpo, mas não fez nenhum ruído, a não ser através de gemidos. A quarta, igualmente convulsionou, invocando a Deus com gritos fortes e lágrimas. Desde este dia, creio eu, todos permitiremos que Deus leve adiante sua obra da maneira como lhe agradar".
Jonathan Edwards, considerado o maior teólogo do primeiro grande despertamento, descreve alguns acontecimentos dignos de nota em suas reuniões na América do Norte: "O contágio propagou-se rapidamente por todo o salão. Muitos jovens e crianças (...) pareciam vencidos pelo senso de grandeza e glória das coisas divinas. Portavam-se com admiração, amor, alegria, louvor e compaixão para com os que se consideravam perdidos. Outros achavam-se vencidos pela agonia em razão de seu estado pecaminoso. Enfim, no salão não havia senão choros, desmaios e coisas parecidas. (...) Era mui frequente ver uma casa repleta de clamores, desmaios, convulsões, tanto em meio à agonia quanto em meio à admiração e à alegria (...) Isso acontecia com tanta frequência que alguns, nem conseguiam voltar para casa, mas permaneciam a noite inteira onde estavam.
O Movimento de Santidade, nascido com a ida dos metodistas ingleses para a América do Norte em 1766, de onde se originaram as igrejas independentes que enfatizavam, dentre outras questões, as curas sobrenaturais – conforme nos lembra Isael de Araújo em seu Dicionário do movimento pentecostal (CPAD), contribuiu para o nascimento do pentecostalismo norte-americano na virada dos séculos 19 para 20. Ali começou o desabrochar de uma era onde os milagres ganhariam grande importância na vida cotidiana da Igreja. Nem o cessacionismo, disseminado entre as várias denominações evangélicas existentes, nem o liberalismo teológico, como o defendido por Rudolf Bultmann (1884-1976), foram capazes de refrear o avanço na crença, na pregação e na crescente manifestação de milagres.
Os pentecostais priorizaram a conversão radical, manifesta através da separação do mundo (vida santa), o batismo com o Espírito Santo com a evidência do falar em línguas, a atualidade dos dons do Espírito, a cura divina e a segunda vinda de Cristo. Frank Bartleman, ao escrever sobra a história do avivamento na Rua Azusa, expressa bem a ênfase pentecostal na possibilidade e realidade dos milagres: "Qualquer pessoa com a menor sensibilidade espiritual possível sentia logo no ambiente que algo maravilhoso estava prestes a ocorrer. Um misterioso e poderoso transtorno no mundo espiritual está às portas. A reunião dá a sensação de 'céu aqui na terra' com a certeza que o sobrenatural existe e em um sentido muito real. (...) Os demônios estão sendo expulsos, os doentes, curados, muitos abençoados com salvação, restaurados e batizados com o Espírito Santo e poder. Deus está conosco com grande autenticidade. Não ousamos pensar em ninharias. Homens fortes ficam durante horas prostrados sob o poder de Deus, cortados como grama. O avivamento será mundial sem dúvida."
CONTEMPORANEIDADE
