
terça-feira, 20 de março de 2012
SOMENTE EM JESUS TEMOS A VERDADEIRA PROSPERIDADE. Subsídio para Lição Bíblica 1º Trimestre/2012

segunda-feira, 19 de março de 2012
A TEOLOGIA DO MARTÍRIO: HANANIAS, MISAEL E AZARIAS

Hananias, Misael e Azarias, assim como toda criança judaica, tiveram como referencial teórico educacional o Livro da Lei (Dt 6.1-9). As realizações, as promessas e os mandamentos de Deus para o seu povo foram por eles conhecidos e praticados. O principal espaço educativo que tiveram foi o familiar. Não havia escolas judaicas formais no tempo de Daniel e seus amigos. A educação se voltava para os aspectos práticos da vida, levando em consideração a moral, a vida espiritual, a cultura e outros aspectos sociais.
Nestes termos, a condição econômica e social da criança pouco importava. Nobre ou não, todos deveriam ser educados por seus pais com o mesmo amor, observando-se os mesmos princípios e fundamentos da Lei do Senhor.
No Mandamento do Senhor o princípio do Martírio está implícito. Na observação do “Não terás outros deuses diante de mim” (Êx 20.3) estava a possibilidade de morrer em obediência à Palavra. Foi sob a possibilidade do martírio que Hananias, Misael e Azarias foram levados cativos para a Babilônia deixando para trás a sua terra, mas levando adiante a sua fé em Deus.
O primeiro martírio que os jovens hebreus sofreram em terras babilônicas foi o do próprio nome:
Disse o rei a Aspenaz, chefe dos seus eunucos, que trouxesse alguns dos filhos de Israel, tanto da linhagem real como dos nobres, jovens sem nenhum defeito, de boa aparência, instruídos em toda a sabedoria, doutos em ciência, versados no conhecimento e que fossem competentes para assistirem no palácio do rei e lhes ensinasse a cultura e a língua dos caldeus. Determinou-lhes o rei a ração diária, das finas iguarias da mesa real e do vinho que ele bebia, e que assim fossem mantidos por três anos, ao cabo dos quais assistiriam diante do rei. Entre eles, se achavam, dos filhos de Judá, Daniel, Hananias, Misael e Azarias. O chefe dos eunucos lhes pôs outros nomes, a saber: a Daniel, o de Beltessazar; a Hananias, o de Sadraque; a Misael, o de Mesaque; e a Azarias, o de Abede-Nego. (Dn 1.3-7)
O martírio dos nomes dos jovens hebreus não implicou no martírio da fé deles, que permaneceu inabalável, conforme a narrativa dos fatos a seguir.
O martírio era uma possibilidade constante em terras estrangeiras, principalmente num ambiente cultural onde a idolatria e a imoralidade caminhavam de braços dados, e norteavam a cultura de forma geral. Manter a fidelidade a Deus em tais circunstâncias pode a qualquer momento desencadear um processo de martírio, e é exatamente o que vai acontecer com Hananias, Misael e Azarias.
Nabucodonosor aponta para aqueles líderes autoritários e cheios de excentricidade, dispostos a executar todos aqueles que não atendem aos seus caprichos. Ao construir uma estátua do tamanho da sua vaidade, o rei anunciou através de seu arauto, que qualquer que não se prostrasse diante dela e a adorasse seria no mesmo instante lançado na fornalha de fogo ardente (Dn 3.1-6).
Diante de tal ordem, não temendo o martírio, Hananias, Misael e Azarias, firmados em suas convicções de fé, não se prostram e nem adoram a estátua de ouro: “Há uns homens judeus, que tu constituíste sobre os negócios da província da Babilônia: Sadraque, Mesaque e Abede-Nego; estes homens, ó rei, não fizeram caso de ti, a teus deuses não servem, nem adoram a imagem de ouro que levantaste.” (Dn 3.12)
Através da acusação feita por alguns homens caldeus (v. 8), o rei se encheu de ira, e tomado de uma grande fúria mandou chamar os jovens hebreus. Nenhum líder autoritário, opressor, dominador e manipulador tolera ser desobedecido, por loucas e absurdas que sejam as suas determinações. Todos precisam permanecer debaixo de seus pés. Quantos líderes hoje não adotam a mesma postura de Nabucodonosor, mantendo a sua liderança mediante a adoção de um regime de terror? Quantos que ocupam cargos de liderança e são opressores de seus auxiliares e do povo em geral, visto que são detentores do poder absoluto em seus impérios pessoais. Num regime deste, o que não falta são os acusadores de plantão, que para ganhar ponto diante dos seus “senhores e chefes”, vivem dedurando os que servem a Deus em fidelidade. Pobres coitados! Que triste e medíocre sina!