No Brasil, o movimento pentecostal é geralmente compreendido como "três ondas" de implantação de igrejas, onde a primeira seria a década de 1910, com a chegada da Congregação Cristã e da Assembleia de Deus; a segunda envolve os anos 1950 e início de 60, com o surgimento, principalmente, da Igreja do Evangelho Quadrangular, O Brasil para Cristo e a Deus é Amor. Segundo tal perspectiva, a terceira onda, que se inicia no final dos anos 70, ganhando força na década de 80, tem a sua maior representação na Igreja Universal do Reino de Deus, de acordo com Paul Freston. Essa terceira onda logo passaria a ser denominada de movimento neopentecostal.
Em meio a tantas abordagens e alguns evidentes exageros, a resistência ao fenômeno miraculoso, ou a dúvida quanto a sua autenticidade no atual contexto evangélico brasileiro, dá-se por alguns fatores. Um deles é a manutenção das ideias tradicionais cessacionistas em algumas denominações; outro, e na direção oposta, a extravagância dos métodos, associada ao exibicionismo midiático e ao utilitarismo mercadológico bem presentes no movimento neopentecostal, que já começa a seduzir outros grupos evangélicos – processo de neopentecostalização das igrejas históricas e pentecostais clássicas – por seu grande poder de atrair e mobilizar multidões.
Tenho a certeza da atualidade e da autenticidade de milagres, mesmo diante da possibilidade de sua "fabricação" mentirosa, através do uso de técnicas de manipulação psicológica, e de outros artifícios humanos ou diabólicos. É preciso, também, saber diferenciar entre o milagre genuíno e o falso profeta, que prega o verdadeiro Evangelho e que ora pelas pessoas, movido por interesses espúrios, pela ganância, e pelo egoísmo. Sobre estes, disse Jesus: "Nem todo o que me diz: 'Senhor, Senhor!' entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: 'Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres?' Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade (Mateus 7.21-23)."
Creio em milagres, sinais e maravilhas autênticos, na atualidade, por convicção bíblica e teológica, fundamentada em textos como Marcos 16.15-18; Atos 2.37-40; I Coríntios 12.4-11, e por experiência pessoal. Já fui curado de enfermidades de forma miraculosa; recebi livramentos de morte por intervenção divina, inclusive prenunciada em sonhos e por percepções espirituais. Por outro lado, já orei por pessoas que também foram curadas de suas enfermidades e por outras que foram libertas da opressão e possessão demoníaca.
Nenhuma posição teológica, quer institucional ou pessoal, deveria ser classificada ou qualificada de "equilibrada" pelo simples fato de excluir a possibilidade da contemporaneidade dos milagres. Ser equilibrado teologicamente é ser coerentemente bíblico; é considerar ortodoxia, ortopraxia e ortopatia, pois uma destas condições não anula necessariamente a outra. O milagre não deve ser considerado pela Igreja como um fim em si mesmo – antes, precisa ser entendido como fenômeno consequente da pregação do Evangelho, na autoridade do nome de Jesus, no poder do Espírito Santo, e para a glória de Deus Pai.
Altair Germano é mestre em Teologia com especialização em Ministério pelo Seminário Teológico Pentecostal do Nordeste. Escritor e conferencista, é pastor auxiliar na Igreja Assembleia de Deus em Abreu Lima (PE)