Quem já superou o medo do martírio não teme líderes com esse perfil, nem se dobra diante de suas decisões absurdas. Os jovens foram trazidos diante do rei enfurecido, que lhes disse:
É verdade, ó Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, que vós não servis a meus deuses, nem adorais a imagem de ouro que levantei? Agora, pois, estai dispostos e, quando ouvirdes o som da trombeta, do pífaro, da cítara, da harpa, do saltério, da gaita de foles, prostrai-vos e adorai a imagem que fiz; porém, se não a adorardes, sereis, no mesmo instante, lançados na fornalha de fogo ardente. E quem é o deus que vos poderá livrar das minhas mãos? (Dn 3.14-15)
Mesmo diante de um rei emocionalmente desequilibrado, e pronto para cumprir com as suas ameaças, os jovens não temem o martírio, e verbalizam de forma esplêndida essa verdade:
Responderam Sadraque, Mesaque e Abede-Nego ao rei: Ó Nabucodonosor, quanto a isto não necessitamos de te responder. Se o nosso Deus, a quem servimos, quer livrar-nos, ele nos livrará da fornalha de fogo ardente e das tuas mãos, ó rei. Se não, fica sabendo, ó rei, que não serviremos a teus deuses, nem adoraremos a imagem de ouro que levantaste. (v. 16-18)
A declaração dos jovens sintetiza a ideia de martírio, e a associa a soberania de Deus, que livra do martírio quem ele quer, e que permite o martírio na vida de quem lhe aprouve.
Nabucodonosor, transtornado de fúria, transfigurado em seu semblante, ordenou a execução daqueles moços crentes (v. 19-23). O improvável e inacreditável estava para acontecer diante dos olhos do rei:
Então, o rei Nabucodonosor se espantou, e se levantou depressa, e disse aos seus conselheiros: Não lançamos nós três homens atados dentro do fogo? Responderam ao rei: É verdade, ó rei. Tornou ele e disse: Eu, porém, vejo quatro homens soltos, que andam passeando dentro do fogo, sem nenhum dano; e o aspecto do quarto é semelhante a um filho dos deuses. (v. 24-25)
Fico a imaginar a perplexidade que tomou conta de Nabucodonosor, de seus sátrapas, prefeitos, presidentes e capitães, quando deram por conta do milagre:
Então, se chegou Nabucodonosor à porta da fornalha sobremaneira acesa, falou e disse: Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, servos do Deus Altíssimo, saí e vinde! Então, Sadraque, Mesaque e Abede-Nego saíram do meio do fogo. Ajuntaram-se os sátrapas, os prefeitos, os governadores e conselheiros do rei e viram que o fogo não teve poder algum sobre os corpos destes homens; nem foram chamuscados os cabelos da sua cabeça, nem os seus mantos se mudaram, nem cheiro de fogo passara sobre eles. (v. 26-27)
A disposição de Hananias, Misael e Azarias de submeter-se ao martírio resultou na exaltação do nome daquele que é o criador e sustentador de todas as coisas, para quem nada é impossível. O Senhor poderia ter livrado os jovens do martírio, mas resolveu livrá-los no martírio.
O ato nobre e corajoso de Hananias, Misael e Azarias, resultado da fé que eles tinham em Deus é reconhecido e declarado pelo rei:
Falou Nabucodonosor e disse: Bendito seja o Deus de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, que enviou o seu anjo e livrou os seus servos, que confiaram nele, pois não quiseram cumprir a palavra do rei, preferindo entregar o seu corpo, a servirem e adorarem a qualquer outro deus, senão ao seu Deus. (v. 28)
Por causa da submissão de Hananias, Misael e Azarias ao martírio, que fez Nabucodonosor reconhecer que “não há outro deus que possa livrar como este”, os jovens foram honrados e prosperaram na província de Babilônia (v. 29-30).
A disposição ao martírio sempre resultará em honra, quer seja no presente, no futuro ou na eternidade!
domingo, 18 de março de 2012
PASTOR MARTIM ALVES CONVOCA A IEADERN PARA CAMPANHA DE ORAÇÃO, JEJUM E UNIDADE
Fonte: www.adnatal.org |
A TEOLOGIA DO MARTÍRIO: O PROFETA JEREMIAS

A escolha soberana que o Senhor faz daqueles que lhe servirão como profetas é um chamado ao martírio. Ao se revelar para Jeremias o comissionando para o exercício do ministério profético, e conhecendo as grandes pressões, ameaças e perseguições que geralmente culminam em martírio, o Senhor lhe dirige as seguintes as seguintes palavras: "Não temas diante deles, porque eu sou contigo para te livrar, diz o Senhor" (Jr 1.8).