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

POLÍCIA FEDERAL ALERTA MARINA SOBRE HOSTILIDADE PETISTA

O TERRORISMOS POLÍTICO VOLTOU

O terrorismo eleitoreiro voltou a dar o tom das eleições deste ano. Em reportagem esclarecedora, a revista Veja desta semana ressalta a fúria petista contra a candidata Marina Silva depois de sua crescente nas pesquisas de opinião pública, capaz de colocar em risco a manutenção do poder do atual governo.
A chamada da capa sintetiza o atual contexto da campanha eleitoral em curso: “Nunca antes neste país se usou de tanta mentira e difamação para atacar um adversário como faz o PT”.
De inicio, a Carta ao Leitor enfatiza que “o PT foge do confronte de ideias. O partido recorre a trucagens baratas em que pratos de comida somem de repente da mesa das pessoas enquanto o narrador explica que é isso que vai acontecer se Marina ganhar e der independência ao Banco Central. Em outra passagem, é o conteúdo dos livros que desaparece em passe de mágica das mãos das crianças, o que o PT assegura ocorrerá com a educação se Marina vencer. O PT deve saber que tipo de eleitor se deixa convencer por esse discurso baseado em premissas falsas e conclusões terroristas. Essa abordagem podem até ter efeitos eleitoreiros, mas desserve a nação e desmoraliza o processo eleitoral.
De acordo com a matéria, a campanha eleitoral de Dilma, comandada pelo medalhado marqueteiro político  João Santana, deixou de lado todos os escrúpulos, deixou de lado o debate de ideias e propostas, ignorou, enfim, as decências mais básicas da convivência civilizada e passou a mostrar Marina como uma candidata cujas propostas levariam os pobres a passar fome. Marina foi comparada a Jânio Quadros e Fernando Collor, e acusada de tentar acabar com o pré-sal e, assim, tirar da educação 1,3 trilhão de reais.
Não pense que esse tipo de propaganda não tem qualquer efeito. Há poucos dias ouvi um jovem rapaz, com suposta inteligência acima da média, afirmando que votaria em Dilma com medo de perder o benefício de determinado projeto social do qual ele é beneficiado, caso a atual presidente não seja reeleita. Esse é o típico voto do medo.
O terrorismo eleitoreiro trabalha no imaginário das pessoas, antevendo um futuro sombrio e caótico se determinado candidato de oposição sagrar-se vitorioso. São utilizadas frases soltas do programa de governo contrário a fim de induzir psicologicamente os indivíduos a temerem o cenário futuro. A mensagem é a seguinte: Se com a gente a coisa está difícil, imagine com o outro.
Infelizmente, muitos não têm o discernimento político necessário para separar o joio do trigo em matéria eleitoral, e acabam sendo enganados por essa tática antidemocrática e abusiva.
A questão em jogo não é somente a batalha política desse pleito. O problema tem proporções muito maiores. Trata-se de uma estratégia ardilosa para que um partido político que comanda o país há doze anos se perpetue no poder custe o que custar.
Logo, não se trata de uma defesa da candidata Marina Silva. O terrorismo político é perigoso para o Estado Democrático de Direito, na medida em que fere de morte os valores básicos que devem nortear uma disputa eleitoral transparente, propositiva e baseada em informações verídicas.
Até mesmo analistas que não apóiam Marina Silva reconhecem o perigo da tática petista. A exemplo,Reinaldo Azevedo diz que Marina Silva “é vítima de uma campanha de impressionante sordidez. Afirmar, como faz o PT, que a independência do Banco Central iria arrancar comida da mesa do brasileiro é coisa de vigaristas. Sustentar que Marina, se eleita, vai paralisar a exploração do pré-sal — como se isso dependesse só da vontade presidencial — e tirar R$ 1,3 trilhão da educação é uma formidável mentira.”
Desse modo, ainda que o político aterrorizado fosse Aécio Neves ou qualquer outro na disputa, o terrorismo eleitoreiro deveria receber o desagravo da população, afinal tal prática nada mais é do que uma arma letal contra o futuro da nação.
Por Valmir Nascimento
Fonte: CPAD News

terça-feira, 16 de setembro de 2014

CONGRESSO ESTADUAL DE EDUCADORES CRISTÃOS DA AD EM PORTO ALEGRE-RS




Durante o período de 12 a 14/09/2014 a Assembleia de Deus em Porto Alegre-RS realizou mais uma edição do Congresso Estadual de Educadores Cristãos.

Parabenizamos o pastor Ubiratan Batista Job, presidente da Igreja, e o pastor Eliezer Morais, diretor do Instituto Bíblico Esperança, juntamente com todos que colaboraram para a realização do evento, que além das palestras contou também com um painel com perguntas elaboradas pelos participantes.

Ministraram também no evento o pastor Paulo André Barbosa (Guaíba-RS), o professores Rodrigo Majewski (Porto Alegre-RS) e Eunice de Lemos Michel (Porto Alegre-RS).

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

O JULGAMENTO E A SOBERANIA PERTENCEM A DEUS - SUBSÍDIO PARA LIÇÃO BÍBLICA

O texto de Tiago 4.11-17, além de tratar sobre o julgamento e a soberania de Deus, aborda também sobre o pecado da maledicência e a arrogância humana.

O PECADO DA MALEDICÊNCIA

Irmãos, não faleis mal uns dos outros. Aquele que fala mal do irmão ou julga a seu irmão fala mal da lei e julga a lei; ora, se julgas a lei, não és observador da lei, mas juiz. Um só é Legislador e Juiz, aquele que pode salvar e fazer perecer; tu, porém, quem és, que julgas o próximo? (Tg 4.11-12)

A Bíblia nos ensina que é possível entre os crentes regenerados haver quem fale mal do seu irmão. Falar mal significa: expressar hostilidade, caluniar, injuriar, insultar, ofender, ultrajar, vilipendiar, falar coisas ruins, etc.

O pecado da maledicência é veementemente proibido em vários textos:

O caluniador não se estabelecerá na terra; ao homem violento, o mal o perseguirá com golpe sobre golpe. (Sl 140.11)

Longe de vós, toda amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda malícia. (Ef 4.31)

Mas, agora, vos escrevo que não vos associeis com alguém que, dizendo-se irmão, for impuro, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com esse tal, nem ainda comais. (1 Co 5.11)

Da mesma sorte, quanto a mulheres, é necessário que sejam elas respeitáveis, não maldizentes, temperantes e fiéis em tudo. (1 Tm 3.11)

Despojando-vos, portanto, de toda maldade e dolo, de hipocrisias e invejas e de toda sorte de maledicências, (1 Pe 2.1)

O verbo grego no imperativo presente katalaleite (falar mal), antecedido da negativa me (não) em Tiago 4.11, revela que a ação já estava em andamento na igreja, e que precisava ser refreada continuamente.

O juízo feito entre irmãos não tinha como propósito a motivação correta de  reparar um dano, antes, estavam causando danos uns aos outros através da maledicência. Tratava-se de crítica destrutiva, em vez de construtiva.

A MALEDICÊNCIA, O JULGAMENTO E A LEI

A declaração de Tiago de que o maledicente fala mal e julga a própria Lei, pode ser compreendida das seguintes maneiras:

- Ao falar mal de um irmão, falamos mal da Le e a julgamos, pois ela nos proíbe que o façamos (Lv 19.16, 18) (J. Gill);

- Quando falamos mal e julgamos os irmãos, geralmente o fazemos em áreas da vida sobre as quais as leis de Deus não se pronunciam com clareza ou que nos deixa a liberdade de agir como quisermos. Dessa forma, acabamos achando defeito na própria lei de Deus por não se pronunciar sobre esses assuntos (M. Henry);

- Ao falar mal de um irmão e ao julgá-lo, tomamos a lei em nossas mãos e assumimos o papel de legisladores. Ao fazer isso, julgamos a lei e até achando falta nela. (J. Calvino)

Vale lembra que o julgamento condenado por Tiago não diz respeito ao ato de avaliar os erros e pecados dos irmãos com o objetivo de corrigi-los e conduzi-los ao arrependimento (Mt 7.6; 18.15; Lc 17.3; Gl 6.1; 1 Jo 4.1; Ap 2.2). O procedimento que conduz a conversão de um irmão pecador é recomendado pelo próprio Tiago (5.19, 20).

Somente Deus, o único Legislador e Juíz soberano, através de suas leis, pode julgar os homens no âmbito em que Tiago censura a maledicência/julgamento (Tg 4.12).

A SOBERANIA DE DEUS E A ARROGÂNCIA HUMANA

Atendei, agora, vós que dizeis: Hoje ou amanhã, iremos para a cidade tal, e lá passaremos um ano, e negociaremos, e teremos lucros. Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa. Em vez disso, devíeis dizer: Se o Senhor quiser, não só viveremos, como também faremos isto ou aquilo.    Agora, entretanto, vos jactais das vossas arrogantes pretensões. Toda jactância semelhante a essa é maligna. (Tg 4.13-16)

A soberania de Deus, o faz Senhor absoluto sobre toda a criação, e nos é revelada conforme abaixo:

Soberania não é uma propriedade da natureza divina, mas uma prerrogativa oriunda das perfeições do Ser Supremo. Se Deus é Espírito, e portanto uma pessoa infinita, eterna e imutável em suas perfeições, o Criador e preservador do universo, a soberania absoluta é um direito seu. A infinita sabedoria, bondade e poder, com o direito de posse que pertence a Deus no tocante às suas criaturas, são o fundamento imutável de seu domínio (cf. Sl 115.3; Dn 4.35; 1 Cr 29.11; Ez 18.4; Is 45.9; Mt 20.15; Ef 1.11; Rm 11.36)  (Charles Hodge, p. 331, 2001).