Desde o primeiro momento, é necessário entender que a ideia de livramento não implica necessariamente na ausência de sofrimento, principalmente quando confronto de poderosos e do povo está em vista. A posição de Jeremias naquele momento histórico seria de alguém levantado por Deus para ser contra as práticas abusivas do pecado:
Pois eis que convoco todas as tribos dos reinos do Norte, diz o SENHOR; e virão, e cada reino porá o seu trono à entrada das portas de Jerusalém e contra todos os seus muros em redor e contra todas as cidades de Judá. Pronunciarei contra os moradores destas as minhas sentenças, por causa de toda a malícia deles; pois me deixaram a mim, e queimaram incenso a deuses estranhos, e adoraram as obras das suas próprias mãos. Tu, pois, cinge os lombos, dispõe-te e dize-lhes tudo quanto eu te mandar; não te espantes diante deles, para que eu não te infunda espanto na sua presença. Eis que hoje te ponho por cidade fortificada, por coluna de ferro e por muros de bronze, contra todo o país, contra os reis de Judá, contra os seus príncipes, contra os seus sacerdotes e contra o seu povo. Pelejarão contra ti, mas não prevalecerão; porque eu sou contigo, diz o SENHOR, para te livrar. (Jr 1.15-19)
Assim partiu Jeremias para a sua missão profética, com a palavra de encorajamento divina, mas com todos os temores e tremores humanos. Como o Senhor lhe mandara, ele convoca a todos ao arrependimento, e alerta quanto às consequências de se manterem rebelados contra Deus.
Não demorou para que o martírio de Jeremias fosse desejado e planejado por seus ouvintes, desta feita pelos homens de Anatote:
O SENHOR mo fez saber, e eu o soube; então, me fizeste ver as suas maquinações. Eu era como manso cordeiro, que é levado ao matadouro; porque eu não sabia que tramavam projetos contra mim, dizendo: Destruamos a árvore com seu fruto; a ele cortemo-lo da terra dos viventes, e não haja mais memória do seu nome. (Jr 11.18-19)
Diante da real ameaça de martírio, o profeta clama a Deus por uma intervenção e livramento, no que é atendido (Jr 11.20-22).
Como predito pelo Senhor, até os sacerdotes se levantariam contra Jeremias. Quando profetizava no átrio da Casa do Senhor juízo de Deus sobre a cidade, o sacerdote Pasur, filho de Imer, que ocupava o cargo de presidente da Casa, fere a Jeremias e o colocou no cepo que estava na porta superior de Benjamim, na Casa do Senhor. Lá, Jeremias sofreu o martírio mediante da exposição vergonhosa e humilhante. No dia seguinte, quando retirado do cepo, longe de recuar em suas palavras, Jeremias não apenas reafirma o juízo de Deus, como declara a ruína do sacerdote Pasur e da sua casa, que culminaria com o cativeiro e a morte na Babilônia (Jr 20.3-6).
Diante da constante pressão, da possibilidade sempre presente do martírio, o profeta Jeremias, em sua plena humanidade, verbaliza e exterioriza os seus sentimentos e temores:
Persuadiste-me, ó SENHOR, e persuadido fiquei; mais forte foste do que eu e prevaleceste; sirvo de escárnio todo o dia; cada um deles zomba de mim. Porque, sempre que falo, tenho de gritar e clamar: Violência e destruição! Porque a palavra do SENHOR se me tornou um opróbrio e ludíbrio todo o dia. Quando pensei: não me lembrarei dele e já não falarei no seu nome, então, isso me foi no coração como fogo ardente, encerrado nos meus ossos; já desfaleço de sofrer e não posso mais. Porque ouvi a murmuração de muitos: Há terror por todos os lados! Denunciai, e o denunciaremos! Todos os meus íntimos amigos que aguardam de mim que eu tropece dizem: Bem pode ser que se deixe persuadir; então, prevaleceremos contra ele e dele nos vingaremos. (Jr 20.7-10)
A inconstância emocional é claramente percebida na fala de Jeremias, que em alguns momentos demonstra confiança, para logo em seguida amaldiçoar o próprio dia em que nasceu:
Mas o SENHOR está comigo como um poderoso guerreiro; por isso, tropeçarão os meus perseguidores e não prevalecerão; serão sobremodo envergonhados; e, porque não se houveram sabiamente, sofrerão afronta perpétua, que jamais se esquecerá. Tu, pois, ó SENHOR dos Exércitos, que provas o justo e esquadrinhas os afetos e o coração, permite veja eu a tua vingança contra eles, pois te confiei a minha causa. Cantai ao SENHOR, louvai ao SENHOR; pois livrou a alma do necessitado das mãos dos malfeitores. Maldito o dia em que nasci! Não seja bendito o dia em que me deu à luz minha mãe! Maldito o homem que deu as novas a meu pai, dizendo: Nasceu-te um filho!, alegrando-o com isso grandemente. Seja esse homem como as cidades que o SENHOR, sem ter compaixão, destruiu; ouça ele clamor pela manhã e ao meio-dia, alarido. Por que não me matou Deus no ventre materno? Por que minha mãe não foi minha sepultura? Ou não permaneceu grávida perpetuamente? Por que saí do ventre materno tão-somente para ver trabalho e tristeza e para que se consumam de vergonha os meus dias? (Jr 20.11-18)
A instabilidade emocional de Jeremias é o puro retrato de nossas instabilidades e oscilações de ânimo na realização da obra do Senhor, diante das dificuldades e das incompreensões que nela vivenciamos. Num momento estamos confiantes, firmes, exaltando e louvando a Deus, para logo em seguida cairmos em profunda angústia, desespero e crise depressiva.
Jeremias continua a sua missão profetizando contra a casa do rei de Judá (Jr 22.1-30), que era conivente com a idolatria, a injustiça, a violência e a opressão sofrida pelos estrangeiros, os órfãos e as viúvas. Os pastores que representam a liderança geral da nação (Jr 23.1-4), que dispersam as ovelhas do Senhor, e que não as apascentam, são também alertados. Os profetas de Jerusalém são denunciados e sofrerão também o juízo por cometerem adultérios, serem falsos e apoiarem os malfeitores (Jr 23.9-14). Os profetas são reprovados também por falarem de visões falsas e de ensinarem coisas vãs (v. 15-31).
No início do reinado de Jeoaquim , filho de Josias, rei de Judá (Jr 26.1), Jeremias foi orientado pelo Senhor a profetizar mais uma vez no átrio da casa do Senhor (v. 2). Desta feita, a destruição da própria Casa seria anunciada, algo que para a liderança em Jerusalém, e para o povo em geral, além de inadmissível, soava a pura blasfêmia (v. 4-6). Mas uma vez, a possibilidade do martírio tornou-se muito real para Jeremias, mediante as ameaças e acusações por ele sofridas:
Os sacerdotes, os profetas e todo o povo ouviram a Jeremias, quando proferia estas palavras na Casa do SENHOR. Tendo Jeremias acabado de falar tudo quanto o SENHOR lhe havia ordenado que dissesse a todo o povo, lançaram mão dele os sacerdotes, os profetas e todo o povo, dizendo: Serás morto. Por que profetizas em nome do SENHOR, dizendo: Será como Siló esta casa, e esta cidade, desolada e sem habitantes? E ajuntou-se todo o povo contra Jeremias, na Casa do SENHOR. Tendo os príncipes de Judá ouvido estas palavras, subiram da casa do rei à Casa do SENHOR e se assentaram à entrada da Porta Nova da Casa do SENHOR. Então, os sacerdotes e os profetas falaram aos príncipes e a todo o povo, dizendo: Este homem é réu de morte, porque profetizou contra esta cidade, como ouvistes com os vossos próprios ouvidos. (Jr 26.7-11)
Diante da defesa de Jeremias (Jr 26.12-15), uma discussão sobre alguns casos semelhantes ao de Jeremias foi levantada. Dois casos foram citados, o do profeta Miqueias, o moratista, que profetizou nos dias de Ezequias, rei de Judá, e que não foi executado (v. 18-19), e o caso do profeta Urias, filho de Semaías, de Quiriate-Jearim, nos dias de Jeoaquim, onde neste caso o martírio se concretizou com a execução de Urias (v. 20-23). Ao final das discussões sobre Jeremias, a intervenção de Aicão, filho de Safá, lhe poupou da morte (v.24).
Outro episódio muito marcante em meio às dores, temores e tremores de Jeremias foi o do confronto com o profeta Hananias, que se levantou para se opor com uma falsa profecia (Jr 28.1-17). Apesar da superação, estes confrontos produzem um grande estresse na vida dos homens de Deus.
No ano quarto de Jeoquim, filho de Josias, rei de Judá, o Senhor orientou a Jeremias que escrevesse no rolo de um livro todas as palavras que lhe tinha falado sobre Israel, e sobre Judá, e sobre todas as nações, do início do seu ministério até aquela data (Jr 36.1-2). Seguindo todas as orientações dadas pelo Senhor, Jeremias chamou a Baruque, filho de Nerias, que escreveu as palavras ditadas pelo profeta, para em seguida lê-las na Casa do Senhor (v. 5-19).