Os textos abaixo nos falam sobre a soberania e a autoridade de Deus:

No céu está o nosso Deus e tudo faz como lhe agrada. (Sl 115.3)

Todos os moradores da terra são por ele reputados em nada; e, segundo a sua vontade, ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes” (Dn 4.35)

Teu, SENHOR, é o poder, a grandeza, a honra, a vitória e a majestade; porque teu é tudo quanto há nos céus e na terra; teu, SENHOR, é o reino, e tu te exaltaste por chefe sobre todos.” (1 Cr 29.11)

Ai daquele que contende com o seu Criador! E não passa de um caco de barro entreoutros cacos. Acaso, dirá o barro ao que lhe dá forma: Que fazes? Ou: A tua obra não tem alça. (Is 45.9)

Porventura, não me é lícito fazer o que quero do que é meu? Ou são maus os teus olhos porque eu sou bom? (Mt 20.15)

[...] nele, digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade, (Ef 1.11)

Deus não condena o planejamento em si mesmo, mas a maneira como ele algumas vezes é feito. Excluir a ajuda de Deus dos nossos planos, ou simplesmente pedir que ele os aprove sem opinar, é pecado de arrogância, pois transmite a ideia de que não precisamos ou dependemos dele para conseguir os nossos objetivos pessoais, profissionais, ministeriais, eclesiais, etc.

Hoje ou amanhã, iremos para a cidade tal, e lá passaremos um ano, e negociaremos, e teremos lucros.

Onde está Deus no projeto acima? Pelo contrário, há uma clara manifestação da presunção humana, da auto-suficiência, da independência de Deus. Tal atitude é condenada pela seguinte sentença:

Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa. Em vez disso, devíeis dizer: Se o Senhor quiser, não só viveremos, como também faremos isto ou aquilo.    Agora, entretanto, vos jactais das vossas arrogantes pretensões [...]

A efemeridade da vida é citada por Tiago, assim como o fez Oséias, demonstrando a falibilidade dos projetos meramente humanos;

Por isso, serão como nuvem de manhã, como orvalho que cedo passa, como palha que se lança da eira e como fumaça que sai por uma janela. (Os 13.3)

O salmista diz o mesmo:

Com efeito, passa o homem como uma sombra; em vão se inquieta; amontoa tesouros e não sabe quem os levará. (Sl 39.6)

Porque os meus dias, como fumaça, se desvanecem, e os meus ossos ardem como em fornalha. (Sl 102.3)

Ninguém pode garantir o sucesso de seus próprios planos. Somente com a ajuda de Deus poderemos prosperar e realizar conquistas para a sua glória. [...] se o Senhor quiser. Essa é a atitude que deve nortear os planos de um homem e mulher de Deus:

Então, disse o rei a Zadoque: Torna a levar a arca de Deus à cidade. Se achar eu graça aos olhos do SENHOR, ele me fará voltar para lá e me deixará ver assim a arca como a sua habitação. (2 Sm 15.25)

Mas, despedindo-se, disse: Se Deus quiser, voltarei para vós outros. E, embarcando, partiu de Éfeso. (At 18.21)

mas, em breve, irei visitar-vos, se o Senhor quiser, e, então, conhecerei não a palavra, mas o poder dos ensoberbecidos. (1 Co 4.19)

Porque não quero, agora, ver-vos apenas de passagem, pois espero permanecer convosco algum tempo, se o Senhor o permitir. (1 Co 16.7)

Isso faremos, se Deus permitir. (Hb 6.3)

Em relação aos planos futuros, o sábio nos ensina:

Muitos propósitos há no coração do homem, mas o desígnio do SENHOR permanecerá. (Pv 19.21)

Que o Senhor nos ajude, e nos trate, nos curando e libertando de toda maledicência, orgulho, presunção, prepotência, soberba, altivez e arrogância. De tudo aquilo que não busca o bem do próximo, nem a glória de Deus.

Quem sabe o bem que deve fazer e não o faz, peca (Tg 4.17).

O conhecimento do dever que não é usado é pecado, o pecado de omissão (A. T. Robertson)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FRIBERG, Barbara; FRIBERG, Timothy. O Novo Testamento Grego Analítico. São Paulo: Vida Nova, 2006.
HODGE, Charles. Teologia Sistemática. São Paulo: Hagnos, 2001.
LOPES, Augustus Nicodemus. Interpretando a Carta de Tiago. São Paulo: Cultura Cristã, 2006.
SHEDD, Russel P.; BIZERRA, Edmilson F. Uma exposição de Tiago: a sabedoria de Deus. São Paulo: Shedd Publicações, 2010.