Temerosos diante do que ouviram, os príncipes foram até ao rei, no átrio, depositando o rolo escrito por Baruque na câmara de Elisama, o escriba (v. 20). Ouvindo o que os príncipes lhe relataram, o rei enviou a Jeudi, para que trouxesse o rolo que estava na câmara de Elisama, o escriba, que foi lido para o rei e aos príncipes presentes (v. 21-22). Com a leitura de três ou quatro folhas, em vez de temer e se arrepender de seus pecados, Jeoquim, mesmo sendo aconselhado por Elnatã, Delaías e Gemarias, com um canivete de escrivão cortou o rolo, para em seguida lançá-lo no fogo, onde foi totalmente consumido (v. 23-26). Achando pouco, o rei ainda deu ordem para Baruque e Jeremias fossem presos, o que não aconteceu por intervenção divina (v.26). Uma certa vez (houve outras), tive textos que escrevi sob a iluminação e direção divina rejeitados e engavetados por quem detinha o poder de considerá-los e publicá-los. Jeremias, sofria agora a dor da rejeição da palavra falada e escrita. Esse sofrimento de Jeremias, que escreveu sob a inspiração do Senhor, serve de exemplo e consolo para tantos outros mártires em potencial, que sofrem por aquilo que falam e escrevem na direção do Espírito. Longe de desistir da sua tarefa, Jeremias, recebe ordens de Deus, e pede que Baruque, filho de Nerias, o escrivão, escreva novamente, com alguns acréscimos, todas as palavras contidas no primeiro rolo (v. 27-32). Não há Jeoaquim algum, que mesmo rasgando, queimando, engavetando ou tratando com descaso os escritos de um profeta de Deus (revelação no caso da Escritura, e iluminação no caso da interpretação da Escritura), possa frustrar os planos do Senhor na vida deste.
Em pleno processo de cumprimento da palavra do Senhor que veio a Jeremias, ainda houve acusações contra o profeta, que partiram de Jerias, um capitão da guarda, filho de Selemias, acusando-o de traição (Jr 37.11-13). Mesmo negando veementemente a acusação lhe feita, sob a ira dos príncipes Jeremias foi ferido e preso na casa de Jônatas, o escrivão, por muitos dias (v. 14-16). O rei Zedequias, desejoso e esperançoso de ouvir uma palavra que lhe agradasse, mandou soltar a Jeremias, que mesmo em sua condição humana, temendo a possibilidade do martírio em forma de execução, manteve-se firme e fiel naquilo que o Senhor lhe mandara falar (v. 17-20). Sua súplica é comovente: “Agora, pois, ouve, ó rei, meu senhor: Que a minha humilde súplica seja bem acolhida por ti, e não me deixes tornar à casa de Jônatas, o escrivão, para que eu não venha a morrer ali”. (Jr 37.20)
Em consequência disso, Jeremias foi posto no átrio da guarda, onde comia um bolo de pão por dia, até o tempo em que o pão da cidade se acabou (v. 21).
Cegos e obstinados em não dar ouvidos às palavras de Jeremias, os príncipes Sefatias, filho de Matã, Gedalias, filho de Pasur, Jucal, filho de Selemias, e Passur, filho de Malquias, pedem a morte de Jeremias (Jr 38.1-4) ao rei Zedequias, que enfraquecido moralmente e politicamente, entrega o profeta nas mãos dos seus acusadores (v. 5), que em seguida o lançam no calabouço de Malquias, filho do rei, que estava no átrio da guarda; onde desceram Jeremias com cordas, atolando-o em lama. Era literalmente o fundo do poço naquele martírio (v. 6). Mas uma vez a providência divina em favor de Jeremias é manifesta, que através dos conselhos de Ebede-Meleque, um etíope, dados ao rei, livra Jeremias da morte (v. 7-13).
Levado mais uma vez diante de Zedequias, que insistia na possibilidade de uma mudança no quadro da cidade e da nação, e sob o juramento do rei de que não o mataria, Jeremias dá conselhos da parte do Senhor ao rei (v. 14-16). Seguindo as orientações do próprio rei, que lhe escuta as palavras, Jeremias obteve proteção até o dia em que Jerusalém foi tomada (v. 24-28).
Diante de todas as tentativas de lhe tirarem a vida, Jeremias testemunhou a fidelidade de Deus, que conforme lhe falara, esteve com ele promovendo livramentos de morte, e confirmando a palavra que saia de sua boca sob a orientação do Senhor.
O sofrimento de Jeremias provocou marcas em seu corpo e em sua alma, pertinentes aos frágeis, mas sinceros servos do altíssimo, que militaram, e que ainda militam em nome, e para a glória de Deus.
sexta-feira, 16 de março de 2012
quarta-feira, 14 de março de 2012
A TEOLOGIA DO MARTÍRIO: O PROFETA ELIAS

Acabe fez saber a Jezabel tudo quanto Elias havia feito e como matara todos os profetas à espada. Então, Jezabel mandou um mensageiro a Elias a dizer-lhe: Façam-me os deuses como lhes aprouver se amanhã a estas horas não fizer eu à tua vida como fizeste a cada um deles. Temendo, pois, Elias, levantou-se, e, para salvar sua vida, se foi, e chegou a Berseba, que pertence a Judá; e ali deixou o seu moço. Ele mesmo, porém, se foi ao deserto, caminho de um dia, e veio, e se assentou debaixo de um zimbro; e pediu para si a morte e disse: Basta; toma agora, ó SENHOR, a minha alma, pois não sou melhor do que meus pais. Deitou-se e dormiu debaixo do zimbro; eis que um anjo o tocou e lhe disse: Levanta-te e come. Olhou ele e viu, junto à cabeceira, um pão cozido sobre pedras em brasa e uma botija de água. Comeu, bebeu e tornou a dormir. Voltou segunda vez o anjo do SENHOR, tocou-o e lhe disse: Levanta-te e come, porque o caminho te será sobremodo longo. (1 Rs 19.1-7)
As ameaças são um prenúncio verbalizado do martírio. Jezabel foi contundente e firme: “Façam-me os deuses como lhes aprouver se amanhã a estas horas não fizer eu à tua vida como fizeste a cada um deles”. Elias tinha um claro conhecimento do poder e da fama de Jezabel, a matadora de profetas (1 Rs 18.13). Elias, diante da informação, parte em fuga motivado pelo medo do martírio e pelo instinto natural da preservação da vida (1 Rs 19.3). Um covarde? Não, um homem sujeito às mesmas fraquezas que nós (Tg 5.17).
Na vida de um profeta a possibilidade do sofrimento e da morte estão sempre presentes. O chamado profético pode ser considerado com um convite ao martírio. Foi assim com o profeta Elias, que bem afirmou: “não sou melhor do que meus pais” (v. 4b).
Profetas sentem medo. O medo, que é um dispositivo emocional que nos faz agir com cuidado, preventivamente e cautelosamente, pode circunstancialmente provocar algumas outras reações ou crises emocionais. Uma crise depressiva, caracterizada pelo isolamento (deixou o seu moço), pela inércia (se assentou debaixo de um zimbro), pela mudança do estado de seu ânimo e pelo pedido da morte se apoderou de Elias (v. 4). De sentado, Elias deitou-se e dormiu.
O que você acha que Deus faz com os seus valentes, quanto estes experienciam crises de fraquezas e temores, descarta-os? Não. O Senhor nos conhece, e por isso nos socorre nestes momentos. Um mensageiro angelical de Deus foi enviado para tratar Elias. O tratamento envolveu um toque (contato e estímulo sensorial) e uma palavra de ânimo “levanta-te e come”. Foram providenciados também água e pão, que são elementos eficazes na recuperação de debilidade psicossomática (hidratação e nutrição). Elias comeu e bebeu, mas tornou a deitar-se.
O Senhor não desiste facilmente de nós. O anjo retornou, e mais uma veze tocando-o (estímulo sensorial), disse (estímulo verbal): “Levanta-te e come, porque o caminho te será sobremodo longo” (v. 7). Não havia simplesmente a necessidade de superar a crise depressiva, originada dos medos e temores de Elias, mas de continuar o projeto que Deus tinha para a sua vida, de cumprir o seu ministério profético.
Levantou-se, pois, comeu e bebeu; e, com a força daquela comida, caminhou quarenta dias e quarenta noites até Horebe, o monte de Deus. Ali, entrou numa caverna, onde passou a noite; e eis que lhe veio a palavra do SENHOR e lhe disse: Que fazes aqui, Elias? Ele respondeu: Tenho sido zeloso pelo SENHOR, Deus dos Exércitos, porque os filhos de Israel deixaram a tua aliança, derribaram os teus altares e mataram os teus profetas à espada; e eu fiquei só, e procuram tirar-me a vida. Disse-lhe Deus: Sai e põe-te neste monte perante o SENHOR. Eis que passava o SENHOR; e um grande e forte vento fendia os montes e despedaçava as penhas diante do SENHOR, porém o SENHOR não estava no vento; depois do vento, um terremoto, mas o SENHOR não estava no terremoto; depois do terremoto, um fogo, mas o SENHOR não estava no fogo; e, depois do fogo, um cicio tranquilo e suave. Ouvindo-o Elias, envolveu o rosto no seu manto e, saindo, pôs-se à entrada da caverna. Eis que lhe veio uma voz e lhe disse: Que fazes aqui, Elias? Ele respondeu: Tenho sido em extremo zeloso pelo SENHOR, Deus dos Exércitos, porque os filhos de Israel deixaram a tua aliança, derribaram os teus altares e mataram os teus profetas à espada; e eu fiquei só, e procuram tirar-me a vida. Disse-lhe o SENHOR: Vai, volta ao teu caminho para o deserto de Damasco e, em chegando lá, unge a Hazael rei sobre a Síria. A Jeú, filho de Ninsi, ungirás rei sobre Israel e também Eliseu, filho de Safate, de Abel-Meolá, ungirás profeta em teu lugar. Quem escapar à espada de Hazael, Jeú o matará; quem escapar à espada de Jeú, Eliseu o matará. Também conservei em Israel sete mil, todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda boca que o não beijou. (1 Rs 19.8-18)
Com o vigor físico restaurado, Elias caminhou até Horebe, o monte de Deus. Ao chegar, entrou numa caverna onde passou a noite. O que estaria Elias a fazer? Descansando da longa jornada de quarenta dias e quarenta noites? Não. Diante da palavra do Senhor que lhe inqueria, a resposta de Elias é reveladora. Alegando ser zeloso pelo Senhor diante da rebeldia, idolatria e violência de Israel, que matara os santos profetas, Elias manifesta o medo do martírio ainda latente em sua alma: “... eu fiquei só, e procuram tirar-me a vida”.
O tratamento do medo e da crise depressiva de Elias é retomado. É preciso persuadir o paciente a sair do enclausuramento físico, para depois libertá-lo do enclausuramento dos temores da alma: “Sai e põe-te neste monte perante o SENHOR”. O processo de tratamento implica em dar um passo de cada vez. A fragilidade emocional de Elias é compreendida pelo Senhor, que pacientemente lhe dirige mais uma vez a voz. O profeta, mesmo diante da intervenção divina ainda teme. Com o rosto envolto numa capa, Elias se coloca na entrada da caverna. Ele se encontra a meio caminho da superação ou de uma recaída.
O tratamento continua com uma abordagem divina terapêutica: “Que fazes aqui, Elias?”, lhe pergunta o Senhor. A resposta de Elias é a mesma dada quando estava no interior da caverna (v. 10 e 14). O Senhor entende a necessidade da verbalização do medo do martírio, para depois ser superado. Para a superação do medo do martírio, desencadeador daquela crise depressiva, o Senhor faz duas coisas. Em primeiro lugar, Elias teria que voltar pelo caminho trilhado até ali, ou seja, na superação do medo do martírio há uma necessidade de trilhar de volta o caminho que se trilhou alimentado pelo medo. Em segundo lugar, novas responsabilidades lhe são atribuídas com um voto de confiança da parte do Senhor, trabalhando dessa maneira a autoestima do profeta: “...unge a Hazael rei sobre a Síria. A Jeú, filho de Ninsi, ungirás rei sobre Israel e também Eliseu, filho de Safate, de Abel-Meolá, ungirás profeta em teu lugar. Quem escapar à espada de Hazael, Jeú o matará; quem escapar à espada de Jeú, Eliseu o matara.” (v. 15b-17).
Aquelas palavras com certeza provocaram na alma de Elias a reação desejada pelo Senhor. Ele se fortaleceu e animou-se. Mas, ainda lhe faltava a motivação final. Na tentativa de justificar o seu comportamento e temor, Elias por duas vezes, como é comum nos mártires, manifestou o sentimento de solidão, de estar lutando sozinho pela causa: “eu fiquei só”. Para libertar Elias dessa ideia fixa e equivocada, dessa síndrome do mártir solitário, o Senhor lhe revela: “Também conservei em Israel sete mil, todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda boca que o não beijou.” (v.18).
Contando com a ajuda do Senhor na superação do medo do martírio, o profeta se ergue novamente e parte para cumprir o restante da sua missão, apesar da possibilidade real da perseguição, do sofrimento e da morte (v. 19-21).
Elias, o mártir em potencial, não experimentou uma execução, nem tampouco a morte por outras formas. Aprouve a Deus poupá-lo, transladando-o ao céu (2 Rs 2.11). De sua história aprendemos que o medo do martírio é comum aos homens, mesmo aos profetas do Senhor, e que a sua superação é necessária e possível, com a graça de Deus.
Continuemos e avancemos em nossa jornada, firmes na realização da obra de Deus, quer seja para vivermos, ou para morrermos.
A TEOLOGIA DO MARTÍRIO: O SACERDOTE ZACARIAS
Depois da morte de Joiada, vieram os príncipes de Judá e se prostraram perante o rei, e o rei os ouviu. Deixaram a Casa do SENHOR, Deus de seus pais, e serviram aos postes-ídolos e aos ídolos; e, por esta sua culpa, veio grande ira sobre Judá e Jerusalém. Porém o SENHOR lhes enviou profetas para os reconduzir a si; estes profetas testemunharam contra eles, mas eles não deram ouvidos. O Espírito de Deus se apoderou de Zacarias, filho do sacerdote Joiada, o qual se pôs em pé diante do povo e lhes disse: Assim diz Deus: Por que transgredis os mandamentos do SENHOR, de modo que não prosperais? Porque deixastes o SENHOR, também ele vos deixará. Conspiraram contra ele e o apedrejaram, por mandado do rei, no pátio da Casa do SENHOR. Assim, o rei Joás não se lembrou da beneficência que Joiada, pai de Zacarias, lhe fizera, porém matou-lhe o filho; este, ao expirar, disse: O SENHOR o verá e o retribuirá. (2 Cr 24.17-22)
Os fatos aqui narrados são vivenciados no período em que Joás reinava em Jerusalém. Nos dias do sacerdote Joiada (também chamado de Baraquias cf. Mt 23.35), o rei Joás sentiu o desejo de promover uma reforma estrutural na Casa do Senhor, sendo bem sucedido em seu intento (2 Cr 24.4-14). A importância de Joiada neste processo de reformar da Casa do Senhor está evidente nos v. 15 e 16: Envelheceu Joiada e morreu farto de dias; era da idade de cento e trinta anos quando morreu. Sepultaram-no na Cidade de Davi com os reis; porque tinha feito bem em Israel e para com Deus e a sua casa.
Com a morte de Joiada, os príncipes de Judá influenciaram de forma negativa o rei Joás, que se rendeu à idolatria, provocando assim sobre Judá e Jerusalém uma grande ira. Misericordioso e logânimo, o Senhor enviou profetas com o propósito de fazer com o rei, os príncipes e o povo se voltassem para Ele. Diante dos protestos, advertências e apelos dos profetas eles não se submeteram a vontade do Senhor, nem arrependidos se voltaram para a verdadeira adoração, e ao verdadeiro Deus (v. 17-19). Esse episódio nos remete ao fato de que na história do povo de Deus muitos líderes sucumbiram diante da pressão e da má influência daqueles que ocuparam cargos de confiança. Por quais razões o rei Joás cedeu? Medo de um levante e da perda do poder? Falta de firmeza na fé?
Diante de tamanha apostasia, ainda movido por amor e bondade, o Espírito de Deus se apodera de Zacarias, filho do sacerdote Joiada, que fala ao povo sobre as suas transgressões, e adverte sobre a impossibilidade de prosperarem, visto que por ter sido abandonado, o Senhor também os abandonaria.
Zacarias, superando qualquer tipo de medo, quer seja de perder privilégios ou até a própria vida, não se omite diante da grande responsabilidade de transmitir uma mensagem que em nada agradaria aos seus ouvintes. Que grande diferença de alguns mensageiros dos tempos bíblicos (e da atualidade), que pregam de acordo com a conveniência do momento, e apenas com o objetivo de agradar os seus ouvintes (e garantir com isso algumas agendas), quer sejam reis, príncipes ou o povo.
Firmado em suas convicções, e honrando o ministério sacerdotal honrado de seu pai, Zacarias se manteve firme. Há muitos filhos de líderes que ao se tornarem líderes acabam trilhando caminhos diferentes daqueles em que seus pais andaram, mas, como já citamos esse não foi o caso de Zacarias.
Diante das circunstâncias uma conspiração foi feita, e por mandado do rei, o sacerdote Zacarias foi executado. O texto bíblico revela um fato lamentável: o rei esqueceu de todo o bem que Joiada, o pai de Zacarias, lhe fizera. Não são poucos os casos daqueles que recebem o bem, mas que logo se esquecem dos seus benfeitores (ou dos familiares dos mesmos). Conheço casos de pessoas que ajudaram seus líderes, e o que receberam em troca foi o desprezo, a desconfiança e a ingratidão. A história está sempre se repetindo. O que muda é o tempo, o lugar, e os personagens.
Em pleno martírio, ainda movido pela coragem de um servo de Deus, Zacarias ousadamente declara: “O Senhor o verá e o retribuirá”. Que grande verdade! O Senhor, o juiz justo (Sl 7.11), sabe retribuir a injustiça dos martirizadores e a fidelidade dos martirizados.

